quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

sombras

Sombras

Sombras

a música abre o espaço
busca nos vãos
o fim amargo
d’um vinho doce
rasgando a garganta
sob palavras não ditas
o olhar profano
subindo aos pés...
os restos jogados
lançados ao monte
de tão esquecidos
como o vômito que a reza te deu...
cantos devassos
o vento vestindo em abraço
sou eu largado
constante embaraço
chorando nas sombras...
Sou eu!!!

Adeus ' dedos' velhos...


Adeus ‘dedos’ velho

A imagem busca a vidraça da sala...
o relâmpago explode ao trovão
a água resvala o vidro
suaviza o rolar pela taça
carregada
vê-se a caminho do chão
a mão amolecida
os dedos se abrem
a taça cai e gira
o líquido toma o espaço
a música acompanha um só compasso
o relâmpago e o trovão
a visão que se vêem é o corpo de fora
uma bela figura em pose de bailarina
que grita em desepero
os acordes do piano também esbraveja
acalmariam a angustia da alma?!
Mas não a voz do trovão...
Estouros que brincam
nas febris mãos de idiotas
que torram seus poucos trocados
na compra de fogos
e o fazem
mas só até perderem alguns dedos
que lhe tem as mãos
olha porém agora e se lamenta
que na sua imaturidade alcoólica
deixou para trás não só o ano velho
mas três dos dedos que lhe faziam ganhar o pão...
e agora além de improdutivo
ficará todos os anos a olhar os velhos dedos
e cantará em meio às lágrimas à sua mão...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A juventude perdida

A juventude perdida
em seus vícios tão pequenos
tem alegria ou sofrimento
Maravilha ou lamento...
Simples meninos...

É o mundo, é um novo tempo,
é um segundo em novas horas.

Os jovens não são mais fortes, cheios de saúde e sorte.
Entregam-se às drogas como novo consorte...

A humanidade vira terceira idade,
Querendo dazer as coisas da mocidade
E cresce pelo descuido o vírus da morte
Até eles se perdem querendo se orientar,
os jovens que não entendem.
Os velhos se acham os donos do tudo
Sofrendo vão todos e dizendo:
... No novo tempo,
apesar dos castigos não estão correndo perigo,
estamos perdidos aciam de tudo:__ Fodidos!

Muitas coisas não os assustam,
nem a noite e nem a força bruta,
Mas estamos todos em luta,
nada demais, nem todos os jovens
e tampouco os idosos são iguais...

Alguns não fazem nada,
outros bebem cachaça,
uns se acham no bom caminho e se aplaudem,
outros apenas fumam e se afundam,
uns são classe alta, outros média ou da baixa,
outros não levam desaforos pra casa,
uns jovens se vingam aos poucos,
outros são desajustados
uns se comportam educados
outros são caça como porcos...

uns não carregam culpa,
outros brigam na rua,
uns são filhos da mãe
e outros da p...perua!

uns vivem em festa,
outros estão abraçados com a besta
uns curtem drogas,
outros se afogam em tubões,
uns ligam o som alto do carro
tremendos bobalhões...

uns só andam com arma,
outros revolver ou faca,

uns usam cadernos
outros com bíblia sagrada.
Uns acham que vão ao céu
Outros poetas eternos...

São centenas de gangues, juvenis
espalhadas pelos brasis;
divididos em praças
ruelas e malocas
deixando de lado os sonhos
as roupas e as graças
quando chove no morro e acaba a favela...
São lágrimas que descem
São vidas em foco e ninguém vê
Apenas quando a tragédia explode
É que o dureza do jovem e pobre passa na TV...

Uns jovens afirmam que lhes faltam carinho
vivem assustados como qualquer menino.
Uns culpam a ninguém,
Outros ao mundo
Uns gostam de turmas se sentindo mais homem
Outros gostam de andar sozinhos,
Na vidinha apenas passam ou somem...

Mas este é o recado do destino:
__Eu sou o que sou,
Pois esta vida é um deboche
O resto é questão de liberdade
e desatino!

Sei agora!!!

Sei agora
Que o afã da aurora
Engrandece a alma
Transporta
Sei agora
A madrugada lá fora
Traz mistério ao momento na memória
Sei eu atordoa a vida imensa
Paixões
Luxúrias
Sei que invade...
Que viaja e atormenta
Até o mais forte dos mortais!
Teu nome paixão
Meu nome solidão...
(0207)

Bola da vez!

Passava eu meio intranqüilo pela rodovia,
uma madrugada turbulenta,
muito fria, calma apenas em aparências,
pois dentro em mim tudo fervia,
nas sombras eu via crianças que não sorriam,
devido aquela brisa elas apenas gemiam,
via-as chorar, queria ajudar,
elas pediam por pão, e minha razão
se pôs a suspirar, como se pode ver crianças assim sofrer?

‘Onde estarão os agentes dos conselhos
Dos que as leis batem no peito e proclamam
Dormem em seus leitos
O contrato do mês quitado
Pelo seu chefe eleito...’

Como as dar de comer?
Se até mesmo eu nada tinha?!
Fiquei sem saber por que tudo tem de acontecer?
Cheguei em casa e comecei a escrever...
Num grande lamento,
só Deus sabe o que sinto neste momento,
ver crianças sem escola,
meu ser em tormento,
de onde passava sentia o cheiro maldito da cola
Essas vidas sem esperanças,
vi tantas que na calçada dormiam, tão frias...
Meu coração doeu e fiquei impaciente
saí pela rua e demente
gritei bem alto:

__ Por quê?!


Aquela visão me acompanhava
Cada vez que meus olhos eu fechava
Gente por coma de gente
Temendo o frio que passavam
Seria um milagre se daquela noite
Alguma delas sobrasse...


Minha alma poetha
Travou diante daquele horror
Não sabia pensar diante daquela proposta
De vida tão dura...
Eles sob o viaduto rumo à sepultura

‘E os políticos em Brasília desviando verdadeira fortuna...’

Perdidas vivem acolhidas
Pelos gestos rasteiros
São vítimas do engodo
São moeda de barganha
Nas trocas das posições
Uma hora é a senador e noutra a deputado
Pode ser uma hora Vereador,
Prefeito ou governador
Servidores silenciosos
São a bola da vez nas eleições, pobres coitados

Vapor da sombra

Na sombra te vejo sentar-se
Acama range
Espirituosamente me sorri de soslaio
Seu olhar me desnuda
Não fala nada
Só gestos toda muda
Sinto na pele teus dedos loucos
Irreverentes
A despertar meu desejo
Que salta á fresta
À sua procura
Quando te descobre
Pulsa radiante
Sob o hálito quente
Saliva, língua
Te observo à sombra
À luz que te mostra
Os movimentos na gula
A ansiedade e eu arfante
Ainda tento segurar meu silêncio
Mas meus lábios desobedientes
Gemem!

Simples aprendiz!

Todos nós temos o direito de errar... Pois quem não nunca errou pegue a pedra e seja então o primeiro.
É bom aprender e não ter a vergonha de ser feliz.
Bom mesmo é ser um eterno aprendiz. Viver e viver e viver...
Aprendi que viver não é apenas um certo saber, mas é vivência.
Aprendi que só ser perdoado não é o bastante para ter uma vida constante e em harmonia.
Aprendi que se alguém me machucar é preciso também perdoar, e para que consiga perdoar tenho que exercitar a convivência com a diversidade.
Aprendi que não devo só querer ser amado, pois em alguns casos, é preciso também mudar atos e pensamentos, é preciso amar e saber amar.
Aprendi que quando duas pessoas brigam não quer dizer que elas se odeiem, mas sei que quando duas pessoas não brigam não quer dizer que elas se amam...
Aprendi que nada na vida acontece por acaso e que futuramente vou tentar proteger meus filhos, mas eles vãos ser magoados assim mesmo, porque o mundo é cruel com os puros de coração.
Aprendi que por falta de perfeição muitos tentam se justificar suas escolhas erradas culpando a imperfeição.
Aprendi que a preocupação traz o desespero, que a falta de dinheiro abala a estrutura familiar, agora sei que pode haver o fim sem que haja um começo.
Sei agora o porque falam que duas pessoas não brigam quando uma não quer, e por que foge da raia é chamado de covarde e aprendi que o inimigo é sujo e se esconde em lugares inocentes.
Aprendi que nem tudo aprendi.
Isso eu aprendi a duras penas.
Aprendi que ninguém quer a morte, só desejam saúde e sorte.
Aprendi que nem só de estrelas, desamores e esperanças vivem os poetas, eles vivem em outras profissões devido ao descaso que lhes são conceituados.
Aprendi que Deus deixou uma escolha certa e mesmo que escolha outra Ele vai fazer você sofrer até retornar, por isso aprendi que não existe livre arbítrio, que você vai ser obrigado a sujeitar-se a este caminho pré disposto à sua vida... Aprendi assim que a porta ainda está e sempre estará aberta.
Aprendi que devemos ter a vida que desejamos por mais que ela seja errada.
Aprendi que mesmo que eu chegue a ser um artista plástico reconhecido não chegaria a ter as nuvens como minhas adversárias, as criações delas são divinas.
Aprendi que em meio à circunstância tudo pode acontecer, a fé renova o espírito.
Aprendi que para destruir o mundo é preciso destruir um ao outro e é preciso levantar nação contar nação... (coisa que o USA tem feito com louvor).
Aprendi que quando se diz ‘já sei de tudo’ é marra de quem não tem humildade e perdeu-se na própria soberba...
Aprendi que sou apenas mais uma parte desta máquina gigantesca chamada Terra, nesta enorme fábrica da criação chamada Universo...
Sou apenas mais um:
Um simples aprendiz nesta caminhada de volta ao céu.

feliz natal

Para que todas as noites tenham sentido.

Pede-se que cada qual prepare um caminho novo, retirando tudo que for prejudicial a si mesmo e aos outros: pedras, obstáculos, amarguras, angustias, preconceitos, orgulho, inveja, ira...
Neste caminho deve ter flores de amor, aroma de compreensão, cores de respeito e iluminação de uma plena conversão.
Um caminho com sorrisos e solidariedade, com partilha, com doação, com exercício da fé. Traçado na esperança que fará brotar a verdadeira concepção do amor.
É no natal, época em que os olhos brilham com mais intensidade, os lábios abrem-se em alegria contagiante, é sempre o renascer da esperança, a comemorar a chegada acontecida a 2000 anos, o Messias, natal é noite do Menino-Deus, o caminho que traz a felicidade, símbolo da libertação.
Sim, libertação.
De tudo que nos afasta do amor, da verdade e que nos leva a vida. E cristo é presente pelo exemplo trazendo lições do amar com consciência e grandeza, com a pureza e com acolhimento.
Uma verdade de amor desinteressado.
Para vivermos esta noite devemos constituir a união das crianças, dos jovens e dos adultos. União aos pais, aos filhos, á família e á comunidade.
Aprender a perdoar e a pedir perdão. Utilizar das lições deixadas nos caracteres bíblicos como o filho eu retorna arrependido à casa do pai, da semente em solo fértil, do bom uso dos talentos, do preço justo e do pão repartido, de justiça social praticada.
Cristo é caminho assim. Cristo é verdade assim, Cristo torna-se vida em nossa vida. Quando realmente os acolhemos em nosso dia a dia.
Esta é a noite mais feliz para todos que preparam seus corações, lares ricos ou simples, a presos e livres, a milionários e a mendigos. Para quem festeja em grupo ou sozinho.
Deus se fez homem e se compromete a promover a vida, a aliviar a dor, dar esperança, curar, descarregar o seu amor.
Um presente que nos é ofertado por Deus, ao alcance de todos, sem distinção, sem divisas, sem separação. Tudo é felicidade, até a lágrima da emoção e do sentimento.
Vamos nos desejar Feliz Natal com o coração agradecido.
Feliz natal a todos o que tem Deus ao coração, a todos desta grande família, em toda dimensão, irmão ou irmã.
Que o Menino-Deus seja pressente em seus passos, ilumine suas decisões, que amacie os seus julgamentos, que abrande seus momentos tristes inseguros e que lhe dê forças.
Feliz Natal e que seu próximo ano, todas as suas noites tenham um mesmo sentido: amor, compreensão, acolhimento, justiça, partilha, solidariedade e paz... Que sua vida seja bênção de Deus.


Poetha Abilio Machado
Artemosfera Cia. de Artes e Anjos decaídos, mas renovando as forças para retornar.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Os fazedores de arte pedem socorro... Ou idéias de suicídio...

Os fazedores de arte pedem socorro... Ou idéias de suicídio...

Não posso afirmar que em todas as cidades aconteça a mesma coisa que nos acontece aqui, assim posso afirmar, o que nos permeia é que santo de casa não faz milagre só é auxílio...
Infringem-nos a uma única possibilidade: a de que servimos para trabalhos gratuitos tidos como voluntários enquanto nossa luz ou água é cortada, ou nosso telefone ferramenta de trabalho nos é retirado por falta de pagamento...
Sempre que coloco em pauta a discussão sobre o voluntariado os detentores do poder, por mais que o sejam temporariamente ficam indignados, blasfemam, gritam e até ofendem...
Ontem fiz uma pergunta a uma senhora que discutia acaloradamente em minha mesa num fórum de cultura e defendia que deveríamos primar por cadastrar e dar ênfase a voluntários:
__Se a senhora não fosse funcionária pública, mesmo a cargo de comissão, a senhora estaria fazendo um trabalho voluntário? Pois sabemos que dia 30 o salário estará na conta corrente não é mesmo? Enquanto a do artista-voluntário está vazia o armário e a geladeira...
__O senhor me ofende...
__Eu só estou fazendo uma pergunta... E gostaria que fosse honesta a resposta.
Traduzindo ficou-se assim sem resposta e a senhora tomou-se como ofendida por ter uma pergunta direta. Outra pergunta foi às instituições em voga outra senhora:
__Pergunto a sua instituição dará preferência a oferecer trabalho remunerado ao artista ou dará preferência ao voluntariado?
__Você sabe meu amigo, você mesmo já nos prestou grandes trabalhos desde que começamos, não preciso nem lhe responder a gente vive é de colaboração mesmo...
Que fique só entre nós, é cobrado por cada interno mais de um salário mínimo.
__Então não seria melhor criarmos políticas públicas para que a administração pública assumisse então este papel o de assaliar os artistas para que estes prestem serviços nas entidades que precisarem?
Como que por mágica o assunto foi desviado para propaganda de atividades promovidas pela prefeitura na área de esporte e turismo e finalmente o almoço.
O que nos falta? Um grupo coeso a serviço direto à cultura: o que vem a ser cultura foi muito esquecida: forma abrangente de se considerar que é tudo que se registra a vivência em comum na verdadeira forma de policultura que envolve o meio urbano e rural, os saberes agregados, o artesão e o industrial. São todos membros natos da cultura local que reflete na regional que vai por si mesma resplandecer nacionalmente e assim ganhar a internacionalidade.
Quando não se há o apoio aos fazedores começam acontecer êxodos: é o escritor que foge dos grandes centros pois sabe ele que na cidade pequena será considerado celebridade, é o pequeno artesão que migra a outra cidade levando seu saber material e imaterial criando um novo pólo por vezes de materiais que nem mesmo ali são existentes mas foi ali que vislumbrou sua porta da esperança...
Falávamos de um amigo poeta que está adoentado, falávamos que assim que sua passagem foi realizada rolarão homenagens, dirão de atos e fatos, mas enquanto estava entre nós? Nem mesmo era lembrado... Como uma pessoa ligada à secretaria da cultura me disse outro dia:
__Nossa, não sabia que o grupo de teatro que vi na televisão é aqui da nossa cidade... A quanto tempo você faz isso? Nossa tudo isso e eu não sabia...
__Interessante... Pois a cada apresentação mandamos convite e material dos eventos...
__Sabe o que é... É que propaganda de eventos a gente nem abre o e-mail.
__Aí não dá para saber o que acontece...
__Mas pode deixar que agora vou ficar atenta...
É um atentado ao cidadão... Pois onde se viu pessoas trabalharem na área e não se interessarem?!
Onde já se viu... Artistas continuarem a se venderem por falsas promessas... Meu amigo maestro precisou tirar dinheiro do bolso para levar seus alunos-coro para apresentarem-se num dos mais renomados teatros O Guairá, mas no momento de reclamar não disse nada, ficou a dar seu sorriso do talvez ano que vem aconteça, quem sabe vou trabalhar com alguma coisa no contra turno, ou até mesmo vão deixar eu apresentar os meninos na semana de demonstração política com atividades publicas submersas por um trabalho de projeto sócio-cultural. Onde até mesmo eu estou incluso...
Mas na hora de dividir os quinhões aí contratamos oficineiros de fora do estado, de outras cidades, por que os de casa... Os de casa são os de casa e nada mais.

Dona pobre

Dona pobre

Miúda senhora, viúva, andava de chinelo havaiana que um dia foi verde e estava apertado pelo pedaço de arame colocado na sola para segurar a tira.
Tinha pernas finas, curtas e tortas, era bem magra que lhe surgiam desde pequena alguns apelidos como graveto, palito de dente, alfinete.
A planta dos pés haviam rachaduras de andar sempre com aquelas chinelas, mas sempre dizia: Deus não quis que eu encontrasse jogado na estrada um par com mais disposição de uso.
Tinha a pele toda marcada por pintas que lhe apareciam como que a decorar a pele enrugada entre aquelas veias largas e crescidas e azuladas, os cabelos cãs lhe forçavam a mostrar que os anos passados não lhe foram gentis e sua caminhada já fora até então longa demais para aquelas pequenas pernas...
Tinha uma fissura não podia ver um espelho que logo parava, fazia nele pose e se olhava, olhava de frente, de lado, dos pés a cabeça. Passava as mãos aos cabelos, na cintura e se via no passado...
Houve tempos em que era pequenininha e bonitinha, recebia assovios, tinha peitos firmes e que cabia em qualquer mão, a bundinha era arrebitadinha, sempre se depilava, usava maquilagem um pouco de pó, sem sombra e só o baton. Usava umas mini saias que tiravam elogios dos transeuntes por onde passava e os cabelos eram lisos, negros e longos que lhe deixavam longas tranças a lhe cobrir o colo.
Agora quando se olhava uma lágrima lhe surgia ao canto dos olhos envelhecidos, os peitos haviam sumido sob aquela regata azul escura ganhada no serviço social, os cabelos estavam tão brancos estavam desalinhados, os dentes que antes eram de um sorriso pleno agora continham poucos remanescentes naquela boca fedorenta de um cigarro aceso atrás do outro, cigarro ora de palha ora de papel comprado e na maioria das vezes feita de bitucas que recolhia na fila do posto ou na frente do botequim do seu Osvaldo que tinha às vezes bom coração jogava uns cigarros quase inteiros para que lhe cedesse o prazer de vê-la ter um sorrisinho tímido ao tragar fumo de verdade.
Ficava assim nos cigarrinhos improvisados, fumo de bituca e folha de papel de caderno escrito, coisas que achava por ali jogados, às vezes conseguia juntar uns trocadinhos e corria para a venda e comprava um pedaço de fumo de cordão, e passava a tarde toda num ritual religioso e concentrado para cortar os nacos gosmentos com a faca que não tinha fio.
Mas ela tinha nisso um grande segredo, ninguém na casa sabia que ela era assim viciada, como os meninos malacos fumava seu paieiro nas escondidas era de cócoras atrás da cerca ou escondida no canto da casa, tinha nisso uma grande aventura, tanto era que quem de longe assistia parecia que a cada tragada tinha um orgasmo e em cada tragada um gemido de prazer. Sempre quando alguém da família quase a pegavam ela fingia alguma coisa que catava algo no terreno, ou que fazia ali um buraco, ou que limpava o que surgia de mato, ficava apavorada quando olhava o saco de fumo e via que havia pouco das bitucas que juntara e saía andando rapidinho pelas ruas da comunidade atrás de mais uma ou outra que lhe surgissem aos olhos.
Era conhecida como a Dona pobre, mas era respeitada e bem querida, não falava mal de ninguém e nem lhes dava ouvidos, tinha só dois defeitos na vida um marido de quem apanhava e o vicio das quimbinhas jogadas. Recebia os filhos quando vinham com um olhar desconfiada, achava engraçado aquelas criaturas todas chegando em carros ou motos fazendo aquele barulhão.
Olhava os filhos crescidos e não conseguia sequer lhe permitir pensar que tais homens daqueles tamanhos lhe tivessem saído daquele seu corpo miúdo, que aqueles seres grandes e gordos ela os tivessem parido.

mama gorda

Mama gorda


Ela pessoa adorada de muitos defeitos, quase não se achava em qualidades seu arsenal de palavrões sempre prontos para verbalizar seus pensamentos profanos ou não, gostava de comer, comia escondido, sorrateira, abria as tampas das panelas bem de mansinho para que dela não surgissem ruídos.
Também tinha o costume de engolir por inteiro os nacos do alimento para que não a descobrissem, vigiavam seus quilos mais que suas próprias condutas, vez ou outra sofria alguns sustos, quando estava sentindo o cheiro dos doces que tanto gostava, eles eram como perfumes ao seu espírito.
Adorava espalhar-se nas tardes sobre a cama encostada em travesseiros fofos e assistir a sessão da tarde na TV, não gostava eram das fofocas mas sapeava a todo momento entre aquele programas idiotas de fofocas que não conseguia entender como alguém ganhava para fazer coisas sobre a vida de outros sem viver a sua, por isso gostava da sua. Comia à vontade, nas graças a Deus que dava agradecia sempre o marido.
Ah o marido, Joãozinho, sabia que ele vez ou outra lhe colocava um bom par de chifres, mas o que a ela importava que quando ele precisava dela ela o aceitava sujo ou limpo, fedegoso na chegada do trabalho ou cheiroso depois do banho... Ele dizia algo como ‘vamo deitá’ e ela já ficava toda molhadinha que só...
Não que ele fosse bonito, não. Ele era na verdade o seu galã, era o seu preferido de sempre, foi o primeiro e continuaria sendo sempre este deus na sua cama, na sua cozinha e na sua despensa cheia. Adorava quando ele chegava suado e a convidava para ir esfregar suas costas, gostava de ensaboar ele todinho como se fosse seu filho crescido, e ela lavava cada cantinho deixando ele todo ouriçado e com olhos de desejo.
Vez ou outra dava uns gritos para que os filhos não perdessem o respeito, mesmo com a boca cheia de pedaços de pão, tinha um sorriso meio confuso e as bochechas gordas, sempre brigava consigo quando esquecia nos bolsos das roupas bolachas que se moíam na hora da lavagem, e os biscoitos endurecidos que vez ou outra surgiam mofadas em gavetas e fundos de armário.
Era assim desde pequena, tinha uma necessidade de colocar coisas á boca, de sentir o estômago sempre cheio, saciado e querendo mais, era uma afronta ao cérebro deixar a fome apertar, então enchia as mãos antes que acabasse o que tinha na mesa ou no pacote, sempre, coisas que a sua mão lhe batia e muito dizendo ser falta de educação e para ela falta de educação era sentir dor de fome, ninguém merecia sentir dor de fome por isso toda vez que dava notícia de pobreza na favela ou em outros países ela chorava copiosamente e comia, tinha esta ansiedade de não querer passar por aquilo, não queria mesmo, nunca.
Agora estava na janela, vendo um grupo de senhoras passeando, entraram no modismo de saírem caminhar para baixar o colesterol e aquela palavra difícil: triglicerídeos. Mas ela não, não ia perder tempo, vai que enquanto estivesse fora as crianças entrassem e pegassem seu bolo de chocolate que fizera com tanto mimo e que já comera a metade, ou destrancariam seu armário no quarto e atacassem suas bolachas recheadas e aqueles cockies importados e tão caros.
Não.
Não dar-se-ia ao luxo de se ver sem seus copos de achocolatado bem morninho que gostava de tomar de canudinho...
Não.
Decidida ficaria ali encostada na janela vendo o mundo passar se quisesse ele que ela participasse viria em forma de doce ou de um salgadinho gostoso: coxinha, risoles ou bolinho de carne trazido lá da Márcia Café.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sem chance

Sem chance
(diário de mortis insana)
De (Poetha) Abilio Machado.


(os dois estão no centro do palco, o figurino convincente de sua mortalidade, como uma coreografia de ‘ mortos vivos ‘ dançam em harmonia, dramatizam aos movimentos, dentro de uma grande bolha que remete à placenta).

ELE__ adivinhem quem sou... Estou nervoso, estão dizendo que está perto a hora. Como estou ansioso... Ela também parece, está nervosa, alguém gritou, quando sair daqui vou dar um jeito nisto, essa voz grossa vai ver, vai ver... (chora também ao seu lado, ela movimenta-se como num despertar).

ELA__ Uhmmm... Eu quero ficar aqui... É tão gostoso, essa sombra que passa, fazendo ondinhas, passa um carinho, emite tanta energia... Ela de vez enquando conversa comigo, diz que já sabe o que eu vou ser, uma tal de menina... Hoje uma voz fez o coração de ela bater forte, rápido sinto ela cansada, um tal de homem falou algo a ela, fez ela chorar, temo, tenho medo. Ela treme quando ele fala...

ELE__ Mas ele vai ver... Olha ela está chorando... O que será este tal de aborto será que esse vai ser o meu nome... ei! Dona, esse é nome feio, procura outro, tipo Sean Conneri, Rupert Everet, talvez algo brasileiro, de várias línguas: José, Antonio ou João?

ELA__ Eu acho que me chamaria... Não sei, acho que só menina já é bonito, mas e ela? Como é o nome dela? Tem cabelos longos, as mãos delicadas, a voz que canta me faz dormir... Diz assim: Dorme neném...que o bicho vem pegá, vai chegá todo bêbado e vai vim só brigá... Não sei porque mas eu não gosto disso.

ELE__ Gosto quando ela diz:que a cuca vem pegá... Ora bolas eu sou espada, (pose de machão) Quero sair daqui, quando sair esse coroa vai ver só... Ele outro dia exigiu que ela tirasse a gente na marra, na força... Eu me ofereci para ir na frente, mas o clone aí vai primeiro e eu tenho que ajudar a empurrar... Como será lá fora, deve ser o maior barato, adoro essa música, vocês estão ouvindo, dá uma vontade de levantar os braços e sacudi-los... Fazer uns exercícios, mas estamos numa falta de espaço aqui... ( musica Eyes the tiger).

ELA__ Eu já gosto daquela que faz a gente chorar, aquela... Parece valsa, parece uma melodia que embala, e a gente dança aqui (luzes trepidam e eles dançam) Oba. Vamos sair.Acho que ela não quer ir.

ELE__ Não esquenta. Ela vai levar a gente tomar sol lá no parque,lembra que ela disse vocês vão brincar ali, tem uma tábua, duas cordas, uma trave, pintada de amarelo, vermelho, verde. O que será esse tal amarelo, vermelho e verde? Muito doida esta parada... Lembra? A gente tentando olhar e não dá só aquele tipo plástico na frente...

ELA__ Foi neste dia que nós descobrimos o nome dela. Ela disse: Não se assuste,a mamãe vai contar como é aqui. Você disse que era assuste.... e eu disse que era mamãe. ( diz eufórica).

ELE__ Mas ela disse para a voz grossa, aquela que só fala gritado: Não assuste as crianças. Eu não tenho culpa, eu tenho medo. Deus vai me castigar ou não, aqueles gemidos que dava, nem quero lembrar, quase morri com falta de ar...

IIº
( Batidas, correntes arrastadas, portas batem, trovões e relâmpagos, tempestade. Os dois vão encolhendo e as luzes vão se apagando vagarosamente, de lado oposto a figura de um caixão e iluminada, a música é fúnebre).

__Pracênodo é meu nome, preciso dizer algo... Sobre violência, essa violência, gratuita que fere o espírito e o corpo, fere a mente e a moral, fere a pele e o sol... Ouriçados humanos como pulgões depois da grama cortada, gritam em alvoroço, a floresta devastada, oh sim, o matagal afogava a grama boa que vez ou outra ressuscitada em pequenos tufos de alegria, ora aqui e ora acolá, em pequenas instâncias logo após o sexo que fertilizava aquele canteiro chamado útero. e nossos verdes gramados cheios de vida me lembram futebol, dos tempos que jogava-se por diversão e não para ganhar alguns milhões, dos apelido, arranca toco, unha encravada dedão torto... A vida é como as gramíneas que vez ou outra tentam avançar sobre seus pequenos talos branquinhos e fracos e são cortadas rentes á raiz, talos pelados à procura do céu. O feto cheio de afeto na raiva incontido ou da conseqüência que é. O ronco do motor elétrico a pá triturando o caule de pequenas e tão indesejáveis pragas... Aparência. Quintal limpo, a enxada rasgando a terra, sugando a vida das pestilências, as mãos poderosas agarrando, estrangulando e arrancando. A família limpa. Aventais brancos, máscaras, anestesias, vidas perdidas. Quase imperceptíveis gritos natos, ouvidos apenas pelos dons da terra... são animais traçando uma luta eterna pelos vãos dos espaços, difuza lembrança do espírito que á foi, seria forte e astuto, experiente ou elegante ou malogrado de sexo indefinido entre o fio e as pernas do homem eu derrapa em seus sapatões...Na dor que viu, nador que sentiram, que cala e clama, que lhe pergunta se vê... Que fazer pra acabar com essa impaciência, essa miséria dos que tem tudo, daqueles que não enxergam esta luta de sobrevivência no espaço da dormência, daqueles que são iguais e não se sentam juntos à mesa, como cães largados ao pés do absoluto, uma procura vazia, insana beleza. São capas brancas de projetos ultrapassados, ilustrações pornográficas fracassadas nas masturbações feitas no banheiro ou nas madrugadas, E o povo são meus brinquedos quebrados pela maldade de destroçar seus pedaços: braços, pernas, cabeças, cabelos e restos, nas rodinhas tão pequenas e o carrinho pisado, amassado e os bonecos brincando de lutinha como power ranger sobre a cartolina com fotos de Campo Largo, sou agora detentor dos poderes de governo e de estado, de fato, virei político, fui votado e agora sou todo mais eu, não sou mais sacrifício, sou dono, sou empresário, nem me venha falar de que a vida precisa de mim antes que acabe, o amor não foi meu e tampouco perdido fui eu, que se resolvam, do esperto ao otário, sei que o mesmo que me elogia amanhã toma a moeda e me condena... E aos poucos vou me aprendendo, acordando e me descobrindo...

IIIº
(O som agora é tão friccional como o texto, as cores das luzes se transformam em pura representação de humor, a cada frase, a cada briga deste inconsciente).

ELE__ Tudo bem agora...

ELA__ Por que...

ELE__ Sua família não iria suportar...
ELA__ A família ou você! Mas eram meus...

ELE__ De nada adianta...

ELA__ Esse horário, o santo ainda está ali mesmo ao por do sol, os seres esperam, querem servir pratos quentes antes do jantar, meu dote é a dor, sou figurante deste teu projeto de manter aparências...

Ele__ Tome a passagem e vá... Eu te disse. Você não quis, então assumiu as conseqüências, é estranho você ficar rezando aí a este santo, deveria rezar para o povo que em breve nos dará o poder nesta vila novamente, fica aí fazendo de conta que está deprimida, mas no fundo está aliviada, louca para sair pela janela e ir banhar-se na cachoeira na colina do bugre, (lascivo vai até ela) Só de lembrar você e aquele sujeito nus deleitando-se na água fria que desce a Serra, das mãos dele tocando o corpo de minha... (ameaça tocá-la e se contém) Só que devo te dizer que seu amor aflito está em outro mundo vendo a grama nascer por outro ângulo...

Ela__ Você... Você... (tenta agarrá-lo)... (o tapa ecoa)

ELE__ Uhm... (ela chora) Agora cale-se, engole este choro, lave este rosto e vá para a sala, temos visitas...(ambos preparam-se, ele ajeita a casaca surrada e ela assoa o nariz, empoa a face abrindo a velha frasqueira, tudo naquele ambiente reflete a uma passado e cheiro de mofo, rotos e com teias). __ Afinal não há nenhuma chance, jamais tivemos, quem somos... O que seria de nós... O que seria de nosso nome de família... O que seria de nossas posses...

ELA__ Se não fosse a aparência?!

(Ele põe o dedo sobre os lábios em sinal de desaprovação, e o outro apontando a direção, ela abaixa o olhar e segue o caminho indicado).

FIM...


Elenco:
ELE
ELA
FETO I
FETO II
PRACÊNODO

o menino, o corpo e a casa ensanguentada...

menino, o corpo e a casa ensangüentada...

O menino andava sozinho pela calçada, tinha nos braços um maço de jornais, vez ou outra encontrava um transeunte e lhe dirigia o pedido:
__Jornal aí moço?
__Jornal aí dona?
Muito raro era achar alguém disposto a comprar, a ceder um espaço de tempo, a olhar ao menos aos olhos, era simplesmente um levantar de mão e a face entortada ao lado, bem a outro lado.
Naquela manhã o estômago roncava pela falta do café, do pedaço de pão, e não havia arrecadado o suficiente que cobrisse o custo do jornal e lhe sobrasse um trocado para aquele pão, sem nenhum acompanhamento, sozinho mesmo.
Cansado sentou-se ao banco de madeira sobrepostas em tiras sobre a base de ferro, depois de colocar os jornais ao lado esticou-se sobre o encosto, gesto de todo menino que mostra que possui virilidade, que ela está presente.
Ao fazer isso com a cabeça para trás viu o outro garoto entre o arbusto que lhe sorriu, estava ali abaixado, fez sinal colocando o dedo sobre os lábios implorando silêncio. Pouco tempo depois estava ali do lado, fazendo perguntas e dizendo outras, queria saber de onde viera e para onde iria o que fazia, se tinha família, se tinha morada, em pouco divididam um pedaço de sonho recheado com goiabada que o garoto trazia na mão...
__Eu também tenho, mas quase nunca eu vou, fico aqui mesmo, aqui perto tem uma casa velha que ninguém mora e é só levar um pouco de comida e dá para dormir lá sossegado...
__Mas...
__Nada de, mas meu amigo, ninguém vai lá, ela é abandonada, quer conhecer? Quem sabe um dia você precisa, vai me dizer que nunca perdeu a lotação para casa e já era tardão e você foi andando, chegou na casa de manhã e ainda levou bronca...
__É já me aconteceu...
Levado pela curiosidade de piá, ou pela atenção lhe ofertada de graça, sem pedir nada, ao contrário foi alimentado e conversava com ele, nem mesmo em casa a mãe tinha tempo de ao menos lhe mandar tomar banho, não mais lhe mostrava as roupas limpas e isto quando as limpava.
Normalmente tinha os olhos voltados para o beco do arraial, ela esperava que seu homem voltasse, mesmo que lhe batesse na cara, que tomasse uma sova dia sim e outro também, ela falava de coisas românticas sobre os cabelos dele, de que ele comportava-se assim porque haviam feito macumba, por que ele era loiro e de olhos azuis, que as vizinhas lhe tinham ciúmes. Derramava lágrimas toda noite esperando que ele saísse da penitenciária e viesse ao seus braços.
Chegaram na casa velha, lá estava ela, a porta de trás quase caindo, era só empurrar e a única dobradiça a segurava, lá dentro o pó disputava espaço com o entulho de madeira e lixo, o lixo sempre presente como o povo o é considerado pelos que a ele representam nos altos escalões do governo. Ou daqueles funcionários que acham que o povo lhes vai pedir ajuda e para isso precisam ser humilhados, devem entrar nas suas salas rastejando.
__Venha. O meu canto é por aqui...
O menino seguiu o outro, num quarto lá em cima no segundo andar havia um resto de colchão e dois cobertores amontoados, dava até um sinal de limpeza, ao menos o lixo estava amontoado a um canto. Ele chegou a sorrir com a idéia de dia desses vir se esconder ali e dormir muito sem a mãe a lhe tirar da cama aos berros, sem ter de dormir na mesma cama de solteiro com mais três irmãos.
Ouviram barulho e quando voltaram-se um homem estava ao escuro.
__Coisa ruim é você?
__Sou sim... Trouxe um amigo...
__Amigo é?
__É e ele é bem gente boa...
__Uhm... Sei... Se ele for bonzinho comigo ele pode ficar.
__Ele não veio pra ficar ele veio para ver onde eu morava só isso.
__Não interessa. Vai ser bonzinho comigo ou não.
O impasse estava criado, quem seria aquele homem, o que seria ser bonzinho com ele? O menino estava perdido nesta nova situação que ele desconhecia.
Tudo estava escuro e o homem deu dois passos para dentro do quarto mal iluminado, não lhe aparecia nada, só o vulto e sua altura assustadora. Apanhou o garoto pelo colarinho da camiseta e o puxou fazendo com que o seguisse... No outro quarto empurrou-o parar o canto.
__Tira aí esta roupa.
__Faz isso não com ele...
__É ele, você já estou enjoado.
__Não... Não pode... Você disse que me amava...
A gargalhada foi ouvida como um trovão.
O menino assustado começou a tirar a roupa, ouviu o grito de que tinha de tirar toda a roupa, e ele ficou ali n o canto encolhido, tolhido pelo medo. O homem arriou a calça e avançou para ele, quando chegava próximo dele, intumescido, de mãos abertas...
__Eu disse a sua mãe que um dia a traição dela ia ser paga...
__Você?
__Você conhece ele?- perguntou o outro garoto.
__Como conheço, por anos convivi com este fantasma na mesma casa. O fruto da traição daquela vagabunda.
__Não chame minha mãe assim...
E jogou-se contra o homem que de calça arriada perdeu o equilíbrio e foi ao chão, lutaram, a agilidade do menino contra a força do homem, o outro veio lhe ajudar carregando uma faca na mão. Golpes e perfurações, a mão grande que esganava o pequeno pescoço aos poucos foi afrouxando pela perda de sangue e deixou-se cair ao lado com os olhos vidrados.
__Não e agora quem vai me proteger?
__Como?
__Eu... Eu vivia com ele há muito tempo, ele cuidava de mim... E em troca eu só fazia nele uns carinhos, mas à noite ele me deixava dormir do seu lado com a cabeça no seu peito e muitas vezes ele cantou para que eu conseguisse dormir, roubou até uma farmácia por que eu estava com febre. E agora?!
__Venha comigo, vamos sair daqui...
__Vai você, vai... Eu fico por aqui...
Dias depois o cheiro insuportável chamou a atenção e a polícia veio ver, encontraram um homem esfaqueado em posição grotesca, uma faca fincada ao chão toda suja de sangue e um menino dormindo sobre seu peito com os olhos molhados de lágrimas, perdidos ao além cantava neste momento:
“Dorme nenê que o bicho vem pegar, mamãe foi à roça e papai vai acordar...”

As confissoes de Raquel...

As confissões de Rachel


Eu sou Rachel, uma pessoa normal, tão normal que isso ás vezes me irrita, por que sou normal?! Poderia ser qualquer coisa na vida, mas não tive que ser assim, nascer assim, viver assim e o caralho a quatro. Sou uma pessoa tão gentil, amável e por isso me sobem às costas e me fazem de gato e sapato. Ah, mas sei ser fria também, gelo quando algo não me agrada, mas consigo cobrir com a minha melhor máscara, posso rir e posso chorar, viram?! Sou normal.
Chorei com a cena da novela ontem, aquilo era tão triste, por que eles gostam de nos fazer chorar às nove horas da noite?
Eu acho que estou confusa, não sei direito o que fazer de mim, só acho que tenho uma certeza: o não sei que faz parte de mim! (está com uma panela na mão e come desesperada).
Me apanhei chorando à toa, uma notícia que deu na tv, daquelas que a gente vê todo dia, e todo santo dia a gente chora de se arrebentar e faz aquelas perguntas chulas do por que isso? Por que aconteceu isso? Onde está o coração deste ser humano?
E o duro é lembrar-se ali, na gôndola do supermercado, na fila da padaria que está imensa. Lembrar que fiz anos, tenho meus 40 anos e não virei loba, eu estou andando nas duas pernas, caramba eu levei toda esta vida para me encontrar, o meu complicado se descomplica, pois não paro para nada, estou sempre faminta de algo, quero devorar o mundo mesmo que aquele cheiro de azedo nos acompanhe depois da festa.
Tenho andado chata concordo, mas é que nesta idade já vi de quase tudo, então não me venha com churumelas, para que cantada, chega e diz abertamente:
__Quero te comer mulher!
Para mim não sou eu que complico nada, eu guardo minhas recordações, parece até difícil e este backoup é feito automaticamente neste uploade que já veio instalado de fabrica, os deuses ou o Deus lhe fez isso, para que na sua recordação eu me torne bipolar, ou me agrada a idéia do que lembro e viaje como um viciado qualquer na memória ou fique decepcionado com aquilo e vire um viciado qualquer na busca de esquecer este ou aquele pormenor, que por menor que seja ficará gigante se eu deixar chegar lá!
Imagine como seria bom só guardarmos em nosso disco rígido momentos lights, bons e graciosos. Por mais que tentem vender aquele livro de auto-ajuda... Peraí auto-ajuda? Mas se estão me dirigindo os passos não sou eu, então não é auto, é dependência, estou dependendo de alguém.
O grande barato agora é vender a Bíblia como livro de auto-ajuda, não faltava mais nada, depois de estamparem Jesus em camisetas, veio as tiaras e lenços e outro dia do lado da bandeira do país, pasmei. A cara de Jesus numa calcinha de lycra e numa cueca de malha fria... Não falta mais nada. Imagina eu ir transar com uma calcinha com a cara de Jesus e uma mensagem Bíblica tipo assim: Eu sou o caminho.
Falam tanto de respeito e ainda continuam me roubando, o pior defeito do homem, o maior pecado capital é o roubo... Quando isso acontece não estão respeitando meus limites e meus direitos.
Ontem me vi chorando no espelho e descobri que até para isso sou vaidosa e fiquei o maior tempão até achar meu maior ângulo, assim não dá me deixa... Este lado muito escuro, assim aparece minha papa, tenho que olhar assim, como uma modelo a posar para o fotógrafo e deixar cair a cabeça de lado a 1/8 e aí sim posso chorar, a vontade e sem aqueles chiliques para gritar:
__Ei estão vendo eu estou chorando, olhem, olhem, aqui oh!
Nada disso, teu choro tem de ser teu, vindo daqui, indo por aqui e saindo assim por todo lado, poros, olhos, garganta e classe.
Já teimei em tentar dar um delete pessoal em pessoas que me magoaram, mas como é difícil...Mas deixei de tentar esquecer e comecei a poetar, falar destas tristezas, me via perdidaça nesta neblina. Uma névoa que me cegava e meus dias voavam. É como um pavio aceso, faz com que fiquemos remoendo aquela imagem, aquele fato e ficamos ali, como a fazer tricô em nosso cérebro, dois pontos retos, três avessos e aquele gostoso não retornou a ligação.
Quando a Alma está triste deixa a gente fraco, vulnerável! Foi fato será o que Maria Rosa me disse?__ Que Deus, distraído, errou a mão, salgou o mar e ainda descuidado, virou a lata de tinta verde por sobre o cerrado e deu no que deu, teve que tingir uma a uma a flores da natureza! Pense bem, tristeza demais, trabalho dobrado para reconstruir e colorir a vida de beleza!
Acordei hoje com esta sensação de que estou distraída, uma preguiça que me faz enrolar para fazer alguma coisa, não queria sair de casa, queria ficar... Me deixar ficar. Não estou com vontade de partir.
Me enrolei na cama por várias horas, me virei, levantei a camisola... Apalpei ao lado meu companheiro não estava e eu ali desajeitada e cheia de tesão, queria ele ali a me dar tudo que eu desejasse... Me embrenharia ao fundo e me daria inteira, minha preguiça com certeza iria embora. Ficaria com aquela moleza que dá depois, aquela que dá vontade de acender um cigarro, ajeitar o travesseiro e ficar relembrando cada detalhe, a entrada e a saída, a entrada e a saída, a entrada e a saída... Ahhhh! As mulheres fazem isso, mas os homens viram para o lado e dormem, roncam os fila da mãe...
Minha vida é tão igual a tantas outras que não teria a chance de estar andando na rua e um cineasta ou escritor famoso chegar e dizer:
___Rachel, repasso 20% da verba da produtora para contarmos a história da sua vida no cinema e é claro você escolhe a atriz para representá-la. E eu diria meio humilde:
___Rachel só pode ser Rachel por ela mesma.
Luzes e mais luzes sobre mim. Ou...
___Aqui está seu cheque... 2 milhões de euros pela primeira edição dum livro que conte ao mundo sua vida...
Luzes e mais luzes sobre mim. Tapete vermelho, banda marcial quando chegasse em alguma cidade, convites para festas, para tanta coisa... Mas meu nego sem chance...
Valho-me a dizer que sou simplesmente Rachel. Revoltada com esta vida medíocre, e ela te chama. É. Te chama.
Hahahahahahahaha... Chama de tantos nomes...
Eu me capricho tanto, faço as unhas eu mesma, para que ir à manicure se posso eu mesmo tirar meus bifes? Assim economizo uns trocados surrupiados da carteira do meu companheiro enquanto roncava o desgraçado. E deles posso comprar meu absorvente, aquele que a gente coloca lá... Mas às vezes sinto um medo, já imaginou se minha piriquita engole aquele rolinho puxando o barbante junto? Como vou tirar aquele treco de dentro de mim... Já havia imaginado isso? Eu já, tenho quase um orgasmo quando coloco aquele trem... E o tesão começa quando abro o pacotinho...
Veja que eu sou assim, tenho umas vontades bem estranhas. Outro dia relembrei de canções, de quando me apaixonei por um músico da cidade, ele cantava muito aquelas baladas dos anos setenta, sendo ele nascido em oitenta, mas tinha certa sensibilidade, era um rapaz à flor da pele, começava a cantar e logo uma lágrima rolava, bem mais tarde descobri que sua sensibilidade ia mais longe, na hora do sexo me veio com aquele pedido, nós ali no ritmo quente, coloca o dedinho aqui que eu não ligo, sacaram a sensibilidade?! Pois é... Mas não pensem que é só ele não, ele ao menos pediu por meu dedo, ou dois... Mas tem muito marmanjo que compra carrão do ano, deixa a mulher com os filhos em casa ou na sogra e sai dar uma volta, e que volta, antes de parar de cara, dá umas dez voltas no quarteirão e pega um ou dois travestis e leva para um motel, a maioria vai lá e curte, leva umas encoxadas dos meninos vestidos de meninas e dizem que tem uma guasca imensa a maioria deles, e tem outros como aquele camarada famoso que se arrepende ou quem sabe se assusta quando vê o tamanho da manjuba e aí resolve quebrar a regra do jogo, e o jogo daqueles meninos meu caros é levou para o motel tem de dar e por quilômetro rodado... Ou seriam centímetros... Quanto mais melhor não é?! Uau! Hahahahahahaha... Têm alguns por aqui que sabem do que eu disse não?! Hahahahaha...
Mas as canções me levaram a lembrar disso, canções especiais lindas e inesquecíveis, e aqueles nãos, já perceberam o quanto é doído a palavrinha?!
Você quer muito aquilo e alguém diz: Não! Você quer pegar e: Não! Não isso e não aquilo, não a tudo... Desde que nascemos somos escorraçados por nãos em uma boa centena de milhares de vezes na vida de quarentona... Ih lembrei de novo. 40 anos, Forty years i have. My God!
A gente está acostumada de levar não da vida, dói menos, vem mais manso, por vezes é sutil, às vezes com uma traição memorável, quando menos se percebe mais pancada vem. Mas reconheço em mim um asco inimaginável em usar a palavra não, mesmo sabendo que por vezes é e se faz necessária. Tipo aquele nãozinho que quer dizer sim... A gente faz muxoxo e diz não querido hoje não, não, não? Ah sim, sim sim... Mais, mais... Não, sim... Ahhhhh! Parei!
Eu quero amanhecer um novo dia, com um novo começo, queria um mundo mais cheio de alegria, mais cheio de cores, que estes segredos que me machuca me libertem, que despertem da alma e reflitam vida e luz sobre a minha vida como se fossem luzes de flores raras, e eu pararia em meio a este jardim de lembranças e esperaria pela borboleta em mim... Ficaria eterna pairada levando o vento em meus cabelos, de braços abertos a estar à beira do precipício.
Queria poder mudar meu nome, como eu mudo minha roupa, que eu tivesse um nome para cada dia, de acordo com o sentimento que eu tivesse, se fosse que fosse assim que fosse nada mais é.
Minhas palavras confessadas. É por que não tenho mais receios, falo o que penso, coço onde me coça e pronto, claro que sofro com isso, a verdade dói quando é dita por mais verdadeira que seja. Ninguém gosta de ouvir a verdade. Não quero me calar a mais nada, para que este silêncio.
O silêncio da mulher deve ser agraciado. Deve abrir a boca assim oh, redondo e não pense besteira... Isso é bom... Mas falar: Óhhh! Comigo não rapaz! Também é muito bom, exercer os direitos de falar, de dizer a hora e o como... Comigo mulheres?!
Mulheres unidas jamais serão vencidas!
Ah se toda mulher soubesse o poder que tem, mulher tem uma força, que faz ele ou eles caírem de quatro, é só se cuidar claro e querer fazer isso.
Quantas vezes nesta opressão do relacionamento me senti disposta a fugir, a sair pelas estradas sem rumo, a me perder, a morrer, já pensei ‘porra será que para ser comida nessa casa tenho de virar puta?!’
Foi aí que aprendi a segurar o meu homem, ele quer calor no relacionamento então eu sou a pimenta, nada ardia, mas sim fogosa, maravilhosa, formosa... Vaidosa. Voltei a ser mulher.
Queria falar agora dos meus amores, meu grande amor. Algumas coisas que aprendi com eles, cada um, tinha algo a me dar de bom tamanho, com jeito, brusco ou calmos, agressivos ou sensíveis... Meus amores. Quis hoje te contar como sou, como vivi, queria ter falado mais, mas vou deixar você pensar no que te disse, quero que você seja capaz de me amar da mesma forma que me entrego agora, vem e desbrava-me.
Eu vivo por que é melhor assim que ficar deitada no sofá com a bacia plástica de pipoca e uma toalha suja a secar os olhos assistindo cenas de novela ou notícias na TV. Eu resolvi viver. Meso tendo tantos perigos nas ruas, na esquina e nos cantos escuros, mas isso também tem nos meus cantos escuros, afinal quem seria Rachel?! Uma mulher qualquer ou uma insana assassina.
Por muitos dias rememorei a isso, assassinei a mim mesmo quando me calava ao mundo, quando me sentia e era submissa, serviçal, casta e moralista... Eu me sentia um nada quando na verdade estava entre muitas iguais a mim, que se vangloriavam de serem as perfeitas Amélias de canalhas vestidos de maridos. Os mesmos que só mudam o endereço. Digamos assim, canalha é canalha até embaixo d’água.
Meus momentos que vivo, que vivi, que vou viver. São coisas que dizem respeito a mim apenas sei disso, mas se você for por um instante empata, vai perceber que eu sou você em algum momento e que em sua vida nossos caminhos ao parecidos, muito semelhantes como as sementes do luxo.
Um quase diário de mim... Tua paciência em me ver hoje, assim despojada de mim, retirada de mim, arrancada de mim... Tudo é quase uma repetição, que estas histórias se repetem não há dúvida, as pessoas se repetem, nós costumamos repetir os erros, prometemos que jamais o faremos, mas a roda da vida vai e de repente acontece tudo de novo, nos apaixonamos, amamos, nos damos e nos arrependemos?! Ah de vez enquando. Muitas vezes repetimos a vida de nossos pais em épocas diferentes, mas se analisarmos ao fundo do profundo somos iguais e seguimos estes passos como se fizessem parte de nossa genética, os mesmos passos.
Saudade de minhas crianças que não tive, será como estariam, escola, faculdade?! Vagabundeando, drogados, ou seriam operários de produção, professores ou aliciadores... Nossa!
Seria ser arrogante dizer a verdade absurda?!
Eu amaria a cada um incondicionalmente ou teria uma preferência escondida entre um a outro?!
Queria ter alguém hoje aqui. Que fosse meu companheiro, filho ou filha, mas que estivesse aqui para me ouvir, me ver, me fotografar, parar em frente ao camarim e ter uma rama de flores brancas e uma caixa de bombons e sorrir e dizer meia dúzia de palavras plagiadas, mas me fazer sorrir... Um afeto, uma gentileza, uma dosezinha de bom senso... Uma troca amável.
Meus anos de silêncio será que me fizeram mais forte?! Será que o silêncio é sinal de fraqueza?! É claro que quando nos aquietamos temos mais chance de avaliarmos aquilo que nos serve daquilo que nos é nocivo... Mas silenciar é consentir com toda esta merda que despejam sobre nós.
Queria falar de tanta coisa, mas o nosso tempo urge... Faço uma busca aqui dentro para falar a você, a você, a vocês... Precisei de tanto tempo para conquistar minha força em não me calar, em dizer ao canalha que me batia para que fosse bater uma punheta para os amigos de boteco dele... Que não queria mais ser um buraco na cama onde ele jogava seu esperma... Minhas pérolas!
Queria uma criança agora e oferecer meu seio, fazer com que esta criança sentisse meu coração de amor lhe dando vida através d meu peito, agora caído e murcho pela lei da gravidade que nenhum ser escapa a não ser que tenha uns trocados e faça uma plástica com alguns mililitros de vedante, desculpe, eu ainda sou do tempo que silicone era usado apenas para vedação das coisas assim tipo frestas... Queria não estar só. Queria ter gente, mesmo que meu filho fosse viadinho, até que me seria legal... O importante era ter alguém perto de mim... Para que os valores familiares fossem tutorizados e exercidos...
Agora gostaria mesmo é de sair daqui e tomar uma taça de vinho, vê-lo despejar-se pelo gargalo sem pressa alguma e cantar em volteios no fundo do copo de cristal, e descansar antes que eu levante à altura da narina e aspire seu aroma embriagante e viaje na história daquela conquista, vinho é assim é uma conquista, lá da semente escolhida, da parreira da encosta, das podas e dos acertos, dos pés em ritmo macerando as bolas sob os dedos de esperança e vida, dos tonéis esculturados da idade, da fermentação pelas trocas e coares despejantes, destas separações uma fugaz concepção na transformação de sua identidade, da elaboração da qualidade encenada pelo tempo sobre um produto que exalta vida. Ah! Vinho é vida, é sabor, é aroma, é romance, é paixão.
Quero então que brindem comigo neste momento, por favor... (entram alguns garçons com bandejas de copos e vinho, ou se haver um carrinho de bar postá-lo em frente ao palco quando num espaço intimista) Amigos que minhas confissões sejam uma abertura para a vida, não só minha, mas a de vocês, que este signo de vida e prosperidade lhes seja radiante por Baco, por mim e por vocês... SAÚDE! Amém!
FIM!!!

Fim original para um ser desigual

Fim Original para um ser desigual!


Agora! Neste momento minha pobre
E miserável vida passa à minha frente
Como um daqueles filmes que vi.
Na frente da loja de vitrine decorada,
Vejo-me pequeno, roupa em farrapos, pés ao chão,
Pedindo trocados, sempre para que meu pai bebesse e me espancasse.
Sempre pedindo trocados,
Me sentindo humilhado, pequeno e fraco.
Mas alguns de vocês me davam:
Ora moedas, ora um doce, um olhar que maltratava ou a cara para o lado...
Depois que cresci sobrevivente enfim
Da família destruída,
outros se foram da fome desnutrida
Perdidos à vida ou ao crime
Nada mais eu achava
No lugar das esmolas recebia palavras e me colocaram na escória
Ninguém mais ajudava
Foi quando comecei nos pequenos furtos
No frio da noite a cola era cobertor
Viagem em estalidos, vertigens...
Mesmo nos vômitos tinha companhia
Na garrafa caída vazia
Na escola de correção conheci meus novos amigos e meu patrão
No embalo dos sabidos fugi e fui ser avião
Agora ganhava uns trocados mais rápidos, andava armado
Botava medo com o ferro na mão
Um dia quase perdi o coração numa carreira
Os home se achegaram do nada
E eu ali premiado
o pacote dentro da cueca no saco
agora estou aqui ajoelhado, a testa encostada no chão,
terra com pedregulho
é o que sinto com os olhos vendados, num saco escuro
as mãos amarradas atrás...
não sei que lugar é este,
deve ser perto de um depósito de lixo
algum rio poluído
esse cheiro é insuportável
não sei ao certo quantos homens estão à minha volta
há risos e gritos, estou sozinho jogado ou há mais?
Os estampidos dão medo.
Tudo isso...
Foi sem querer naquele assalto
O velho reagiu e eu não esperava
O tiro apenas saiu...
Agora eu lamento,
Quem deveria lamentar eram vocês...
Não eu...
Vocês que poderia ter me ajudado,
poderiam ter me dado oportunidade de vida
...e de ser alguém
A lamentação não devia ser minha
por que eu fiz de tudo para sobreviver e vocês?
Queriam que eu ficasse sentado na esquina
para que pudessem me jogar dez centavos
e entrar na igreja mais sossegados
e dizer: olha só a boa ação que eu fiz.
Por que me deram aquela esmola?
Por que não me tomaram pela mão e me deram escola
Um ensino, um destino?
Entendo até que da primeira ou segunda vez eu fosse cínico,
Com sorriso ao lado,
Mas com o tempo eu teria notado
Que teria que estudar, aprender,
Trabalhar para ter, e como muitos iria à batalha
Aí realmente estaria me ensinando a plantar a terra,
A fazer a terra e não viver na espera...
Eu estou tremendo tanto,
Meu deus, ele se aproximam
Eu sinto que vai acontecer,
Estou ficado enjoado...
Os passos estão pesados...
Me sinto cercado,
Ouço barulhos, são de ferrolhos,
Minha virilha. Me molho...
E agora?!
Queria só mais uma chance...
Não brinca, não me apavora...
Ria, talvez algum rico burguês vai escrever uma música,
Vai fazer sucesso contando minha vida,
Enfim mesmo morto usado serei mais uma vez...
Agora...
Queria ver o sol, o aro-íris, a noite quente
A face de minha mãe ao me beijar...
Queria o abraço seguro de meu pai
Não me deixe ir assim...
Nãoooooooooooooooooooooooooooo!
Não mais...
Nãoooooooooooooooooooooooooooo!
Isso dói...
Nãoooooooooooooooooooooooooooo!
Assim...

Essa noite eu sou seu.

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Essa noite sou seu narrador.

Quando a vi pela primeira vez, o peito dela estava aberto.Dava pra ver o coração batendo sempre disparado.Falou-me que gostava da Lua e eu olhando para estrelas fiquei a imaginar em que constelação ela deveria morar. “Andrômeda” é o que está dizendo o lado esquerdo do peito.
Também me contou sobre uma festa.

“ Fui numa festinha de crianças essa semana.Cheguei lá e cumprimentei todo mundo, já sou de casa né.Daí vi o Leonardo, aquele menino fofo, fofo, fofo.Abracei ele, aquele abraço de urso sabe. E ele disse “ai,ai,ai!”.Peguei nas bochechas dele com uma vontade!Afastei-me dele e fui conversar com o resto do pessoal.Mas percebi que o Léo não tirava os olhos de mim.Não resisti e fui lá falar com aquela fofura.E não é que ele me disse bravo um tantão:
- Por que você ficou lá conversando com os adultos?
- Ah porque eu os conheço e eles me conhecem
- Mas você quando vem aqui só fica com a gente que é criança, pula na piscina com a gente...e eu vi fosse colocando o dedo no bolo e comendo os brigadeiros antes da hora!
- Ai Léo como é que se viu heim?
- É e você nem se veste igual gente grande nada, parece mais com a gente.
-É mesmo é Léo, quer dizer que você me acha com jeito de criança?
- Acho sim! Cê é igualzinha eu....
- Pôxa...
- Posso te contar um segredo?
- Pode sim Léo
- Se você quiser eu deixo você ser minha namorada....”

Yolanda é o seu nome.Igualzinho ao da música.Por ser assim tão criança é por isso que quando lembro dela, lembro de um colo onde eu posso dormir em paz .
Durmo agora rezando o credo que tu me ensinaste:

“Quero saber de teus problemas,
Desejos, anseios, sonhos, decepções...
Coisas que sempre unem
Nossos dois inquietos corações!

Estou aqui para juntar os pedaços
Espalhados no mundo de teu coração
A vida, afinal, necessita
De uma distância de seguimento
Ou será necessária, por precaução,
Uma distância de frenagem no tormento?

Se preciso for, darei meus olhos
Pra que o teu mundo
Se encha de amor!
Meu colo é teu...
Vem, deita-te aqui e descansa!
Esconde a face em meus seios,
Recorda-te de quando eras criança!
Por um momento, esqueçamos tudo
Esse mundo terrível e cruel
Façamos o nosso, com devaneios mudos,
Cercado apenas por muros de papel!

Deita-te aqui e descansa...
Chora, se assim desejares
Enxugarei tuas lágrimas assim,
Uma a uma, como se em mim
Estivessem todas as tuas mulheres


sábado, 17 de outubro de 2009

As meninas malvadas

AS MENINAS MALVADAS...


De Abilio Machado de Lima Fº.
(19.06.08)

As duas meninas estão sentadas num banco de madeira escrevendo em folhas sobre uma tábua de madeira tosca, envelhecida pelo tempo.

CRISTINA: Nossa! Que frio, você sentiu muito frio esta noite de madrugadinha?!

SHEILA: Sabe que não?! Lá em casa garças a Deus todos têm várias cobertas...

CRISTINA: Lá na minha já não. Teve até um dia que tava tão frio que quando acordei tinha feito xixi pra me esquentar...

SHEILA: Credo, xixi?! Cuidado!

CRISTINA: (assustada) __ Cuidado?

SHEILA: __ É! Imagina se ‘aquelas’ te ouvem falando isso?

CRISTINA: __ É mesmo. Não quero nem pensar. Eu seria crucificada no jornalzinho da escola.

SHEILA: __ Lembra aquela vez que colocaram aquela fofoca falando de mim?

CRISTINA: __ Ih, se lembro. Foi um assunto que rendeu dias...

SHEILA: __ Infelizmente. A manchete dizia: ‘Vejam Sheila em sua piscina particular’. E na verdade elas tinham me empurrado dentro do rio sujo, ali no banhado.

CRISTINA: __ Mas sabe que a foto até que saiu bonitinha?! ( retira a folha do jornal da mochila e mostra, onde Sheila toma da sua mão e sapateia sobre).

SHEILA: __ Ah!

CRISTINA: __ Mais calma agora?

SHEILA: (recompõem-se) __ Em falar nisso eu estou devendo uma vingança a elas...

CRISTINA: __ Uma vingança?

SHEILA: __ É. Minha vingança será...

CRISTINA: __ Será?

SHEILA: __ Uhm, será...

CRISTINA: Maligna? Perversa? Maldosa? Cruel?

SHEILA: __ Será bem preparada... Elas irão perder os cabelos. Farei um coquetel com todos os produtos da escola e colocarei num frasco de xampu e enviarei no dia do aniversário delas... Principalmente para a Sofia.

CRISTINA: __ A Sofia? Mas ela adora aquele cabelo de barbie paraguaia. Você sabia que ela já foi minha amiga?

SHEILA: __ Já foi? Como você conseguiu?

CRISTINA: __ Eu era bem pequena. Mas hoje eu não sou porque ela é muito chata. E só anda com a Mariana...

SHEILA: __ Tenho uma idéia, será que o livro de bruxaria da merendeira funciona?

CRISTINA: __ Ah. Não apela que a merendeira não é bruxa...

SHEILA: __ Ela usa caldeirão? Aquelas panelas grandotas assim?

CRISTINA: __ Usa!

SHEILA: __ Ela usa uma colher de pau deste tamanho?

CRISTINA: __ Usa!

SHEILA: __ Ela não faz tudo com cara de felicidade?

CRISTINA: __ Faz...

SHEILA: __ Viu? Não te falei?

CRISTINA: __ Uau... Eu tenho uma merendeira que é uma... Mas ela tem cara de fada madrinha.

SHEILA: __ Fada madrinha?! Por acaso você percebeu o montão de vassouras que chegou na escola?!

CRISTINA: __ Você não vai querer dizer que...

SHEILA: __ Isso mesmo. Todos os professores e professoras saem voar á noite depois que acabam as aulas...

CRISTINA: __ Você deve estar pirando.

SHEILA: __ Claro que não. Afinal não sou sua melhor amiga?

CRISTINA: __ É. É sim... Se eles são bububuxas... Elas devem conhecer o Herry Potter... Será que elas me dão o endereço?

SHEILA: __ ãrh. Mas você é difícil...

CRISTINA: __ Um autógrafo?

SHEILA: __ Deixa para lá... Que agora me bateu uma fome...

CRISTINA: __ Agora eu descobri por que a sopa da escola é tão gostosa!!! Vamos ver se rola uma bolachinha com chá quente co’a bruxa...

SHEILA: __ Shiiii!

CRISTINA: __ Ah. É segredo?! A sim... Vamos ver se rola uma bolachinha com chá quente co’a merendeira?

SHEILA: __ Vamos lá amiga... Afinal o que não mata engorda.





Aí meus amigos, textos e esquetes, leiam, divirtam-se e por favor comentem...
AS MENINAS MALVADAS...
(crônica infanto-juvenil que conta o imaginário de duas meninas sobre o boohling e sobre amizade, e uma visão pura sobre professores... hahahaha... (esquete)
http://recantodasletras.uol.com.br/roteirosdeteatro/1154391
LE CONFESSION
(quase um tratado pastoral, conta as conturbações durante uma confissão, leia e tire sua própria conclusão...)
http://recantodasletras.uol.com.br/roteirosdeteatro/1151273
ADEUS MENINOS !
(a mudança e todo o medo que se acopla, o ciclo infanto-juvenil, a separação, a identidade, os medos e a nostalgia... monólogo devorador)
http://recantodasletras.uol.com.br/roteirosdeteatro/1142517
O URSINHO MÁGICO
(um texto- conto de aniversário e de natal, infantil, que fala sobre um presente mágico, de uma madrinha mágica e de visitas mágicas e de aprendizado)
http://recantodasletras.uol.com.br/roteirosdeteatro/1057751
A GARRAFA INACABADA !!!
(Um monólogo de auto analise, de busca, de reagrupar conceitos e valores, as transformações que enaltecem relacionamentos, a diferença de mundos talvez?!)
http://recantodasletras.uol.com.br/roteirosdeteatro/1057742

Nossa Língua...


Nossa língua


Na Declaração dos Direitos do homem e do cidadão, datada de agosto de 1789, o artigo nono estabelece:


"Todo homem é reputado inocente até que ele tenha sido declarado culpado."


Por sua vez, a Proclamação dos Direitos do homem da Organização das Nações Unidas - ONU, em seu artigo onze, afirma que "Toda pessoa acusada de ato delituoso é presumida inocente, até que sua culpabilidade tenha sido legalmente estabelecida em processo público, no qual todas as garantias necessárias à defesa lhe tenham sido asseguradas." Recordamos, neste dia, ambos os artigos que a Humanidade abraçou, para analisarmos uma atitude que temos, muitas vezes adotado. Basta que a mídia notifique algum fato ocorrido e um possível suspeito seja apresentado, para que de imediato tomemos a iniciativa de julgá-lo e condená-lo.


No mesmo dia, passamos a falar a respeito e estabelecemos para o condenado pela nossa razão, as penas mais cruéis. Não faltam aqueles de nós que prescrevem as mais duras penalidades, sem indagar de circunstâncias e nem de veracidade.


Quantas criaturas já tiveram as suas vidas destroçadas pela nossa língua que, como afiado punhal, decepa a honra, o caráter e a vida particular de cidadãos, apenas suspeitos? Já se viu, por mais de uma vez, algumas semanas ou apenas dias passados, a própria mídia apresentar o verdadeiro culpado, enquanto lastima o que fez ao anteriormente apontado. Sem discutirmos as questões profissionais, levemos a questão para o nosso terreno pessoal. Não seria tempo de pensarmos um tanto mais a respeito do que ouvimos, vemos, lemos? Antes de tirarmos conclusões apressadas, não nos deveríamos permitir ao menos a dúvida inquietante, a cautela?

Oportuno se lembrar da exortação do Cristo: "Com a severidade com que julgardes, sereis julgados" e aqueloutra: "Atire a primeira pedra o que estiver sem pecado." Antes de nos preocuparmos em disseminar o mal, atenhamo-nos em divulgar o bem.


Falemos das coisas positivas, das que enobrecem e colaboram para a tranqüilidade das criaturas. Selecionemos uma frase edificante, um trecho construtivo, um livro nobre e falemos a respeito deles. Tenhamos, para cada momento, em cada instante, uma palavra de alento, de bom ânimo, de otimismo. Assim fazendo, com certeza, teremos dado ao talento da nossa língua a melhor utilidade.


* * * Na Epístola de Tiago, no versículo 6 do terceiro capítulo, está escrito: "A língua também é um fogo." Seria muito importante que, toda noite, em nosso exame de consciência nos perguntássemos: "Terei hoje utilizado a minha língua como Jesus utilizou a Dele?"



Texto da Redação do Momento Espírita com base no cap. A língua, do livro Segue-me, do Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. O Clarim.

Nossa Língua...

Nossa língua

Na Declaração dos Direitos do homem e do cidadão, datada de agosto de 1789, o artigo nono estabelece:

"Todo homem é reputado inocente até que ele tenha sido declarado culpado."

Por sua vez, a Proclamação dos Direitos do homem da Organização das Nações Unidas - ONU, em seu artigo onze, afirma que "Toda pessoa acusada de ato delituoso é presumida inocente, até que sua culpabilidade tenha sido legalmente estabelecida em processo público, no qual todas as garantias necessárias à defesa lhe tenham sido asseguradas." Recordamos, neste dia, ambos os artigos que a Humanidade abraçou, para analisarmos uma atitude que temos, muitas vezes adotado. Basta que a mídia notifique algum fato ocorrido e um possível suspeito seja apresentado, para que de imediato tomemos a iniciativa de julgá-lo e condená-lo.

No mesmo dia, passamos a falar a respeito e estabelecemos para o condenado pela nossa razão, as penas mais cruéis. Não faltam aqueles de nós que prescrevem as mais duras penalidades, sem indagar de circunstâncias e nem de veracidade.

Quantas criaturas já tiveram as suas vidas destroçadas pela nossa língua que, como afiado punhal, decepa a honra, o caráter e a vida particular de cidadãos, apenas suspeitos? Já se viu, por mais de uma vez, algumas semanas ou apenas dias passados, a própria mídia apresentar o verdadeiro culpado, enquanto lastima o que fez ao anteriormente apontado. Sem discutirmos as questões profissionais, levemos a questão para o nosso terreno pessoal. Não seria tempo de pensarmos um tanto mais a respeito do que ouvimos, vemos, lemos? Antes de tirarmos conclusões apressadas, não nos deveríamos permitir ao menos a dúvida inquietante, a cautela?
Oportuno se lembrar da exortação do Cristo: "Com a severidade com que julgardes, sereis julgados" e aqueloutra: "Atire a primeira pedra o que estiver sem pecado." Antes de nos preocuparmos em disseminar o mal, atenhamo-nos em divulgar o bem.

Falemos das coisas positivas, das que enobrecem e colaboram para a tranqüilidade das criaturas. Selecionemos uma frase edificante, um trecho construtivo, um livro nobre e falemos a respeito deles. Tenhamos, para cada momento, em cada instante, uma palavra de alento, de bom ânimo, de otimismo. Assim fazendo, com certeza, teremos dado ao talento da nossa língua a melhor utilidade.

* * * Na Epístola de Tiago, no versículo 6 do terceiro capítulo, está escrito: "A língua também é um fogo." Seria muito importante que, toda noite, em nosso exame de consciência nos perguntássemos: "Terei hoje utilizado a minha língua como Jesus utilizou a Dele?"


Texto da Redação do Momento Espírita com base no cap. A língua, do livro Segue-me, do Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. O Clarim.

sábado, 10 de outubro de 2009

a voz do coração

Poetha Abilio Machado.
Às vezes as pessoas pensam que professores são máquinas, que não sofrem, e que pelo ato de verem o mundo com outros olhos, tudo é compreendido...
Pensam que, nós os professores somos iguais aos poetas não entendemos nada do mundo? Será? Nada do amor, nada das pessoas. Acabamos por tomar o papel e caneta, a lousa e o giz, as folhas ainda brancas do caderno e os livros como amigos confidentes, simples parceiros de estudos.
Fazendo descobertas felizes debruçados sobre exercícios e planejamento.
Buscando por respostas às vezes tão simples em meio a garranchos verdadeiros ideogramas indecifráveis.
Nós, professor, professora, que vivemos fuçando para encontrar meios, somas, cálculos, caminhos e palavras para explicar o que muitas vezes é inexplicável, ou pelo menos parece ser, que é esta arte: o ensinar...
Eu entendo que esta comunhão chamada magistério é uma missão. Este amor em repassar o aprendido é algo crescido aqui dentro no peito, a felicidade sem igual quando este sonho torna-se realidade com o resultado alcançado, desde a primeira infância com a socialização até ao sabermos que aquele nosso aluno está na sala ao lado também ensinando, é algo belo, imensurável.
Ser professor é ser toda esta complexidade que para nós é tão simples: DOAÇÃO. É ser algo complexo e sem respostas, confuso às vezes, por outras parecer perfeito, mas também ter falhas, sim... E essas falhas consistem apenas na programação feita em cada SER, como obra de DEUS e o professor é falível e ao ter consciência disso torna-se tão próximo e tão amigo, tão mais aberto a ouvir, tão mais livre para falar...
É ser uma doação do inteiro porque todos estes itens vivem dentro de uma máquina poderosa, que às vezes confesso que pelo cansaço não é utilizada por completo, e mesmo não sendo este pouco aproveitado produz o que deve: SERES HUMANOS.
Professor não é mera máquina, busca ser centrado com problemas e dilemas.
Ser professor é estar presente, é abraçar a causa do recomeço, pois é assim ano a ano. É escola, é combustível para o caminho do acerto.
O professor é fonte de aprendizagem. Um ponto de referência. Quantos que hoje são professores não começaram imitando em brincadeiras os seus professores, quantos não se espelharam e hoje seguem mesmos passos...
O viver do professor é corrido e é simples.
Ele é simplesmente um entendedor de almas na mais pura forma de aplicação, encaminha os passos reservados de todo aquele que lhe surge nesta renovação constante, insiste em ensinar a qualquer que ouse em ultrapassar os portões, a quem sentar-se à frente, a quem esteja disposto a ouvir, sem a pueril escolha e sem o retrocesso dos preconceitos.
O professor simplesmente aceita a incumbência de formar mentes pensantes, cidadãos atuantes, homens e mulheres conscientes. Estruturar estes alunos e fazê-los se sentirem importantes, especiais...
Se visto o professor em mim com a alma, com amor, tenho a felicidade e o universo conspira para que tudo seja bom nesta profissão abraçada e tudo que aparece em meu caminho são meros detalhes nesta viagem chamada VIDA, desta maneira que escolhi para viver chamada ENSINAR.
Sem mais palavras... A você, a mim, a todos nós: __Parabéns...
out/09.

escolha de amigos...de Oscar Wilde


o orgasmo


domingo, 27 de setembro de 2009

O rito da purificação do caminho de São Luiz do Purunã.


Os braços estavam abertos representavam a crucificação, olhos cerrados, o forte vento a fazer dançar os cabelos, compridos e castanhos relembrando bandeirolas em mastros.

Sorriu ao associar ao descobrimento. Bastava-lhe estar vivo.

O açoite da camiseta, amarrada displicente sobre o quadril.

A natureza explodia vida e ele absorvia sua energia.

A oração era murmurada, o sentimento de nivelar o seu volume executava um arrepiar crescente.

Algo que subia, tomando espaço até carregá-lo,explodindo o cérebro de intensa luz, fachos de memória com imagens e cores.

Idéias a muito idas.Palavras perdidas.

As nuvens vindas de sudoeste amontoavam-se como crianças a correr na saída ao recreio, seus gritos faiscavam e depois brilhavam em energia frenética, derramada como este céu assim, sem sol, mas um vislumbre de azul entre aquele escuro com nuvens brancas e cinzas.

O vento agora assoviava os olhos abriram ao alvoroço, intimamente encorajava-se, sentia o próprio corpo, o membro estava em pé, ouriçado, duro que doía, como buscando um desafio à torrente natureza.

Não se afastou, os relâmpagos brilhavam pero, raios atingiam o solo, em ruídos pavorosos, Uma rajada de água refestelou, rebelando-se contra o vento, gotas que apagavam as grandes labaredas de fogo que incendiava ele por dentro.

Os elementos, sua mente gritou.

O fogo na sarsa ardente. Elementos dispostos sobre o tudo em um só conjunto. Os sinais poderosos de Deus.

Tomou novamente a concentração e falou com Deus... Seu corpo agora despojado de tudo estava completo, a última peça que lhe cobria o vento levara em dobras bravias de ondas circulares, mas a matéria agora a ele não importava, entregava-se ao rito, se colocava no côncavo da gigante mão de Deus.

Os murmúrios avançavam rapidamente tentando superar cada vez mais a cadência dos jatos d’água, sua voz ganhava alturas.

E assim ficou, abria sua vida, o seu corpo ao criador, o chicote do tempo a marcarem sua pele, assumia seus defeitos, assumia seus erros, pedia por perdão, das graves às ínfimas, ali nu ao vento sob a chuva forte sobre a Serra de São Luiz, depois de galgar toda ela em extrema concentração naquele dia que lhe apresentara a vida, confessava-se e as respostas eram raios e relâmpagos, descargas imensas que atingiam o espaço rumo ao chão ferindo a terra naquele campo que se agigantava pela planície, Campo Largo.

Ressoava salmos e louvores, uma adoração emergente.As pernas tremeram, uma força como uma mão pesada arrebatou-lhe e derrubou-o de joelhos ao chão, sua pele eriçada pelo combate. A respiração cansada pela batalha, sentiu o poder sobre si, as pernas abriram-se e puxadas para trás lhe forçaram ao chão deitado com a face encostada ao solo sobre o pedregulho misturado com as águas que queriam descer a Serra, os braços escancararam em enorme cruz, a energia dos céus estouravam aqui e acolá, espasmos ao corpo, o falo ereto encaixara-se na lamacenta mistura como a planejar um ato de sexo extremo ele humano e ela deusa terra, ao chão.

Sentia, um peso que debruçou sobre seu corpo, sentia.Era o tempo nele a ganhar seus cantos e procurar segredos e ele sobre a sagrada terra, ejaculando inconsciente pela energia tamanha, sem culpa e tampouco profano.

Posto assim, humilde, arrebatado e ainda em oração recebeu a divina aceitação, não era só as intempéries que lhe surravam algo dentro de si, rasgava a carne, fervia seu sangue num rito de purificação, dizia palavras, soprava-lhe incansavelmente imagens e atos, fatos e tatos, sentia em si tudo, naquele rito de purificação.

__Encare a você mesmo.

E tomando de coragem, vencendo a derrota que lhe tomava primeiro puxou as pernas, levantou o quadril e o peito absorvendo aquela força vinda da terra, da água, do ar e daquele fogo que lhe fervia as veias, os olhos abertos, foi aos poucos ficando em pé.

A água lhe lavava da cabeça aos pés.

__Meu filho pródigo retornou...

Neste momento os relâmpagos tomaram pela última vez o largo céu, o vento tendo aquele espiral energético como doma foi ampliando e as nuvens temporais dispersaram-se deixando um doce azul cobrindo aquele terreno tão próximo daquele céu que o homem parecia estar dentro dele e ter sido tomado em exaltação com o largo sorriso aos lábios, as lágrimas a despencarem pela face, e o corpo agora purificado aos poucos ser secado com aqueles macios raios de sol, de braços abertos, corpo nú a receber lambidas suaves do vento agora tão cúmplice seu.

Era uma tarde aquele dia.

E este caminho sempre que preciso ajeito seus momentos e para lá retorno.

É. É esse homem sou eu.

É. Este rito passei sobre a Serra, ao fim do caminho de São Luiz.

A magia de Campo Largo



Redescobrindo Campo Largo

AEL: Arranjo Educacional Local.

Iº Fase.



ALGUMAS OBSERVAÇÕES SOBRE O TEXTO


Buscar através do teatro e da Contação de História reviver ou reavivar fatos históricos e fictícios desde a origem ou tomada dos campos gerais até nossa atualidade. A partir da reunião realizada aos catorze dias de setembro de dois mil e nove. E estendeu-se até o dia 17 com acalorada colocações e calmantes lembranças de dias vividos nas ruas, praças e eventos de nossa cidade.
Os materiais trazidos foram quanto estudo geopolítico, pela equipe de pesquisa. Apenas referências foram informadas sobre a cultura em suas variadas áreas, quando da montagem estrutural e demonstrativa pré-divididas em três fases a contar: fase da origem ou povoamento, fase da industrialização e colonização, fase terceira os dias de hoje. Todos inseriram pontos desde os índios a diversidade cultural atual a serem trabalhados a partir de pesquisa coisa que o tempo é escasso e as habilidades são diversas e adversas.
Roteiro com a organização do produto a partir do texto, funções e o visualizar do todo desde a base, efetivando o ESPETÁCULO, Campo Largo em alguns atos.































. O público é recebido com a diversidade musical local que vai ambientalizar, lembrando sempre a cada faixa de musica executada que aquela é obra de musico ou banda local. Tudo que for utilizado e ou aplicado deverá ser local, afinal é esta a proposta do projeto AEL.
.






















A MAGIA DE CAMPO LARGO
DO BARRO À PORCELANA

Texto Abilio Machado


Apresentador:
(vestindo uma roupa que lembre as cores da bandeira, fazendo malabarismo e acompanhado por outros e também alguns dançarinos representativos que farão breve coreografia sobre a música principal que transcreva a cidade).
__ Personificar a história e transformá-la num texto mesmo que simbólico nos dá o direito de poder adentrar profundamente no seu universo interior e fazer descobertas, uma busca de identidade ou uma redescoberta de nós mesmos, que apresenta a cada degrau alcançado um universo todo novo, o perfil e compreensão da forma mais apta de estudo pessoal sobre a própria vida em comunidade. Numa discussão constante da história política ( os dançarinos de tropeiros e imigrantes se movimentam ) e da história popular ( Entram correndo para o palco lobisomens, assombrações e benzedeiras) e com isso a maneira de apresentar o que nossa cidade tem a oferecer de melhor é contando, cantando, dançando e demonstrando... Sua história através da arte ‘A Magia de Campo Largo- do Barro à Porcelana!’

CENA ESPECIAL - (Em ritmo de clipe, sob musica que retrate nossa cidade, esta cena mostra vários depoimentos de pessoas respondendo a pergunta “O Que É Campo Largo Para Você?!” Falas curtas e outras longas, distribuídas, cortes breves que se misturam a algumas imagens que possuam ou que retratem o tempo, flashes de ruas, pontos turisticos e outros de beleza ímpar, flashes das atividades culturais, tudo com a intenção de mostrar o quanto de diversidade étnica, cultural e industrial atual. Terminando num ‘cratch’ e escuridão).

CENA 1: “O início”

Vídeo: (por tomadas).

Um despertador toca. Uma mão ataca. Cobertas são arremessadas. Pés envelhecidos descem ao chão. Pés calçam as chinelas. O rádio velho é ligado e a música raiz toca ao fundo sob este começo lúdico. Água da torneira. Mãos que procuram no estojo de maquiagem. A água no coador de café. A xícara posta. Mãos que carregam a sacola. Itens comuns fotos e remédios, dúzias deles. O galo canta. A mão apaga a luz e a porta é aberta. O clarão de luz toma o espaço.

Palco:

(A praça, banco... Ao fundo a imagem da majestosa arquitetura da Igreja Matriz vem surgindo do escuro como o clarear do dia e um a um chegam, e o grupo vai se formando, vários idosos que se preparam para um dia de atividades. Ao banco três ou mais idosos se reúnem... Em outro canto mais alguns).

Nena__ Quem maravilha esse passeio de hoje.
Vita__ Nem me diga, quase nem dormi de noite. E Dita ta indo preparada?
Dita__ Ih vamos reviver tanta coisa... Prometo que não vou chorar.
Antonio__ Nosso passeio vai fazer com que tenhamos uma viagem... Viu meu neto...
Tunico __Ah... Deixa eu vô, deixa...
João__ São tantas histórias, são tantas coisas que fazem nossa cidade ter vida própria...
Tunico__ Não estou entendendo nada...
João__ Nossa cidade é como a sua principal atividade a cerâmica e a porcelana, foi moldada aos poucos pelas mãos daqueles que aqui se instalaram... Como se cada um deles também fosse um Oleiro.
Antonio__ Os anos, os anos passam... Nossa cidade... Veja só...

...(Índios estão dançando, fazendo cestos, cerâmica, alguém como jesuíta tenta fazer-lhes a fé...)
...(O pequeno grupo ouve o tocar da moda de viola registrando a saudade do passado...)

Narração: poesia sobre Campo Largo
(À Campo Largo,
“ um grito lá do alto.”

(poetha, Abilio Machado. 0396)

Que vontade me deu agora
De subir lá na Serra
Do alto de São Luis
Olhar cá para baixo
E falar bem alto
Do meu amor por Campo largo:

Terra... Hoje da louça
Capital Nacional da arte
Que emerge do barro.
Antes terra de índio valente
Livres à margem dos Rios...
Moravam Cabeludos e Tingüis...
Falar do Rio Verde, Passaúna,
Ribeirinha, Cambuí,
Itaqui e Assungui.

Terra. Que começou no Tamanduá
Ponto de descanso para travessias
Expedições e viajeiros.
Com a chegada da Santa
Que não quis mais ir...
Piedade. Senhora toda Nossa.

Que ainda menina, correu o risco.
É. De capital se transformar...

Falar de história, de literatura.
Expostas vidas nas estantes
Biblioteca Pública, câmara do saber...
Lúdica!
Alunos a ler...

Dizer de nossas praças, parques,
Moleques e travessuras...
De nossa arte na Casa da Cultura...

Terra... De arte por todo lado.
Porcelana, decalques,
Cerâmica, decoração.
Desenho, pintura, escultura
Artista plástico e artesão!
Música, teatro, bandas e corais...
Escritores, poetas, meninas e meninos cantores
... E muito mais!
Gritar bem alto:
Parabéns minha Campo largo!
Doce filha desta mãe gentil...
Pátria chamada Brasil.
( ou se poderia pedir para a Oficina de Literatura construísse uma que no seu contexto tivesse os índios, o garimpo, tropeiros, este momento).

. (Durante a narração da poesia, tendo a imagem de fundo a visão de uma aldeia indígena típica da região (guarani ou caingang) indícios regionais dos selvícolas da redução induzem que os cabeludos eram da linhagem caingang)).
... (Criar uma coreografia tendo índios, garimpeiros e tropeiros neste momento...)
... (No palco agora ficam um grupo de peões, violas nas mãos...)

Ilheiro__ E então já há muito é tropeiro?
Tropeiro__ Tenho visto que é rendoso, entrei nesta embernada vim carregado de mercadoria seguindo o Viamão.
Patrão__ Já fez as amarras com a égua madrinha?
Peão__ Costume na tropa de amarrar as mulas na égua madrinha assim nenhum animal se desgarra mesmo ficando solto assim o pasto...
Patrão__ Se tudo feito assenta aí para dar aos beiços umas cuiadas... E você peão, ta de cuia seca na mão?
Peão II __ Me adesculpa mais fiquei atento na prosa... Vejam só que eu estava aqui a mexer na bomba a seco... Quase virando um tererê...
Ilheiro__ Lugar melhor que este não há... Tanto tropa e cigano param nestes lados do campo perto do Cambuí...
Tropeiro__ Quando vindo aqui perto passamos ao largo dos índios só os vimos fumaça e nada mais. Aqui não vêem?
Ilheiro__ São povo pacífico, vivem daqui parali sem incomodar... Os mais bravos são os Tingüis que vivem mais acima às margens do açungui... Mas assim mesmo é só separar uma paga de farinha que passarão sem incomodação...
Patrão__ Assim é que espero, preciso trocar por mais desta erva, que dá um bom mate vamos passar bem antes pela Serra da Prata antes de desembocarmos para os lados do sul... Vós mecê também?
Tropeiro__ Eu tenho uma encomenda, levo uma imagem para outras terras, pra outra capela.
Patrão__ Eu ainda não compreendo muito bem estas diferenças...
Tropeiro__ É que depende do número de habitantes da região, a hierarquia é essa: capela, freguesia, distrito e assim vai... O que digo é que estou quase numa missão sagrada...
Ilheiro__ Mas algo acontece, toda vez que ajunta a tropa o tempo fecha e dispara a chovê...
Tropeiro__ O povo já ta achando que a santa não que deixa de vive por estas bandas... E eu já nem sei o que fazê... Os homi já tão nervoso e eu nestes poucos anos de tropeiro jamais deixei de entrega a mercadoria que fosse...
Ilheiro__ Mas onti foi assim que aconteceu, foi feito uma novena e pedido onde queria fica e foi ali no lombo do campo, logo perto do poço, que o raio desceu... Coincidência ou não foi assim que sucedeu...
... (Acontece um relâmpago um tremor de luzes)...

Vídeo
... (Ao fundo aparecem várias fotos de documentos que retratam a época, alguns depoimentos de fatos sobre a construção da primeira capela e depois já se misturam com imagens da construção da Matriz)...
... (Uma música falando da Padroeira toma conta do ar, pode ser tocada pelos próprios violeiros que podem estar ali assentados)...
... (Cabe também alguma roda de cabocla, visto que o período condiz com o período escravagista da região)... (ou Uma dança bem ao estilo do fandango, que também é desta origem e que é típica do Paraná...)

CENA 2: “Dom Pedro”

Prefeito__ Estou por muito honrado... É nestes dias de março que o nosso Imperador vem à nossa casa.
Mulher__ Ah, senhor meu marido. É uma honra à família, à cidade e 1880 ficará por certo marcado nos registros.
Prefeito__ Acreditas que ele apeou da sua carruagem para beber de nossa água na vertente do baixo Cambuí...
Imperador__ Me diz seo prefeito de onde lhe veio a riqueza?
Prefeito__ Honro-me em confessar que veio desta erva-mate aqui destes campos gerais...
Imperador__ E ao império também, pois nos é um bom produto de comércio ao Paraná e exportação ao Brasil...
Prefeito__ Anda assim emparelhado com este novo produto que é o café. Minha filha, por favor, sirva aqui.
Filha__ É para já senhor meu pai. Mate ao Imperador.
(blackout)

CENA 3: “ Imigração”
Apresentador:
__ O ciclo da erva-mate deu mais vida ao povoado, (apresentar fotos ao fundo do museu do mate, da visita do Imperador) aqui permaneceram portugueses, remanescentes franceses, logo depois chegariam italianos que deixavam a terra Itália a buscar refúgio e vida nova no Brasil, acabaram se dispersando em grupos por estas bandas até o Rio Grande do Sul e logo depois vieram também os poloneses...

...( Os dois grupos folclóricos fortes da região dançam uma ou duas músicas)... (Entre um grupo e outro uma poesia é declamada, uma para cada imigração)...

Italiana...
Made in coração
(Poetha. Abilio Machado. 97)
Amparado na soleira desta janela
Meus olhos contemplam a grandeza
A imensidão deste verde brasileiro
Os morros e o céu...
Sua gente que passa pelo carreiro
Ladeado de flores, mato e pinheirais...
Seu verde me traz lembranças,
Lembranças da verde Itália
Uma parte da minha gente
Que não vejo...
Que não conheço...
Quanto tempo faz?
Aquela voz que canta... Ainda.
Nos meus sonhos das madrugadas.
Mas assim nessa mistura
Que até parece uma canção...
Aqui dentro na mistura das bandeiras...
Na mistura destas raças...
Aqui na mistura das palavras...
Digo com tanta força,
Com lágrimas a caírem pelo rosto,
Com este nó na garganta,
Que toda esta mistura...
É feita pelo coração!
E é mais que oração!
Peço aos Santos de proteção
Que ajudem minha Itália
Que ajudem meu Brasil!
O futuro desta terra
Depende de trabalho
Fé e devoção...
...Io fica emocionado...
Ah! Minha doce Itália...
Seus costumes... Sua vida...
Roma, Nápoles, Palermo,
Gênova, Trento, Veneza romântica...
...Quase no me lembro mais...
De tuas belezas,
De tuas praças com monumentos,
Que além de belíssimas,
É um marco na própria história,
Escrita com Fé
E com o sangue de meu povo...
Ah! Mas este Brazile...
Que me abraçou
Aos meus poucos anos
Faz com que o ame...
Do fundo de minh’Alma...

Polonesa...
(Pedir a um dos estudantes de polonês da casa da cultura (Milton)...

... (Momento representativo de mostragem de documentários, fotos, esquetes, trechos de histórias curtas que falem deste período, também demonstrar as manifestações religiosas de mostra de arte e esporte)...
... (Emenda com rápido histórico musical de músicas deste período)...

CENA 4: “Cerâmica”

Apresentador: (pode ser usado imagens, ou uma coreografia de dança utilizando uniformes das fabricas mais antigas, como a Pip, Stetita, Guarani, Polovi, Incepa... Ou uma performance de atores a escolher, que represente “do barro à porcelana” se isso acontecer não é necessário palavras só performance)
__ Do barro amassado, preparado, nossa Campo Largo começou a ganhar o país, a viajar pelo mundo...

...CENA 5 : “Atualidade “...
...Várias músicas com alguns convidados, há duplas e bandas...
... Enquanto tocam ao fundo imagens de Campo Largo hoje, (em ritmo de slide) os pontos turísticos hoje, a louça e a cerâmica, os pintores da praça é do artista, o artesanato, as oficinas que acontecem, as fotos dos campoesia, do festival de música raiz, o grupo de teatro ativo e os corais em ensaios e apresentações, (o ideal é uma imagem física e logo uma humana ativa)...
Nena__ Quem maravilha foi o passeio.
Vita__ Nem me diga, me lembrei de tanta coisa. E Dita como está?
Dita__ Ih não agüentei chorei só de lembrar...
Antonio__ Gostou meu neto?
Tunico __Nossa, vô que montão de coisa bonita, coisa que nem eu sabia...
Antonio__ São tantas histórias, são tantas coisas que fazem nossa cidade ter vida própria...
João__ Nossa cidade é como a sua principal atividade a louça, é moldada aos poucos pelas mãos daqueles que aqui se instalam... Como se cada um que aqui vive também fosse um Oleiro...
Nena__ E vejam só é a banda com um coral...
Vita__ Ótimo jeito de se encerrar o dia....

CENA ÚLTIMA:

Palco...
... A Banda Municipal começa a tocar o hino municipal... (O coro que estiver presente começa a cantar e logo)...

...Video
... Cada depoente do início da abertura também cantará um trechinho do Hino de Campo Largo que será projetado ao fundo... E como surgiu o espetáculo tendo a imagem da matriz ao fundo se encerra perdendo sua luz e escurecendo aos poucos como se o sol fosse embora e a noite chegasse com os idosos do palco saindo um a um de retorno à suas casas.
Ex

Campo Largo...
(Poetha Abilio Machado)

Tão grande é no coração de teu povo
Que palavras tornam-se pequenas
Para te dar definição

Como não amar esta terra
Em que plantando tudo se dá
Nos sorrisos das crianças
Nos idosos que trazem na fronte
Os olhos das lembranças.

Ah... Que o amanhecer seja longo
Neste teu dia quero te fazer em festa
Participar do dia
Na melhor roupa fazer a romaria...

Quero saltitar na praça
Ver o cidadão no coreto fazendo graça!

Mergulhar na sua esperança
E o povo de mãos unidas
Clamarem em oração profunda
Amor e respeito por Campo Largo.

Piedade... Minha Senhora da Piedade.
Esse bater de corações agora
Acalante esses braços frágeis e gentis
Ajuda aos que te procuram sem demora...

Seus ornamentos do barro
Homens da escrita da terra
Sempre a citarão
Podem eles vagar pela terra
Mas depois da água tomada na fonte
Retornarão!


Largura de campo ao pé da serra
A bandeira ao mastro hasteia
A esperança que há nos olhos
Dos filhos que esse milênio encerra

Riqueza cristalina de água sã
Memórias deixadas pelo Cambuí
Muitos se lembram da ilha
Os mistérios da lagoa
Pescarias no alagado ou no Açungui...

Saiba que os dias passam
Meus melhores votos são desejados
Para que cresça com respeito ao seu povo
Povo fruto da argila, da louça fina
Que te carregam na vida e no coração
Pois, cada campolarguense em si é um artesão!