segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cavalo de pau,arco e fecha e bang-bang

quem não subiu sobre um cabo de vassoura, com revolver de madeira ou um arco improvisado?
nós fazíamos com madeira do mato, as penas para o cocar e para as flechas usávamos as de galinha e pintávamos com corante de bolo ou com guache... ou íamosde calça comprida para o mato e tirando a calça colocávamos sobre a cabeça e ficava parecendoaqueles cocares longos, e saímos gritando embando assustandoas mulheres queiam buscar lenha... coisas de piá.

Bete com balanço...


o betes,a versão criançado beisebol, com casinha, bastões e bolinha... de meia. acervo de Katia Caetano( minha amiga que me ajuda muito)

Carrinho de rolimã

nós tínhamos uma pista na descida do morro entre a vila silka e o ferrari, descíamos como malucos e no meiohavia um cupim e quem não manobrasse bemacabava se esborrachandoeeu era um desses sempre...

Rolar pneu


quem nãobrincou de rolar pneu, fazer balanço, cavalo de mesa, entrar dentro de pneu e deixar-se rolar, inflar as bóias e descer pelorio?

A praça é do artista


tela integrante da exposição Meus Brinquedos.
neste local existia o Reino da Loucinha mas que na verdade era para ser um grande espaço cultural e foi usado como escolinha por vários anos,mas o que vale a pena falar agora é que todos os sábados os artistas se comungam dentro de um projeto ali fazendo uma mostragem de seus trabalhos, conhecê-los e aprender técnicas diferentes é este o lugar...

MORTE E SUCO DE LARANJA!

Foto divulgação.

Duração do espetáculo: 60 minutos.

Indicação de faixa etária de platéia para o espetáculo: LIVRE.
Gênero: Transcendental barroca.

Classificação: Dramaturgia do expressionismo, do realismo, do absurdo e barroco.
Sinopse:
É uma história de amor, contada de forma poética. O momento que se passa antes: ELE vê a antiga namorada casar-se e jogar-se de um terraço, ELA é abandonada pelo namorado, acontece o encontro, o começo do relacionamento, as primeiras juras, o delírio em febre, a descoberta da doença, as dúvidas que se apresentam em questionamentos sobre a fé, o amor e o consentimento.
Um amor mostrado de maneira diferenciada e vivenciada, sem medo de falar, de mostrar a grandeza do sentimento e dos sentidos. Contém momento didático sobre a ‘Cardiopatia’.
Apresenta na integra que devemos aproveitar e viver intensamente todos os nossos amores, cada segundo útil de nossas vidas.
Refere-se à morte como símbolo a um estágio de espera a um outro começo, um passo para recomeçar uma vida com a pureza e a inocência que nos transporta ao mundo imortal, o mundo do amor e a uma outra história.

Um pouco de vinho

Um pouco de vinho...

De Poetha Abilio Machado. 260209.


Estou feliz, minha família reunida em meus sonhos, afastados da guerra que invade e poluem as almas. Tentamos nos esconder, mas esta perseguição é implacável, acho que o mundo está ficando pequeno para nós. O cerco oprime, e o tempo?
O tempo aqui está acabado...
Como caçador fortuito, deixou-se ficar entre nós e nossa natureza, nos acostumamos e ele nos envolveu... E assim absorvemos este contador de minutos, segundos e vida, a tal que agora somos presas fáceis, caça e caçador um só ser.
Os galhos estalam sob o peso dos pés. A água respinga sua nuvem garoenta de sua pequena queda enlaçando o espírito e amenizando seu apregoado calor. Ao coração está decepcionado por batalhas fúteis, inúteis e tolas... As injustiças grudam na tal humanidade de maneira que nem as lágrimas são capazes de fazê-las soltar.
A razão que seria então?
A rolha sacada e o aroma do elixir a vencer o ar, a ampliar os sonhos na saliva e aos olhos jovens de corpos nus a percorrerem a margem da estrada...
Seus ombros desnudos apelando o toque de meus dedos.
E uma ínfima luz a fazer sua face brilhar na escuridão que se transformou nosso quarto de abril.
Você adormecida, a camisola acima da cintura me convida a encostar minha pele na sua, cheia de calor e vontades, verdades de homem na madrugada intumescido e aspirando tua forma em pequenas golfadas de ilusões. Teu cheiro é feminino, adocicado e mágico como a pele de seus lábios a tocarem meu ventre.
O jogo está ao fio da ampulheta do destino, minha mente está tonta, torpe, amuado, meu corpo não sou eu... Pareço embriagado com teu perfume, ou não sou eu quem escreve nestas folhas no escuro às suas costas enquanto meu pé sente seu calor humano pela sola do teu pé esguio conjunto de células, encaixados, meu membro incandescente encostado em tua derme, acompanhando seu dormir, dormir angelical que só as pessoas de bem podem ter.
Como seria a vida eterna?
As dores me trouxeram do meu sono.
Tenho sede... Derramem esta garrafa sobre meus lábios sedentos, ansiosos...
Estou entorpecido e ouço vozes ao longe, algo em mim dói, meu motor do tamanho de minha mão fechada ameaça parar, eu imploro na noite de vento que balança os galhos que vejo de minha janela como uma grande tela da cor do vinho, um cinema de ‘art noi’ só meu.
Madrugada com pétalas brancas a caírem como chuva do céu.
A água impera sua vontade e procura em mim seus caminhos... Li que a dor abre caminhos, então estou com inúmeras estradas prontas para serem descobertas e terei eu de percorrê-las?!
Minha... Sua... Nossa...
Ouço o ranger da madeira cedendo ao calor das chamas que devora suas camadas, o seu grande desespero, o segredo do amor é corroer aos poucos as crostas de vida... Uma vela acesa... A chama bifurcada dançarina sobre o colorido dos olhos teus, uma cama coberta de cetim na cor do vinho, tinto, como o sangue, sangre negro dos reis.
Minha arte envolve minha vida, carente de mais um ato, uma cena em que tudo esteja bem, que você acorde e me abrace. Que você me apanhe na sua mão e me guarde num lugar seguro onde este medo de vida não mais me corrompa e tampouco me persiga... Medo meu... De não saber o que fazer quando o dia amanhecer...
A panela está vazia, o armário só tem espaços, a água escorre em goteiras, e nada existe em minha arteira a não ser velhos sonhos armazenados e sem oferecer uma saída, que buscar nesta penumbra que se encontra meus dias?!
Não consigo mais sorrir nem mesmo de minha miséria no espelho do banheiro, só olhos inchados e tristes me acompanham... Ando a esmo pela noite sobre o chão gelado dos quadrados que fiz...
E meu dormir é um pesadelo de fuga, entrecortado, fugindo de algo que ainda nem vivi... Vida completa de abandono ao caminho do céu e entrega ao inferno de visões do que talvez pudesse ser, ter, possuir... Visões como fantasmas a me tocarem no breu, sussurrando coisas no meu cangote, dizendo de minha vinda, de minha vida e de minha fuga...
Meus troféus estão empoeirados na prateleira, minha fotografia está parada a me olhar, por que me olha deste jeito?!
Pare! Me deixe submergir e dormir, preciso descansar e dormir... Preciso me deixar levar... Nas águas sob o olhar escondido do barqueiro que guia a barca pelos caminhos obscuros da vegetação que me amedronta, mas me alivia... Como pode ser isso?! Os contra pontos... Os amores, as perdas... A saudade e a alegria...
O tudo crescente e o nada esmorecido no soluço da boca que arremessa perdigotos ao ar de teu rosto... Etéreo... Como minha Alma... Que te busca... Que te alcança e que sente...
Morte amiga que me toma aos braços e acalenta repousando em meus lábios o doce aroma do vinho no crânio de meus inimigos.Um brinde aqui! Aqui?! Aqui... Aquiiiiiiii...




Finito.

A Descoberta.

A descoberta.
Poet ha Abilio Machado.2008.

Esquete teatral, fruto de um exercício de improvisação de alunos... Alunas: Larissa e Juliana.


. As meninas se encontram em um consultório, sem se olharem começam o diálogo, sentadas em cadeiras opostas.

LU__Oi tudo bem, fiz sim, ficou bonito? E essa roupa fru fru?
MA__Foi presente do meu novo namorado.
LU__Que estranho NE o meu namorado deu um igual.
.Retira o casaco e a outra a vê com a roupa igual.
MA__É sério! Só que o meu tem uma mancha de batom na manga.
LU__Que foi fruto da brincadeira dele.
.As duas se olham, estranhamente Ju repete a maneira da brincadeira dele.
MA__O meu também... Coincidência não é?
LU__Pois é... Como é o nome dele?
MA__Nem eu sei direito, me reveleou que é JL, e que o L é de Lucas.
LU__ Uhm que interessante, o meu também é Lucas.
MA__Mas o que será o J?
LU__Não sei... Júlio?
MA__Jorge.
LU__João.
MA__Nunca se sabe, existe cada nome...
LU__Vocês já saíram juntos?
MA__Ainda não. O nosso primeiro encontro ia ser no jogo do Vasco, mas meu pai é coxa branca de sangue e não deixou, pois escutou a nossa conversa pela extensão, fingiu um ataque, ficou dois dias de cama e queria minha presença por perto dele, e você que faz aqui?
LU__Meu namorado se acidentou de carro, segundo ele, mas o estranho que ele só tem moto. E você?
MA__Eu vim por dois motivos, um é o meu namorado que sofreu um acidentozinho, nada muito sério só uns ossos quebrados e está todo remendado, mas o segundo é que tenho revisão no meu dentista que é um gato outra vez.
LU__Ah que legal...
MA__Que nada, porque ele quer me colocar um outro tipo de aparelho e disse que este aparelho terei de ficar pelada...
LU__Já coloquei deste aparelho, sei que não vai doer. Deixam a boca da gente sem nada, eu me senti nua, pelada...
MA__Depois de tanto tempo presa essa dentarada.
LU__Me conta, sabe o níver do teu amado?
MA__Sim, uns 11 de outubro.
LU__Credo! O meu me disse que era 12 de outubro.
.Ma olha com desconfiança.
MA__A cor dos olhos?
LU__O esquerdo é verde e o direito é azul escuro e o seu?
MA__Os meus são desta cor não vê?
LU__Ohhh. Eu falava dos olhos do teu namorado.
MA__Ao contrário do seu, o esquerdo é azul e o direito é um verde...
LU e MA__ Não pode ser.
MA e LU__Será que...
LU__Espero para o bem do bilauzinho dele que o que estamos pensando não seja verdade.
MA__Não suportaria tamanha traição, tudo menos o bilauzinho tão bonitinho.
LU__Nem imagina aquela coisinha assim servida ao meu cachorro Plutão.
MA__Eu já fui traída um dia, e minha única traição foi há muitos anos atrás e foi algo que me fez ser desonesta comigo, me incentivou a cometer atos extravagantes como comer chocolate uma vez por semana...
LU__Nossa que profanação... Chocolates.
MA__E todos em forma de coração.
LU__Mas com certeza não deve ser o mesmo, porque ele me confessou que quando pequeno foi até coroinha numa missa de um padre que voou de balão...
MA__Mas que fato engraçado, o meu pimpolhinho lindinho estudou no primário com o médico legista que investiga esses casos tão famosos, tipo esse da Isabelinha Nardoni, até do ônibus que vai virar filme do menino que morreu...
LU__Não me diga. Morreu?!
MA__Tu não soubes guria?Bah...(estarrecida)
LU__Nossa, ele é conhecido de tantas pessoas e todas próximas a tragédias do nosso Brasil...
MA__E também algumas que são tão mentirosas...
LU__Como assim?!
MA__Li numa revista que encontraram um barco viking no litoral do nordeste, e este barco chegou antes que os portugueses...
LU__É o sentido do descobrimento que atinge, o sentido é marcar o local com alguma coisa, uma bandeira sei lá... Se eles não marcaram, dançaram...
MA__Então quem descobriu a lua foi Armstrong e não Yuri Gagarin...Que não pisou nela... Mas a história professa que não...
LU__Quem nos tirou a coberta foi os bárbaros de cabelos ruivos, lindos, musculosos e conquistadores... Então? Vou começar a contar piadas sobre eles, assim eles me pagam o resfriado que peguei...
MA__Onde você vai?
LU__Na banquinha comprar um livrinho de piadas e adaptar todas para falar mal destes barqueiros gostosões que nos abandonaram e nos deixaram a estes barrigudos padeiros e com bigodões de Manuel.
AS DUAS__ Manuel foi pro céu... Foi pro céu...

Os Momentos de Beatrice Rose.

Os Momentos de Beatrice Rose.

Poetha Abilio Machado. 2009.

Talvez eu... Por que não?!
Andando sozinha pela rua
Os rostos passavam por mim no dia
Eu andava em mim
Meu corpo dentro daquele dia claro
Eu plena moça na manhã
A boca entreaberta
Meu coração inocente e gasto
O quarto deixado para trás: escuro!

Meus olhos abrindo como janelas
Na cama jogada minha adolescência
É a cama. Testemunha vagabunda...
Uma noite incerta
Na luz que rasgava a cortina
Você me agarrava
E eu te gritava
Você que disse que me amava
Não me aceitou!

Meu mundo atingido
Tingido
De um vermelho duvidoso
Lancei-me nas escadas
Fugindo do silêncio
Daquele sorriso de escárnio...
Por que faz isso?
Por que ri maldito?
Por que?

A vertigem me cegava
Algo dentro de mim
Regurgitava um nome
Era o medo nascendo da verdade...
Uma verdade minha, só minha
Compartilhada...
Eu calada descia as escadas
Descalça segurando a bolsa
Da cor do sangue...

Me dei conta de que nada
Nada sabia de mim
Por mim mesma
Estava fugindo num pensamento...
Qual seria?!
Uma razão pela ausência
As vozes de ontem...
Como foram...
Eu escutei?!

À noite...
A porta aberta no quarto
Todo pintado de azul claro
Quadros de artistas zoavam aquela parede
Tudo quase infantil
Eu me achava pronta
Quase estive certa
Meu coração olhou para o lado...
Tudo era festa, ali!

__Esqueci seu nome!
O cigarro afastou-se dos lábios
O terno limpo e claro
Os sapatos engraxados
Lenço no bolso
O homem: a noite!
Puxou-me pelo braço no cumprimento
Segui pela música
A sua mão na minha cintura...

As taças não secavam
As borbulhas da champagne
O vinho levemente amargo
Desciam pela garganta
Me deixavam louca
Era ainda bem moço
Na saída os delírios
Braços dados pelas calçadas
A garôa escondia minhas lágrimas: aquele beijo!

Sua mão cruel
Aquela boca invadindo-me de dor
Meu corpo doce
Deixando-se invadir
Eu não resistia
Foi uma noite que o coração pediu
Quando me dei conta
Era escuro na noite
Me vi entre o sonho e o pesadelo

Aquele moço, um varão.
Sim? Sim.
Quis sair...
O homem insistia
Aquele jovem comum
Ah, meu pobre rosto mentiroso
Recuava perdido na noite
Inventei um nome para mim.
Agora era um retrato pedindo perdão...

Cantava na noite
Meus limites em mim
Era eu mesma... Talvez...
Me perdi me olhando
Cara a cara na vitrine
Hoje de manhã...
Prazer... Meu nome é Rose.
Beatrice Rose...
E você?!


Sou uma flor a espera de ser olhada
Apenas uma flor
Quero ser rosa... E como rosa ser cor de rosa
Embora mentiroso
Mesmo com caule entre as pernas, sou rosa!
Ah! E se hoje morresse à vida
Renasceria jovem, bela e ainda rosa
Meu destino não é vazio:
É florir o jardim em qualquer coração!


monólogo.