segunda-feira, 20 de abril de 2009

Os Momentos de Beatrice Rose.

Os Momentos de Beatrice Rose.

Poetha Abilio Machado. 2009.

Talvez eu... Por que não?!
Andando sozinha pela rua
Os rostos passavam por mim no dia
Eu andava em mim
Meu corpo dentro daquele dia claro
Eu plena moça na manhã
A boca entreaberta
Meu coração inocente e gasto
O quarto deixado para trás: escuro!

Meus olhos abrindo como janelas
Na cama jogada minha adolescência
É a cama. Testemunha vagabunda...
Uma noite incerta
Na luz que rasgava a cortina
Você me agarrava
E eu te gritava
Você que disse que me amava
Não me aceitou!

Meu mundo atingido
Tingido
De um vermelho duvidoso
Lancei-me nas escadas
Fugindo do silêncio
Daquele sorriso de escárnio...
Por que faz isso?
Por que ri maldito?
Por que?

A vertigem me cegava
Algo dentro de mim
Regurgitava um nome
Era o medo nascendo da verdade...
Uma verdade minha, só minha
Compartilhada...
Eu calada descia as escadas
Descalça segurando a bolsa
Da cor do sangue...

Me dei conta de que nada
Nada sabia de mim
Por mim mesma
Estava fugindo num pensamento...
Qual seria?!
Uma razão pela ausência
As vozes de ontem...
Como foram...
Eu escutei?!

À noite...
A porta aberta no quarto
Todo pintado de azul claro
Quadros de artistas zoavam aquela parede
Tudo quase infantil
Eu me achava pronta
Quase estive certa
Meu coração olhou para o lado...
Tudo era festa, ali!

__Esqueci seu nome!
O cigarro afastou-se dos lábios
O terno limpo e claro
Os sapatos engraxados
Lenço no bolso
O homem: a noite!
Puxou-me pelo braço no cumprimento
Segui pela música
A sua mão na minha cintura...

As taças não secavam
As borbulhas da champagne
O vinho levemente amargo
Desciam pela garganta
Me deixavam louca
Era ainda bem moço
Na saída os delírios
Braços dados pelas calçadas
A garôa escondia minhas lágrimas: aquele beijo!

Sua mão cruel
Aquela boca invadindo-me de dor
Meu corpo doce
Deixando-se invadir
Eu não resistia
Foi uma noite que o coração pediu
Quando me dei conta
Era escuro na noite
Me vi entre o sonho e o pesadelo

Aquele moço, um varão.
Sim? Sim.
Quis sair...
O homem insistia
Aquele jovem comum
Ah, meu pobre rosto mentiroso
Recuava perdido na noite
Inventei um nome para mim.
Agora era um retrato pedindo perdão...

Cantava na noite
Meus limites em mim
Era eu mesma... Talvez...
Me perdi me olhando
Cara a cara na vitrine
Hoje de manhã...
Prazer... Meu nome é Rose.
Beatrice Rose...
E você?!


Sou uma flor a espera de ser olhada
Apenas uma flor
Quero ser rosa... E como rosa ser cor de rosa
Embora mentiroso
Mesmo com caule entre as pernas, sou rosa!
Ah! E se hoje morresse à vida
Renasceria jovem, bela e ainda rosa
Meu destino não é vazio:
É florir o jardim em qualquer coração!


monólogo.

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