domingo, 17 de maio de 2009

Lágrimas de maio.

LÁGRIMAS DE MAIO...
...TODA MÃE DEVE LER...

Por Poet Ha, Abilio Machado.


As lágrimas afloram aos olhos de mães, nos quatro cantos do planeta, movidas pela atenção, carinhos, uma pequena lembrança, um buquê de flores, um presentinho, o café na cama, um beijo, um sussurro com palavras amáveis, dispensados pelos filhos, pelo esposo ou mesmo pelos amigos. Há neste dia uma renovação, esquecem alguns problemas, desalinhos pessoais e doam-se plenamente aos agrados e à sua homenagem de momento, reavivando momentos já idos a muito ou planejando atividades ou conquistas futuras...
As lágrimas são notadas ao entrarem no vasto salão, a explosão de sentimentos vem em turbilhões, ao mesmo tempo e às vezes até contraditórios o enlace de a pouco... O sim que enroscou num nó apertado, saindo rouco e arrastado... Festa, felicitações, projetos e esperanças... Um semancol. Acordar de repente, ainda meio atordoada... Nesta hora o desejo de ter acertado ganha alturas, não há palavras para expressar esse tumulto... Então como boba só se fazer rir e chorar...
As lágrimas perduram nos olhos de mães, pela dor das dores, pela falta da própria mãe sendo mãe, pelo sonho esperado e desfeito como o vento, momentos que vêem e que vão... A própria identidade de ser mãe declina, pois o seu fruto não mais tem ao colo, no ontem estava lá, presente e num estalar de dedos... Desapareceram na curva depois da festinha com os amigos entremeando cacos e aço retorcido, numa brincadeira idiota de quem corre mais na pista da marginal toda reta e mal iluminada, só festa de rapaziada embriagada... Evaporaram depois da discussão no barzinho dos encontros da sexta-feira, sob a fumaça do revólver caído ao lado daquele corpo que um dia carregou nos braços, fez balanço e passou horas acordada nas noites de febre e desassossego... Essas dores deixaram um vazio, sem pistas, sem rastros a não ser aquele já volto ou até daqui a pouco, ficaram indagações em por quês... Um sofrimento contínuo, sem término, a estrutura familiar foi abalada pelo comportamento que causou tragédia, acontecem revoltas pelo que aconteceu na culpa de quem, dos limites não impostos, do dar sem exigir, da manipulação do jovem-adolescente e da manobra de se tentar comprar uma presença, que apenas saiu e não mais voltará...
As lágrimas podem sobre vir da esperança, de um reencontro, do filho achado, aquele que sumiu, foi roubado, seqüestrado, o amado filho venha como num milagre de incrível prodígio em adentrar pela porta, ao seio do lar e aos seus braços que minguaram de tanto soluçar...
As lágrimas poderiam vir de notícias, na utopia dos tempos, onde crimes de corrupção e de poderosos políticos, funcionários públicos, religiosos e ricaços fossem condenados e ficassem presos e não só aquela mãe que roubou o xampu ou a galinha para comer... Seria isso uma conduta de felicidade? Sabermos todos iguais ante Deus e os homens?!
As lágrimas são diárias, eternas?!
Todos nós, ao lermos ou ouvirmos sobre tipos de violência, de agressões, de comportamentos e crueldades... Ficamos chocados, choramos partilhando o sofrimento, lamentamos e tecemos tratados e teorias, mas ficamos nisso, deixamos o aquilo que seria a ação. Ficamos na especulação e só. Pois, envolver-se causaria mais dor a nós...
As lágrimas acontecem pelo descaso na fila dos postos de saúde quando ela - mãe está com o filho nos braços, doente e os atendentes tomam cafezinho e contam piadas, reservaram senhas às amigas que nunca as convidaram às suas casas, mas são da média e alta sociedade pelo menos ao sobrenome do cartão. Pela ignorância nos ônibus, quando a mãe com neném entra e os marmanjos ‘filhos de alguém’ fingem que dormem ou olham pêra a janela displicentes, pela falta de respeito ao ser humano que dia-a-dia cresce, quando o mesmo político que distribui botões de rosa nas ruas hoje é o mesmo que dias passados queria cortar os direitos que as mães conquistaram; os mesmos políticos que hoje lhe dizem feliz dia das mães amanhã colocarão sua vida em risco por imporem cargos de comissão a amigos e familiares sem conhecimento algum; ou até mesmo os colocarem no seu lugar de direito, você que é profissional e que ficará desempregada... Desonras desmedidas, pois seu voto foi colocado na cesta de lixo nos acordos de verbas e comissões impróbias; imoralidade e descrenças, pois as pessoas que mais tinha confiança causaram males aos seus entes queridos...
O homem pensou no progresso, em material bélico avançado, cartões de crédito, viagens espaciais e outros absurdos em inovação... E nesta corrida pelo amanhã esquecem da segurança e a proteção do hoje; pensavam que para parar os crimes e a violência teriam a polícia e neste rompante atual quem vai nos proteger da polícia? Todas as violências e todos os tipos de corrupções já estão infiltradas em todas as castas de nossa sociedade e em todos os escalões profissionais... Só nos resta perguntar:
__O que faremos para cessar essas torrenciais lágrimas de maio???...


(Gostaria que em seu comentário deixasse ‘o que’ ou ‘qual situação’ presenciou que a fizeram derramar “lágrimas de maio” em algum momento de sua vida... Feliz dia das mães)

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