domingo, 17 de maio de 2009

Le Confession

LE CONFeSSION

Por abilio machado de lima filho

“O mistério da confissão e as dúvidas, a intransigência de alguns sacerdotes, as dissociações realizadas e as agruras que atormentam algumas pessoas de fé.
Manifestou o Pai a sua misericórdia, reconciliando o mundo consigo em Jesus cristo, que pacificou com sangue a terra e o céu. O filho de deus, feito homem, habitou na terra, entre os homens para libertá-los dos erros e da escravidão e também para chamá-los das trevas e guia-los à luz. Iniciou com isto um ministério, clamando pela penitência, disse: ‘Fazei penitência e crede na palavra que vos deixo. (Mc 1,15). Usou também por João Batista que chamava aos homens no deserto: O batismo como penitência à remissão dos pecados. (mc1, 4).”


O homem foi ensinado a buscar a conversão, uma reconciliação com deus e, sobretudo consigo, buscando a sua paz interior.

Mas onde está a grande autorização para que este processo aconteça?
Onde mora o absurdo da intransigência?
Está em mim ou está ali, ao lado. Eu? Confesso estou cansado...








CENA I

.O CORREDOR DE Igreja, ao canto um confessionário com duas cadeiras, umas imagens, cartazes de propaganda na parede que oferecem cura, auto ajuda, bênçãos, todos com seus valores. Há uma mesa em um dos lados, com vários panfletos, à frente um altar, várias fases do sofrimento do Homem.

.Uma música marca a entrada com velas acesas nos corredores e escadas, o aroma de incensos deve ser sentido, VISTO E ACEITO.

O jovem entra na Igreja...


NARRADOR
___o JOVEM ENTRA NA Igreja, está com a mente aberta a tudo, deste que decidiu ir e participar desta tarde de batismo, um momento de comunhão. Ao passar pela porta, levado por sentimento explosivo ao coração, uma alegria interior sentiu em estar naquele ambiente que tanto lhe faz bem, por breve instante faz uma leitura de si e o porquê gosta tanto dos rituais da Igreja. A alegria irradia como um descanso à Alma.
Seus passos festivos, picolé à mão, cumprimenta o segurança. Opa!

TOMÉ
___Opa?! Segurança uniformizado, colete pintado, em amarelo, o tecido é azul, faz lembrar meu próprio uniforme quando fazia parte do pelotão da força especial, quando dos trabalhos de segurança e infiltrações... Será que é a prova? Não! Acho que não! Olá! Tudo bem?

NARRADOR
___Enquanto termina o picolé de chocolate, encosta-se ao balcão... Imagina um bar neste estilo gótico que é o interior de uma catolic Church...

TOMÉ
___Eu colocaria os garçons de batina, e na recepção a menina estaria de freira... Não haveria copos, apenas taças e deveriam ser admiráveis. A nota de consumação com a imagem de santo e uma citação que denotasse a alegria de se beber bem e com moderação... O segurança principal ficaria em um oratório no alto, aqueles de madeira entalhada, nas laterais camarotes que lembrassem o estilo colonial europeu... Deixa para lá...

NARRADOR
___ Conserta a mente e se concentra. Sobre uma mesinha vê alguns folhetos, felicita em voz alta...

TOMÉ
___Que bom que vocês evangelizam... Há muito não via isso na Igreja... (apanha o folheto)... Hã... Que é isso? Propaganda? Este é de venda de livros, auxílio na fé. Como satisfazer sua esposa, sexo no casamento? Bar com strip-tease, casa de massagem com belas garotas e garotos? O que é isso?

narrador
___Olha para a esposa...



Tomé
___Você viu isto? Agora só falta a nós irmos quem sabe fazer um sexinho gostoso na sacristia ou bem apertadinho no confessionário... Deixa para lá... Poderiam estar filmando e venderem para a sexos bizarros ou góticos... Ou para aqueles sites na net...

narrador
___Poderia ser?!

TOMÉ
___Cada vez que entro em Igrejas fico admirado com o espetáculo dos afrescos, as figurações e, sobretudo esta imagem de sofrimento, por que será que não colocaram as alegrias? Poderiam, com certeza, terem colocado os milagres, os doze meninos brincando nus no rio Jordão. Poderiam colocar as vitórias que o povo conseguiu como: A liberdade do Egito, as construções dos templos, o nascimento da Igreja...

Narrador
___Não se pode mostrar ao povo que ele tem poder de fazer sem a submissão. Não se deve mostrar ao povo que ele tem capacidade de erguer uma obra que durará por séculos, que é inteligente e sagaz. Não mostre o seu valor, mostre a ele que é pequeno, incapaz e servil... E terá para sempre um seguidor fiel...

Tomé
___Mas não terá sua lealdade. Olha que bela cena... Doída... Jesus crucificado, o seu semblante com lágrimas de sangue, os pregos nas mãos e pés. Um Cristo em concreto, mas que reflete a dor, a tormenta e a tortura... Uma expressão de que está confuso e se envergonha... Pelo que farão com seu sacrifício... Talvez naquele momento lhe passasse à mente.

NARRADOR
___Será que os homens valem minha dor?! E é neste momento que se ouve o coral iniciar seu aquecimento de voz, entoam os hinos que farão parte da próxima celebração. E o Cristo parece olhar de soslaio ao altar, ainda clamando e pedindo penitência. Sobre seu baixo ventre figuraram um tecido de linho com barras adornando em ouro... Aos pés ensangüentados está Maria com sua dor de mãe... Uma límpida lágrima escorrega pela sua face, será que ela sabia? Que ela previra que passaria por tão profunda falta? A perda de um filho... O filho que lhe fora dado por Deus... E agora tomado de maneira tão castigada. À sua esquerda João olha com o amor que sempre sentiu pelo homem, o amor que em outros tempos iria ferir a sociedade hipócrita, um amor acima do casual, amor verdadeiro. Um olhar de admiração, admiração pela inteligência, pela moralidade, pela filosofia de vida, pelo carisma, pela fé que o seu amigo depositava em Deus, Admiração pelo exemplo que lhe ensinava sempre... Olhava também com medo, de seu futuro, da pequena comunidade que iniciaram, agora com a principal mente se entregando daquela maneira, o que seria de todos... João chora com comoção, uma situação intrigada de tortura e traição...

TOMÉ
___Como este artista pensou em detalhes, as marcas dos garrotes são visíveis, arroxeadas, os pulsos e os tornozelos, os joelhos esfolados pelas quedas nas ruelas estreitas de pedra, quando passaram pelo centro da cidade... A rótula aparece raspada. Meus olhos fecham, imagino-lhe a dor sentida, parece ferir a mim... Acima da cintura, na quarta costela uma perfuração o machucou profundamente, neste momento o ar lhe estaria difícil de aspirar, os dedos das mãos estão quase negros...

NARRADOR
___Os resmungos da velha senhora na cadeira de rodas retiram sua atenção daquela crucificação para perceber a outra... outra forma, mas também crucificante, estar ali, presa, na dependência de outros para tudo... Ela tem uma acompanhante, enfermeira. Em dados momentos a senhora tem espasmos, surto de lamentação, na sua exigência na oração, tenta falar com muita vontade, pede liberdade, não obtém resposta, pede sobre sua família que a abandona por outra vida, que não a que ela antes dedicara a eles, mas hoje são doutores, nem em suas formaturas foi, ficou observando apenas um convite esquecido sobre a penteadeira em que se prosta para que uma desconhecida a deixe ao menos mais aceitável aos olhos deles... Quando em lapsos esquisitos lembram de vê-la.

TOMÉ
___Espero que neste domingo apareçam te olhar e levem as crianças para que você as veja. Que eles olhem seu braço com mais cuidado e percebam os beliscões que leva, às escondidas, até mesmo aqui, na nave da catedral de Deus. Fico observando minha pequenina filha andar em procura de equilíbrio, trejeitos de monstro de frankstein... Braços entendidos à frente e pernas retas, duras, cambaleante, sorri a cada passo elegendo a si sua conquista, sua autonomia e sua liberdade. Ao passo que dou, vejo os camarotes que alimentam a cobertura da nave principal, herança do império e toda a sua nobreza de títulos comprados. Não combinam tanto a sua proposta de conduta e as leituras que se fazem, como homens possam se prestar a atitudes tão triviais e distorcidas em vã esperança, ou não a têm e sabem que já que não há devem tirar proveito dela, pois um grande objeto comercial se abre.


NARRADOR
___Há uma imagem que lhe faz estacar no corredor, sua fé o faz desmoronar sob os pés da figura imponente de Maria. De manto azul sobre a túnica de linho branco, lhe oferece serenamente as mãos, e um convite para que lhe ofereça sua aflição, ela se oferece para limpar seu espírito atormentado, com dor e solidão. Sob os pés jaz uma serpente escura que segura firme nas presas uma maçã, que é maior que sua mandíbula. Fala em si que a sabedoria é imensa, que não existe alguém capaz de conseguir suporta-la por completo, o conhecimento é algo grandioso, e que por mais que o homem queira conseguira pouco, poucas porções desta ponte reveladora de Deus. os olhos da serpente pisoteada passam ferocidade, ao mesmo que um pedido inconsciente de ajuda, de amparo, os séculos passam e ela está ali, inerte, os músculos da boca instigam raiva e fúria, uma figura insana...Toda a mistura que faz parte do homem e que abarrota sua essência, que corrói sua alma, sua natureza... o rapaz sente dores e cai.

TOMÉ
___As pontadas em meu peito ardem, sinto. Caio aos seus pés... Santa mãe. Imploro para que eu consiga suportar essas dores e sobreviver, tenho tantas coisas a fazer, quero ainda ver minhas sementes florescerem, quero ver minhas mulheres juntas, amigas, talvez até falando de mim, mas amparando-se. Afinal serei eu o ponto comum. Encaminhar minhas crianças. Continuar amando minha arte e ensinando a outros a amá-la desta maneira. Hoje meu tio foi ao seu encontro, recebe-o, ele foi um homem que sofreu muito, minha mãe. Meu ‘tio Berto’, foi um grande amigo que tive. Se existe um homem que eu posso dizer este nada me fez a não ser me amar e me oferecer bons conselhos, foi este meu tio. Sei que gostava muito de mim, foi assim sempre, às vezes causando ciúmes aos filhos, mas nosso relacionamento é espiritual demais, para que se possa compreender. Assim como é com minha tia, cara de minha mãe, ‘Tia tália’. Um carinho diferente e especial. Um amor sem cobrança, sem Exigência. Adoro ouvir dizer Deus te abençoe. Mas quanto ao meu tio, trata-o bem, por favor, deixe-o agora em descanso, que o que passou seja bálsamo e crédito aos rumos dos céus. Lamento a sua ida e ao mesmo tempo agradeço pelo espaço que estivemos próximos.

NARRADOR
___ Sorri... Seu sorriso mistura-se com as lágrimas, sua filha anda pequenina, pelos corredores, levanta-se e acompanha, ao chegar perto de sua esposa algo faz com que olhe para o lado oposto, uma pequena saleta, um ser mirrado, encurvado, está sentado na cadeira forrada de vermelho, alta e colonial, Ri amarelo e avisa a ela que vai confessar...

TOMÉ
___ Faz tempo que não faço isso, vou lá. Tenho sim, tenho certeza que quero...

NARRADOR
___atravessa, os passos estão alegres, pára na porta, retira o lenço que lhe cobre a cabeça e reverencia o sacerdote. Ao fazer olha os pés e o tornozelo do velho, existem curativos que fecham as feridas da sandália de couro.

Tomé
___Podemos conversar? Melhor posso confessar?

NARRADOR
___O velho, de cabelos que fazem lembrar figuras de Einstein, o físico, aponta uma cadeira ao lado, vagarosamente levanta e vai até a porta para fechá-la, não responde quando o rapaz pergunta se quer que a feche. Quase gemendo pela vida vai e volta, pesado cai sobre o estofado da cadeira como se lhe faltassem força para agüentar a velha carcaça, com algum mau humor incontido pergunta: Quer confessar ou conversar simplesmente, o quê quer?

TOMÉ
___ Ele me pergunta como e eu fosse culpado por ele estar fechado naquela sala, naquela tarde e com aquele calor de início de verão. A sua veste surrada estava coberta pela estola roxa do advento, deveria ser mais alegre por ser o terceiro domingo a terceira celebração do advento, as leituras falariam sobre a manjedoura, a alegria da pobreza, da humildade, da devoção, da firmeza de caráter...

NARRADOR
___estou esperando sua resposta...

Tomé
___Quero confessar, mas faz tanto tempo que nem sei como fazer...

NARRADOR
___Quanto mais ou menos...

TOMÉ
___Acho que é irrelevante o tempo, eu quero aproveitar em abrir meu baú e dizer, falar tudo...

NARRADOR
___Quanto?!




TOMÉ
___Mais ou menos dez anos... Talvez menos... Não sei.

NARRADOR
___Casado, ajuntado, amigado, ou...

TOMÉ
___Sou, fui casado e agora ajuntado... Mas pela lei somos casados.

NARRADOR
___Então não posso te confessar...

TOMÉ
___Como?!

NARRADOR
___Eu não vou te confessar, não posso fazer nada, está na ...

TOMÉ
___Não entendi...
NARRADOR
___Não posso fazer nada, está na Bíblia.
TOMÉ
___Onde está que você não pode fazer isso?

NARRADOR
___Procure estudar a Bíblia e vai encontrar... Ta escrito lá...

TOMÉ
___Já estudei e estudo a Bíblia, em qual contexto está escrito? Estudei as doze principais religiões e sei que a católica é a oitava na classificação de criação religiosa. meu querido me explica...Vai...

NARRADOR
___Você vive em pecado...


TOMÉ
___o QUE É PECADO?

narrador
___Você estar ajuntado é pecado...

TOMÉ
___Deixa ver se eu entendo... Na sua concepção, duas pessoas podem viver brigando, infelizes, uma traindo a outra, chegarem por vezes às vias de fato, mas o que importa é estarem ou não casados? Que Igreja é esta?

NARRADOR
___É O QUE DIZ A Bíblia...

TOMÉ
___Tá. Me diz ao menos onde está escrito...E já que estamos conversando, isto não é um absurdo?

NARRADOR
___Eu não vou dizer. Deve descobrir.


TOMÉ
___Eu estou sendo educado com você... Estou bravo, mas estou sendo paciente, o sua pessoa diz que não pode me confessar por que não sou casado, mas pode ir lá na frente e abençoar um automóvel feito de lata, causador da revolução industrial e criador dos bolsões de miséria...

NARRADOR
___ a GENTE FAZ ISSO PARA SOBREVIVER... A sociedade de hoje pede e a gente não se recusa...


TOMÉ
___mas se recusa a aceitar a confissão de um homem que lhe procura, que quer abrir seu coração e sua mente...

NARRADOR
___é ASSIM ATÉ COM OS ANIMAIS, ELES VÊEM E COMO SÃO PESSOAS DE BEM NÓS REALIZAMOS Os SEUS DESEJOS...

TOMÉ
___e NÃO PODE ACEITAR UMA CONFISSÃO POR QUE EU NÃO SOU CASADO, INTRESSANTE, E SABER QUE FUI COORDENADOR DE GRUPO DE JOVENS POR MAIS DE SEIS ANOS E NUNCA ISSO INTERFERIU...

narrador
___Ninguém o deixaria fazer isso...

TOMÉ
___Implantamos novena perpétua a Nossa Senhora das Graças, toda segunda-feira... E isso não interferiu...

NARRADOR
___Sacrilégio... O que fala, não pode ser verdade.

TOMÉ
___Enquanto dirigi os jovens, conseguíamos manter um número considerável de membros aos domingos à tarde reunidos...

NARRADOR
___ Acredito que não... Não poderia. Não na minha congregação.


TOMÉ
___MAS VOLTANDO À CONFISSÂO... Eu poderia matar alguém e se fosse casado ganharia a confissão, poderia roubar a assistência social ou alguma pastoral que se fosse casado seria confessado, poderia eu enganar várias pessoas levando-as ou à miséria e até a morte e o meu querido padre iria na prisão para me confessar, mas o que importa unicamente que seja casado...

NARRADOR
___Você tem que entender...

TOMÉ
___ Entender que isso é absurdo... Não consigo entender... Padre... A quem pertence o absurdo?!

NARRADOR
___Mas veja a Bíblia...

TOMÉ
___Lá vem a Bíblia de novo, onde está escrito? E se assim ainda o tivesse, Ela foi encomendada por Constantino, os preceitos que nela contém são puramente regras, leis e dogmas romanos. e não da Igreja fundada por Cristo, antes disso,

NARRADOR
___Você deve acreditar na Bíblia...

TOMÉ
___ Eu acredito. Mas de uma outra forma, com uma outra visão. Eu acredito em Jesus, na sua vinda e seus ensinamentos, em Maria, em Deus. Mas quando se referem a algumas cartas escritas em países como prisioneiro ou sob a espada do soldado, não tenho como acreditar... Tenho que crer que o homem é fadado a ter medo, a falhas e, sobretudo os dogmas romanos que absorveram ou trocarem a seu bel prazer às leis gregas e de outros povos que conquistaram. Encontraremos até alguns costumes egípcios, assírios e tantos outros... Esses não fazem parte de mim.

NARRADOR
___Mas, sabe que está errado, você não pode fugir de uma tradição de milhares de anos...

TOMÉ
___MAS se a própria Igreja pode fazer suas mudanças pelas palavras nas traduções feitas, poderá sim um dia acordar...

NARRADOR
___Acordar?!

TOMÉ
___Algumas mudanças são necessárias, muitas se prendem a razões sociais, e hoje precisamos somar a moral, a ética. Hoje é diferente do que quando Constantino a registrou como sua para poder se tornar seu papa e continuar Imperador da capital Romana.



NARRADOR
___Você tem que acreditar que ele era um homem de \Deus... Que deus o escolheu para isso...

TOMÉ
___Quererá fazer-me crer agora que tenho que aceitar que não foi uso de política que instituiu a Igreja e que o adjetivo ‘Romana’ na razão social dela não foi imposição do imperador...

NARRADOR
___Eu quero que entenda que você pode fazer parte da Igreja, pode ser dizimista, mas deve ficar calado, submisso por que vive no pecado com sua companheira...

TOMÉ
___Meu dinheiro é bem vindo, mas minha ajuda moral não?!

NARRADOR
___É que com o dízimo podemos oferecer mais aos sacerdotes e à Igreja...

TOMÉ
___E às pessoas nada...

NARRADOR
___o homem deve submissão À Igreja...

TOMÉ
___Meu velhinho... Com a sua idade... Deveria pregar outros sensos morais e éticos aos fiéis que vêem à Igreja... O senhor deveria saber mais que este ser que está a sua frente, este ignorante que veio fazer sua confissão... Mas ficamos assim... Ok?!

(apertam-se as mãos)

NARRADOR
___Espero que Deus o faça refletir sobre o que conversamos...

TOMÉ
___Eu também espero o mesmo meu padre. Que Deus abra a mente do senhor, da Elite que Organiza e dirige a Igreja, ou quem possa, para que a Igreja não sucumba... Olha meu padre... Se a Igreja não mudar ela vai acabar... Acaba e rapidamente, pois o homem já não mais vai investir em guerras santas e não trará mais proventos a ela, tampouco aceitará da mesma maneira pacata a que já aconteceu nas últimas guerras, os homens não ficarão calados!

NARRADOR
___Temo pelas palavras...

TOMÉ
___ Eu também padre... Mas temo mais a omissão! ... Feliz Natal, e sai com um riso confuso, olhei minha esposa com seu vestido de luz, e lhe disse... Ele não quis receber minha confissão, segundo ele, ele pode fazer, o motivo foi que não somos casados, somos pecadores, como? Não. Não vou culpar toda a instituição e tampouco os seus membros. Olha lá agora a freira vai entrar e ele vai aceitar, será que ela vai contar que judia das crianças na creche, que rejeitou mais uma criança moreninha hoje? Que deu bronca naquela mãe pobre que chegou atrasada porque não tinha dinheiro para a lotação e veio a pé? Vê? Ela sai e olha para cá, ele contou a nossa conversa, com certeza, que? Mas não foi confissão, foi conversa em particular, mas foi conversa. E deve mesmo ter falado, passou toda a celebração nos observando, como querendo saber quem havia deixado seu padre nervoso com assuntos desta feita.

NARRADOR
___Quando se está dentro do templo, ao fixar os olhos espirituais no altar, centro de grande força energética, e em algumas pessoas dá para ver a aura de cada uma delas, o clamor e salpicações coloridas que explodem aqui ou ali... Agora a gnose insuflava-o a enxergar e com isso começava a avaliar o que pertencia à Cristo e o que era Instituição...


TOMÉ
___Adoro os rituais, não os dogmas. Algo aqui dentro há muito bate distante... Que será?

(os sinos dobram, vagarosamente, uma canção gregoriana se ouve, junto o aviso final)

NARRADOR
___Avisos finais...
...... Meus livros estão à disposição, é claro que a um preço bem pequeno, cada exemplar custa vinte reais...
...... Venha celebrar conosco, a vigília de fim de ano!
Se vier avise na secretaria, traga a sua coca-cola, seu vinho, sua champagne e um prato de qualquer coisa... O valor para passar a vigília conosco ficará entre quinze a cinqüenta reais... Tenham uma boa noite!


FIM



(Copyright © 2006 by Abilio Machado de Lima Fº.)



referências

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