domingo, 27 de setembro de 2009

O rito da purificação do caminho de São Luiz do Purunã.


Os braços estavam abertos representavam a crucificação, olhos cerrados, o forte vento a fazer dançar os cabelos, compridos e castanhos relembrando bandeirolas em mastros.

Sorriu ao associar ao descobrimento. Bastava-lhe estar vivo.

O açoite da camiseta, amarrada displicente sobre o quadril.

A natureza explodia vida e ele absorvia sua energia.

A oração era murmurada, o sentimento de nivelar o seu volume executava um arrepiar crescente.

Algo que subia, tomando espaço até carregá-lo,explodindo o cérebro de intensa luz, fachos de memória com imagens e cores.

Idéias a muito idas.Palavras perdidas.

As nuvens vindas de sudoeste amontoavam-se como crianças a correr na saída ao recreio, seus gritos faiscavam e depois brilhavam em energia frenética, derramada como este céu assim, sem sol, mas um vislumbre de azul entre aquele escuro com nuvens brancas e cinzas.

O vento agora assoviava os olhos abriram ao alvoroço, intimamente encorajava-se, sentia o próprio corpo, o membro estava em pé, ouriçado, duro que doía, como buscando um desafio à torrente natureza.

Não se afastou, os relâmpagos brilhavam pero, raios atingiam o solo, em ruídos pavorosos, Uma rajada de água refestelou, rebelando-se contra o vento, gotas que apagavam as grandes labaredas de fogo que incendiava ele por dentro.

Os elementos, sua mente gritou.

O fogo na sarsa ardente. Elementos dispostos sobre o tudo em um só conjunto. Os sinais poderosos de Deus.

Tomou novamente a concentração e falou com Deus... Seu corpo agora despojado de tudo estava completo, a última peça que lhe cobria o vento levara em dobras bravias de ondas circulares, mas a matéria agora a ele não importava, entregava-se ao rito, se colocava no côncavo da gigante mão de Deus.

Os murmúrios avançavam rapidamente tentando superar cada vez mais a cadência dos jatos d’água, sua voz ganhava alturas.

E assim ficou, abria sua vida, o seu corpo ao criador, o chicote do tempo a marcarem sua pele, assumia seus defeitos, assumia seus erros, pedia por perdão, das graves às ínfimas, ali nu ao vento sob a chuva forte sobre a Serra de São Luiz, depois de galgar toda ela em extrema concentração naquele dia que lhe apresentara a vida, confessava-se e as respostas eram raios e relâmpagos, descargas imensas que atingiam o espaço rumo ao chão ferindo a terra naquele campo que se agigantava pela planície, Campo Largo.

Ressoava salmos e louvores, uma adoração emergente.As pernas tremeram, uma força como uma mão pesada arrebatou-lhe e derrubou-o de joelhos ao chão, sua pele eriçada pelo combate. A respiração cansada pela batalha, sentiu o poder sobre si, as pernas abriram-se e puxadas para trás lhe forçaram ao chão deitado com a face encostada ao solo sobre o pedregulho misturado com as águas que queriam descer a Serra, os braços escancararam em enorme cruz, a energia dos céus estouravam aqui e acolá, espasmos ao corpo, o falo ereto encaixara-se na lamacenta mistura como a planejar um ato de sexo extremo ele humano e ela deusa terra, ao chão.

Sentia, um peso que debruçou sobre seu corpo, sentia.Era o tempo nele a ganhar seus cantos e procurar segredos e ele sobre a sagrada terra, ejaculando inconsciente pela energia tamanha, sem culpa e tampouco profano.

Posto assim, humilde, arrebatado e ainda em oração recebeu a divina aceitação, não era só as intempéries que lhe surravam algo dentro de si, rasgava a carne, fervia seu sangue num rito de purificação, dizia palavras, soprava-lhe incansavelmente imagens e atos, fatos e tatos, sentia em si tudo, naquele rito de purificação.

__Encare a você mesmo.

E tomando de coragem, vencendo a derrota que lhe tomava primeiro puxou as pernas, levantou o quadril e o peito absorvendo aquela força vinda da terra, da água, do ar e daquele fogo que lhe fervia as veias, os olhos abertos, foi aos poucos ficando em pé.

A água lhe lavava da cabeça aos pés.

__Meu filho pródigo retornou...

Neste momento os relâmpagos tomaram pela última vez o largo céu, o vento tendo aquele espiral energético como doma foi ampliando e as nuvens temporais dispersaram-se deixando um doce azul cobrindo aquele terreno tão próximo daquele céu que o homem parecia estar dentro dele e ter sido tomado em exaltação com o largo sorriso aos lábios, as lágrimas a despencarem pela face, e o corpo agora purificado aos poucos ser secado com aqueles macios raios de sol, de braços abertos, corpo nú a receber lambidas suaves do vento agora tão cúmplice seu.

Era uma tarde aquele dia.

E este caminho sempre que preciso ajeito seus momentos e para lá retorno.

É. É esse homem sou eu.

É. Este rito passei sobre a Serra, ao fim do caminho de São Luiz.

A magia de Campo Largo



Redescobrindo Campo Largo

AEL: Arranjo Educacional Local.

Iº Fase.



ALGUMAS OBSERVAÇÕES SOBRE O TEXTO


Buscar através do teatro e da Contação de História reviver ou reavivar fatos históricos e fictícios desde a origem ou tomada dos campos gerais até nossa atualidade. A partir da reunião realizada aos catorze dias de setembro de dois mil e nove. E estendeu-se até o dia 17 com acalorada colocações e calmantes lembranças de dias vividos nas ruas, praças e eventos de nossa cidade.
Os materiais trazidos foram quanto estudo geopolítico, pela equipe de pesquisa. Apenas referências foram informadas sobre a cultura em suas variadas áreas, quando da montagem estrutural e demonstrativa pré-divididas em três fases a contar: fase da origem ou povoamento, fase da industrialização e colonização, fase terceira os dias de hoje. Todos inseriram pontos desde os índios a diversidade cultural atual a serem trabalhados a partir de pesquisa coisa que o tempo é escasso e as habilidades são diversas e adversas.
Roteiro com a organização do produto a partir do texto, funções e o visualizar do todo desde a base, efetivando o ESPETÁCULO, Campo Largo em alguns atos.































. O público é recebido com a diversidade musical local que vai ambientalizar, lembrando sempre a cada faixa de musica executada que aquela é obra de musico ou banda local. Tudo que for utilizado e ou aplicado deverá ser local, afinal é esta a proposta do projeto AEL.
.






















A MAGIA DE CAMPO LARGO
DO BARRO À PORCELANA

Texto Abilio Machado


Apresentador:
(vestindo uma roupa que lembre as cores da bandeira, fazendo malabarismo e acompanhado por outros e também alguns dançarinos representativos que farão breve coreografia sobre a música principal que transcreva a cidade).
__ Personificar a história e transformá-la num texto mesmo que simbólico nos dá o direito de poder adentrar profundamente no seu universo interior e fazer descobertas, uma busca de identidade ou uma redescoberta de nós mesmos, que apresenta a cada degrau alcançado um universo todo novo, o perfil e compreensão da forma mais apta de estudo pessoal sobre a própria vida em comunidade. Numa discussão constante da história política ( os dançarinos de tropeiros e imigrantes se movimentam ) e da história popular ( Entram correndo para o palco lobisomens, assombrações e benzedeiras) e com isso a maneira de apresentar o que nossa cidade tem a oferecer de melhor é contando, cantando, dançando e demonstrando... Sua história através da arte ‘A Magia de Campo Largo- do Barro à Porcelana!’

CENA ESPECIAL - (Em ritmo de clipe, sob musica que retrate nossa cidade, esta cena mostra vários depoimentos de pessoas respondendo a pergunta “O Que É Campo Largo Para Você?!” Falas curtas e outras longas, distribuídas, cortes breves que se misturam a algumas imagens que possuam ou que retratem o tempo, flashes de ruas, pontos turisticos e outros de beleza ímpar, flashes das atividades culturais, tudo com a intenção de mostrar o quanto de diversidade étnica, cultural e industrial atual. Terminando num ‘cratch’ e escuridão).

CENA 1: “O início”

Vídeo: (por tomadas).

Um despertador toca. Uma mão ataca. Cobertas são arremessadas. Pés envelhecidos descem ao chão. Pés calçam as chinelas. O rádio velho é ligado e a música raiz toca ao fundo sob este começo lúdico. Água da torneira. Mãos que procuram no estojo de maquiagem. A água no coador de café. A xícara posta. Mãos que carregam a sacola. Itens comuns fotos e remédios, dúzias deles. O galo canta. A mão apaga a luz e a porta é aberta. O clarão de luz toma o espaço.

Palco:

(A praça, banco... Ao fundo a imagem da majestosa arquitetura da Igreja Matriz vem surgindo do escuro como o clarear do dia e um a um chegam, e o grupo vai se formando, vários idosos que se preparam para um dia de atividades. Ao banco três ou mais idosos se reúnem... Em outro canto mais alguns).

Nena__ Quem maravilha esse passeio de hoje.
Vita__ Nem me diga, quase nem dormi de noite. E Dita ta indo preparada?
Dita__ Ih vamos reviver tanta coisa... Prometo que não vou chorar.
Antonio__ Nosso passeio vai fazer com que tenhamos uma viagem... Viu meu neto...
Tunico __Ah... Deixa eu vô, deixa...
João__ São tantas histórias, são tantas coisas que fazem nossa cidade ter vida própria...
Tunico__ Não estou entendendo nada...
João__ Nossa cidade é como a sua principal atividade a cerâmica e a porcelana, foi moldada aos poucos pelas mãos daqueles que aqui se instalaram... Como se cada um deles também fosse um Oleiro.
Antonio__ Os anos, os anos passam... Nossa cidade... Veja só...

...(Índios estão dançando, fazendo cestos, cerâmica, alguém como jesuíta tenta fazer-lhes a fé...)
...(O pequeno grupo ouve o tocar da moda de viola registrando a saudade do passado...)

Narração: poesia sobre Campo Largo
(À Campo Largo,
“ um grito lá do alto.”

(poetha, Abilio Machado. 0396)

Que vontade me deu agora
De subir lá na Serra
Do alto de São Luis
Olhar cá para baixo
E falar bem alto
Do meu amor por Campo largo:

Terra... Hoje da louça
Capital Nacional da arte
Que emerge do barro.
Antes terra de índio valente
Livres à margem dos Rios...
Moravam Cabeludos e Tingüis...
Falar do Rio Verde, Passaúna,
Ribeirinha, Cambuí,
Itaqui e Assungui.

Terra. Que começou no Tamanduá
Ponto de descanso para travessias
Expedições e viajeiros.
Com a chegada da Santa
Que não quis mais ir...
Piedade. Senhora toda Nossa.

Que ainda menina, correu o risco.
É. De capital se transformar...

Falar de história, de literatura.
Expostas vidas nas estantes
Biblioteca Pública, câmara do saber...
Lúdica!
Alunos a ler...

Dizer de nossas praças, parques,
Moleques e travessuras...
De nossa arte na Casa da Cultura...

Terra... De arte por todo lado.
Porcelana, decalques,
Cerâmica, decoração.
Desenho, pintura, escultura
Artista plástico e artesão!
Música, teatro, bandas e corais...
Escritores, poetas, meninas e meninos cantores
... E muito mais!
Gritar bem alto:
Parabéns minha Campo largo!
Doce filha desta mãe gentil...
Pátria chamada Brasil.
( ou se poderia pedir para a Oficina de Literatura construísse uma que no seu contexto tivesse os índios, o garimpo, tropeiros, este momento).

. (Durante a narração da poesia, tendo a imagem de fundo a visão de uma aldeia indígena típica da região (guarani ou caingang) indícios regionais dos selvícolas da redução induzem que os cabeludos eram da linhagem caingang)).
... (Criar uma coreografia tendo índios, garimpeiros e tropeiros neste momento...)
... (No palco agora ficam um grupo de peões, violas nas mãos...)

Ilheiro__ E então já há muito é tropeiro?
Tropeiro__ Tenho visto que é rendoso, entrei nesta embernada vim carregado de mercadoria seguindo o Viamão.
Patrão__ Já fez as amarras com a égua madrinha?
Peão__ Costume na tropa de amarrar as mulas na égua madrinha assim nenhum animal se desgarra mesmo ficando solto assim o pasto...
Patrão__ Se tudo feito assenta aí para dar aos beiços umas cuiadas... E você peão, ta de cuia seca na mão?
Peão II __ Me adesculpa mais fiquei atento na prosa... Vejam só que eu estava aqui a mexer na bomba a seco... Quase virando um tererê...
Ilheiro__ Lugar melhor que este não há... Tanto tropa e cigano param nestes lados do campo perto do Cambuí...
Tropeiro__ Quando vindo aqui perto passamos ao largo dos índios só os vimos fumaça e nada mais. Aqui não vêem?
Ilheiro__ São povo pacífico, vivem daqui parali sem incomodar... Os mais bravos são os Tingüis que vivem mais acima às margens do açungui... Mas assim mesmo é só separar uma paga de farinha que passarão sem incomodação...
Patrão__ Assim é que espero, preciso trocar por mais desta erva, que dá um bom mate vamos passar bem antes pela Serra da Prata antes de desembocarmos para os lados do sul... Vós mecê também?
Tropeiro__ Eu tenho uma encomenda, levo uma imagem para outras terras, pra outra capela.
Patrão__ Eu ainda não compreendo muito bem estas diferenças...
Tropeiro__ É que depende do número de habitantes da região, a hierarquia é essa: capela, freguesia, distrito e assim vai... O que digo é que estou quase numa missão sagrada...
Ilheiro__ Mas algo acontece, toda vez que ajunta a tropa o tempo fecha e dispara a chovê...
Tropeiro__ O povo já ta achando que a santa não que deixa de vive por estas bandas... E eu já nem sei o que fazê... Os homi já tão nervoso e eu nestes poucos anos de tropeiro jamais deixei de entrega a mercadoria que fosse...
Ilheiro__ Mas onti foi assim que aconteceu, foi feito uma novena e pedido onde queria fica e foi ali no lombo do campo, logo perto do poço, que o raio desceu... Coincidência ou não foi assim que sucedeu...
... (Acontece um relâmpago um tremor de luzes)...

Vídeo
... (Ao fundo aparecem várias fotos de documentos que retratam a época, alguns depoimentos de fatos sobre a construção da primeira capela e depois já se misturam com imagens da construção da Matriz)...
... (Uma música falando da Padroeira toma conta do ar, pode ser tocada pelos próprios violeiros que podem estar ali assentados)...
... (Cabe também alguma roda de cabocla, visto que o período condiz com o período escravagista da região)... (ou Uma dança bem ao estilo do fandango, que também é desta origem e que é típica do Paraná...)

CENA 2: “Dom Pedro”

Prefeito__ Estou por muito honrado... É nestes dias de março que o nosso Imperador vem à nossa casa.
Mulher__ Ah, senhor meu marido. É uma honra à família, à cidade e 1880 ficará por certo marcado nos registros.
Prefeito__ Acreditas que ele apeou da sua carruagem para beber de nossa água na vertente do baixo Cambuí...
Imperador__ Me diz seo prefeito de onde lhe veio a riqueza?
Prefeito__ Honro-me em confessar que veio desta erva-mate aqui destes campos gerais...
Imperador__ E ao império também, pois nos é um bom produto de comércio ao Paraná e exportação ao Brasil...
Prefeito__ Anda assim emparelhado com este novo produto que é o café. Minha filha, por favor, sirva aqui.
Filha__ É para já senhor meu pai. Mate ao Imperador.
(blackout)

CENA 3: “ Imigração”
Apresentador:
__ O ciclo da erva-mate deu mais vida ao povoado, (apresentar fotos ao fundo do museu do mate, da visita do Imperador) aqui permaneceram portugueses, remanescentes franceses, logo depois chegariam italianos que deixavam a terra Itália a buscar refúgio e vida nova no Brasil, acabaram se dispersando em grupos por estas bandas até o Rio Grande do Sul e logo depois vieram também os poloneses...

...( Os dois grupos folclóricos fortes da região dançam uma ou duas músicas)... (Entre um grupo e outro uma poesia é declamada, uma para cada imigração)...

Italiana...
Made in coração
(Poetha. Abilio Machado. 97)
Amparado na soleira desta janela
Meus olhos contemplam a grandeza
A imensidão deste verde brasileiro
Os morros e o céu...
Sua gente que passa pelo carreiro
Ladeado de flores, mato e pinheirais...
Seu verde me traz lembranças,
Lembranças da verde Itália
Uma parte da minha gente
Que não vejo...
Que não conheço...
Quanto tempo faz?
Aquela voz que canta... Ainda.
Nos meus sonhos das madrugadas.
Mas assim nessa mistura
Que até parece uma canção...
Aqui dentro na mistura das bandeiras...
Na mistura destas raças...
Aqui na mistura das palavras...
Digo com tanta força,
Com lágrimas a caírem pelo rosto,
Com este nó na garganta,
Que toda esta mistura...
É feita pelo coração!
E é mais que oração!
Peço aos Santos de proteção
Que ajudem minha Itália
Que ajudem meu Brasil!
O futuro desta terra
Depende de trabalho
Fé e devoção...
...Io fica emocionado...
Ah! Minha doce Itália...
Seus costumes... Sua vida...
Roma, Nápoles, Palermo,
Gênova, Trento, Veneza romântica...
...Quase no me lembro mais...
De tuas belezas,
De tuas praças com monumentos,
Que além de belíssimas,
É um marco na própria história,
Escrita com Fé
E com o sangue de meu povo...
Ah! Mas este Brazile...
Que me abraçou
Aos meus poucos anos
Faz com que o ame...
Do fundo de minh’Alma...

Polonesa...
(Pedir a um dos estudantes de polonês da casa da cultura (Milton)...

... (Momento representativo de mostragem de documentários, fotos, esquetes, trechos de histórias curtas que falem deste período, também demonstrar as manifestações religiosas de mostra de arte e esporte)...
... (Emenda com rápido histórico musical de músicas deste período)...

CENA 4: “Cerâmica”

Apresentador: (pode ser usado imagens, ou uma coreografia de dança utilizando uniformes das fabricas mais antigas, como a Pip, Stetita, Guarani, Polovi, Incepa... Ou uma performance de atores a escolher, que represente “do barro à porcelana” se isso acontecer não é necessário palavras só performance)
__ Do barro amassado, preparado, nossa Campo Largo começou a ganhar o país, a viajar pelo mundo...

...CENA 5 : “Atualidade “...
...Várias músicas com alguns convidados, há duplas e bandas...
... Enquanto tocam ao fundo imagens de Campo Largo hoje, (em ritmo de slide) os pontos turísticos hoje, a louça e a cerâmica, os pintores da praça é do artista, o artesanato, as oficinas que acontecem, as fotos dos campoesia, do festival de música raiz, o grupo de teatro ativo e os corais em ensaios e apresentações, (o ideal é uma imagem física e logo uma humana ativa)...
Nena__ Quem maravilha foi o passeio.
Vita__ Nem me diga, me lembrei de tanta coisa. E Dita como está?
Dita__ Ih não agüentei chorei só de lembrar...
Antonio__ Gostou meu neto?
Tunico __Nossa, vô que montão de coisa bonita, coisa que nem eu sabia...
Antonio__ São tantas histórias, são tantas coisas que fazem nossa cidade ter vida própria...
João__ Nossa cidade é como a sua principal atividade a louça, é moldada aos poucos pelas mãos daqueles que aqui se instalam... Como se cada um que aqui vive também fosse um Oleiro...
Nena__ E vejam só é a banda com um coral...
Vita__ Ótimo jeito de se encerrar o dia....

CENA ÚLTIMA:

Palco...
... A Banda Municipal começa a tocar o hino municipal... (O coro que estiver presente começa a cantar e logo)...

...Video
... Cada depoente do início da abertura também cantará um trechinho do Hino de Campo Largo que será projetado ao fundo... E como surgiu o espetáculo tendo a imagem da matriz ao fundo se encerra perdendo sua luz e escurecendo aos poucos como se o sol fosse embora e a noite chegasse com os idosos do palco saindo um a um de retorno à suas casas.
Ex

Campo Largo...
(Poetha Abilio Machado)

Tão grande é no coração de teu povo
Que palavras tornam-se pequenas
Para te dar definição

Como não amar esta terra
Em que plantando tudo se dá
Nos sorrisos das crianças
Nos idosos que trazem na fronte
Os olhos das lembranças.

Ah... Que o amanhecer seja longo
Neste teu dia quero te fazer em festa
Participar do dia
Na melhor roupa fazer a romaria...

Quero saltitar na praça
Ver o cidadão no coreto fazendo graça!

Mergulhar na sua esperança
E o povo de mãos unidas
Clamarem em oração profunda
Amor e respeito por Campo Largo.

Piedade... Minha Senhora da Piedade.
Esse bater de corações agora
Acalante esses braços frágeis e gentis
Ajuda aos que te procuram sem demora...

Seus ornamentos do barro
Homens da escrita da terra
Sempre a citarão
Podem eles vagar pela terra
Mas depois da água tomada na fonte
Retornarão!


Largura de campo ao pé da serra
A bandeira ao mastro hasteia
A esperança que há nos olhos
Dos filhos que esse milênio encerra

Riqueza cristalina de água sã
Memórias deixadas pelo Cambuí
Muitos se lembram da ilha
Os mistérios da lagoa
Pescarias no alagado ou no Açungui...

Saiba que os dias passam
Meus melhores votos são desejados
Para que cresça com respeito ao seu povo
Povo fruto da argila, da louça fina
Que te carregam na vida e no coração
Pois, cada campolarguense em si é um artesão!

Uma vida de cão








UMA VIDA DE CÃO
– EIS UMA SOLUÇÃO!
De Poetha Abilio Machado.




– EIS UMA SOLUÇÃO!
De Poetha Abilio Machado.
Personagens: Flora – Bobby – Molly - Ludovico – Lucky – Garibaldo – Joça.
Cenário: O palco de bonecos, como se fosse um muro, o resto como uma rua, criar um
dispositivo para mudança de painel.
. Sobre o muro a gatinha passeia.
. Sob uma música parecida com a ‘Negro Gato’.
. Entra o cachorro apavorado.
BOBBY
__ São Bernardo me ajuda, aonde vou me esconder?!
MOLLY
__Miau. Não vai querer correr atrás de mim?
BOBBY
__Eu não sou deste. Tenho que me esconder e rápido.
MOLLY
__De onde veio este medo todo eihm valentão?
BOBBY
__De um brutamonte vestido de amarelo e com uma rede deste tamanho, assim
ó... Grandona!
MOLLY
__ Não vai me dizer que o Garibaldo está pelas ruas novamente...
BOBBY
__E veja só que nome. Vê se isto é nome de gente, até parece nome de galo...
Desalmado e sem coração.
MOLLY
__E seu irmãos, onde estão?
BOBBY
__Lembra da nossa história, não?
MOLLY
__Se lembro... Bem triste. Quase igual à minha. Mas agora eu tenho uma dona
que é mara! A Dona Flora!
BOBBY
__Então... A ninhada nasceu no inverno, morávamos numa pequena caixa, no
canto da garagem, eu e mais três irmãozinhos, e claro minha saudosa mãe... Ela aquecia
a gente e só saia de perto para comer e bem... Bom fazer outras caquinhas. Foi então
que tudo se abateu sobre a nossa família animal...
MOLLY
__Vou adivinhar! Veio uma pessoa à noite, pegou aquela caixa com vocês
dentro e levou para um lugar bem longe...
BOBBY
__É sim... Um terreno baldio. Perto de uma rodovia, mamãe saiu nos procurar,
ouviu nosso choro, foi atravessar o asfalto e veio um carro (passa o carro)... Igual a este
e passssssou sobre ela. Aí nossa vida mudou, vivemos desde então na marginalidade.
Precisamos de assistência social, da ajuda dos vizinhos e amigos, somos perseguidos e
vivemos daqui para lá, de cá para lá... Uma vida de bandido, de vira latas...
MOLLY
__Pobrezinhos. Ficaram sem casa, sem dono, sem comida, sem nadinha... Até
sem mamãe...
BOBBY
__Que era uma linda cachorra. Foi aí que conhecemos o Nestor.
MOLLY
__Nestor?!
BOBBY
__É o chefe da gang dos cães de rua, um meio pit bull de orelhas curtinhas.
MOLLY
__Se conheço... Vo, vo, você era da gang do Nestor, aquela quadrilha, aquele
monstrão deste tamanhão?!
BOBBY
__Nós não tínhamos ninguém e com ele eu aprendi a conseguir comida...
MOLLY
__E acabou levando seus irmãos não é?!
BOBBY
__Eu ia deixar eles com quem, você sabe como é difícil encontrar vaga em canil
nesta cidade.
MOLLY
__E assim acabou aprendendo a achar comida em sacos de lixo? Isto lá é vida!
BOBBY
__ Não é mesmo. Numa tardinha destas veio um homem bravo, tínhamos furado
o saco de lixo e ele então deu um pontapé no meu irmãozinho, o menorzinho, que saiu
todo torto e gemendo de dor, no outro dia o pobrezinho colocava sangue pela boca e não
agüentou, tremendo de dor foi para o céu dos cães...
MOLLY
__O mesmo céu que o padre de Suassuna naquele texto Alto da compadecida
encaminhou o cão de lá é?
BOBBY
__É bem possível, bem possível.
MOLLY
__É que quando chutam os animaizinhos pode romper o pulmão que acaba
também ferindo o coração... Triste mesmo. Falemos de coisas alegres... Seus outros
irmãos?!
BOBBY
__O Pivete também teve triste fim, ficou amigo de um menino engraxate e
acompanhava ele para todo lado, e acabou viciado em correr atrás de carros, dizia que
era por causa de mamãe, até bicicleta não escapava dele...
MOLLY
__Pela narração já vejo que foi para o canil celestial.
BOBBY
__Pois é... Uma motocicleta...
MOLLY
__ Atropelado?!
BOBBY
__Não! Assustado... Ela passou, ele se assustou e caiu pela ribanceira...
MOLLY
__E sua irmã?! Se deu bem ao menos ela...
BOBBY
__Que nada, caiu na vida... Agora atende pelo nome de princesa, mora na
esquina do mercadinho e vive ganhando pão no portão de Dona Nena.
MOLLY
__Tadinha... Perdida então?!
BOBBY
__ Totalmente.
MOLLY
__Virou uma cachorra de rua, mas quem é Dona Nena?
BOBBY
__É uma pessoa boazinha. Dá pão e água para todos os animais da rua, só não
recolhe ninguém para o quintal ajardinado dela... Ficamos sabendo dela por aí pela rua...
MOLLY
__Alguém devia fazer alguma coisa pelos bichinhos que vivem abandonados...
Vivem na rua e acabam morrendo e até mesmo se reproduzindo mais e mais... Sem
controle, sem responsabilidade.
BOBBY
__É, ouvi falarem sobre adoção responsável. Na qual câmera? Adote seu
cachorrinho, mas com responsabilidade. Lembre-se que ele é um ser vivo e não um
bonequinho para ficar jogado, ele precisa de carinho, atenção, comida, água, banho e de
vez em quando uma visita no seu médico de preferência...
MOLLY
__Muito bem... Eu tive uma dona que me apanhou na rua: toda feia, com
vermes, sarna, é horrível só em lembrar.
BOBBY
__Meus pelos têm caído, uma coceira danada e diarréia então? Nem me fale...
MOLLY
__Deixe eu terminar... Esta mulher me levou morar num casarão, onde os
animais ficavam todos misturados, ela tinha muita vontade, mas não sabia como cuidar
da gente...
BOBBY
__ Como pode isso?! Alguém pegar animal de estimação e não saber cuidar?!
MOLLY
__Olha só o Ludovico está acordando, Ele até ajuda a contar melhor.
LUDOVICO
__Molly?! Quem é o seu amiguinho?
MOLLY
__Este é...
BOBBY
__Bobby. Tudo bem com o senhor seu passarinho?
LUDOVICO
__Hoje estou muito bem. Moro com uma dona do bem, ela me trata com
carinho, e fica boba me vendo e ouvindo cantar, nem grita comigo como meu último
dono, ele até me levava para umas exposições e ficava me cutucando para que eu
cantasse...
MOLLY
__Eu contava para ele daquele lugar que nos conhecemos...
LUDOVICO
__Ela já contou que de faminta que estava ela tentava me abocanhar sempre que
me via?! Aquele lugar era horrível. Ainda bem que fecharam. Você acredita que além
da exposição eles me colocavam como isca para aprisionar outros passarinhos para
venderem nas feiras? Era tão triste, eu ficava numa gaiola e eles colocavam alpiste
numa armadilha ao lado, meus parentes me viam e vinham voando alegres e plackty...
Acabavam encarcerados, enjaulados. Você não tem idéia de quantos animais silvestres
são capturados e contrabandeados para fora do nosso país...
BOBBY
__Fiquei pensando se eles agüentariam ficar presos em uma gaiola e ainda teria
prazer em ficar cantando...
LUDOVICO
__E até mesmo presos em uma coleira ao pé de uma árvore ou em cabo de aço
de um lado a outro, solitários à noite para cuidar da casa.
BOBBY
__E você ainda está numa gaiola, mas vejo que está aberta...
LUDOVICO
__Eu fico aqui por que já me acostumei a esta vida de prisioneiro, eu sou livre,
mas aqui dentro da minha cabecinha sou preso, eu canto para dona Flora por que ela
arrancou a portinha daqui... Agora acho melhor você se esconder que está vindo uma
pessoa muito desagradável.
MOLLY
__Meu chapinha se esconde logo, que o Garibaldo Carroceiro está descendo a
rua e parece estar danado da vida.
LUDOVICO
__Fica abaixado aí, ele não entende nossa língua e eu traduzo tudo para você...
GARIBALDO
__ (Entra procurando como se fosse um espião, com uma rede na mão) Onde foi
parar aquele pulguento? Virador de lixeira. Que só sabe fazer sujeira? Você gatinha
escapou por pouco, porque foi morar com a lindona da Flora, você também né
passarinho piolhento... Sombra de passarinho... Mas ele não, aquele danado hoje não me
escapa...
MOLLY
__Ele está bravo mesmo, que você fez a ele?
BOBBY
__Eu? Bom, eu mordi a buzanfa dele...
GARIBALDO
__ Crianças, algum de vocês viu um pulguento passar por aqui? Não me
escondam nada, Titio não vai fazer mal a ele, não...
LUDOVICO
__Não... Apenas vai fazer sabão com o pobre do cachorrinho...
MOLLY
__Saaaabão?! Maaaatááááá-loooooos?! Que crueldade.
LUDOVICO
__Às vezes eles pegam os animais na rua para castrá-los.
BOBBY
__Isso quer dizer que eu ficaria sem... Não por favor, não deixem, eu sou um
cachorro macho e quero continuar assim... Quero ser pai... Ter uma linda cadelinha,
uma linda casinha branca no fundo e um quintal, um par de bacia de água e comida, um
brinquedo para ficar mordendo... Não, me ajudem...
FLORA
__ Que faz rondando minha cerca homem sem coração?
GARIBALDO
__ Por que me faz essas perguntas? Eu apenas cumpro o meu ofício, livrar das
ruas esses animais destruidores do lixo da nossa sociedade.
FLORA
__Acredita em magia seu Carroceiro?
GARIBALDO
__ Joy no crê nas brujas, mas que ay, ay.
FLORA
__Cuidado homem, pois que espalha o mal pode receber na mesma medida...
GARIBALDO
__ A senhora vá cuidar dos seus bichos que eles não lhe escapem, enquanto isso
eu vou capturar um cão sarnento.
FLORA
__Já pensou em tratá-lo ao invés de caçá-lo?
GARIBALDO
__Devo livrar as ruas destes transportadores de pulgas. (Ele sai).
FLORA
__Crianças acho que este homem merece uma lição, não? Pois bem, assims era...
Eu guardiã da flora e embaixatriz dos animais usarei de meu espanador mágico... Que é
minha varinha mágica, cada um usa a sua varinha a qual se dispõe, oras... “Garibaldo
malvado, que gosta de aprisionar pobres filhotinhos, por algumas horas ficará
transformado para que sinta na pele o que passa um cachorrinho.” (Faz uns melindres e
se ouve o som de um raio e um grito de ai).
. No palco de bonecos aparece um vira-lata, vestindo macacão laranja e gorro de rede
na cabeça.
GARIBALDO
__Socorro. O que aconteceu? O que fizeram comigo? Isso é bruxaria...
MOLLY
__Que nada... Você só está aprendendo uma lição...
GARIBALDO
__Estou ficando louco... Primeiro acho que sou um cachorro e agora que ouço
uma gata...
MOLLY
__ Liga não, curta para aprender, não deverá durar muito tempo...
GARIBALDO
__Sabe quanto tempo?
MOLLY
__Um ano ou dois...
GARIBALDO
__Impossível. Eu tenho família, amigos, trabalho, obrigações, até umas contas
para pagar na loja do Teobaldo.
LUDOVICO
__Quem ouve agora ele falar até poderá se comover, eu vou chorar...
GARIBALDO
__Não disse que estou ficando louco? Agora ouço até aquele pestilento do
passarinho da Flora.
LUDOVICO
__Pestilento não, ô meu camarada... Pega leve...
MOLLY
__É agora você é um dos nossos...
BOBBY
__Onde se meteu aquele maluco que não gosta de mim? Que eu vou pegar ele de
novo e dar uma boa mordida naquele traseiro gordinho dele...
GARIBALDO
__Bem à sua frente, quer morder agora? Então é aí que se esconde... Bom
saber...
BOBBY
__Ei, Ei, o que o senhor pensa que está fazendo? O senhor está denegrindo a
minha raça...
GARIBALDO
__ E você por acaso acha que eu escolhi ficar assim?
MOLLY
__E o senhor acha que os animais estão na rua por que querem...
BOBBY
__ Acha que chegou um dia e a gente disse: Cansei desta vida confortável e vou
viver na rua, passar fome e frio...
LUDOVICO
__Tenta agora que está na rua, tenta chamar a atenção de um novo dono, você
irá todo feliz e o que vai receber é pedrada, paulada, pontapés...
BOBBY
__O que tenho mais medo são das bombinhas... Conheço um menino que ficou
sem os dedos com as bombinhas e um cachorro amigo meu ficou sem a pata direita
quando pisou em cima.
GARIBALDO
__Essa coisa de violência é herança, vem dos pais isso, uns são ensinados e
outros incentivados a usarem violência... Eu mesmo, é meu trabalho, mas eu não
maltrato nenhum animal, eu só os recolho, minha parcela de culpa é bem menor...
BOBBY
__Agora o senhor é um dos nossos e eu vou te mostrar a cidade do nosso ponto
de vista... Não sei o senhor, mas eu estou com uma baita fome...
MOLLY
__Bobby, tenha cuidado com o mauzão. Aquele sim é um cachorro perigoso.
LUDOVICO
__É seu Garibaldo, tem um cachorro grande solto na rua, já deve ter visto ele,
aquele lá é um terror para todos, crianças e animais...
GARIBALDO
__Uhmm, acho que já sei do qual falam, mas acontece que aquele cachorro é de
uma autoridade, como a gente vai prender um animal de autoridade?!
LUDOVICO
__E desde quando a lei só te um lado?
MOLLY
__Olha lá eim guri... Ensina ele a atravessar a rua e nem dê água choca a ele...
GARIBALDO
__Que vida de cão. Vocês são sempre amigos assim é?!
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BOBBY
__Claro senhor. A necessidade e o sofrimento formam estranhas alianças no
mundo animal, é tigre cuidando de porcos, macacos adotados por onça, gatos
alimentados por cadelas, já vi até galo cuidando de gatinhos... E ainda sou bem novo,
nos humanos não acontece a mesma coisa? E afinal somos uma espécie que não
fingimos, se gostamos gostamos, se não gostamos vamos logo latindo e mostrando os
dentes. E usam este fator para nos transformarem em cães de guarda.
MOLLY
__Vão, aproveite o dia seu Garibaldo. Bobby, muito cuidado.
.Uma leve mudança no cenário, do palco de bonecos.
BOBBY
__Vamos tentar falar com o Joca... Oi Joça como está este emprego?
JOCA
__Isto aqui não é emprego, é escravidão, não tenho nem o descanso que preciso.
GARIBALDO
__Todos têm que ter descanso, ainda mais aqueles com idade avançada.
BOBBY
__Você está ouvindo isso Bob? Além de maltratado, ainda sou ofendido.
GARIBALDO
__Eu não quis ofender...
JOCA
__Se eu fosse humano, poderia ser político aposentado depois de três mandato,
ou se fosse do povão poderia ir naqueles bailes de terceira idade.
BOBBY
__Vamos criar um movimento dos cães sem dono.
JOCA
__Não amigo. Movimento daqui e dali já tem... Precisamos de algo de peso, de
onde ninguém possa passar despercebido, organizado e atuante. Uma Fundação!
GARIBALDO
__Uma fundação?! Socorro! Esses cães são terroristas, socorro.
BOBBY
__Calma seu Garibaldo.
GARIBALDO
__Calma?! Vocês querem afundar alguma coisa e pedem calma?
JOCA
__Que garoto mais sem informação. É! Ele serve até como exemplo por que
precisamos de uma Fundação. Educar, levar informação. Uma Fundação é uma ação
focada em prol de... Seja ela qual ação for: cultural, literária, trabalhista e no nosso caso
de proteção e amparo. É uma instituição que recolha os animais da rua mas que os
tratem das doenças e aí arrumem novos donos a eles, que fiscalize os maus tratos, é tão
grande a atuação que só uma fundação mesmo.
BOBBY
__Como seria bom...
JOCA
__Eu acho que já existe, agora pouco notei que me sondavam, acho que este
homem que me comprou baratinho vai se arrepender de me maltratar.
BOBBY
__Será que vão te ajudar?
JOCA
__Ah Bob, eu tenho um sonho, sabe? Pensava eu que quando envelhecesse iria
ficar cuidando de crianças, aproveitando a experiência que tenho.
GARIBALDO
__Com crianças?
JOCA
__É. Chama-se terapia, faz um bem danado às crianças que precisam se
encontrar.
GARIBALDO
__Você tem experiência em busca e salvamento para ajudar a crianças perdidas?
JOCA
__É outro tipo de encontro, é o equilíbrio. Acalma os pequenos, o movimento do
passeio, o trote de carinho. Atitudes e ações importantes.
BOBBY
__E sem falar do prazer de andar a cavalo. Vamos agora Joça, ainda tenho que
mostrar muito a nosso amigo aqui.
JOCA
__Foi um imenso prazer. Você não parece ser mau, apenas um pouco ignorante
no que diz referência aos animais.
GARIBALDO
__Vou tomar o que disse como elogio. Mas ignorante... Ah.
. Eles vão saindo sob uma música de aventura, e passam várias vezes pelo cenário, cada
passagem um diálogo.
BOBBY
__Nossa cumpadi. Aquela lingüiça que você conseguiu estava muito boa...
GARIBALDO
__É, mas quase morro de tanto correr. Se o açougueiro me pega...
BOBBY
__Nem me diga, ele é bravo mesmo.
. Saem e voltam.
GARIBALDO
__A gente pode ir mais devagar? Eu quase fui pego por aquela roda, passou
assim do meu rabo.
BOBBY
__Nem me diga, ela passou mesmo. Venha.
. Saem e voltam, sob música de soldado.
BOBBY
__Você viu? Ah se eu fosse grandão eu ia quere ser soldado assim...
GARIBALDO
__Ele é meio chucrute. Um brutamonte.
BOBBY
__Mas viu o trabalho dele? Ele faz guarda, escolta, ele consegue achar drogas
nas mochilas e malas, é usado para fazer revistas... Seria tão bom ajudar os humanos a
se livrarem destas drogas...
GARIBALDO
__Lá no fundo eles não querem se livrar não.
BOBBY
__Como não?
GARIBALDO
__Quando você não quer uma coisa faz de tudo para acabar com aquilo, os
humanos dizem que algumas drogas podem e outras não podem, ou é sim para tudo ou é
não, com os animais não é assim?
BOBBY
__É. Se gostamos, gostamos. Se não gostamos, não gostamos.
GARIBALDO
__Um ofício muito interessante esse. Até que você ao é tão malandro.
BOOBY
__Vou confessar uma coisa, eu só vivo na rua por que não arrumei ninguém para
me adotar.
. Saem novamente.
. O cenário do muro de Flora novamente, com Molly e Ludovico. A música é suave,
com sons de pássaros e floresta.
MOLLY
__Me sinto no céu...
LUDOVICO
__Eu também. Olha lá quem chega.
MOLLY
__Minha dona. Meu amor, meu tudo.
FLORA
__Como estão minhas gracinhas. Notícias do rabugento?
MOLLY
__Ainda não. Bob levou ele para dar uma volta pela cidade.
LUDOVICO
__Compus uma melodia para seus ouvidos, quer ouvir?!
FLORA
__Não perderia um recital seu por nada.
MOLLY
__Eu perderia sim, principalmente por um bolo de carne assim ó.
.Ludovico assovia uma música tendo a música de floresta e outros pássaros ao fundo.
FLORA
__Que maravilhosa. Se te descobrirem vão querer fazer uma noite especial com
você na Casa de Cultura.
LUDOVICO
__Não sou egoísta, levaria vários amigos para participarem comigo.
FLORA
__É uma grande idéia. Poderíamos convidar aquele grupo.
MOLLY
__Vocês estão viajando é? Tomaram iogurte de berinjela? Tamos falando de um
passarinho.
FLORA
__Molly. Jamais diga a alguém que seus sonhos são bobagens. Você estaria
causando um desastre na vida dela.
LUDOVICO
__Que bonito isso.
FLORA
__São palavras de um grande escritor, Sheakspeare.
MOLLY
__Ops, foi maus. Não está aqui mais quem falou.
FLORA
__Olha só quem está chegando. Mas eu vou fingir que não ouço ele, ok?
Os BICHOS
__Combinado.
BOBBY
__Oi, gente. Chegamos.
GARIBALDO
__Vocês não tem idéia da aventura que eu passei. E Flora? Ela consegue me
entender?
MOLLY
__Deixa de ser besta. Donde já se viu humano entender o que animal fala?!
GARIBALDO
__Mas daí como vou voltar a ser humano de novo? Vou continuar assim para
sempre?!
MOLLY
__Não gostou?
GARIBALDO
__Que gatinha... Você precisa entender. Eu serei mais útil a vocês sendo
humano. Eu estou com um montão de coisas na cabeça, vou escrever um tratado, um
código sei lá... Regras para se cuidar dos animais, vou espalhar uns panfletos ensinando
as pessoas a cuidarem dos bichos, poxa, estou com tanta idéia.
LUDOVICO
__Não é que o homem está mudando?!
MOLLY
__Sei não... Mas vamos ao último teste, tente fazer com que a Dona Flora o
aceite...
GARIBALDO
__Como vou fazer isso?!
BOBBY
__ Ixi, isso eu não mostrei a ele...
MOLLY
__É fácil. Eu posso falar por que vivo vendo o Bob fazer... Tem que chegar
perto, sentir o cheiro, pelo cheiro sabemos se a pessoa é legal, ta bom, às vezes a gente
se engana, quando você acha que a pessoa é legal você abana o rabo, sinal que você está
contente...
GARIBALDO
__Igual quando eu cheguei aqui novamente?!
MOLLY
__Issooooo! Cuidado para que seu latido não saia rosnando. Algumas pessoas
mostram a mão então dê uma lambida e se te fizerem cafuné na cabeça, deite-se para
que eles cocem sua barriga. Ahahahaha... Que coisa mais boba.
BOBBY
__Com os gatos é tudo diferente... Quando a pessoa passa a mão, o gato se torce
todinho, como se estivesse se espreguiçando, também vive se enroscando nas coisas e
quando a pessoa não ta olhando, vão lá e puft, pulam no colo da pessoa.
LUDOVICO
__E vocês sempre serão cão e gato.
GARIBALDO
__E eu? Como fico?
. Flora faz um cafuné no animal.
FLORA
__Pelos poderes do meu espanador, que o cão vire homem e que não seja
lobisomem... Hahahahahah... Desculpe Garibaldo... Pelos poderes do meu espanador
que o cão volte a ser homem, que tenha aprendido a lição, tenha aprendido com o
coração... Crianças me ajudem falando as palavras mágicas: ALACAZUM
AUAUMIAUPIUPIUDODÓ!
. É provável que as crianças repitam, fazer alguns melindres de efeito com a luz e som,
e detrás do palco de bonecos sai o Garibaldo ator, um pouco atordoado.
GARIBALDO
__Nossa! Parece que desmaiei, tive um pesadelo... Cadê minhas ferramentas?
Meu crachá?
BOBBY
__É. De nada adiantou... Adeus...
GARIBALDO
__Cadê ele?!
MOLLY
__Tá indo embora.
GARIBALDO
__Por quê?
MOLLY
__Acha que você não lembra mais dele, acho eu...
GARIBALDO
__Claro que não... Bob volta aqui... Vem?!
BOBBY
__Por quê? Para você me aprisionar? Você esqueceu nossa amizade, esqueceu
de tudo...
GARIBALDO
__Não era sonho, o que seria de mim sem você de hoje em diante? Você...
(abraça o cachorro) Pensei que tinha perdido você para sempre.
FLORA
__É. Continua rabugento.
GARIBALDO
__Me dêem licença, que estou com pressa.
MOLLY
__Aonde vai com este alvoroço.
GARIBALDO
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__Tenho de avisar a todos que os animais são nossos amigos. Tenho de contar
que os animais sentem frio, fome, sede, solidão, dor, que precisam de alguém que lhes
dê carinho, um abrigo, segurança.
LUDOVICO
__Fiquei tão feliz que acho que vou cantar.
BOBBY
__Eu vou atrás do Garibaldo para que ele não faça nenhuma burrada.
. A música continua e existe a troca de cenário, é o mesmo só que mais florido. Sobre o
muro a gata passeia sob a música do início.
BOBBY
__ São Bernardo me ajuda, aonde vou me esconder?!
MOLLY
__Miau. Não vai querer correr atrás de mim?
BOBBY
__Eu não sou destes. Tenho que me esconder e rápido.
MOLLY
__De onde veio este medo todo eihm valentão?
BOBBY
__De um brutamonte vestido de amarelo e com uma rede deste tamanho, assim
ó... Grandona!
MOLLY
__ Não vai me dizer que o Garibaldo está pelas ruas novamente...
BOBBY
__E veja só que nome. Vê se isto é nome de gente, até parece nome de galo...
Desalmado e sem coração.
GARIBALDO
__Molly onde está o Bobby?
MOLLY
__Pensei que tivesse mudado, estou decepcionada com o senhor...
GARIBALDO
__Do que está falando?
MOLLY
__Desta sua mania de querer enjaular o Bob...
GARIBALDO
__Molly. Eu só quero dar banho no desinfeliz...
MOLLY
__Santa gata, então é isso? Bobby!
BOBBY
__Que é?
MOLLY
__Não vai contar as novidades?
LUDOVICO
__Fale bem alto por que eu quero ouvir.
FLORA
__Eu não vou ficar de fora.
BOBBY
__Tá bom eu conto: Eu fui adotado.
TODOS
__Que ótimo.
MOLLY
__Espero que tenha sido por uma boa pessoa.
GARIBALDO
__Se estiver perdoado. Fui eu. Agora seremos inseparáveis.
BOBBY
__Viu que bom? Mas Gari podemos entrar num acordo sobre este negócio de
banho?
GARIBALDO
__Deste você não escapa...
BOBBY
__ Então só tenho uma alternativa... Pernas prá quem te quero.
GARIBALDO
__Volta aqui seu saco de pulgas... Bobby... Volta Bob...
. Saem correndo no palco, sob o riso dos outros e algumas palavras de ordem: pega, ixi
escapou, salta, ali atrás da moitinha... Risos.
. Do alto podem cair bexigas e dentro delas algumas mensagens sobre animais.
“O grande poder deste texto é conseguir trabalhar os bonecos, desde o princípio, a
escolha do lixo reciclável, a composição, a montagem, o acabamento, falando da
necessidade deste reaproveitamento inteligente e também aos poucos inserindo a fase
educacional que neste caso é a educação ambiental sob o tema do cuido e da adoção
responsável de animais como bicho de estimação”.
“Este texto foi escrito sob encomenda da Fundação Floripes Carias de Oliveira. Urbe
Natura. Comissão de Educação Ambiental”.

vento de ilusão


poetha Abilio Machado.
O vento embala seus cabelosNo passar de suas pernasPra lá e pra cá...Dança numa provocaçãoEu relutoFinjo não olharSou tragado e viajoImagino...Nós: braços e pernasMisturados!As palavra soltas,O sussurro e a línguaConturbados!

Volta a escola

Poetha Abilio Machado.


Querer enganar o próprio coração
Ao negar as lembranças
Mesmo que tenham acontecido
Assim tão distantes
Dias em que corríamos na chuva
Como crianças...

Sinta meu peito
Essas batidas...
São você ainda em mim!

Imagino você aqui
Sua mão em minha mão
A pular sobre as poças d’água
Na beira da calçada.

De tênis conga
Uniforme escolar
Bolsa plástica
E sorrisos largos.

Uma lata como bola
A festa era...
Não mais nada é...
Uma foto não guardada
Deixada amarelada
Na única visão!

Festival de Teatro de Curitiba

***Festival de Curitiba

********TUDO QUE VOCÊ VÊ!*****

De 16 a 28 de março de 2010!

Mostra Fringe terá novidades em 2010

Espaços culturais terão autonomia para agendar as peças, datas e horários, de acordo com o público e a linha teatral.

O cadastro já está aberto no site: http://www.fringe.com.br/

A capital paranaense será novamente o ponto de encontro da arte e da criatividade durante o 19º Festival de Curitiba, de 16 a 28 de março de 2010.

O cadastro para o Fringe, que ocorre simultaneamente à programação da MOSTRA, já está aberto para companhias, produtoras, grupos e artistas profissionais do Brasil e do exterior. A 12ª edição do Fringe traz uma novidade importante.

Os espaços culturais terão autonomia para agendar as peças, datas e horários, de acordo com o público e a linha teatral.O objetivo da organização do evento é reunir linhas conceituais e artísticas em determinados espaços, além de estabelecer condições para que a programação da mostra seja feita pela administração de cada teatro.

Os espaços também poderão negociar diretamente com as companhias os percentuais de bilheteria e o número de apresentações. Os projetos podem ser cadastrados pelo site www.fringe.com.br até o dia 30 de novembro.

A ideia é que cada teatro construa uma linha conceitual. Com isso, o Fringe busca facilitar a escolha do espetáculo por parte do público, ajudar as companhias a encontrarem suas platéias e também colaborar para a cobertura da imprensa.

É uma característica que acontece no Festival de Edimburgo, na Escócia, por exemplo. Existem teatros que têm o perfil de comédia, outros de improviso, outros de experimentação de linguagem.

Em 2009 a mostra Fringe trouxe 290 espetáculos a Curitiba e reuniu um público de 100 mil pessoas de todo país.

O espaço integrado ao Festival de Curitiba foi inspirado no modelo do Festival Internacional de Edimburgo e oferece uma oportunidade para as companhias divulgarem os novos trabalhos produzidos no teatro.

Site oficial:www.festivaldecuritiba.com.br

Conheça o blog oficial do Festival de Curitiba: http://festivaldecuritiba.blogspot.com/