domingo, 27 de setembro de 2009

A magia de Campo Largo



Redescobrindo Campo Largo

AEL: Arranjo Educacional Local.

Iº Fase.



ALGUMAS OBSERVAÇÕES SOBRE O TEXTO


Buscar através do teatro e da Contação de História reviver ou reavivar fatos históricos e fictícios desde a origem ou tomada dos campos gerais até nossa atualidade. A partir da reunião realizada aos catorze dias de setembro de dois mil e nove. E estendeu-se até o dia 17 com acalorada colocações e calmantes lembranças de dias vividos nas ruas, praças e eventos de nossa cidade.
Os materiais trazidos foram quanto estudo geopolítico, pela equipe de pesquisa. Apenas referências foram informadas sobre a cultura em suas variadas áreas, quando da montagem estrutural e demonstrativa pré-divididas em três fases a contar: fase da origem ou povoamento, fase da industrialização e colonização, fase terceira os dias de hoje. Todos inseriram pontos desde os índios a diversidade cultural atual a serem trabalhados a partir de pesquisa coisa que o tempo é escasso e as habilidades são diversas e adversas.
Roteiro com a organização do produto a partir do texto, funções e o visualizar do todo desde a base, efetivando o ESPETÁCULO, Campo Largo em alguns atos.































. O público é recebido com a diversidade musical local que vai ambientalizar, lembrando sempre a cada faixa de musica executada que aquela é obra de musico ou banda local. Tudo que for utilizado e ou aplicado deverá ser local, afinal é esta a proposta do projeto AEL.
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A MAGIA DE CAMPO LARGO
DO BARRO À PORCELANA

Texto Abilio Machado


Apresentador:
(vestindo uma roupa que lembre as cores da bandeira, fazendo malabarismo e acompanhado por outros e também alguns dançarinos representativos que farão breve coreografia sobre a música principal que transcreva a cidade).
__ Personificar a história e transformá-la num texto mesmo que simbólico nos dá o direito de poder adentrar profundamente no seu universo interior e fazer descobertas, uma busca de identidade ou uma redescoberta de nós mesmos, que apresenta a cada degrau alcançado um universo todo novo, o perfil e compreensão da forma mais apta de estudo pessoal sobre a própria vida em comunidade. Numa discussão constante da história política ( os dançarinos de tropeiros e imigrantes se movimentam ) e da história popular ( Entram correndo para o palco lobisomens, assombrações e benzedeiras) e com isso a maneira de apresentar o que nossa cidade tem a oferecer de melhor é contando, cantando, dançando e demonstrando... Sua história através da arte ‘A Magia de Campo Largo- do Barro à Porcelana!’

CENA ESPECIAL - (Em ritmo de clipe, sob musica que retrate nossa cidade, esta cena mostra vários depoimentos de pessoas respondendo a pergunta “O Que É Campo Largo Para Você?!” Falas curtas e outras longas, distribuídas, cortes breves que se misturam a algumas imagens que possuam ou que retratem o tempo, flashes de ruas, pontos turisticos e outros de beleza ímpar, flashes das atividades culturais, tudo com a intenção de mostrar o quanto de diversidade étnica, cultural e industrial atual. Terminando num ‘cratch’ e escuridão).

CENA 1: “O início”

Vídeo: (por tomadas).

Um despertador toca. Uma mão ataca. Cobertas são arremessadas. Pés envelhecidos descem ao chão. Pés calçam as chinelas. O rádio velho é ligado e a música raiz toca ao fundo sob este começo lúdico. Água da torneira. Mãos que procuram no estojo de maquiagem. A água no coador de café. A xícara posta. Mãos que carregam a sacola. Itens comuns fotos e remédios, dúzias deles. O galo canta. A mão apaga a luz e a porta é aberta. O clarão de luz toma o espaço.

Palco:

(A praça, banco... Ao fundo a imagem da majestosa arquitetura da Igreja Matriz vem surgindo do escuro como o clarear do dia e um a um chegam, e o grupo vai se formando, vários idosos que se preparam para um dia de atividades. Ao banco três ou mais idosos se reúnem... Em outro canto mais alguns).

Nena__ Quem maravilha esse passeio de hoje.
Vita__ Nem me diga, quase nem dormi de noite. E Dita ta indo preparada?
Dita__ Ih vamos reviver tanta coisa... Prometo que não vou chorar.
Antonio__ Nosso passeio vai fazer com que tenhamos uma viagem... Viu meu neto...
Tunico __Ah... Deixa eu vô, deixa...
João__ São tantas histórias, são tantas coisas que fazem nossa cidade ter vida própria...
Tunico__ Não estou entendendo nada...
João__ Nossa cidade é como a sua principal atividade a cerâmica e a porcelana, foi moldada aos poucos pelas mãos daqueles que aqui se instalaram... Como se cada um deles também fosse um Oleiro.
Antonio__ Os anos, os anos passam... Nossa cidade... Veja só...

...(Índios estão dançando, fazendo cestos, cerâmica, alguém como jesuíta tenta fazer-lhes a fé...)
...(O pequeno grupo ouve o tocar da moda de viola registrando a saudade do passado...)

Narração: poesia sobre Campo Largo
(À Campo Largo,
“ um grito lá do alto.”

(poetha, Abilio Machado. 0396)

Que vontade me deu agora
De subir lá na Serra
Do alto de São Luis
Olhar cá para baixo
E falar bem alto
Do meu amor por Campo largo:

Terra... Hoje da louça
Capital Nacional da arte
Que emerge do barro.
Antes terra de índio valente
Livres à margem dos Rios...
Moravam Cabeludos e Tingüis...
Falar do Rio Verde, Passaúna,
Ribeirinha, Cambuí,
Itaqui e Assungui.

Terra. Que começou no Tamanduá
Ponto de descanso para travessias
Expedições e viajeiros.
Com a chegada da Santa
Que não quis mais ir...
Piedade. Senhora toda Nossa.

Que ainda menina, correu o risco.
É. De capital se transformar...

Falar de história, de literatura.
Expostas vidas nas estantes
Biblioteca Pública, câmara do saber...
Lúdica!
Alunos a ler...

Dizer de nossas praças, parques,
Moleques e travessuras...
De nossa arte na Casa da Cultura...

Terra... De arte por todo lado.
Porcelana, decalques,
Cerâmica, decoração.
Desenho, pintura, escultura
Artista plástico e artesão!
Música, teatro, bandas e corais...
Escritores, poetas, meninas e meninos cantores
... E muito mais!
Gritar bem alto:
Parabéns minha Campo largo!
Doce filha desta mãe gentil...
Pátria chamada Brasil.
( ou se poderia pedir para a Oficina de Literatura construísse uma que no seu contexto tivesse os índios, o garimpo, tropeiros, este momento).

. (Durante a narração da poesia, tendo a imagem de fundo a visão de uma aldeia indígena típica da região (guarani ou caingang) indícios regionais dos selvícolas da redução induzem que os cabeludos eram da linhagem caingang)).
... (Criar uma coreografia tendo índios, garimpeiros e tropeiros neste momento...)
... (No palco agora ficam um grupo de peões, violas nas mãos...)

Ilheiro__ E então já há muito é tropeiro?
Tropeiro__ Tenho visto que é rendoso, entrei nesta embernada vim carregado de mercadoria seguindo o Viamão.
Patrão__ Já fez as amarras com a égua madrinha?
Peão__ Costume na tropa de amarrar as mulas na égua madrinha assim nenhum animal se desgarra mesmo ficando solto assim o pasto...
Patrão__ Se tudo feito assenta aí para dar aos beiços umas cuiadas... E você peão, ta de cuia seca na mão?
Peão II __ Me adesculpa mais fiquei atento na prosa... Vejam só que eu estava aqui a mexer na bomba a seco... Quase virando um tererê...
Ilheiro__ Lugar melhor que este não há... Tanto tropa e cigano param nestes lados do campo perto do Cambuí...
Tropeiro__ Quando vindo aqui perto passamos ao largo dos índios só os vimos fumaça e nada mais. Aqui não vêem?
Ilheiro__ São povo pacífico, vivem daqui parali sem incomodar... Os mais bravos são os Tingüis que vivem mais acima às margens do açungui... Mas assim mesmo é só separar uma paga de farinha que passarão sem incomodação...
Patrão__ Assim é que espero, preciso trocar por mais desta erva, que dá um bom mate vamos passar bem antes pela Serra da Prata antes de desembocarmos para os lados do sul... Vós mecê também?
Tropeiro__ Eu tenho uma encomenda, levo uma imagem para outras terras, pra outra capela.
Patrão__ Eu ainda não compreendo muito bem estas diferenças...
Tropeiro__ É que depende do número de habitantes da região, a hierarquia é essa: capela, freguesia, distrito e assim vai... O que digo é que estou quase numa missão sagrada...
Ilheiro__ Mas algo acontece, toda vez que ajunta a tropa o tempo fecha e dispara a chovê...
Tropeiro__ O povo já ta achando que a santa não que deixa de vive por estas bandas... E eu já nem sei o que fazê... Os homi já tão nervoso e eu nestes poucos anos de tropeiro jamais deixei de entrega a mercadoria que fosse...
Ilheiro__ Mas onti foi assim que aconteceu, foi feito uma novena e pedido onde queria fica e foi ali no lombo do campo, logo perto do poço, que o raio desceu... Coincidência ou não foi assim que sucedeu...
... (Acontece um relâmpago um tremor de luzes)...

Vídeo
... (Ao fundo aparecem várias fotos de documentos que retratam a época, alguns depoimentos de fatos sobre a construção da primeira capela e depois já se misturam com imagens da construção da Matriz)...
... (Uma música falando da Padroeira toma conta do ar, pode ser tocada pelos próprios violeiros que podem estar ali assentados)...
... (Cabe também alguma roda de cabocla, visto que o período condiz com o período escravagista da região)... (ou Uma dança bem ao estilo do fandango, que também é desta origem e que é típica do Paraná...)

CENA 2: “Dom Pedro”

Prefeito__ Estou por muito honrado... É nestes dias de março que o nosso Imperador vem à nossa casa.
Mulher__ Ah, senhor meu marido. É uma honra à família, à cidade e 1880 ficará por certo marcado nos registros.
Prefeito__ Acreditas que ele apeou da sua carruagem para beber de nossa água na vertente do baixo Cambuí...
Imperador__ Me diz seo prefeito de onde lhe veio a riqueza?
Prefeito__ Honro-me em confessar que veio desta erva-mate aqui destes campos gerais...
Imperador__ E ao império também, pois nos é um bom produto de comércio ao Paraná e exportação ao Brasil...
Prefeito__ Anda assim emparelhado com este novo produto que é o café. Minha filha, por favor, sirva aqui.
Filha__ É para já senhor meu pai. Mate ao Imperador.
(blackout)

CENA 3: “ Imigração”
Apresentador:
__ O ciclo da erva-mate deu mais vida ao povoado, (apresentar fotos ao fundo do museu do mate, da visita do Imperador) aqui permaneceram portugueses, remanescentes franceses, logo depois chegariam italianos que deixavam a terra Itália a buscar refúgio e vida nova no Brasil, acabaram se dispersando em grupos por estas bandas até o Rio Grande do Sul e logo depois vieram também os poloneses...

...( Os dois grupos folclóricos fortes da região dançam uma ou duas músicas)... (Entre um grupo e outro uma poesia é declamada, uma para cada imigração)...

Italiana...
Made in coração
(Poetha. Abilio Machado. 97)
Amparado na soleira desta janela
Meus olhos contemplam a grandeza
A imensidão deste verde brasileiro
Os morros e o céu...
Sua gente que passa pelo carreiro
Ladeado de flores, mato e pinheirais...
Seu verde me traz lembranças,
Lembranças da verde Itália
Uma parte da minha gente
Que não vejo...
Que não conheço...
Quanto tempo faz?
Aquela voz que canta... Ainda.
Nos meus sonhos das madrugadas.
Mas assim nessa mistura
Que até parece uma canção...
Aqui dentro na mistura das bandeiras...
Na mistura destas raças...
Aqui na mistura das palavras...
Digo com tanta força,
Com lágrimas a caírem pelo rosto,
Com este nó na garganta,
Que toda esta mistura...
É feita pelo coração!
E é mais que oração!
Peço aos Santos de proteção
Que ajudem minha Itália
Que ajudem meu Brasil!
O futuro desta terra
Depende de trabalho
Fé e devoção...
...Io fica emocionado...
Ah! Minha doce Itália...
Seus costumes... Sua vida...
Roma, Nápoles, Palermo,
Gênova, Trento, Veneza romântica...
...Quase no me lembro mais...
De tuas belezas,
De tuas praças com monumentos,
Que além de belíssimas,
É um marco na própria história,
Escrita com Fé
E com o sangue de meu povo...
Ah! Mas este Brazile...
Que me abraçou
Aos meus poucos anos
Faz com que o ame...
Do fundo de minh’Alma...

Polonesa...
(Pedir a um dos estudantes de polonês da casa da cultura (Milton)...

... (Momento representativo de mostragem de documentários, fotos, esquetes, trechos de histórias curtas que falem deste período, também demonstrar as manifestações religiosas de mostra de arte e esporte)...
... (Emenda com rápido histórico musical de músicas deste período)...

CENA 4: “Cerâmica”

Apresentador: (pode ser usado imagens, ou uma coreografia de dança utilizando uniformes das fabricas mais antigas, como a Pip, Stetita, Guarani, Polovi, Incepa... Ou uma performance de atores a escolher, que represente “do barro à porcelana” se isso acontecer não é necessário palavras só performance)
__ Do barro amassado, preparado, nossa Campo Largo começou a ganhar o país, a viajar pelo mundo...

...CENA 5 : “Atualidade “...
...Várias músicas com alguns convidados, há duplas e bandas...
... Enquanto tocam ao fundo imagens de Campo Largo hoje, (em ritmo de slide) os pontos turísticos hoje, a louça e a cerâmica, os pintores da praça é do artista, o artesanato, as oficinas que acontecem, as fotos dos campoesia, do festival de música raiz, o grupo de teatro ativo e os corais em ensaios e apresentações, (o ideal é uma imagem física e logo uma humana ativa)...
Nena__ Quem maravilha foi o passeio.
Vita__ Nem me diga, me lembrei de tanta coisa. E Dita como está?
Dita__ Ih não agüentei chorei só de lembrar...
Antonio__ Gostou meu neto?
Tunico __Nossa, vô que montão de coisa bonita, coisa que nem eu sabia...
Antonio__ São tantas histórias, são tantas coisas que fazem nossa cidade ter vida própria...
João__ Nossa cidade é como a sua principal atividade a louça, é moldada aos poucos pelas mãos daqueles que aqui se instalam... Como se cada um que aqui vive também fosse um Oleiro...
Nena__ E vejam só é a banda com um coral...
Vita__ Ótimo jeito de se encerrar o dia....

CENA ÚLTIMA:

Palco...
... A Banda Municipal começa a tocar o hino municipal... (O coro que estiver presente começa a cantar e logo)...

...Video
... Cada depoente do início da abertura também cantará um trechinho do Hino de Campo Largo que será projetado ao fundo... E como surgiu o espetáculo tendo a imagem da matriz ao fundo se encerra perdendo sua luz e escurecendo aos poucos como se o sol fosse embora e a noite chegasse com os idosos do palco saindo um a um de retorno à suas casas.
Ex

Campo Largo...
(Poetha Abilio Machado)

Tão grande é no coração de teu povo
Que palavras tornam-se pequenas
Para te dar definição

Como não amar esta terra
Em que plantando tudo se dá
Nos sorrisos das crianças
Nos idosos que trazem na fronte
Os olhos das lembranças.

Ah... Que o amanhecer seja longo
Neste teu dia quero te fazer em festa
Participar do dia
Na melhor roupa fazer a romaria...

Quero saltitar na praça
Ver o cidadão no coreto fazendo graça!

Mergulhar na sua esperança
E o povo de mãos unidas
Clamarem em oração profunda
Amor e respeito por Campo Largo.

Piedade... Minha Senhora da Piedade.
Esse bater de corações agora
Acalante esses braços frágeis e gentis
Ajuda aos que te procuram sem demora...

Seus ornamentos do barro
Homens da escrita da terra
Sempre a citarão
Podem eles vagar pela terra
Mas depois da água tomada na fonte
Retornarão!


Largura de campo ao pé da serra
A bandeira ao mastro hasteia
A esperança que há nos olhos
Dos filhos que esse milênio encerra

Riqueza cristalina de água sã
Memórias deixadas pelo Cambuí
Muitos se lembram da ilha
Os mistérios da lagoa
Pescarias no alagado ou no Açungui...

Saiba que os dias passam
Meus melhores votos são desejados
Para que cresça com respeito ao seu povo
Povo fruto da argila, da louça fina
Que te carregam na vida e no coração
Pois, cada campolarguense em si é um artesão!

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