quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

As confissoes de Raquel...

As confissões de Rachel


Eu sou Rachel, uma pessoa normal, tão normal que isso ás vezes me irrita, por que sou normal?! Poderia ser qualquer coisa na vida, mas não tive que ser assim, nascer assim, viver assim e o caralho a quatro. Sou uma pessoa tão gentil, amável e por isso me sobem às costas e me fazem de gato e sapato. Ah, mas sei ser fria também, gelo quando algo não me agrada, mas consigo cobrir com a minha melhor máscara, posso rir e posso chorar, viram?! Sou normal.
Chorei com a cena da novela ontem, aquilo era tão triste, por que eles gostam de nos fazer chorar às nove horas da noite?
Eu acho que estou confusa, não sei direito o que fazer de mim, só acho que tenho uma certeza: o não sei que faz parte de mim! (está com uma panela na mão e come desesperada).
Me apanhei chorando à toa, uma notícia que deu na tv, daquelas que a gente vê todo dia, e todo santo dia a gente chora de se arrebentar e faz aquelas perguntas chulas do por que isso? Por que aconteceu isso? Onde está o coração deste ser humano?
E o duro é lembrar-se ali, na gôndola do supermercado, na fila da padaria que está imensa. Lembrar que fiz anos, tenho meus 40 anos e não virei loba, eu estou andando nas duas pernas, caramba eu levei toda esta vida para me encontrar, o meu complicado se descomplica, pois não paro para nada, estou sempre faminta de algo, quero devorar o mundo mesmo que aquele cheiro de azedo nos acompanhe depois da festa.
Tenho andado chata concordo, mas é que nesta idade já vi de quase tudo, então não me venha com churumelas, para que cantada, chega e diz abertamente:
__Quero te comer mulher!
Para mim não sou eu que complico nada, eu guardo minhas recordações, parece até difícil e este backoup é feito automaticamente neste uploade que já veio instalado de fabrica, os deuses ou o Deus lhe fez isso, para que na sua recordação eu me torne bipolar, ou me agrada a idéia do que lembro e viaje como um viciado qualquer na memória ou fique decepcionado com aquilo e vire um viciado qualquer na busca de esquecer este ou aquele pormenor, que por menor que seja ficará gigante se eu deixar chegar lá!
Imagine como seria bom só guardarmos em nosso disco rígido momentos lights, bons e graciosos. Por mais que tentem vender aquele livro de auto-ajuda... Peraí auto-ajuda? Mas se estão me dirigindo os passos não sou eu, então não é auto, é dependência, estou dependendo de alguém.
O grande barato agora é vender a Bíblia como livro de auto-ajuda, não faltava mais nada, depois de estamparem Jesus em camisetas, veio as tiaras e lenços e outro dia do lado da bandeira do país, pasmei. A cara de Jesus numa calcinha de lycra e numa cueca de malha fria... Não falta mais nada. Imagina eu ir transar com uma calcinha com a cara de Jesus e uma mensagem Bíblica tipo assim: Eu sou o caminho.
Falam tanto de respeito e ainda continuam me roubando, o pior defeito do homem, o maior pecado capital é o roubo... Quando isso acontece não estão respeitando meus limites e meus direitos.
Ontem me vi chorando no espelho e descobri que até para isso sou vaidosa e fiquei o maior tempão até achar meu maior ângulo, assim não dá me deixa... Este lado muito escuro, assim aparece minha papa, tenho que olhar assim, como uma modelo a posar para o fotógrafo e deixar cair a cabeça de lado a 1/8 e aí sim posso chorar, a vontade e sem aqueles chiliques para gritar:
__Ei estão vendo eu estou chorando, olhem, olhem, aqui oh!
Nada disso, teu choro tem de ser teu, vindo daqui, indo por aqui e saindo assim por todo lado, poros, olhos, garganta e classe.
Já teimei em tentar dar um delete pessoal em pessoas que me magoaram, mas como é difícil...Mas deixei de tentar esquecer e comecei a poetar, falar destas tristezas, me via perdidaça nesta neblina. Uma névoa que me cegava e meus dias voavam. É como um pavio aceso, faz com que fiquemos remoendo aquela imagem, aquele fato e ficamos ali, como a fazer tricô em nosso cérebro, dois pontos retos, três avessos e aquele gostoso não retornou a ligação.
Quando a Alma está triste deixa a gente fraco, vulnerável! Foi fato será o que Maria Rosa me disse?__ Que Deus, distraído, errou a mão, salgou o mar e ainda descuidado, virou a lata de tinta verde por sobre o cerrado e deu no que deu, teve que tingir uma a uma a flores da natureza! Pense bem, tristeza demais, trabalho dobrado para reconstruir e colorir a vida de beleza!
Acordei hoje com esta sensação de que estou distraída, uma preguiça que me faz enrolar para fazer alguma coisa, não queria sair de casa, queria ficar... Me deixar ficar. Não estou com vontade de partir.
Me enrolei na cama por várias horas, me virei, levantei a camisola... Apalpei ao lado meu companheiro não estava e eu ali desajeitada e cheia de tesão, queria ele ali a me dar tudo que eu desejasse... Me embrenharia ao fundo e me daria inteira, minha preguiça com certeza iria embora. Ficaria com aquela moleza que dá depois, aquela que dá vontade de acender um cigarro, ajeitar o travesseiro e ficar relembrando cada detalhe, a entrada e a saída, a entrada e a saída, a entrada e a saída... Ahhhh! As mulheres fazem isso, mas os homens viram para o lado e dormem, roncam os fila da mãe...
Minha vida é tão igual a tantas outras que não teria a chance de estar andando na rua e um cineasta ou escritor famoso chegar e dizer:
___Rachel, repasso 20% da verba da produtora para contarmos a história da sua vida no cinema e é claro você escolhe a atriz para representá-la. E eu diria meio humilde:
___Rachel só pode ser Rachel por ela mesma.
Luzes e mais luzes sobre mim. Ou...
___Aqui está seu cheque... 2 milhões de euros pela primeira edição dum livro que conte ao mundo sua vida...
Luzes e mais luzes sobre mim. Tapete vermelho, banda marcial quando chegasse em alguma cidade, convites para festas, para tanta coisa... Mas meu nego sem chance...
Valho-me a dizer que sou simplesmente Rachel. Revoltada com esta vida medíocre, e ela te chama. É. Te chama.
Hahahahahahahaha... Chama de tantos nomes...
Eu me capricho tanto, faço as unhas eu mesma, para que ir à manicure se posso eu mesmo tirar meus bifes? Assim economizo uns trocados surrupiados da carteira do meu companheiro enquanto roncava o desgraçado. E deles posso comprar meu absorvente, aquele que a gente coloca lá... Mas às vezes sinto um medo, já imaginou se minha piriquita engole aquele rolinho puxando o barbante junto? Como vou tirar aquele treco de dentro de mim... Já havia imaginado isso? Eu já, tenho quase um orgasmo quando coloco aquele trem... E o tesão começa quando abro o pacotinho...
Veja que eu sou assim, tenho umas vontades bem estranhas. Outro dia relembrei de canções, de quando me apaixonei por um músico da cidade, ele cantava muito aquelas baladas dos anos setenta, sendo ele nascido em oitenta, mas tinha certa sensibilidade, era um rapaz à flor da pele, começava a cantar e logo uma lágrima rolava, bem mais tarde descobri que sua sensibilidade ia mais longe, na hora do sexo me veio com aquele pedido, nós ali no ritmo quente, coloca o dedinho aqui que eu não ligo, sacaram a sensibilidade?! Pois é... Mas não pensem que é só ele não, ele ao menos pediu por meu dedo, ou dois... Mas tem muito marmanjo que compra carrão do ano, deixa a mulher com os filhos em casa ou na sogra e sai dar uma volta, e que volta, antes de parar de cara, dá umas dez voltas no quarteirão e pega um ou dois travestis e leva para um motel, a maioria vai lá e curte, leva umas encoxadas dos meninos vestidos de meninas e dizem que tem uma guasca imensa a maioria deles, e tem outros como aquele camarada famoso que se arrepende ou quem sabe se assusta quando vê o tamanho da manjuba e aí resolve quebrar a regra do jogo, e o jogo daqueles meninos meu caros é levou para o motel tem de dar e por quilômetro rodado... Ou seriam centímetros... Quanto mais melhor não é?! Uau! Hahahahahahaha... Têm alguns por aqui que sabem do que eu disse não?! Hahahahaha...
Mas as canções me levaram a lembrar disso, canções especiais lindas e inesquecíveis, e aqueles nãos, já perceberam o quanto é doído a palavrinha?!
Você quer muito aquilo e alguém diz: Não! Você quer pegar e: Não! Não isso e não aquilo, não a tudo... Desde que nascemos somos escorraçados por nãos em uma boa centena de milhares de vezes na vida de quarentona... Ih lembrei de novo. 40 anos, Forty years i have. My God!
A gente está acostumada de levar não da vida, dói menos, vem mais manso, por vezes é sutil, às vezes com uma traição memorável, quando menos se percebe mais pancada vem. Mas reconheço em mim um asco inimaginável em usar a palavra não, mesmo sabendo que por vezes é e se faz necessária. Tipo aquele nãozinho que quer dizer sim... A gente faz muxoxo e diz não querido hoje não, não, não? Ah sim, sim sim... Mais, mais... Não, sim... Ahhhhh! Parei!
Eu quero amanhecer um novo dia, com um novo começo, queria um mundo mais cheio de alegria, mais cheio de cores, que estes segredos que me machuca me libertem, que despertem da alma e reflitam vida e luz sobre a minha vida como se fossem luzes de flores raras, e eu pararia em meio a este jardim de lembranças e esperaria pela borboleta em mim... Ficaria eterna pairada levando o vento em meus cabelos, de braços abertos a estar à beira do precipício.
Queria poder mudar meu nome, como eu mudo minha roupa, que eu tivesse um nome para cada dia, de acordo com o sentimento que eu tivesse, se fosse que fosse assim que fosse nada mais é.
Minhas palavras confessadas. É por que não tenho mais receios, falo o que penso, coço onde me coça e pronto, claro que sofro com isso, a verdade dói quando é dita por mais verdadeira que seja. Ninguém gosta de ouvir a verdade. Não quero me calar a mais nada, para que este silêncio.
O silêncio da mulher deve ser agraciado. Deve abrir a boca assim oh, redondo e não pense besteira... Isso é bom... Mas falar: Óhhh! Comigo não rapaz! Também é muito bom, exercer os direitos de falar, de dizer a hora e o como... Comigo mulheres?!
Mulheres unidas jamais serão vencidas!
Ah se toda mulher soubesse o poder que tem, mulher tem uma força, que faz ele ou eles caírem de quatro, é só se cuidar claro e querer fazer isso.
Quantas vezes nesta opressão do relacionamento me senti disposta a fugir, a sair pelas estradas sem rumo, a me perder, a morrer, já pensei ‘porra será que para ser comida nessa casa tenho de virar puta?!’
Foi aí que aprendi a segurar o meu homem, ele quer calor no relacionamento então eu sou a pimenta, nada ardia, mas sim fogosa, maravilhosa, formosa... Vaidosa. Voltei a ser mulher.
Queria falar agora dos meus amores, meu grande amor. Algumas coisas que aprendi com eles, cada um, tinha algo a me dar de bom tamanho, com jeito, brusco ou calmos, agressivos ou sensíveis... Meus amores. Quis hoje te contar como sou, como vivi, queria ter falado mais, mas vou deixar você pensar no que te disse, quero que você seja capaz de me amar da mesma forma que me entrego agora, vem e desbrava-me.
Eu vivo por que é melhor assim que ficar deitada no sofá com a bacia plástica de pipoca e uma toalha suja a secar os olhos assistindo cenas de novela ou notícias na TV. Eu resolvi viver. Meso tendo tantos perigos nas ruas, na esquina e nos cantos escuros, mas isso também tem nos meus cantos escuros, afinal quem seria Rachel?! Uma mulher qualquer ou uma insana assassina.
Por muitos dias rememorei a isso, assassinei a mim mesmo quando me calava ao mundo, quando me sentia e era submissa, serviçal, casta e moralista... Eu me sentia um nada quando na verdade estava entre muitas iguais a mim, que se vangloriavam de serem as perfeitas Amélias de canalhas vestidos de maridos. Os mesmos que só mudam o endereço. Digamos assim, canalha é canalha até embaixo d’água.
Meus momentos que vivo, que vivi, que vou viver. São coisas que dizem respeito a mim apenas sei disso, mas se você for por um instante empata, vai perceber que eu sou você em algum momento e que em sua vida nossos caminhos ao parecidos, muito semelhantes como as sementes do luxo.
Um quase diário de mim... Tua paciência em me ver hoje, assim despojada de mim, retirada de mim, arrancada de mim... Tudo é quase uma repetição, que estas histórias se repetem não há dúvida, as pessoas se repetem, nós costumamos repetir os erros, prometemos que jamais o faremos, mas a roda da vida vai e de repente acontece tudo de novo, nos apaixonamos, amamos, nos damos e nos arrependemos?! Ah de vez enquando. Muitas vezes repetimos a vida de nossos pais em épocas diferentes, mas se analisarmos ao fundo do profundo somos iguais e seguimos estes passos como se fizessem parte de nossa genética, os mesmos passos.
Saudade de minhas crianças que não tive, será como estariam, escola, faculdade?! Vagabundeando, drogados, ou seriam operários de produção, professores ou aliciadores... Nossa!
Seria ser arrogante dizer a verdade absurda?!
Eu amaria a cada um incondicionalmente ou teria uma preferência escondida entre um a outro?!
Queria ter alguém hoje aqui. Que fosse meu companheiro, filho ou filha, mas que estivesse aqui para me ouvir, me ver, me fotografar, parar em frente ao camarim e ter uma rama de flores brancas e uma caixa de bombons e sorrir e dizer meia dúzia de palavras plagiadas, mas me fazer sorrir... Um afeto, uma gentileza, uma dosezinha de bom senso... Uma troca amável.
Meus anos de silêncio será que me fizeram mais forte?! Será que o silêncio é sinal de fraqueza?! É claro que quando nos aquietamos temos mais chance de avaliarmos aquilo que nos serve daquilo que nos é nocivo... Mas silenciar é consentir com toda esta merda que despejam sobre nós.
Queria falar de tanta coisa, mas o nosso tempo urge... Faço uma busca aqui dentro para falar a você, a você, a vocês... Precisei de tanto tempo para conquistar minha força em não me calar, em dizer ao canalha que me batia para que fosse bater uma punheta para os amigos de boteco dele... Que não queria mais ser um buraco na cama onde ele jogava seu esperma... Minhas pérolas!
Queria uma criança agora e oferecer meu seio, fazer com que esta criança sentisse meu coração de amor lhe dando vida através d meu peito, agora caído e murcho pela lei da gravidade que nenhum ser escapa a não ser que tenha uns trocados e faça uma plástica com alguns mililitros de vedante, desculpe, eu ainda sou do tempo que silicone era usado apenas para vedação das coisas assim tipo frestas... Queria não estar só. Queria ter gente, mesmo que meu filho fosse viadinho, até que me seria legal... O importante era ter alguém perto de mim... Para que os valores familiares fossem tutorizados e exercidos...
Agora gostaria mesmo é de sair daqui e tomar uma taça de vinho, vê-lo despejar-se pelo gargalo sem pressa alguma e cantar em volteios no fundo do copo de cristal, e descansar antes que eu levante à altura da narina e aspire seu aroma embriagante e viaje na história daquela conquista, vinho é assim é uma conquista, lá da semente escolhida, da parreira da encosta, das podas e dos acertos, dos pés em ritmo macerando as bolas sob os dedos de esperança e vida, dos tonéis esculturados da idade, da fermentação pelas trocas e coares despejantes, destas separações uma fugaz concepção na transformação de sua identidade, da elaboração da qualidade encenada pelo tempo sobre um produto que exalta vida. Ah! Vinho é vida, é sabor, é aroma, é romance, é paixão.
Quero então que brindem comigo neste momento, por favor... (entram alguns garçons com bandejas de copos e vinho, ou se haver um carrinho de bar postá-lo em frente ao palco quando num espaço intimista) Amigos que minhas confissões sejam uma abertura para a vida, não só minha, mas a de vocês, que este signo de vida e prosperidade lhes seja radiante por Baco, por mim e por vocês... SAÚDE! Amém!
FIM!!!

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