quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Essa noite eu sou seu.

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Essa noite sou seu narrador.

Quando a vi pela primeira vez, o peito dela estava aberto.Dava pra ver o coração batendo sempre disparado.Falou-me que gostava da Lua e eu olhando para estrelas fiquei a imaginar em que constelação ela deveria morar. “Andrômeda” é o que está dizendo o lado esquerdo do peito.
Também me contou sobre uma festa.

“ Fui numa festinha de crianças essa semana.Cheguei lá e cumprimentei todo mundo, já sou de casa né.Daí vi o Leonardo, aquele menino fofo, fofo, fofo.Abracei ele, aquele abraço de urso sabe. E ele disse “ai,ai,ai!”.Peguei nas bochechas dele com uma vontade!Afastei-me dele e fui conversar com o resto do pessoal.Mas percebi que o Léo não tirava os olhos de mim.Não resisti e fui lá falar com aquela fofura.E não é que ele me disse bravo um tantão:
- Por que você ficou lá conversando com os adultos?
- Ah porque eu os conheço e eles me conhecem
- Mas você quando vem aqui só fica com a gente que é criança, pula na piscina com a gente...e eu vi fosse colocando o dedo no bolo e comendo os brigadeiros antes da hora!
- Ai Léo como é que se viu heim?
- É e você nem se veste igual gente grande nada, parece mais com a gente.
-É mesmo é Léo, quer dizer que você me acha com jeito de criança?
- Acho sim! Cê é igualzinha eu....
- Pôxa...
- Posso te contar um segredo?
- Pode sim Léo
- Se você quiser eu deixo você ser minha namorada....”

Yolanda é o seu nome.Igualzinho ao da música.Por ser assim tão criança é por isso que quando lembro dela, lembro de um colo onde eu posso dormir em paz .
Durmo agora rezando o credo que tu me ensinaste:

“Quero saber de teus problemas,
Desejos, anseios, sonhos, decepções...
Coisas que sempre unem
Nossos dois inquietos corações!

Estou aqui para juntar os pedaços
Espalhados no mundo de teu coração
A vida, afinal, necessita
De uma distância de seguimento
Ou será necessária, por precaução,
Uma distância de frenagem no tormento?

Se preciso for, darei meus olhos
Pra que o teu mundo
Se encha de amor!
Meu colo é teu...
Vem, deita-te aqui e descansa!
Esconde a face em meus seios,
Recorda-te de quando eras criança!
Por um momento, esqueçamos tudo
Esse mundo terrível e cruel
Façamos o nosso, com devaneios mudos,
Cercado apenas por muros de papel!

Deita-te aqui e descansa...
Chora, se assim desejares
Enxugarei tuas lágrimas assim,
Uma a uma, como se em mim
Estivessem todas as tuas mulheres


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