quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Fim original para um ser desigual

Fim Original para um ser desigual!


Agora! Neste momento minha pobre
E miserável vida passa à minha frente
Como um daqueles filmes que vi.
Na frente da loja de vitrine decorada,
Vejo-me pequeno, roupa em farrapos, pés ao chão,
Pedindo trocados, sempre para que meu pai bebesse e me espancasse.
Sempre pedindo trocados,
Me sentindo humilhado, pequeno e fraco.
Mas alguns de vocês me davam:
Ora moedas, ora um doce, um olhar que maltratava ou a cara para o lado...
Depois que cresci sobrevivente enfim
Da família destruída,
outros se foram da fome desnutrida
Perdidos à vida ou ao crime
Nada mais eu achava
No lugar das esmolas recebia palavras e me colocaram na escória
Ninguém mais ajudava
Foi quando comecei nos pequenos furtos
No frio da noite a cola era cobertor
Viagem em estalidos, vertigens...
Mesmo nos vômitos tinha companhia
Na garrafa caída vazia
Na escola de correção conheci meus novos amigos e meu patrão
No embalo dos sabidos fugi e fui ser avião
Agora ganhava uns trocados mais rápidos, andava armado
Botava medo com o ferro na mão
Um dia quase perdi o coração numa carreira
Os home se achegaram do nada
E eu ali premiado
o pacote dentro da cueca no saco
agora estou aqui ajoelhado, a testa encostada no chão,
terra com pedregulho
é o que sinto com os olhos vendados, num saco escuro
as mãos amarradas atrás...
não sei que lugar é este,
deve ser perto de um depósito de lixo
algum rio poluído
esse cheiro é insuportável
não sei ao certo quantos homens estão à minha volta
há risos e gritos, estou sozinho jogado ou há mais?
Os estampidos dão medo.
Tudo isso...
Foi sem querer naquele assalto
O velho reagiu e eu não esperava
O tiro apenas saiu...
Agora eu lamento,
Quem deveria lamentar eram vocês...
Não eu...
Vocês que poderia ter me ajudado,
poderiam ter me dado oportunidade de vida
...e de ser alguém
A lamentação não devia ser minha
por que eu fiz de tudo para sobreviver e vocês?
Queriam que eu ficasse sentado na esquina
para que pudessem me jogar dez centavos
e entrar na igreja mais sossegados
e dizer: olha só a boa ação que eu fiz.
Por que me deram aquela esmola?
Por que não me tomaram pela mão e me deram escola
Um ensino, um destino?
Entendo até que da primeira ou segunda vez eu fosse cínico,
Com sorriso ao lado,
Mas com o tempo eu teria notado
Que teria que estudar, aprender,
Trabalhar para ter, e como muitos iria à batalha
Aí realmente estaria me ensinando a plantar a terra,
A fazer a terra e não viver na espera...
Eu estou tremendo tanto,
Meu deus, ele se aproximam
Eu sinto que vai acontecer,
Estou ficado enjoado...
Os passos estão pesados...
Me sinto cercado,
Ouço barulhos, são de ferrolhos,
Minha virilha. Me molho...
E agora?!
Queria só mais uma chance...
Não brinca, não me apavora...
Ria, talvez algum rico burguês vai escrever uma música,
Vai fazer sucesso contando minha vida,
Enfim mesmo morto usado serei mais uma vez...
Agora...
Queria ver o sol, o aro-íris, a noite quente
A face de minha mãe ao me beijar...
Queria o abraço seguro de meu pai
Não me deixe ir assim...
Nãoooooooooooooooooooooooooooo!
Não mais...
Nãoooooooooooooooooooooooooooo!
Isso dói...
Nãoooooooooooooooooooooooooooo!
Assim...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente o que achou do texto se foi doseu agrado e ofereça sugestões... Obrigado.