quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Os fazedores de arte pedem socorro... Ou idéias de suicídio...

Os fazedores de arte pedem socorro... Ou idéias de suicídio...

Não posso afirmar que em todas as cidades aconteça a mesma coisa que nos acontece aqui, assim posso afirmar, o que nos permeia é que santo de casa não faz milagre só é auxílio...
Infringem-nos a uma única possibilidade: a de que servimos para trabalhos gratuitos tidos como voluntários enquanto nossa luz ou água é cortada, ou nosso telefone ferramenta de trabalho nos é retirado por falta de pagamento...
Sempre que coloco em pauta a discussão sobre o voluntariado os detentores do poder, por mais que o sejam temporariamente ficam indignados, blasfemam, gritam e até ofendem...
Ontem fiz uma pergunta a uma senhora que discutia acaloradamente em minha mesa num fórum de cultura e defendia que deveríamos primar por cadastrar e dar ênfase a voluntários:
__Se a senhora não fosse funcionária pública, mesmo a cargo de comissão, a senhora estaria fazendo um trabalho voluntário? Pois sabemos que dia 30 o salário estará na conta corrente não é mesmo? Enquanto a do artista-voluntário está vazia o armário e a geladeira...
__O senhor me ofende...
__Eu só estou fazendo uma pergunta... E gostaria que fosse honesta a resposta.
Traduzindo ficou-se assim sem resposta e a senhora tomou-se como ofendida por ter uma pergunta direta. Outra pergunta foi às instituições em voga outra senhora:
__Pergunto a sua instituição dará preferência a oferecer trabalho remunerado ao artista ou dará preferência ao voluntariado?
__Você sabe meu amigo, você mesmo já nos prestou grandes trabalhos desde que começamos, não preciso nem lhe responder a gente vive é de colaboração mesmo...
Que fique só entre nós, é cobrado por cada interno mais de um salário mínimo.
__Então não seria melhor criarmos políticas públicas para que a administração pública assumisse então este papel o de assaliar os artistas para que estes prestem serviços nas entidades que precisarem?
Como que por mágica o assunto foi desviado para propaganda de atividades promovidas pela prefeitura na área de esporte e turismo e finalmente o almoço.
O que nos falta? Um grupo coeso a serviço direto à cultura: o que vem a ser cultura foi muito esquecida: forma abrangente de se considerar que é tudo que se registra a vivência em comum na verdadeira forma de policultura que envolve o meio urbano e rural, os saberes agregados, o artesão e o industrial. São todos membros natos da cultura local que reflete na regional que vai por si mesma resplandecer nacionalmente e assim ganhar a internacionalidade.
Quando não se há o apoio aos fazedores começam acontecer êxodos: é o escritor que foge dos grandes centros pois sabe ele que na cidade pequena será considerado celebridade, é o pequeno artesão que migra a outra cidade levando seu saber material e imaterial criando um novo pólo por vezes de materiais que nem mesmo ali são existentes mas foi ali que vislumbrou sua porta da esperança...
Falávamos de um amigo poeta que está adoentado, falávamos que assim que sua passagem foi realizada rolarão homenagens, dirão de atos e fatos, mas enquanto estava entre nós? Nem mesmo era lembrado... Como uma pessoa ligada à secretaria da cultura me disse outro dia:
__Nossa, não sabia que o grupo de teatro que vi na televisão é aqui da nossa cidade... A quanto tempo você faz isso? Nossa tudo isso e eu não sabia...
__Interessante... Pois a cada apresentação mandamos convite e material dos eventos...
__Sabe o que é... É que propaganda de eventos a gente nem abre o e-mail.
__Aí não dá para saber o que acontece...
__Mas pode deixar que agora vou ficar atenta...
É um atentado ao cidadão... Pois onde se viu pessoas trabalharem na área e não se interessarem?!
Onde já se viu... Artistas continuarem a se venderem por falsas promessas... Meu amigo maestro precisou tirar dinheiro do bolso para levar seus alunos-coro para apresentarem-se num dos mais renomados teatros O Guairá, mas no momento de reclamar não disse nada, ficou a dar seu sorriso do talvez ano que vem aconteça, quem sabe vou trabalhar com alguma coisa no contra turno, ou até mesmo vão deixar eu apresentar os meninos na semana de demonstração política com atividades publicas submersas por um trabalho de projeto sócio-cultural. Onde até mesmo eu estou incluso...
Mas na hora de dividir os quinhões aí contratamos oficineiros de fora do estado, de outras cidades, por que os de casa... Os de casa são os de casa e nada mais.

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