sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PRIMEIRA SEMANA DA MÚISCA

Entre os dias 17 e 24 de outubro acontece a I Semana de Música de Campo Largo, que visa à interação entre músicos da cidade e a população em geral. O evento contará com oficinas, workshop, palestras e filmes que envolvem a música como tema central. Além de apresentações de bandas locais durante toda a semana.


Aqueles que desejam apresentar o talento e estilo musical para a população devem realizar a inscrição na Casa da Cultura até a sexta-feira, dia 1º. A inscrição é gratuita e a condição para participar é inscrever uma música de autoria do grupo/dupla. Também é necessário apresentar o setlist das musicas a serem apresentadas. O tempo das apresentações será de 30 minutos por inscritos.

Na próxima quinta-feira, dia 7, às 19 horas haverá uma reunião com todos os representantes das bandas/duplas para acertarem detalhes quanto às apresentações. A participação na reunião é obrigatória para todos os inscritos.






Estão convidados todos os representantes da música de Campo Largo, Dj´s, rappers, bandas, repentistas, duplas sertanejas, musicas étnicas, etc

domingo, 8 de agosto de 2010

‘Uma saliva misturada...


‘Uma saliva misturada...




Quando esta chuva age é sal purificador,

expia-me de algo e trava,

a saudade ou a vontade,

uma fome de possuir

e ter o corpo ao lado.



De exitar ao estar sozinho ao deitar,

é demorar ao pé da cama,

encolhido e enrolado ao lençol roto,

o travesseiro tomando forma

acolhido entre as pernas

a cumprir uma presença que causa ausência,

que corrói o pensar, o agir...



O...

Vazio que avança e toma espaço,

uma coisa que toma salto,

um precipício,

uma queda em histórias de um amor que implora,

imagens que poluem seus sonhos e acaba em suor das mãos.



Sentindo uma angustia tão próxima,

uma lágrima decadente

que atravessa mais que a Alma,

que surge apenas de um lugar pavoroso, o medo.



Um medo atroz de fracassar

ante a tudo e a todos,

nesta condição de ser eu mesma,

minha solidão

um sorriso atrás da máscara,

voltar a ser tão pequeno

que ninguém me sinta, ninguém me veja.



Reencontro comigo mesma dentro de mim nas minhas entranhas...

Com as mais insanas palavras insurgidas

tenho escrito os dialetos dos esquecidos,

dos aloprados, vadios ou até poderíamos chamar de sonhadores...

Palavras que saem como vômito a ser colocado para fora,

antes que me absorva em si, meu todo a mim mesma...

Jorra a sede do advento da criação

e digo que se façam o sexo divino,

tão assexuado quanto os anjos do paraíso...



E essa dor que vem assim do nada!

A dor vem e se instala.

A dor que se faz presente no abate,

e qual agulha ataca-nos e nos tange,

na tortura quase que perpétua das dores da alma,

onde as pomadas não mais alcançam

e tampouco sanam a ferida aberta e cheia de...

Animais rastejantes como larvas,

que me lavam nas escadas da igreja

que tem um anjo de túnica leve sobre seu telhado

com a clarineta aos lábios finos e sensuais.



Cada segundo que julgamos às vezes não ter cura

e o destino nos deu e força a ficar-nos ali

à espera do fio afiado do vórtice dos anos,

nos impôs caminhos com regras que não participamos na formulação,

mas somos obrigados a acatar

e o tiro é ouvido, um estalo que alcança,

é pequenina, é bem menor que a menina dos olhos,

e até já não é dor mais.



Pois, a dor já não é mais dor quando dividida por dois.



Teus cabelos molhados segurei,

depois que molhou minha pele,

bateu em meus olhos,

olhei dentro de ti e murmurei meu vomito de amor,

sua expressão era de que nada entendia,

nem eu,

só sentia um estranho prazer

em tomar-te desta maneira

algo se só a mim pertencia,

nada que fizessem arrancaria este pequeno momento,

esta síntese do eu, do você.



Minhas roupas foram arrancadas,

desabotoadas, sacadas,

jogadas ao canto

e minha força subiu e sua mão pousou suavemente

como quem apanhasse uma borboleta no jardim...



O lençol...

Arremetia-me às túnicas de seda dos rituais sagrados,

feitos em locais secretos,

onde os ventres pulavam frenéticos em respirações guturais...

Velas acendidas pelos corredores longos com o aroma dos incensos ancestrais.

Sua boca e meu nome se tornavam um só apenas.



Uma névoa tomava os salões

e teu ventre caia sobre mim

eu me senti todo em você,

como colocados em nuvem viajante em eras acompanhando a dança.

O ritmo da noite, daquela noite em especial,

você ali, comigo, gemidos e silêncio.



Um grito,

seus gritos me assustaram,

cheguei a me afogar em tua saliva viscosa e cheia de mim,

pois me abocanhara o falo com vontade e intumescido

um pouco de minha semente da criação já estava em sua língua,

numa mistura de energia e saliva doce que você é.



Começava a me entregar aos teus gestos de encontrar meus esconderijos,

seus dedos, sua língua, teu sexo me procurava,

eu em dúvida, eu ali,

deixando-me levar pelas suas mãos, por seus gestos...

Teu machismo indo embora e eu sendo fonte de desejo.



Meu lado oposto me desejando mais,

eu aceitando você em mim como nunca,

como em meus sonhos secretos

nas noites insones no escuro do quarto lembrando você.



O coração corria numa aceleração fugidia,

saltava-me à boca,

vociferava você coisas que eu não entendia,

sentia seus ataques ao meu corpo

ora me deliciando e ora me devorando,

em cima e embaixo, na frente e atrás,

eu suportava gemendo,

minha rigidez doía, até que me mordeu...



Agarrei de novo teus cabelos molhados,

dei-te com meus olhos maus,

uma cara de pouco amigo,

te joguei ao lado, virei-te de bruços,

mãos coladas ao chão do colchão,

entrei em você, pela porta dos fundos

retirando de sua garganta uma canção, querendo mais...

Não! De não pára. Acompanha-me. Não pode parar...

Jogados ao chão rolamos pelo jardim com belas flores e muitos espinhos...



E molhada a grama, de teus segredos,

implorava-me com beijos para me deixar mais uma vez,

entrar em ti, jorrar esta vida por dentro

e ainda ofegantes enxergar as estrelas dispersas

naquele céu da manhã de uma tarde que se fazia bela

e acompanhada de gotas de suor e algumas lágrimas...



Nos desejamos mais uma vez

e outra na mesma manhã daquelas poucas horas.

E teus olhos me fixaram vários desejos

e vários pedidos foram atendidos,

o aroma da vareta do incenso subia em fumaça

serpenteando rumo a algum lugar,

um momento que se fazia.

Minha pele sendo a sua, teu cheiro o meu...

Nossos segredos dados em sussurros e ora...

Preteridos os anseios por lábios aos lábios,

uma força transferida por mãos nas mãos...

Entradas e saídas,

trocadas em carícias,

um abraço,

um beijo,

uma vez homem

e na outra uma mulher...

Uma saliva misturada...



Eu em você

e você em mim... Assim’

Capoeira a criação da LIBERDADE!


Capoeira a criação da LIBERDADE!




Nenhum povo é eterno

Escravidão há de revoltar.

Negro e Brasil

Coexistência da diferença.

Do cativeiro foram as fugas

Revoltas individuais

Outras desorganizadas.

O tempo dos negros

o negro entendeu a lutar.

Não tinha armas

Somente o corpo,

Dos índios a idéia da formação

Com movimentos de animais

Os tambores de seus rituais da mãe África

Força, agilidade e técnica.

Os quilombos,

As aldeias

Mesclavam-se escondidos

Regiões afastadas, difícil acesso,

Os irmãos da terra brasilis os guias

Buscavam e lutavam pela liberdade.

Entre todos Palmares,

Serra da Barriga,

Alagoas e Pernambuco.

Os negros, os índios e a capoeira

Do povo da terra a dança

Do povo amordaçado o ritmo

Deste universo tão diferente

A Capoeira!





Poetha Abilio Machado. 2010.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Minha arte

















































































Varal de humanos


Varal de humanos... Torna-se desumano!






Olho estes rostos perdidos de bochechas encostadas aos vidros, uma lateral gelada da paisagem que passa rápida lá fora, inda agora, borrões como seus sonhos...

Algumas bocas se movimentam. Agigantam-se. Riem. Declinam outros olhares, não os acho mais janelas da alma, os acho sim outdoors explícitos de seus desejos por vezes profanos como seus dentes amarelados pelo descuido ou pela insegurança presa da nicotina.

Como o menino, nariz afilado, olhos tristes, desce agora tendo seu baixo ventre armado evidenciado pela calça de agasalho escolar, a face corada e os olhos pudicos refletindo o medo da observância. Alguns olharem o flagram e seu semblante faz doer mais que a própria ereção, apertada, prisioneira, inexplicável, espontânea?! Não sei...

Um senhor mostra ao mundo sua nova descoberta, ferramenta zero bala como diz em alto som, fala de frangos, porcos e uma velha vaca adoentada. Como querendo alcançar a distância que lhe cerca grita segurando trêmulo o aparelho na mão grande e calejada.

O condutor além de fazer com que os passageiros sintam o valor da embreagem no veículo descumpre a primeira norma do condutor expressa em adesivo com letras garrafais: proibido conversar com o motorista. E assim me fazendo pensar em quantos acidentes são causados pela falta de atenção e começa e me bater um medinho danado, aquela insegurança neste caminho de vai e vem de todos os dias. Pereço neste caminho apócrifo, levado por vendedores disformes quais as figuras grotescas que surgem nos cantos escuros...

Braços amontoam-se em varais humanos, corpos que se negam ao encontro provocado pelo balanço da barca que viaja sobre o tapete negro, serpenteiam a terra, navega sobre suas patas circulares de borracha experimentando riscos, fissuras, arroubos de vidas agarradas...

Agarrada ao fruto, a velhas histórias contada em roda de fogueira e ela trigueira se aninha com olhos furtivos e não á exposição da bolsa de brilho falso que carrega sob o braço, entre costas e cotovelos.

Outra de cabelos chapinha mostra o mau trato do calor tentando mudar a genética, as pontas desapontam... Surradamente vestida de assistente administrativa, desvalorizada busca abraçar o ferro saído do chão.

Não muito distante da visão, um assovio, alguém acompanha o clássico da linha, a música é rápida, forte e ansiosa, há quem resmungue e quem ofereça sacudidelas de ombros, há quem sorria perdido a alguma lembrança na janela... Talvez sorria de seu próprio monstro...

A senhora que fala sobre trabalho, patroa doente e marido ruim, que bebe e a trata como escrava mostra que a calça jeans que veste além de ser menor para si é também de cós muito baixo, e o começo da vazão do glúteo maior fica à mostra, um senhor encarnando ao Belchior faz um sinal ao colega de que ali cabe a moeda que segura com o indicador e o polegar R$ 1,00.

Desejo não estar ali, penso na faculdade, na discussão da sala, também não queria aquilo, mas os gestos foram tão claros na hora do pequeno e atroz debate, onde a Ceyssa defendia tão arduamente ela sendo estado, amiga senhora massificada pelo dogmatismo infringido pela doutrinação e pelo trabalho que realiza onde ele o estado deveria fazer, crê que é estado, onde na verdade é apenas povo e tão somente povo. Nossa turma há um grupo muito infantil e eu hoje me portei como eles... Fui tão infantil quanto!

Resolvo me entregar a Morfeu e deixo-me ir... Novamente caminho entre eles, pendurados ali, vejo meu corpo, o cachecol cinza encostado ao vidro e minha cabeça sacolejando, passo por eles, percebo que alguns me sentem, sinto seus arrepios e sinto quando olham à procura de quem provocou o arrepio, o interessante que quando saiu não sou como meu corpo, minha forma é como antes, magro, esbelto, mas a minha barba parece mais comprida, mais branca, e minha trança pende em torno de mim como um colar de várias voltas. E quando penso na roupa me vejo com o traje branco de linho surrado, mais luminoso... Sorrio para mim mesmo na janela, venho a passos rápidos, já é chegada a hora de acordar este corpo doente e cansado, se eu fizesse medicina iria fazer em mim os reparos suficientes espiritualmente, tomaria dos conhecimentos terrenos para curar a mim...

Abro os olhos lembrando-se de todos os detalhes da caminhada pelo transporte coletivo, vi outros ali, eram apenas sombras, mas estavam ali, dois acompanhavam a mulher magra que me olhava com raiva no tubo e depois fez o mesmo na saída quando ancoramos no terminal...







Por Poetha Abilio Machado

meus quadros

coração desconstruído

aerografias


três sóis

orquidea fênix


A maioria dos trabalhos são feitos de materiais reciclados, em técnicas mistas...