sábado, 27 de fevereiro de 2010

Projeto educacional pioneiro vai atender pessoas com deficiência

Projeto educacional pioneiro vai atender pessoas com deficiência

A Associação da Cadeia Produtiva de Educação a Distância (ACED), a Universidade Livre para Eficiência Humana (UNILEHU) e o IESDE (Inteligência Educacional e Sistemas de Ensino) vão fechar um acordo nesta segunda-feira (05/10) próxima com o objetivo de desenvolver projetos, programas e atividades para o desenvolvimento educacional e profissional de pessoas com deficiências, utilizando o Ensino a Distância (EAD). O Presidente da ACED e ex-Ministro da Educação, Carlos Alberto Chiarelli, afirma que a implementação e o desenvolvimento desta parceria de cooperação técnica, científica e institucional têm como um de seus escopos promover a qualificação laboral destas pessoas. “Por meio do EAD pretendemos gerar ainda mais conhecimento e abrir um espaço para discussões sobre a importância da inclusão de pessoas com deficiência na sociedade”, destaca.




Com estas ações conjuntas com a UNILEHU e o IESDE, a ACED pretende contribuir na criação de uma turma-piloto de alunos para escolarização formal, além de cursos de qualificação profissional e de capacitação para empresas contratarem pessoas com deficiências. Chiarelli cita o Censo Populacional de do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que mostrou que o Brasil possui aproximadamente 25 milhões de portadores de deficiências, dos quais 2,9 milhões são crianças e adolescentes. Em termos de escolarização daquele total, 28% não têm acesso ao ensino e 23% têm apenas até três anos de instrução. “Isto representa 12,5 milhões de pessoas sem qualificação ou com apenas o mínimo de educação. Ou seja, quase a metade das pessoas com deficiência. Estes dados confirmam a dificuldade de acesso ao ensino como um forte problema que precisa ser enfrentado”, afirma.



Os temas e conteúdos escolhidos serão de acordo com a demanda de mercado e as funções mais adequadas para cada tipo de deficiência. “Auxiliar a inclusão de portadores de todos os tipos de deficiências no mercado de trabalho é essencial para gerar uma transformação social. Por meio destes programas pretendemos valorizar o potencial de cada uma destas pessoas”, fala a Presidente da UNILEHU, Andréa Koppe. E complementa: “Por intermédio desta parceria, a instituição pretende disseminar a tecnologia EAD para a qualificação da pessoa com deficiência. Pois tal metodologia é uma ferramenta poderosa para a acessibilidade e a efetiva inclusão social deste público”.



Andréa ressalta que a UNILEHU iniciou as atividades em 2005 pela necessidade da criação de uma organização orientada e mantida por empresas preocupadas com a questão da inclusão de pessoas com deficiência. “A atuação da nossa entidade permite não apenas a inclusão das pessoas com deficiência nas empresas por meio da Lei de cotas, mas, sobretudo a troca de experiências e vivências bem sucedidas, facilitando a compreensão e a implementação de projetos de inclusão”, explica.



Para o Diretor do IESDE, Claudio Borges, este acordo trilateral é de extrema importância, pois irá disponibilizar modernas tecnologias utilizadas na Educação a Distância, que se voltarão também para as pessoas com deficiência. “Para isso, vamos usar o Programa de Acessibilidade (PAI), criado e lançado pelo IESDE, que oferece múltiplos materiais didáticos desde o ensino fundamental até cursos de pós-graduação, considerando os diferentes tipos de deficiência. Queremos com este acordo conseguir com que as Pessoas com Deficiência tenham igualdade de oportunidades no exercício da cidadania”, finaliza.

Como chamar as pessoas que têm deficiência?


Como chamar as pessoas que têm deficiência?
por Romeu Kazumi Sassaki


Consultor de inclusão social
Autor do livro Inclusão: Construindo uma Sociedade para Todos



Em todas as épocas e localidades, a pergunta que não quer calar-se tem sido esta, com alguma variação: "Qual é o termo correto - portador de deficiência, pessoa portadora de deficiência ou portador de necessidades especiais?" Responder esta pergunta tão simples é simplesmente trabalhoso, por incrível que possa parecer.



Comecemos por deixar bem claro que jamais houve ou haverá um único termo correto, válido definitivamente em todos os tempos e espaços, ou seja, latitudinal e longitudinalmente. A razão disto reside no fato de que a cada época são utilizados termos cujo significado seja compatível com os valores vigentes em cada sociedade enquanto esta evolui em seu relacionamento com as pessoas que possuem este ou aquele tipo de deficiência.



Percorramos, mesmo que superficialmente, a trajetória dos termos utilizados ao longo da história da atenção às pessoas com deficiência, no Brasil.



No começo da história, durante séculos

Romances, nomes de instituições, leis, mídia e outros meios mencionavam “os inválidos”. Exemplos: “A reabilitação profissional visa a proporcionar aos beneficiários inválidos ...” (Decreto federal nº 60.501, de 14/3/67, dando nova redação ao Decreto nº 48.959-A, de 19/9/60).



TERMOS E SIGNIFICADOS

"Os inválidos". O termo significava "indivíduos sem valor". Em pleno século 20, ainda se utilizava este termo, embora já sem nenhum sentido pejorativo. Outro exemplo: "Inválidos insatisfeitos com lei relativa aos ambulantes"(Diário Popular, 21/4/76).



VALOR DA PESSOA

Aquele que tinha deficiência era tido como socialmente inútil, um peso morto para a sociedade, um fardo para a família, alguém sem valor profissional. Outros exemplos: "Servidor inválido pode voltar" (Folha de S. Paulo, 20/7/82). "Os cegos e o inválido" (IstoÉ, 7/7/99).

Para ler mais: http://www.unilehu.org.br/artigos/artigo2/

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Deus recebe todos os dias... Bolsista Prouni experiencia...


Deus recebe todos os dias_________________________________________________.






Acordou assustado, esquecera de programar o despertador, eram oito horas menos vinte, breve o ônibus passaria, havia sido convidado para participar também da celebração das oito e meia.

Levantou rapidamente, acendeu o já enojado cigarro enchendo uma caneca de café frio e sentou-se ao vaso, ali repassava mentalmente os versículos que decorara, deu um largo sorriso e beijou a medalha presa por um cordão negro ao pescoço.

Ainda sentado em seu suor a explodir da testa ouviu o ônibus passar. Apanhou o telefone do bolso e tentou discar para o único taxista que lhe fazia favores como pendurar corridas, ficou torcendo, mas a voz macia e enjoativa informou...

__Telefone se encontra fora de área ou desligado...

Correu para a esquina à espera de conseguir uma carona para ele e a filha pequena, ela iria chegar atrasada à escola e ele a seu compromisso a muito esperado, ganhar bolsa de estudos, cursaria Artes Visuais, conseguido depois de atingir seus mais de quarenta anos carregados de dores com revacularização cardíaca, safenas, mamárias e balões nas coronárias.

Passaram alguns minutos e eis que surge a filha de um velho amigo que levara também seu moleque para o Reino da Loucinha, chegam ao mesmo tempo em que o sinal é ouvido, agora a margem é pequena, têm ainda seus cinco minutos e tudo dará certo...

E depois de gastar seus últimos trocados separados em cópias de documentos para serem apresentados à saleta da instituição, começa a viagem, no primeiro ônibus se divide entre ler o texto enviado pela Cia. Rodrigo D’Oliveira ‘ Missionários da Luz’ na qual pediram sua participação durante o Festival de Curitiba com suas orações para que tudo dê certo e a briga entre dois passageiros pelo uso dos bancos preferenciais onde um rapaz pediu ao homem que estava sentado o lugar para sua esposa grávida e o homem não gostou daquilo.

Ao chegar ao terminal ainda ouviu as últimas ameaças entre os dois e a pobre mulher puxando o menino-homem pelo braço para afastar ele do lunático do banco vermelho. Viu decepcionado ainda o ônibus que o levaria até sua IES arrancar mesmo sua corrida desengonçada sendo vista pelo retrovisor pelo motorista que sorria largamente ao talvez ver aquela cena e dar uma entortadinha de cabeça como a dizer:__Fica para a próxima otário!

Chegou enfim até a IES/TUIUTI, a primeira recepcionista o mandou ao bloco C, o vigia do C o mandou para a Pré Reitoria e dali então o mandaram subir ao 5º andar, sala PROUNI/PRAVALER/FIES, onde uma fila de jovens acompanhados por suas mães e pais aguardavam com pés e mãos tremendo pelo medo e ansiedade, sentado manteve contato com a esposa que saia do trabalho e perguntava sobre a filha que ficaria sob os cuidados da filha mais velha, já acadêmica em história na UFPr...

Ele um senhor perto de tantos, às vezes isso atrai conversas sérias e isso quer dizer informações, uma jovem mãe com seu filho de cinco anos comentava que pela quarta vez comparecia na fila de apresentação, ganhara bolsa parcial e o “carrasco” exigia um documento que não estaria disponível no momento, algo relacionado com a receita federal ou imposto de renda. Dizia que não havia argumentos e que nada abria a guarda do homem que se fechara atrás da escrivaninha.

Desde aquele momento começou a traçar o perfil de seu futuro algoz... Deveria ter pouco mais de um metro e setenta, gostava de deixar sempre a barba por fazer para impressionar o ar de cansaço e de muito atarefado, provavelmente rodaria a aliança de casamento com o polegar como símbolo de sua conquista, estaria sentado em uma cadeira alta para ficar maior aprendera isso com algum superior, talvez observando seu superior direto e inconscientemente assumia o mesmo papel o de constranger quem dele precisasse, deveria ter lutado para chegar ali e ai daquele que fosse ao menos parecido com ele, não haveria jamais de superá-lo, era sua função e agarraria com unhas e dentes. Estaria ganhando uma calvície prematura por isso deveria manter seus cabelos rentes, bem baixos, tinha síndrome militar, mas não conseguiu seguir carreira, preferiu outro tipo de poder com o mesmo intuito subjugar...

A jovem senhora entrou e saiu injuriada, pois lhe negara mais uma vez apanhar seu processo para enviar ao órgão capaz, a próxima da fila era uma menina cheia de sonhos acadêmicos queria cursar publicidade e a opção que lhe chamara foi fotografia e também com bolsa parcial, estavam ansiosas ela e a mãe, professora estadual em Araucária. Bem próximo ouviu a conversa e teve um susto pela entrevista, o homem se deu o direito de interrogar se realmente ela queria cursar fotografia, pois se incomodava de que ela ia investir um bom dinheiro e outros fatores que a ver geral não lhe cabiam na função, pelas informações que tinha só um coordenador acadêmico pode avaliar e discutir sobre o desenvolvimento de este ou aquele aluno, que trouxe mais alguns fatores ao perfil daquele homem que só ouvia a voz...

E ele, pai de quatro meninas entrou, coração batendo forte apesar de ter se preparado e tomado a medicação propícia, os documentos apresentados e aí é que o homem lhe olhou e disse:

__Essa documentação não será aceita, ‘você terá que ter que registrar para ter legalidade’e aqui está empregada doméstica tem que ser registrada em carteira. Mas já te adianto que se não ter aqueles documentos como tem na página do PROUNI daqui não passará...

‘ Ih agora o único trabalho de minha esposa ainda vai ser mandada embora se chegar na dona Dora e pedir registro, onde esse senhor vive, fora da realidade com certeza’ quanto mais pensava mais o perfil que traçara do homem se apresentava certo. Por isso olhou-o girar com o polegar a aliança de ouro grossa, mostrando o quanto gastara em investimento em seu relacionamento.

O homem saiu decepcionado...

E preparou-se para o outro dia, pediu dicas então como fazer uma declaração que fosse aceita, e recebeu dicas de quem elabora e participa até de licitações públicas. Redigiram as duas declarações e oito horas da manhã depois de deixarem a menor na escola se dirigiram ao cartório, registraram e reconheceram firma sob as normas da lei e lá foi ele, seguiu até a IES/TUIUTI novamente, chegou às 10: 20 e a fila estava maior que a do dia anterior, mais algumas aflições entre os jovens: um já era estudante e conseguiu bolsa e teve de desistir do curso a mando do homem da saleta de Deus para poder afetuar a bolsa isso sem ter a certeza que seus documentos seriam aceitos por que segundo ele o homem estava intransigente com a ausência do pai que estava em viagem e chegaria só na próxima semana, a outra veio e teve de correr atrás de uma resposta do IR do avó para apresentar, a jovem mãe estava a um canto inconsolada, no corredor todos foram despertos por uma funcionária que gritava com a filha e com o marido sobre um curso universitário que ela queria que a mãe ajudasse a pagar e a senhora estava irremediável, dizia que para que pedisse aos sogros que ela já estava criada foi assim algo extraordinário pois o seu jovem marido estava ali e apenas sorria baixinho das acusações de vagabundagem...

Citou aos colegas o acontecido do dia anterior, outros também contaram suas experiências e a citação de Karl Marx foi colocada:

“Quer saber o que vai pela alma de um homem? Dê a ele um punhado de dólares e uma escrivaninha.” Onde pode se ganhar uma ninharia, mas o ego se torna incontrolável... Com o poder de ser Deus...

Ânimos calmos, iniciação de rede começada entre alguns que esperavam...

Novamente chegou a vez do homem, entrou e educadamente apresentou:

__Estes são os documentos que viu ontem e estas as duas declarações, registradas e reconhecidas em cartório, emprestei dinheiro para poder pagar pois isso.

__Mas perdeu seu tempo por que não tem validade alguma.

__Como não, é registrada e descrita na forma da lei...

__Não, não posso aceitar, eu sou um mediador entre você e o PROUNI e não vou aceitar, eu decido...

__Mas não é quem decide, se o Sr fizer o favor de enviar, aí o pessoal do PROUNI decide se aprova ou não...

__Já disse que não!

__É só dispor de um pouco de vontade e enviar... Como lhe apresentei documentos o Sr pode me fornecer um documento por escrito sobre o motivo para não aceitar minha inscrição?

__Não lhe darei nenhum e veja não estou com falta de vontade senão nem lhe atenderia... Você deve procurar um computador e acessar o site do MEC, depois PROUNI, aí entre no ‘fale conosco’ e descreva o acontecido e que eles me mandem uma resposta direta a mim caso contrário eu não aceito...

__O Sr. ontem disse que precisava de registro e eu o fiz, sua intransigência é sem conhecimento, o senhor já tem domestica ou diarista?

__ Não!

__Aí se tivesse saberia que nem todas as domesticas têm registro, e eu RPA é usado para ser prestador de serviços a grandes empresas que exigem para efeitos legais de pagamento e não em casas residenciais, eu vou entrar em contato mas vou citar sim mas incluirei que o Sr. Sergio não quis aceitar...

__Peraí. Se vai citar diga que foi devido a sua declaração simples...

__Registrada e reconhecida por lei, senão não teríamos cartório de registros não é mesmo?

__Aqui não vale... Espero pela resposta amanhã senão sua bolsa é transferida a outro.

__Além de servir por mais de 34 anos a esta sociedade capitalista que tirou a única coisa que eu teria de maior valor a minha saúde ainda recebo isso... Pode esperar que eu volto...

Saiu tendo os olhares arregalados dos remanescentes da fila, alguns que só iriam ser recebidos à tarde e que ali já tiveram sua castração pois sem o uso de senhas de chegada a terceira depois de mim havia sido chamada e avisada a passar o recado a quem chegasse que dali em diante só depois e bem depois do almoço.

Dentro do espaço procurou saber se havia inclusão digital, depois de vários interlocutores noticiou-se que na biblioteca teriam computadores disponíveis e aí mais uma decepção o uso dos mesmos são para os alunos e não para a comunidade... Peraí então não é inclusão digital aplicada como se lêem em alguns cartazes... Também nenhuma lan house próxima, o único lugar que teria seria no maior símbolo capitalista já eregido, o Shopping Center, no caso o Shopping Barigui.

No ponto de ônibus vários bolsistas em derradeiras reclamações e lágrimas, havia uma menina que chorava inconsolável aos braços da mãe...

E achando uma lan elaborou uma demanda na página de contato do PROUNI... Como também enviou por e-mail, anexando as declarações... Só que na lan não tinha scanner para apresentar as registradas então só foram os exemplos pegos no site de normas e regras de declarantes abduzidos da internet que carregava no pen drive.

Uma experiência colossal frente a um homem comum com síndrome de Deus... Acho que deveria me candidatar a cursar psicologia talvez, mais uma vez...

Vejamos hoje se Deus estará lá sentado em sua cadeira de rodinhas para guiar a vida de alguns de seus pobres mortais!!!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Como que a retornar... Meu vôo!




Como a retornar senti as pernas correrem e perderem o chão, alucinado olhei e me distanciei entre ventos, nuvens floradas como algodão, algodão doce, me deu vontade de esticar os dedos e tragá-los aos bocados em bocadas infantis...

Do alto nivelado me perdi entre os veios da terra, num manto verde, marrons e cinzas, terra que onde plantando tudo dá, era pleno meio o dia de um azul celestial como as asas que me planavam além, seguindo ao lado do sol, meus olhos marejaram por tão sublime festa que em meu peito cortejava ao dar com os olhos neste cão de água, com esta veste de esmeralda agreste, dos marrons de terra tão rica com deleite de ser simplesmente assim...

Vez ou outra nas termas sacolejo e isso é como acenar com o dedo a quem lá embaixo também acena como eu já fiz um dia, e de lá só se vê o risco cortando o céu do desdobramento que marca; consigo presenciar o crime ambiental de queimadas ilegais, focos perdidos em longas esteiras de fumaça negro-acinzentadas que se espalham na esperança do encontro de todos e que se faça então ter um fim, mas o prejuízo vai além do dote de famosos nos meandros das poucas moças enclausuradas em quadrados riscados como um reizinho o fez de graveto, cola e papel machê sob o chão; adormeci como se fosse eu aquele menino versando desejos através da imensidão.

Distante do cerrado avistei os cogumelos gigantes das queimadas à esquerda de nossa asa, de nossa navegação aos ares dos deuses absolutos e reinados dos céus, que quase me seriam eles astronautas a esta distância que tenho da pele desta senhora chamada terra, distância de meus pés, trinta e nove mil pés a voz quebrou o silêncio dando boas vindas ao mar que fica acima de nós.

A moça sorria como alguém que gostava daquele andar apertado entre as poltronas servindo bolachas e sucos e água aos copos esticados e a dentes famintos do logo após da manhã, Juli Barcelos a comissária de bordo, que inveja feliz, foi sem dúvida um prazer ser servido com sorrisos durante as horas sob o sol e acima da terra, e tendo um sacerdote ao lado, viajamos assim, desenhando meu grupo de talentosos amigos, destino Teatro 04 de setembro, falando sobre comportamento jovem e a religiosidade e todos os percalços, e claro tirando uma casquinha de alguns deles: Marcelo, Carol, Giselle e Jenifer...

Lá embaixo o chão entre alguns rasgos de terra onde lhe montam os anos levados a frio, me dei conta da simulação da visão, já havia comparado, mas não assim, os sulcos da nossa pele, os pelos, as formidades e deformidades, o que gostamos e os nãos, isso é derradeiro como machucamos a pele desta gigante à qual nos servimos, mãe Terra.

Com o simplório de natureza, filha natural e que naturalmente reza por nós e guarda... Embebido em minhas lágrimas observei meus companheiros de viagem, as cabeças dormentes balançavam, uns agarrados à Bíblias em suspiros arrojados na procura de proteção, olhares temores agarrados aos braços dos bancos das linhas aéreas inteligentes... Outros fecharam os olhos insones à beira de um ataque de nervos, crispados em unhas e dentes cercados aos lábios... E outras doces criaturas voavam aproveitando o círculo de vida que seus caminhos ofereceram, dispunham de sorrisos à frente flertando com olhares a alegria desta altura vertiginosa que salpicava o céu com seus nichos de algodão, volta a vontade de esticar os meus dedos longos de minhas quatro décadas e experimentar destes flocos gigantes, saboreando-os como a estas balas que devoro sob o céu aos poucos limpando de uma Brasília há muito estado, há muito vivida, a quanto tempo atrás?!

Olhei-a com meu olhar de amante, me vi chegando há muitos anos em ônibus de frete militar, me vi ansioso pelos anos que ali ficaria a viver minha rebeldia de adolescente e jovem sem muita vivência para saber o que a vida me tinha ali a me dar!

Fiz ali amigos, aprendi e fiz, tive meus amores e meus temores, mas hoje estou de passagem nesta aragem que a vida cedeu...

Mais outra nave e subimos nas alturas a caminho de um caminho nos palcos de um espaço cheio de surpresas que seriam uma soma a esta pequena vida de ator itinerante levando a mensagem de que a vida continua lá fora em algum lugar entre o céu, a dimensão e o espaço, talvez dia desses conte mais sobre esta viagem amigos meus...

Queria ler mais uma vez a sua pele...

(23/01/2010)






Anda tão difícil de te ver

O que pode acontecer?!

Meu tratado com esse coração

Está perdido

Tão desiludido

Queria ficar

Queria ler mais em tuas páginas

Acordar em tuas cores

Para voltar a me alegrar

Mas esta noite estou só

Novamente só

E as paredes me sufocam

Seu retrato não me abraça

É apenas uma foto

A me fazer lembrar

E mais nada

Nada há pelo tudo que já foi

Que ao meu lado estava

E nesta madrugada

Até as sombras não me aparecem mais

Jamais

E nada me acontece

Meu tratado come este coração

Que chora

Sangra pela lembrança

De viver desta esperança...

Seja eu sua melodia e seu violão!

Seja eu sua melodia e seu violão!




Poetha Abilio Machado. (fevereiro2010).



Se nalgum momento pensar em você

Pensarei nas cores e nos aromas das flores

Aquelas que trouxe quando minhas lágrimas desciam

Quando em meu peito só havia rancores...



Se nalgum tempo pensar em você

Pensarei na chuva de goteira na lata

Aquela que incomoda, mas a nós adormece

Depois dos corpos suados e o corpo que esmorece



Se pensar na saudade que sinto

Meu pensamento viaja

Ignoro minha dor mesmo ausente

Entrego-me aos pedaços dos dias

Onde você estaria?



Não, não é mais que uma mentira

É a verdade que gorjeio sob a árvore velha

De um verde tão cansado quanto eu

Pela qual me deitei para chorar

Olhei uma velha foto sua hoje e meu coração sofreu...



Se pensar em sons que me tragam você

Me pega o corpo como se apanhasse o violão

E canta-me como uma nova melodia a cada dia

Com mesma droga nas veias, a euforia

Sinta minha pele como cordas em teus dedos

Dedilha, me aperta e me propaga ao céu

Em doses pequenas da essência

entregue aos poucos em suas mãos...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A impressão que fica... è que a dor não passa...

A impressão que fica... è que a dor não passa...




Dei- te as costas, não queria que visse minhas lágrimas descerem em cântaros, desciam em mim como farpas a tecer suas feridas em minha carne, e eu ali subjugado, à mercê de tua ira, tuas palavras me feriam e eu me encolhia ao canto de meu cérebro buscando um conforto ao meu tremor.

Devia sair, fugir, sei lá... Tornei-me um covarde em não desferir o mesmo golpe que me dava, iria embora e me deixava... Quando o rugido da chuva apanha nossos sonhos reverberam em relâmpagos atrozes meus versos.

A poesia não consegue rima, e os gemidos não são mais de prazer...

Se a morte é um doce a ser consumido devagar, minha morte vem em porções dantescas e ameaçadoras.

Os animais buscam suas próprias cavernas quando aponta o furacão, as aves saem desvalidas no delírio na ânsia de seus ninhos promissário de esperança... E a mim nada me sobra, nem as migalhas de pão de Maria, com o medo de se ver perdida na floresta da Granja...

Até ontem fui ignorante em minhas notas, o meu barco com um rasgo e tapado a cuspe e papel machê. Queria mesmo com rombo ignoto e roto desdobrar as grandes vagas que vinham em minha direção, distorcida de um dia que se tornara velho como a sola do meu primeiro calçado, aquele conga azul marinho, horrível de usar de andar, mas que era a forma de se ir à escola e à Igreja... Que deixei de ir... Desde quando foi?!

Até ontem pretendia reanimar cadáveres apodrecidos nas suas novidades.

Agi contra minha natureza quase zen e fiquei assim mesmo zen fazer nada ante as pedradas recebidas de teus lábios e olhares carregados de um ódio que custei a admitir...

Amei sim, amei você com muita força, por isso te decepcionei. Amei você como uma criança, e criança são egoístas com os seus pertences... Tentei até mesmo tomar algumas de suas culpas e suas dores sobre os meus ombros, mas elas se julgavam por si e a mim nada restava a não ser ruminar um pobre de mim... Infeliz que sou... Demorei a descobrir que não era pertença, era uma necessidade inigualável de ter você de mãos dadas, mesmo que fosse apenas escondido durante a noite, no friozinho da madrugada, deitado assim tipo conchinha. Sentindo sua forma a encostar-se a mim com vida.

A neve de minha lembrança derretia ao sol que desposava a manhã que você desaparecia...

Quando volta, quando vem?!

Pobre de mim, a indecisão e a insegurança me dói...

Os nossos momentos guardados ressurgem de seu túmulo, quis te dar de comer de minha carne, mas a fome que possuía era tão mesquinha, tão... Insoça... Tão sua que me esquecia...

Mesmo assim eu me escondo para que não veja que derramo lágrimas por tua partida... Sei que mesmo passando todo este tempo enganado a sua ausência será uma presença constante...

Embruteci sob os calos da lavoura de teus dias sem sóis, em trovoadas incompreensíveis, em deméritos de minha escala sem visão e sem progresso num processo áspero e espinhos fincados em meu coração.

Procurei tirar-te da caverna escura e solitária e oferecer-te o mundo em incontável saber na metafísica das formas e das leis, mas tuas correntes mundanas te prendem às falsidades e deturpações, nega a existência da luz e do amor pelos sentidos do segundo

Agora se aconchega mais uma vez sobre minhas costas, sinto seu peito, seus lábios na minha nuca, sua mão a agarrar minha virilha sinto sua nudez pulsar encostada entre em minhas nádegas... Meu medo é entregar-me, voltar-me a você e me mostrar, mostrar quanto sou seu, mesmo sabendo que se me possuir agora, aqui no chão desta sala, até mesmo na mesa da cozinha, irá me deixar, irá e me deixará angustiado e só... Sinto sua mordida no alto de meu ombro, ela é leve mas crava fundo a marca da alma, meus sonhos reaparecem e meu medo é maior com o tremor de meus joelhos e o suor de as respiração...

Vai então, saia para que minha face seque, adeus! Com sabor de beijo não dado, em amizade não começada, em pré-amor, pré-acabado.

Siga então sua vida e eu seguirei minha dor... Pensando em teu corpo colado ao meu nas noites que me fará tanta falta... Escreverei talvez mais uma canção e você a ouvirá tocar no rádio e nem saberá que pertence também a você, por que foi de tua fuga e de meus delírios que o som acorda e profana a outros corações...

Tentarei acertar meus erros, tentarei amar no meio do mar mesmo sem te achar perambulando pela rua, com seus olhos formidáveis, com suas mãos longas e este teu corpo tão juvenil...

Viver, enlouquecer... Sei lá, mas tudo bem...

Minhas lágrimas professam o sangue enquanto o portão da frente bate o ferrolho, nem olho é você indo embora mais uma vez...

Seja feliz... E eu nem sei...

Você quem me deu a conhecer um pouco mais de mim, que me fez eu me encontrar, em me saber diferente do que sempre fui...

Um ser tão homem forte e capaz, e um ser tão frágil, tão entregue e tão mulher...

Não posso acreditar que esse amor existia em mim e que amor é sofrer demais...

E tudo isso foi bom, até as lágrimas que me traem quando te vejo nas sombras das ruas ou na calçada tão tarde, tão só quanto eu...

Adeus!

Este SETE de setembro... É setembro! Sete eim brow!


Este SETE de setembro... É setembro! Sete eim brow!




Note-se que este dito sete se repete no nome do mês que é o nono do calendário, temos aí uma formação mística variada: a magia e o popular.

Iniciando o processo de preparação para o verão, com o sol fulgurante nas místicas manhãs, como transformando as pessoas para uma introspecção, um breve estudo de si mesmo para as datas comemorativas que se aproximam...

Outubro, novembro e dezembro.

O alto poder da transmutação. Pelo zodíaco traz a mixagem das personalidades.

Os sentimentos, assimila as cores tênues, trabalhando o instinto natural de cada um, transborda o alegre e o triste, o amor e a desilusão, o melancólico ou o eufórico, um enfoque clássico no velho adágio de ou ‘é oito ou oitenta’...

Registrados nas decisões, nas artes, na poesia, na história e claro nas lembranças.

Temos um dia á margem do Ipiranga, um alto moço, de barbas desalinhadas, indumentária de quase rei, um brado comercial alavancado pela perda de divisas ao Império, um brado que acham na descrição poética um ato heróico e que ficou retumbante... A Independência ou Morte...

A Independência do Brasil ou endividamento eterno... Mas buscamos dentro deste contexto da história diária a independência adormecida, assim o peito estufado que mobilizou vários fazendeiros e comerciantes da época, tornou-se mirrado pela falta de patriotismo que nos impele aos dias de hoje...

Se este dia de grito fosse hoje, onde esconderiam as moedas que na época eram feitas em ouro e prata?!

Cairiam as ceroulas, acreditam alguns que até em preservativos animalescos estariam entrouxados os víveres trocados. Se para alguns é a cueca e meias ou bolsas de grife da 25 de março... No passado se vivessem seriam escondidos em que? Valha-me Deus a imaginação... De onde vêem este povo que só pensam em negociatas e levar seu quinhão não se importando com a razão, com a saúde, com a construção e com o bem?! Batem no peito sob os dogmas da religião, professam mentiras como se elas os livrassem de todo mal que causam ao seu bairro, à sua cidade e à sua Nação... Não despertam ouvindo os gemidos dos desamparados que esperam atendimento, um medicamento, uma casa ou um pedaço de pão...

Primeiro cortaram a aulas de Moral e Cívica, ou OSPB e os jovens caíram na falta de respeito a si mesmos e ao descaso... Logo depois tiraram a religiosidade sob falsos delírios de que uma seita estava tendo vantagem sobre a outra resultado: todas a igrejas perderam suas crianças e seus jovens. Vimos pasmados a violência, o desrespeito, o vício e o anti poder deflagrar o caos como nova ordem social... E isso nos faz seres desesperados com os gritos nas ruas à noite de tubões às mãos... São filhos a maltratarem seus pais, a violentarem aos idosos a entrarem em casas para roubar o mais sagrado de nós, nosso lar... E saber que isso poderia ter sido diferente quando os diferentes eram iguais... Mais que na hora de retomar o caminho que era árduo, mas não era tão perigoso como hoje é.

Meu sentimento é bem antigo, sou até conservador demais, é difícil explicar o bater do coração quando vejo tremular a Bandeira de geométricos simples e tão simbolicamente inclusos pelos maçons e até as cores são de singeleza e clássica magia: amarela, azul, verde e branca. As estrelas e a composição da Republica Federativa do Brasil. Minha Pátria, Minha Terra, Minha Raiz... Mesmo que seus 99% tenham sua ascendência em imigrações legais ou não, no voluntariado ou na escravidão, forma-se uma legião de cidadões ímpares: os Brasileiros.

E neste sete de setembro vaguei em vão. Busquei um local que sentisse o clima do dia, com um campo de visão e muita palma... O meio arranjado teve o atrazo esperado e teve aquele início insoço, sem glamour ao que nas forças chamam de ‘Parada Militar’, que nos tempos de praça já discordava... Pois ficam naquela de apenas mostrar seu poderio bélico, uma vistoria do que há, do que trabalha e do que talvez seja capaz.

Claro que também serve para avaliar se as verbas estão sendo usadas e a importância de algumas figuras presentes se apresentarem à sociedade civil, e na amostragem dizer a todos o que têem, o que falta, o que precisam em manutenção e reparos. Pois a esta sociedade é quem cabe decidir, saber, avaliar e por que não ajudar e fazer!

Na cidade o desfile foi empobrecido, em momentos fugi ao passado, onde as escolas, empresas e entidades preparavam carros alegóricos sob tema imposto pela administração havia uma movimentação, uma reunião, elaboração de tudo e participação de funcionários e alunos... Cheguei a ouvir os ensaios da fanfarra, que saíamos pelas ruas da cidade durante um mês e mais 1/2 para colocarmos a escola em cadência febril sob as lamentações dos estudantes que já iniciavam uma carreira de contraventores sem causa... Era de uma efusão estonteante ver mães tietes querendo que seus filhos acertassem os compassos, como se estes fossem os passos da vida... E sem saberem era!

Queria era não como agora com apenas uma turma representando a escola, e sim todos, escola unida jamais será vencida e a Moral e Cívica sendo praticada como conceito e aprendizado da Moral e da Ética.

Agora vemos um narrador aproveitar o desfile para fazer alusões a obras que ainda dormem em gavetas, vemos apresentadores de um marketing duvidoso polarizar a indução da conduta estética de seu contratante... E o povo chora os seus...

Crianças alegres perguntam por isto ou aquilo que o pai prometeu e não está ali, e de ombros geralmente a resposta não sai...

Lembrei que quando pequenos, claro que era um saco acordar cedo e enfrentar uma demora interminável para a vez de entrar pela Avenida do Centenário, mas quando entrava o coração batia forte, os passos em frente ao palanque eram de uma vontade que doía... Chegávamos à vila e saíamos á procura de latas de leite, azeite e tinta para tentarmos infernizar a vizinhança montando a nossa própria fanfarra, a dos guris da Vila Silka que quanto mais barulho mais adeptos surgiam...

Se estão lendo essas palavras com certeza lembram, e se lembram daqui a pouco o telefone toca e vamos nos falar sobre tudo isso e muito mais, saudades de momentos que apenas quem viveu o tempo traz.

Neste dia parabéns a aqueles que se dispuseram a participar, acredito que gostariam de estar assistindo, ali no bloco das palmas, mas o orgulho e a curiosidade, os lábios das mães mexendo escondidos: direita, esquerda...

E na cabeça das autoridades o que se passa? Seria este o exemplo ou um tempo perdido, conversei rapidamente com dois: Um disse eufórico que tudo estava perfeito e que deve com certeza fomentar para que no próximo ano seja melhorado ainda mais. O outro foi direto sobre a saudade do passado, da falta de carros alegóricos, de participação mais maciça, um envolvimento mais claro e menos propaganda administrativa e mais Moral, Ética, Civismo e Cidadania.

Quem sabe criar um prêmio comemorativo para incentivar que haja mais participatividade e que se trabalhe o civismo como prova de nacionalidade, patriotismo e que se perpetue o amor ao País, vemos nossos filhos sendo avaliados sem a raiz da Terra, sem a pertença, os induzem a pensar que até a dança indígena que era nativa dos primeiros povos daqui não pertencem a eles e sim que vieram de lá, do velho mundo... Querem que acreditemos que nada é nosso, que devemos tudo ao outro lado do Atlântico...

Imaginei cada área representada, cada entidade, cada secretaria, cada escola, cada empresa, cada associação, cada núcleo de trabalho se não for dentro do dia SETE que seja no dia de aniversário da cidade, no dia da emancipação, da padroeira, sei lá... Mas que neste dia o que é da cidade seja mostrado e não só o que a administração pública está com vontade de se divulgar... Mas com alegorias, exposições, bandas, música, arte, vida, esporte, prazer e vontade em ser.

Uma cidade se mobilizando para o bem de todos, criando um vínculo consigo, com sua família, com a identidade de sua raiz, sabendo o que é, sabe de onde veio e para onde vai!

E afinal seria gostoso ensinar o vizinho a cantar nas manhãs de setembro... Nas manhãs de Setembro, sete ehim brow...?!

Simplicidade do ser

Simplicidade do ser




Ser simples e simplificar o tudo

É desejar todas as manhãs sem complicações

É intercalar-se ao sol que surge

Na boca entoar o canto

O canto de todas as nações

Respirar a essência

De flores ou de mato depois da chuva

Sentir-se pleno e sendo uno à própria natureza...

Ser simples é simplificar o nada

É acreditar que no feio o belo é mais visível

Ter uma nota pronta para oferecer um assovio à lua

Tecer um tapete de estrelas

Para que a noite seja bom dia

Para um bom dia dentro da calada da noite

Para a vida lhe responder com aceitação e mansidão

Como ela é, livre, rasa e pura

Viver um passo de cada vez

Subir um degrau de cada vez

Abrir uma porta de cada vez

Ser simples é simplificar o simplificável

É ser você como deve ser

Não como esperam que você seja

Viva sem máscaras

Os medos que interferem em nossas noites

São implantados por uma sociedade hipócrita

Preconceitos materializados do eu sem você...

Ser simples é apenas se permitir viver!

O Cumulo Do Desarranjo Governamental e Algumas Entidades...

O Cumulo Do Desarranjo Governamental e Algumas Entidades...




Vivemos na era da impiedosa incompatibilidade de consciência verso solução ao futuro.

Pessoas são colocadas em posições e ficam perdidas em suas funções sem saber se o agrado vai ao santo ou ao demônio.

Hoje vi pasmado num veículo de comunicação, um jornal impresso duas posições contraditórias...

Num lado a demonstração do árduo trabalho do PROERD e o trabalho dispendido na semana de prevenção às drogas e à violência. Falava-se do tempo despendido à manter as crianças longe das drogas, nas formações de palestras aos pais e entidades, sobre o mau que corroe a sociedade pervertida e entregue ao uso e abuso de entorpecentes. Do elevado custo em manter o indivíduo com acompanhamento em CAPS. ou admiti-los em internamentos nas variadas entidades que se dedicam a este difícil processo de libertação.

E na outra página em manchete enorme garrafais letras informavam-se que o município ofereceu uma área de terreno para que se pratique a vinicultura direcionada à elaboração de bons vinhos, que visto a demanda da única envazadora da cidade e os prospectos de crescimento seria o caminho a esta empresa familiar...

Mas e aí... Pergunta está engasgada: __e a prevenção da página ao lado?

Não é uma contradição, um desarranjo pessoal ou de departamentos do município em gastar para manter e atender aos que precisam em reabilitação e ou recolocação de indivíduos dependentes químicos no seio social e na volta de sua produtividade pessoal, familiar e trabalho... E ao mesmo tempo incentivar e fomentar a fabricação de uma bebida alcoólica?! A resposta dada que se é devido por causa da geração de renda... Mas será que foi feito um balanço, um vai suprir o estrago a outro?!

Sabendo o mal que o álcool causa no seio familiar e social podem até me chamar de radical, mas nenhum benefício vem através da causa de um propósito que visa ludibriar os sentidos do espírito, o álcool como qualquer outra droga só é aceito por ser sociável, mesmo que os maiores crimes tenham sido cometidos por seus usuários não foi banido e ou proibido por se ainda estar preso à errata de que sobre ele existe controle, mas na hora do homicídio ou do atropelamento aí o mesmo advogado diz que o indivíduo não tinha em si o domínio por que estava sob o efeito alcoólico...

E então: Serviremos ao santo ou ao demônio...

E desculpa aí mais não existe consciência em dizer que se bebe socialmente... Existe inconseqüência e tão ou pior criminoso é aquele que incentiva ou autoriza só para receber impostos e outros dividendos, chegando ao cúmulo de um comentário em determinada seção me confidenciarem:

__ Mas veja este ano conseguimos dois litros para presentear os funcionários da secretaria e tudo sem custo algum...

E este é o mesmo secretário que lhe dará a conta se dia desses você aparecer por lá cheirando a cálice de vinho ou outra bebida qualquer...

E uma entidade famosa realizou a venda de uma feijoada para ajudar a uma Associação que cuida exclusivamente de dependentes químicos e pasmem o que está escrito no cartaz que tenho ainda guardado:

Venha colaborar com a Assoc... Neste domingo feijoada completa, serviremos a partir das 11 horas, acompanha arroz, couve com bacon, laranjas já descascadas, vinagrete e de brinde acompanha a nossa famosa caipirinha...

E o que dizer?!

E tenho dito!

Como que a retornar...Meu vôo!

Como que a retornar... Meu vôo!




Como a retornar senti as pernas correrem e perderem o chão, alucinado olhei e me distanciei entre ventos, nuvens floradas como algodão, algodão doce, me deu vontade de esticar os dedos e tragá-los aos bocados em bocadas infantis...

Do alto nivelado me perdi entre os veios da terra, num manto verde, marrons e cinzas, terra que onde plantando tudo dá, era pleno meio o dia de um azul celestial como as asas que me planavam além, seguindo ao lado do sol, meus olhos marejaram por tão sublime festa que em meu peito cortejava ao dar com os olhos neste cão de água, com esta veste de esmeralda agreste, dos marrons de terra tão rica com deleite de ser simplesmente assim...

Vez ou outra nas termas sacolejo e isso é como acenar com o dedo a quem lá embaixo também acena como eu já fiz um dia, e de lá só se vê o risco cortando o céu do desdobramento que marca; consigo presenciar o crime ambiental de queimadas ilegais, focos perdidos em longas esteiras de fumaça negro-acinzentadas que se espalham na esperança do encontro de todos e que se faça então ter um fim, mas o prejuízo vai além do dote de famosos nos meandros das poucas moças enclausuradas em quadrados riscados como um reizinho o fez de graveto, cola e papel machê sob o chão; adormeci como se fosse eu aquele menino versando desejos através da imensidão.

Distante do cerrado avistei os cogumelos gigantes das queimadas à esquerda de nossa asa, de nossa navegação aos ares dos deuses absolutos e reinados dos céus, que quase me seriam eles astronautas a esta distância que tenho da pele desta senhora chamada terra, distância de meus pés, trinta e nove mil pés a voz quebrou o silêncio dando boas vindas ao mar que fica acima de nós.

A moça sorria como alguém que gostava daquele andar apertado entre as poltronas servindo bolachas e sucos e água aos copos esticados e a dentes famintos do logo após da manhã, Juli Barcelos a comissária de bordo, que inveja feliz, foi sem dúvida um prazer ser servido com sorrisos durante as horas sob o sol e acima da terra, e tendo um sacerdote ao lado, viajamos assim, desenhando meu grupo de talentosos amigos, destino Teatro 04 de setembro, falando sobre comportamento jovem e a religiosidade e todos os percalços, e claro tirando uma casquinha de alguns deles: Marcelo, Carol, Giselle e Jenifer...

Lá embaixo o chão entre alguns rasgos de terra onde lhe montam os anos levados a frio, me dei conta da simulação da visão, já havia comparado, mas não assim, os sulcos da nossa pele, os pelos, as formidades e deformidades, o que gostamos e os nãos, isso é derradeiro como machucamos a pele desta gigante à qual nos servimos, mãe Terra.

Com o simplório de natureza, filha natural e que naturalmente reza por nós e guarda... Embebido em minhas lágrimas observei meus companheiros de viagem, as cabeças dormentes balançavam, uns agarrados à Bíblias em suspiros arrojados na procura de proteção, olhares temores agarrados aos braços dos bancos das linhas aéreas inteligentes... Outros fecharam os olhos insones à beira de um ataque de nervos, crispados em unhas e dentes cercados aos lábios... E outras doces criaturas voavam aproveitando o círculo de vida que seus caminhos ofereceram, dispunham de sorrisos à frente flertando com olhares a alegria desta altura vertiginosa que salpicava o céu com seus nichos de algodão, volta a vontade de esticar os meus dedos longos de minhas quatro décadas e experimentar destes flocos gigantes, saboreando-os como a estas balas que devoro sob o céu aos poucos limpando de uma Brasília há muito estado, há muito vivida, a quanto tempo atrás?!

Olhei-a com meu olhar de amante, me vi chegando há muitos anos em ônibus de frete militar, me vi ansioso pelos anos que ali ficaria a viver minha rebeldia de adolescente e jovem sem muita vivência para saber o que a vida me tinha ali a me dar!

Fiz ali amigos, aprendi e fiz, tive meus amores e meus temores, mas hoje estou de passagem nesta aragem que a vida cedeu...

Mais outra nave e subimos nas alturas a caminho de um caminho nos palcos de um espaço cheio de surpresas que seriam uma soma a esta pequena vida de ator itinerante levando a mensagem de que a vida continua lá fora em algum lugar entre o céu, a dimensão e o espaço, talvez dia desses conte mais sobre esta viagem amigos meus...

Amor... Verdadeiro...

Amor... Verdadeiro...






É um nascer, um morrer,

Este mostrado em livro sagrado

E ainda assim nos mantemos perdidos

Abandonados

Fechamo-nos.

No tudo e em todos.



Dia a dia, vivendo sob a música de Maria.

Amar é sempre bom

O simples fato de sentir

Amor verdadeiro

Está em mim

Está com você!



O choro que escorre pelos dedos

O lamurio das contendas

Meu coração é teu

Minha vida é tua...



Eu... Olho aos lados

A voz que me chega

O sacerdote fala em perdão, em entregar-se

Fazer o bem. Fazer como o Cristo fez

Oferecer-se...



Mas como é difícil?!

Ele perdoou e eu não consigo

Nem mesmo entender...

A Estrada de nossos dias.


A Estrada de nossos dias.






Existe um grito dentro do peito de cada ser, uma história triste a ser contada, a ser expulsa, um desabafo ou um passado que cada um anseia por não surgir ou que desapareça sem dar suas caras...

Há farpas em nosso coração, ranhuras que viram feridas e que depois em feridas vez ou outra perdem a casca e nos ferem novamente, doem as infames...

Ninguém entende ou se estende.

Como elas conseguem ser tão profundas que não aparecerem aos outros?

Nenhuma pessoa consegue ver a dor que vai ao coração de outra... Realmente este coração é um lugarzinho desconhecido...

Quando estamos em dor qualquer espoleta disparada nos dá vazão às lágrimas, a música que traz uma carga de lembranças, uma palavra que parecida nos inflama. As mulheres conseguem jorrar suas lágrimas com mais facilidade, mas os homens, pobres machões inconseqüentes lutam contra essas memórias, tentam reinventar a história, querem no íntimo esquecer a dor, livrar-se da raiva, da vergonha, do desejo, da vontade ou da saudade... Como esquecê-las?!

Cada ser sabe que nada fará superar cicatrizes tão arraizadas, um assunto inacabado lá dentro que cria deformações, fazendo-os viver a cada dia um processo depressivo, como se aquilo lhe fosse um peso que já está sobre seu ombro ao sentar-se na cama pelas manhãs insones.

Cada ser, homem ou mulher tem suas dores, sofrimentos, frustrações, desapontamentos, desprezo, humilhação, solidão, traição, um emaranhado de sentimentos de escarneos que aos poucos criam labirintos difíceis de lidar, de discutir consigo mesmo. É uma luta constante tentando manter uma aparência que não condiz com a realidade.

É uma longa estrada, que em alguns pontos tem problemas de estrutura, um deslizamento, alguns buracos, algumas crateras, alguns empoçamentos, cria-se em nossa vida esta direção imposta de que precisamos da dor para purificação, um rito plantado à nossa mente. E nesta estrada constantemente caímos, esfolamos mãos e joelhos, torcemos membros, quebramos ossos...

A semente nos colocada diz que ao chegarmos ao ponto final deste caminho estaremos diferentes, mais fortes, mais conscientes. Como se toda esta dor servisse apenas como um filtro à nossa evolução. Chegarmos semimortos, deformados, mas seremos puros... É?!

Seria na verdade necessário a surra para uma mudança, ou todos pagam por alguns... Todos sofrem por que uns poucos precisam ser avaliados ou restaurados em sua forma perfeita e espiritual?!

Cada ser tem um objetivo de felicidade que é a busca de sua satisfação, só é infeliz quem não se satisfaz, usar do discernimento, da observação na busca, nesta formulação e soma de figuras que permeiam e que fixam em nós suas dogmalidades e suas auto punições para que nós sejamos ou iguais ou mais infelizes numa batalha utópica onde querem substituir a educação cultural do povo por frutos contraditórios que por um ser superior deve-se mutilar ou fatalizar a seu igual.

Quem te disse belo e acima da perfeição?! Senão a mente promiscua de quem te elegeu assim e como gado obedeceu...

Cada ser deve seguir sua estrada sem prestar atenção na estrada do outro, quanto mais inteligente, forte, audaz e sábio for à sua própria construção melhor vai ser a estrutura e o contorno entre os montes e serras de seu caminho e também mais rapidamente atravessará seus dilemas e menos ferirá suas entranhas.

Alguns resolver aniquilar-se, param na beira da estrada, ou vagam em estradas secundárias. Caminham em passos falseantes, indecisos.

E... Assim é a vida, vencer ou perder.

Se não podemos evitar os ferimentos pelo caminho pelo menos vamos levar deles algumas lições, analisemos cada arranhão e vejamos se fomos feridos ou nos colocamos em risco para tal.

Todo conforto, toda posse, tudo o que bom custa muito, são sacrifícios que cobram um valor e temos que estar preparados a pagar o preço.

Mas acreditar que sofrendo, que sentando à margem do rio piedra e misturando nossas lágrimas à água teremos resposta estaremos nos enganando, só nos servirá para aliviar a pressão e nada mais.

Mas sim teremos que hora ou outra levantarmos a bunda da pedra, teremos que sacudir a poeira e darmos a volta por cima. Por que futuro só o tem caminhando e a estrada é longa, com feridas, sangue, sorrisos, aplausos ou lagrimas.

Temos um objetivo: Chegar lá...

E que este lá seja o seu melhor!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

juventude perdida

juventude perdida

                                        por     Abilio Machado


A juventude perdida

em seus vícios tão pequenos

tem alegria ou sofrimento

Maravilha ou lamento...

Simples meninos...



É o mundo, é um novo tempo,

é um segundo em novas horas.



Os jovens não são mais fortes, cheios de saúde e sorte.

Entregam-se às drogas como novo consorte...



A humanidade vira terceira idade,

Querendo dazer as coisas da mocidade

E cresce pelo descuido o vírus da morte

Até eles se perdem querendo se orientar,

os jovens que não entendem.

Os velhos se acham os donos do tudo

Sofrendo vão todos e dizendo:

... No novo tempo,

apesar dos castigos não estão correndo perigo,

estamos perdidos aciam de tudo:__ Fodidos!



Muitas coisas não os assustam,

nem a noite e nem a força bruta,

Mas estamos todos em luta,

nada demais, nem todos os jovens

e tampouco os idosos são iguais...



Alguns não fazem nada,

outros bebem cachaça,

uns se acham no bom caminho e se aplaudem,

outros apenas fumam e se afundam,

uns são classe alta, outros média ou da baixa,

outros não levam desaforos pra casa,

uns jovens se vingam aos poucos,

outros são desajustados

uns se comportam educados

outros são caça como porcos...



uns não carregam culpa,

outros brigam na rua,

uns são filhos da mãe

e outros da p...perua!



uns vivem em festa,

outros estão abraçados com a besta

uns curtem drogas,

outros se afogam em tubões,

uns ligam o som alto do carro

tremendos bobalhões...



uns só andam com arma,

outros revolver ou faca,



uns usam cadernos

outros com bíblia sagrada.

Uns acham que vão ao céu

Outros poetas eternos...



São centenas de gangues, juvenis

espalhadas pelos brasis;

divididos em praças

ruelas e malocas

deixando de lado os sonhos

as roupas e as graças

quando chove no morro e acaba a favela...

São lágrimas que descem

São vidas em foco e ninguém vê

Apenas quando a tragédia explode

É que o dureza do jovem e pobre passa na TV...



Uns jovens afirmam que lhes faltam carinho

vivem assustados como qualquer menino.

Uns culpam a ninguém,

Outros ao mundo

Uns gostam de turmas se sentindo mais homem

Outros gostam de andar sozinhos,

Na vidinha apenas passam ou somem...



Mas este é o recado do destino:

__Eu sou o que sou,

Pois esta vida é um deboche

O resto é questão de liberdade

e desatino!

juventude perdida

juventude perdida






A juventude perdida

em seus vícios tão pequenos

tem alegria ou sofrimento

Maravilha ou lamento...

Simples meninos...



É o mundo, é um novo tempo,

é um segundo em novas horas.



Os jovens não são mais fortes, cheios de saúde e sorte.

Entregam-se às drogas como novo consorte...



A humanidade vira terceira idade,

Querendo dazer as coisas da mocidade

E cresce pelo descuido o vírus da morte

Até eles se perdem querendo se orientar,

os jovens que não entendem.

Os velhos se acham os donos do tudo

Sofrendo vão todos e dizendo:

... No novo tempo,

apesar dos castigos não estão correndo perigo,

estamos perdidos aciam de tudo:__ Fodidos!



Muitas coisas não os assustam,

nem a noite e nem a força bruta,

Mas estamos todos em luta,

nada demais, nem todos os jovens

e tampouco os idosos são iguais...



Alguns não fazem nada,

outros bebem cachaça,

uns se acham no bom caminho e se aplaudem,

outros apenas fumam e se afundam,

uns são classe alta, outros média ou da baixa,

outros não levam desaforos pra casa,

uns jovens se vingam aos poucos,

outros são desajustados

uns se comportam educados

outros são caça como porcos...



uns não carregam culpa,

outros brigam na rua,

uns são filhos da mãe

e outros da p...perua!



uns vivem em festa,

outros estão abraçados com a besta

uns curtem drogas,

outros se afogam em tubões,

uns ligam o som alto do carro

tremendos bobalhões...



uns só andam com arma,

outros revolver ou faca,



uns usam cadernos

outros com bíblia sagrada.

Uns acham que vão ao céu

Outros poetas eternos...



São centenas de gangues, juvenis

espalhadas pelos brasis;

divididos em praças

ruelas e malocas

deixando de lado os sonhos

as roupas e as graças

quando chove no morro e acaba a favela...

São lágrimas que descem

São vidas em foco e ninguém vê

Apenas quando a tragédia explode

É que o dureza do jovem e pobre passa na TV...



Uns jovens afirmam que lhes faltam carinho

vivem assustados como qualquer menino.

Uns culpam a ninguém,

Outros ao mundo

Uns gostam de turmas se sentindo mais homem

Outros gostam de andar sozinhos,

Na vidinha apenas passam ou somem...



Mas este é o recado do destino:

__Eu sou o que sou,

Pois esta vida é um deboche

O resto é questão de liberdade

e desatino!

Selvagem na luz

SELVAGEM NA LUZ




Poet ha, Abilio Machado. 011108.



Selvagem da lua foge pelo fogo dos olhos

De algum lugar a memória caminha

Acalenta uma criança, resmunguenta

Com cantigas de ninar

Palavras que falam

De amores idos

De aventuras de seu próprio tempo

Quando criança voraz

Do princípio do novo dia

Nova aurora com o novo luar!

O semblante do velho

Caminheiro, vagueante

Carregando sobre si um mundo

Faz do pequeno cúmplice

Parceria d’uma vida

De um tudo quase nada

E de um nada quase tudo...

O céu lhe atrai o espírito

O céu não lhe condena do alto

Seu ato abandonado

É como a falta da chuva

Uma comédia mal vista

Um jogo sob a luz

Tênue a lua que se compraz

Ao velho arcado

Com o neto aos braços

A contar o passado

Mãos trêmulas

Voz rouca

E uma lágrima a cair

Aos lábios...

Uma vida respirada

Uma que se vai em último suspiro

Um bebê fica ao choro

E uma alma ao céu que vai...

Selvagem na luz

SELVAGEM NA LUZ




Poet ha, Abilio Machado. 011108.



Selvagem da lua foge pelo fogo dos olhos

De algum lugar a memória caminha

Acalenta uma criança, resmunguenta

Com cantigas de ninar

Palavras que falam

De amores idos

De aventuras de seu próprio tempo

Quando criança voraz

Do princípio do novo dia

Nova aurora com o novo luar!

O semblante do velho

Caminheiro, vagueante

Carregando sobre si um mundo

Faz do pequeno cúmplice

Parceria d’uma vida

De um tudo quase nada

E de um nada quase tudo...

O céu lhe atrai o espírito

O céu não lhe condena do alto

Seu ato abandonado

É como a falta da chuva

Uma comédia mal vista

Um jogo sob a luz

Tênue a lua que se compraz

Ao velho arcado

Com o neto aos braços

A contar o passado

Mãos trêmulas

Voz rouca

E uma lágrima a cair

Aos lábios...

Uma vida respirada

Uma que se vai em último suspiro

Um bebê fica ao choro

E uma alma ao céu que vai...

Pérolas

Pérolas...




Viver em prantos

Correr atrás de tudo

Voltar aos calabouços

Esconder-se aos cantos...



Fugir de tudo

Avançar no escuro

Despencar no abismo

Profundo __ do mundo!



Levantar as mãos

Gritar das entranhas

Tremer, cansar

Esmorecer nessa tormenta.



Brota a vida

Na chuva que incendeia

Na alma que luta

Persistência em permanência...



Os cães soltos

Enrustidos de ovelhas

Nas caças sangrentas

As palavras apascentam...



Fogo

Jogo feroz

De mordidas e cuspe

A avareza que não... Não!



Pérolas jogadas

Perdidas aos olhos

Pérolas que não darei...

A quem?

A quem?

Pérolas

Pérolas...




Viver em prantos

Correr atrás de tudo

Voltar aos calabouços

Esconder-se aos cantos...



Fugir de tudo

Avançar no escuro

Despencar no abismo

Profundo __ do mundo!



Levantar as mãos

Gritar das entranhas

Tremer, cansar

Esmorecer nessa tormenta.



Brota a vida

Na chuva que incendeia

Na alma que luta

Persistência em permanência...



Os cães soltos

Enrustidos de ovelhas

Nas caças sangrentas

As palavras apascentam...



Fogo

Jogo feroz

De mordidas e cuspe

A avareza que não... Não!



Pérolas jogadas

Perdidas aos olhos

Pérolas que não darei...

A quem?

A quem?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Por que morrem as flores?!

POR QUE MORREM AS FLORES?!






...Um grande jardim, com buquês espalhados que aos poucos serão retirados entre os blackouts que ocorrerem e mudanças de luz...

...Ele entra amparado pela bengala, arcado, tem um chapéu na cabeça que ele ajeita um vento é sentido, traja um velho paletó e o texto que segue acontece em off, sob uma forte chuva, é o que se ouve: vento, chuva e a narração:





Narração voz do velho:



Tristes pétalas...



__Você partiu... Onde foi... Alguém viu?!

O nosso amor está guardado

Entre as páginas no livro do passado,

eu encontrei nesta noite insone

uma flor amarelada,

símbolo de uma esperança que se guarda,

guardada com carinho no peito antes que se finda,

com um pedaço de vida extinta.

É a flor seca das emoções,

é o cadáver de um sonho mergulhado,

no cemitério das recordações,

... Tristes pétalas...

Como resto de uma juventude que não mais me resta

e ainda dispersa nas lágrimas muita saudade...





... Ele em dado momento senta-se na cadeira pré marcada da frente do pequeno bar, outras mesas ali também estão, passar a visão de um velho bar (imaginei o velho bar do Titio ou até mesmo fazer a apresentação nele) Aos poucos ele retira do bolso um pequeno livro e dele a carta, a foto e as pétalas...



Velho:

__Pareço ver, é assombroso saber que algumas mentiras carregam grandes verdades, que o medo que gela a Alma é o mesmo que causa pane ao coração nele aprisionado.



... Ao canto uma jovem surge sob o bean-bean, suas vestes de colegial, tem cadernos à mão e olha o velho com curiosidade...



Moça:

__O escuro dos cantos desta opressão, as paredes deste quarto pequeno de pinturas mistas que o dividem como a mim mesma divide, paredes que me enjaulam no ego inflado sob o abajur de cúpula fosca e encardida e de luz amarela...



...sob outra luz u rapaz está encolhido, suas vestes de menino, mantém uma arma de brinquedo na mão...



Rapaz:

___ A calma errada me expulsa, a terra foi feita para mim e para você disse a professora hoje em sala de aula, e este momento eu olhei para a minha Eva que tanto tenho sonhado e acordado úmido em minha roupa de dormir que tenho de me trocar para que ninguém perceba ou veja, queria ser eu e ela neste pedaço de paraíso... Ai meu Deus é ela que chega...



Moça:

__É você... Você senta na fila do canto... Mora aqui perto?



Rapaz:

___Ali ó... Pertinho...



Moça:

__Não sabe como me deixa tranqüila, poderemos fazer trabalhos juntos... Eu não gosto de ir muito longe de casa, sabia?



Rapaz:

__Mesmo?



Moça:

__É... Até amanhã...



Rapaz:

__Até... (a luz sobre ela apaga e ele fica só) Uau! Será que este pedaço de paraíso servirá a nós dois? E depois a escuridão veio, algo aconteceu, profundo, senti queimar em mim. Perguntei o que seria, mas era uma necessidade de tê-la, uma falta entende?!



Velho:

__ A solidão me pegava à força. A amargura começou a me atormentar, não conseguia dormir aqueles dias... Parecia ter sua presença em todos os lugares, adorava e sentia medo...



Rapaz:

__Por que me atormenta? Parece fantasma que me laça em seus feitiços de menina mulher, que dias, que noites... Meus lábios querem se deixar acolher em seus braços, minha insegurança é causada pelo vazio que você faz em mim, nem estudo direito, nem me concentro mais... Hoje apanhei de meu pai, é foram as notas, sabe como é né? O boletim estava um tanto colorido demais para o filho dele...



Velho:

__ Um ato, um segundo... É o que precisamos para mudarmos o rumo de tudo, para o certo ou para o errado... (a luz acende e ela ressurge).



Moça:

__ Oi, a que horas faremos o trabalho?



Rapaz:

__As três pode ser?



Moça:

__Pensei que ia direto daqui da escola, já vim preparada para só ir mais tarde para casa... (dá um passo para a boca de cena). Mas tudo bem...



Rapaz:

__Tudo bem, acho que dá sim, é que sabe, minha tia só chega depois... Lá pelas quatro.



Moça:

__Não tem problema algum... (à boca de cena)... Ele não sabe ainda, mas eu estou de olho nele há muito, desde o dia em que vi ele depois da escola a andar pela calçada levando seu cachorrinho, daquele assim tipo lingüiça, eu também queria andar com ele sobre a calçada cheia de mato, ervas daninhas que se agarram entre si até o muro de tijolos úmidos... Ele de bermuda mostrando suas pernas tão brancas, será que todo seu corpo é branquinho assim... Leite, puro leite em mim...



Velho:

__ Se soubesse deveria ter dito não! Sonhar com a lua e as estrelas, o que imaginar se até o mar é inconstante, com sua língua a acariciar a pele da ilha, eu era ilha, tão só. Eu... Este torpor do sono me atinge os olhos que pesam, os braços pesam, as pernas pesam, o mundo sobre ombros tão velhos e já tão frágeis... O vôo colorido e disperso das palavras levadas pelo pensamento... Aquela tortura dos sentidos e eu ali a olhá-la...



Moça:

__Sua casa é tão... Modesta e bonita...



Rapaz:

__ Valeu. Já volto ta?!...



...No escuro...



Moça: (indo atrás)

__ Está trocando de roupa?



Rapaz:

__ Que faz a... Uhm... Que é iss...?



Moça:

__Não fale nada... Deixe-me tocar esta pele branca, esta pele juvenil e tão... Que lindo... Tão inocente...



Rapaz:

__ Por favor me solte... Não. Não é assim que eu sonhei... (sai de samba canção ao palco meio de costas vigiando a coxia e colocando a camiseta)... Eu... Por quê? Meus dedos estavam tão próximos de tocá-la, de senti-la... Sua pele parecia tão macia quanto a pétala da flor... Os lábios quando me beijaram aqui... (toca o peito)... Sua mão quando pegou em mim... (pega em sua virilha)... O sorriso entredentes e aquele olhar que me colocou medo... O que ela pensava?! Meu desespero... Eu tive medo.



Velho:

__ Os olhos não lhe obedeciam...

...Tristes pétalas...

Na tristeza infinita

carrega a mensagem da estrada de melancolia,

de pura poesia que poeta algum escreveu.

Poesia. Melancolia.

Aquele resto de flor não menos morta

nem tudo fugido,

ainda resta um pouco do teu perfume antigo.



...(entram dois vultos e ficam próximos ao velho que demora a vê-los)...



Vulto I:

__ As aflições que agarram os pensamentos tem duas fontes: ou é fruto da vida presente ou é oriunda de outra vida. Consciente ou não é uma memória presente, sentida e que deve ser vivida... Quantos não pressentem?



Vulto II:

__ Acredito que está cansado e não haverá mais fuga, a esperança que reinava está minada, as lágrimas vêem facilmente como quando chorava pelo brinquedo quebrado ou pelos joelhos esfolados depois da queda... Ferimentos reais ou imaginários...



Velho:

__ Vocês de novo? Por quê? Me digam... Venho fugindo de vocês a tanto tempo, porque esta perseguição? O que vocês sabem? O que vocês sabem, pergunto eu? Enquanto estamos aqui ainda poderiam?! Vultos quem são?



Vulto I:

__ Vultos?! Assim trata seus velhos amigos?!



Vulto II:

__Magoou não é mes...?



Vulto I:

__Somos tão vultos quanto possivelmente você, que a gente vem a tentar contatar desde a quanto tempo?! Não sabemos nada de você ou de seus amores, de sua vida, dos seus prazeres carnais ou liberais! Não sei se um dia viremos a saber!



Vulto II:

__ Não somos nada! Assim de tão especial, somos socorristas... Apenas fazemos isso, resgates!



Velho:

__Confusão à vista. Bem sabes que não tive tais prazeres, que nunca foi...



Vulto II:

__Sei... O que aconteceu...



Velho:

__ Ninguém o sabe...



Vulto I:

__ Sabemos... Isso basta! Como e porquê não vêem ao caso. Você não poderia simples assim...



Vulto II:

__ Chegar à velhice sem ter conhecido os prazeres da carne, sem ter tido nenhuma doença aparente nem mesmo um resfriado, apenas solidão...



Velho:

__Nem sempre foi assim...



...Aparece o jovem e a moça...



Moça:

__ Porque fugiu?



Rapaz:

__É que nunca parei um minuto sequer para saber sobre isso, só em meus sonhos e aí você chega e percebe que eu existo, eu achava que ninguém me via...



Moça:

__ Complexo puro...



Rapaz:

__ Não, por favor, você também não... Já basta a escola, em casa, na rua...



Moça:

__ Sério?! Foi mal... Mas vai me ouvir? Prometo...



Rapaz:

__ Não! Pare por aí... Eu não gosto de promessas, é tudo igual e vai acabar que eu ficarei frustrado. Porque a promessa não vai ser cumprida e fica aquele vazio de sempre esperar e não rolou.



Moça:

__ Menino, é assim? Escuta eu nunca... Quero dizer... Não saio todos os dias correndo atrás de um menino como você. Você está fazendo parecer que eu sou uma estup... Aquela coisa... E eu só quis te ver nu com esta tua pele branca como o leite, essas suas pintas... Esses seus lugares...



Rapaz:

__ Que. Que é isso... Você me deixa sem jeito... Eu nunca fui assediado...



Moça: (ri)

__ Asse, o que?



Rapaz:

__ Assediado.



Moça:

__ Você não existe...



Rapaz:

__ Existo sim... Pega aqui ó... (pega a mão dela e põe na própria face) Porque não aconteceu tudo normal como deveria? Porque não saímos para ir ao parque, à praça no domingo, ao cinema, comer alguma coisa na lanchonete...



Moça:

__ Assustei... Acho que te assustei... Você nunca fez?!



Rapaz:

__Fez o que?



Moça:

__Nunca fez... (cochicha no ouvido dele que transmite a reação).



Rapaz:

__Nã...



Moça:

__Nem sozinho?



Rapaz:

__Uhum... (negativamente).



Moça:

__ Virgem?! Eu ainda não peguei um virgem...



Velho:

__ E realmente... Tão virgem quanto um... Ixi não sei... Não sei nada a não ser em meus sonhos... Tudo que tive são memórias, queria voltar para casa...



Vulto II:

__ Então vamos...



Velho:

__ Como poder voltar para casa se a memória está encarcerada em outro mundo. Se há dúvida... E a minha é esta: A qual dos mundos eu pertenço?!



Vulto I:

__Venha conosco e descobrirá tenho certeza... Vive tal qual um fantasma perdido entre os anos, fantasma é de si mesmo...



Velho:

__ Não foi a morte,

foi em meu coração que a saudade invadia forte...

Palpitações de momentos, de recordações...



Moça:

__ Onde vai? Vai me deixar? A casa é sua, quem deve sair sou eu... Eu que tive um sonho que não aconteceu, na verdade eu me prometi e não cumpri... A não ser que venha aos meus braços...



Rapaz:

__Como o sonhos com os homens de Jobim Neto em ‘Virgens à deriva’ ?



Moça:

__Sim assim mesmo... (toma a posição de remadora de barco invisível)... “No meu sonho de amor... Eu vislumbrava um navio, sempre um navio, como aqueles que meu pai possui, para traficar escravos... Eu vislumbrava este navio, que aparecia no meio de uma bruma... e dentro dele apenas homens...

Rapaz:

__Nús?!





Moça:

__Não. Havia apenas homens. Eles não possuíam rosto, eram apenas homens. E por serem apenas homens, sem rosto, eles vinham em minha direção. E me acariciavam...eles me beijavam em todo meu rosto(fecha os olhos, sente o próprio sonho), desciam suas mãos fortes e quentes sobre o meu colo, e levantavam um de meus seios... e beijavam meus seios...( em ‘ seios, o rapaz tira uma luneta de sua roupa e começa a olhar em direção á praia). E eu gemia... Eu gemia! Os impulsos deles eram tão vigorosos que não havia a necessidade de eles estarem nus para eu imaginá-los... e eu imaginava...



Rapaz:

__Imaginava como?



Moça:

__Eu os imaginava devastando meus vestidos, minhas composições, todo o meu substrato, tôo o meu cerne! Eu não possuía mais nome, simplesmente não sabia mais onde eu vinha, eu não queria mais coisa alguma... Você começa a pensar que tudo aquilo que você é tem um sentido... É como se soubéssemos, de antemão, a que viemos...”



Rapaz:

__Eu não consigo saber este meu sentido, não sei a que vim, não sei quem sou...



Moça:

__ Talvez não goste tanto assim, talvez também sonhe com... Homens?!



Vulto I:

__Interessante... Só há um lugar para encontrar respostas...



Velho:

__Sabe?! Quando crescemos aprendemos a esconder os nossos sentimentos, tudo isso já fiz e palavra eu tentei sempre apesar das dores mostrar uma face feliz... Mesmo pequeno tentava parecer um gigante, chorar é coisa assim de fracos dizia meu velho pai...



Vulto II:

__ As lágrimas são importantes a corpo e...



Velho:

__ À espiritualidade também... Isso?! Parece besteira, coisa boba mesmo... Era uma coisa que sempre me deixou embaraçado e constrangido... De repente elas caem como quedas d’água sem cessar...



Vulto I:

__ Trazendo lembranças em recordações... Como fotos. É... Um álbum de fotos com som, não é assim que sente? Os diálogos surgem do nada trazem fatos, momentos, e logo depois vêem as imagens que se montam na mente...



Vulto II:

__Quem não sabe como funciona?



Moça:

__ E então?



Rapaz:

__Não. Não é isso... Tenho sonhado sim... Com você nos últimos dias... Mas...



Moça:

__ Mas?!



Rapaz:

__ Antes sabe?! Eu sonhava com... Não, eles... (sai correndo).



Vulto I:

__ Deveria ter contado a ela sobre nós...



Velho:

__Alguém acreditaria?



Vulto II:

__ Tentasse ao menos, ela não teria pensado coisas de você...



Velho:

__ Essa é boa. Falar que desde a quanto tempo sou perseguido por dois seres vestidos de roxo e negro que me apontam, que tentam me segurar, que me deixam apavorados... Por que nunca falaram comigo?



Vulto I:

__ E por que só agora não fugiu?



Velho:

__ Estou cansado... Sabem?! Quando peguei a velha agenda e dentro dela encontrei esta foto, esta carta e estas pétalas resolvi vir esperá-los, tinha o propósito de não fugir... De encará-los... Passei a vida fugindo e não mais... Olhe...



Vulto II: (apanha o papel e vê a foto e o que está escrito e lê)

___Você partiu... Onde foi... Alguém viu?!

O nosso amor está guardado

Entre as páginas no livro do passado,

eu encontrei nesta noite insone

uma flor amarelada,

símbolo de uma esperança que se guarda,

guardada com carinho no peito antes que se finda,

com um pedaço de vida extinta.

É a flor seca das emoções,

é o cadáver de um sonho mergulhado,

no cemitério das recordações,

... Tristes pétalas...

Como resto de uma juventude que não mais me resta

e ainda dispersa nas lágrimas muita saudade...

Os olhos não lhe obedeciam...

...Tristes pétalas...

Na tristeza infinita

carrega a mensagem da estrada de melancolia,

de pura poesia que poeta algum escreveu.

Poesia. Melancolia.

Aquele resto de flor não menos morta

nem tudo fugido,

ainda resta um pouco do teu perfume antigo.

Não foi a morte,

foi em meu coração que a saudade invadia forte...

Palpitações de momentos, de recordações...

Vulto II: (Recebe o papel do outro e continua).

___Pressenti naquelas pétalas

Que não fugiram.

Percebi que minhas mãos tremiam,

No quarto meio escuro

num belo canto

eu não conseguia conter o meu pranto

E a lágrima ameaçava rolar em minha face triste.

Tão triste...

... Aquelas tristes pétalas...

Parecia tristeza infinita, tristeza sem ter mais fim...

Ao apanhar sua foto amarelada pelo tempo,

doce relíquia que jazia guardada comigo,

entre as páginas de um livro que então segurava nas mãos...

... Um dia no passado e eu te amava,

... e hoje, passado tantos e tantos anos e eu ainda te amo.

Tudo está em minha mente,

eu guardo na foto, na carta e nessas tristes pétalas.

Pétalas melancólicas

de uma flor morta que me fala

de um mundo perdido entre páginas de um livro,

entre as brumas de um passado que não volta mais

... Guardadas aqui ó...

... Eu fiquei, fiquei sem rumo, sem prumo

desde que você partiu...





Velho:

__ Então... Esta é minha última lembrança real? Esta minha dor? Por vezes imagino o carro de meu amigo, entrei escondido depois de ler estas palavras, sai pelas ruas com as lágrimas a me sufocar, queria gritar, queria dizer mais que a tudo e a todos eu queria dizer do meu amor, a velocidade sempre foi minha adrenalina, meu desvio e eu corri para tentar achar uma solução e na verdade deixei alguns a soluçarem por mim, eu me vejo subindo a Serra pelo asfalto tão liso e azulado me vejo virando entrando pelo caminho de São Luís, aquela estrada esburacada e cheia de pedregulhos, vejo o Cristo e passo perto dele, sigo em frente, em frente, ao alto e ao céu... O vazio na barriga perdido no ar dentro do carro, um vôo sem volta e depois o som de ferro torcido, de vidros quebrando e virando, virando, logo caído na ribanceira vi o carro continuar seu trajeto sem controle, rodando e amassando galhos, derrubando árvores e logo vejo vocês dois a virem em minha direção... Eu me assustei e saí correndo... Demorei muito para me recuperar, eu apenas cheguei em casa reuni minhas roupas e fugi, peguei o primeiro ônibus, e mais um e mais outro até chegar nesta cidade e aqui me senti seguro, meus problemas eram apenas meu passado que por mais que forçasse não conseguia lembrar até agora... Isso quer dizer que eu...



Vulto I:

__ Sim... Você...



Velho:

__ Eu tenho de ir então?!



Vulto II:

__ Você já está muito atrasado... (A luz começa a ficar forte, mais e mais)

Velho:

__ Um adeus então?!



Vulto I

__ Não seja bobo... Diga apenas até logo... Ou adeus...



Velho:

__ Ad... (black-out total e barulho de um ônibus saindo de alguma estação, anuncio de saída, o ruído segue com murmurinhos, vento, relâmpagos naquele escuro e música (ao vivo?)).





Música...

__ Por que morrem as flores...



Jogam-se os dados da existência humana

Alegria, tristeza, felicidades e desamores

Saúde, fé, discernimento e temores...

Leis disciplinam a evolução

Estas experiências e cada um com seu quinhão...

Da reencarnação somos alunos

Em aprendizado constante e específico...

Ou vão artifício

Desvendo meu destino

Sei alguns porquês

Me perco em outros

E fujo de medo por não me entender...

Suicidas nas frustrações

neste mergulho de vida sem orações

Na fuga de seus delírios,

fugindo para tentar procurar alívio

Crianças perdidas

Nas ruas, nos sabores do vento

Não sou sol, nem lua, nem sombra ou luz

Gestos tresloucados...

Passo a minha saliva em meus machucados...

São imagens em abstratos

Imagens insanas de um ou mais pecados

Sintonia de saudade,

Que um dia reencontrarei...

Será que vim de algum lugar

E que a ele voltarei?!





























Fim?!



































Ficha técnica:



Velho:

Moça:

Rapaz:

Vulto I:

Vulto II:

Músicos: (se for ao vivo as sonoplastias).







... Em momento há uma pequena colagem da peça ‘Virgens à Deriva’ de Ruy Jobim Neto (apenas como lembrança do amigo e uma simples homenagem...).

Volta da escola.