sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Como que a retornar...Meu vôo!

Como que a retornar... Meu vôo!




Como a retornar senti as pernas correrem e perderem o chão, alucinado olhei e me distanciei entre ventos, nuvens floradas como algodão, algodão doce, me deu vontade de esticar os dedos e tragá-los aos bocados em bocadas infantis...

Do alto nivelado me perdi entre os veios da terra, num manto verde, marrons e cinzas, terra que onde plantando tudo dá, era pleno meio o dia de um azul celestial como as asas que me planavam além, seguindo ao lado do sol, meus olhos marejaram por tão sublime festa que em meu peito cortejava ao dar com os olhos neste cão de água, com esta veste de esmeralda agreste, dos marrons de terra tão rica com deleite de ser simplesmente assim...

Vez ou outra nas termas sacolejo e isso é como acenar com o dedo a quem lá embaixo também acena como eu já fiz um dia, e de lá só se vê o risco cortando o céu do desdobramento que marca; consigo presenciar o crime ambiental de queimadas ilegais, focos perdidos em longas esteiras de fumaça negro-acinzentadas que se espalham na esperança do encontro de todos e que se faça então ter um fim, mas o prejuízo vai além do dote de famosos nos meandros das poucas moças enclausuradas em quadrados riscados como um reizinho o fez de graveto, cola e papel machê sob o chão; adormeci como se fosse eu aquele menino versando desejos através da imensidão.

Distante do cerrado avistei os cogumelos gigantes das queimadas à esquerda de nossa asa, de nossa navegação aos ares dos deuses absolutos e reinados dos céus, que quase me seriam eles astronautas a esta distância que tenho da pele desta senhora chamada terra, distância de meus pés, trinta e nove mil pés a voz quebrou o silêncio dando boas vindas ao mar que fica acima de nós.

A moça sorria como alguém que gostava daquele andar apertado entre as poltronas servindo bolachas e sucos e água aos copos esticados e a dentes famintos do logo após da manhã, Juli Barcelos a comissária de bordo, que inveja feliz, foi sem dúvida um prazer ser servido com sorrisos durante as horas sob o sol e acima da terra, e tendo um sacerdote ao lado, viajamos assim, desenhando meu grupo de talentosos amigos, destino Teatro 04 de setembro, falando sobre comportamento jovem e a religiosidade e todos os percalços, e claro tirando uma casquinha de alguns deles: Marcelo, Carol, Giselle e Jenifer...

Lá embaixo o chão entre alguns rasgos de terra onde lhe montam os anos levados a frio, me dei conta da simulação da visão, já havia comparado, mas não assim, os sulcos da nossa pele, os pelos, as formidades e deformidades, o que gostamos e os nãos, isso é derradeiro como machucamos a pele desta gigante à qual nos servimos, mãe Terra.

Com o simplório de natureza, filha natural e que naturalmente reza por nós e guarda... Embebido em minhas lágrimas observei meus companheiros de viagem, as cabeças dormentes balançavam, uns agarrados à Bíblias em suspiros arrojados na procura de proteção, olhares temores agarrados aos braços dos bancos das linhas aéreas inteligentes... Outros fecharam os olhos insones à beira de um ataque de nervos, crispados em unhas e dentes cercados aos lábios... E outras doces criaturas voavam aproveitando o círculo de vida que seus caminhos ofereceram, dispunham de sorrisos à frente flertando com olhares a alegria desta altura vertiginosa que salpicava o céu com seus nichos de algodão, volta a vontade de esticar os meus dedos longos de minhas quatro décadas e experimentar destes flocos gigantes, saboreando-os como a estas balas que devoro sob o céu aos poucos limpando de uma Brasília há muito estado, há muito vivida, a quanto tempo atrás?!

Olhei-a com meu olhar de amante, me vi chegando há muitos anos em ônibus de frete militar, me vi ansioso pelos anos que ali ficaria a viver minha rebeldia de adolescente e jovem sem muita vivência para saber o que a vida me tinha ali a me dar!

Fiz ali amigos, aprendi e fiz, tive meus amores e meus temores, mas hoje estou de passagem nesta aragem que a vida cedeu...

Mais outra nave e subimos nas alturas a caminho de um caminho nos palcos de um espaço cheio de surpresas que seriam uma soma a esta pequena vida de ator itinerante levando a mensagem de que a vida continua lá fora em algum lugar entre o céu, a dimensão e o espaço, talvez dia desses conte mais sobre esta viagem amigos meus...

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