sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A Estrada de nossos dias.


A Estrada de nossos dias.






Existe um grito dentro do peito de cada ser, uma história triste a ser contada, a ser expulsa, um desabafo ou um passado que cada um anseia por não surgir ou que desapareça sem dar suas caras...

Há farpas em nosso coração, ranhuras que viram feridas e que depois em feridas vez ou outra perdem a casca e nos ferem novamente, doem as infames...

Ninguém entende ou se estende.

Como elas conseguem ser tão profundas que não aparecerem aos outros?

Nenhuma pessoa consegue ver a dor que vai ao coração de outra... Realmente este coração é um lugarzinho desconhecido...

Quando estamos em dor qualquer espoleta disparada nos dá vazão às lágrimas, a música que traz uma carga de lembranças, uma palavra que parecida nos inflama. As mulheres conseguem jorrar suas lágrimas com mais facilidade, mas os homens, pobres machões inconseqüentes lutam contra essas memórias, tentam reinventar a história, querem no íntimo esquecer a dor, livrar-se da raiva, da vergonha, do desejo, da vontade ou da saudade... Como esquecê-las?!

Cada ser sabe que nada fará superar cicatrizes tão arraizadas, um assunto inacabado lá dentro que cria deformações, fazendo-os viver a cada dia um processo depressivo, como se aquilo lhe fosse um peso que já está sobre seu ombro ao sentar-se na cama pelas manhãs insones.

Cada ser, homem ou mulher tem suas dores, sofrimentos, frustrações, desapontamentos, desprezo, humilhação, solidão, traição, um emaranhado de sentimentos de escarneos que aos poucos criam labirintos difíceis de lidar, de discutir consigo mesmo. É uma luta constante tentando manter uma aparência que não condiz com a realidade.

É uma longa estrada, que em alguns pontos tem problemas de estrutura, um deslizamento, alguns buracos, algumas crateras, alguns empoçamentos, cria-se em nossa vida esta direção imposta de que precisamos da dor para purificação, um rito plantado à nossa mente. E nesta estrada constantemente caímos, esfolamos mãos e joelhos, torcemos membros, quebramos ossos...

A semente nos colocada diz que ao chegarmos ao ponto final deste caminho estaremos diferentes, mais fortes, mais conscientes. Como se toda esta dor servisse apenas como um filtro à nossa evolução. Chegarmos semimortos, deformados, mas seremos puros... É?!

Seria na verdade necessário a surra para uma mudança, ou todos pagam por alguns... Todos sofrem por que uns poucos precisam ser avaliados ou restaurados em sua forma perfeita e espiritual?!

Cada ser tem um objetivo de felicidade que é a busca de sua satisfação, só é infeliz quem não se satisfaz, usar do discernimento, da observação na busca, nesta formulação e soma de figuras que permeiam e que fixam em nós suas dogmalidades e suas auto punições para que nós sejamos ou iguais ou mais infelizes numa batalha utópica onde querem substituir a educação cultural do povo por frutos contraditórios que por um ser superior deve-se mutilar ou fatalizar a seu igual.

Quem te disse belo e acima da perfeição?! Senão a mente promiscua de quem te elegeu assim e como gado obedeceu...

Cada ser deve seguir sua estrada sem prestar atenção na estrada do outro, quanto mais inteligente, forte, audaz e sábio for à sua própria construção melhor vai ser a estrutura e o contorno entre os montes e serras de seu caminho e também mais rapidamente atravessará seus dilemas e menos ferirá suas entranhas.

Alguns resolver aniquilar-se, param na beira da estrada, ou vagam em estradas secundárias. Caminham em passos falseantes, indecisos.

E... Assim é a vida, vencer ou perder.

Se não podemos evitar os ferimentos pelo caminho pelo menos vamos levar deles algumas lições, analisemos cada arranhão e vejamos se fomos feridos ou nos colocamos em risco para tal.

Todo conforto, toda posse, tudo o que bom custa muito, são sacrifícios que cobram um valor e temos que estar preparados a pagar o preço.

Mas acreditar que sofrendo, que sentando à margem do rio piedra e misturando nossas lágrimas à água teremos resposta estaremos nos enganando, só nos servirá para aliviar a pressão e nada mais.

Mas sim teremos que hora ou outra levantarmos a bunda da pedra, teremos que sacudir a poeira e darmos a volta por cima. Por que futuro só o tem caminhando e a estrada é longa, com feridas, sangue, sorrisos, aplausos ou lagrimas.

Temos um objetivo: Chegar lá...

E que este lá seja o seu melhor!

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