sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A impressão que fica... è que a dor não passa...

A impressão que fica... è que a dor não passa...




Dei- te as costas, não queria que visse minhas lágrimas descerem em cântaros, desciam em mim como farpas a tecer suas feridas em minha carne, e eu ali subjugado, à mercê de tua ira, tuas palavras me feriam e eu me encolhia ao canto de meu cérebro buscando um conforto ao meu tremor.

Devia sair, fugir, sei lá... Tornei-me um covarde em não desferir o mesmo golpe que me dava, iria embora e me deixava... Quando o rugido da chuva apanha nossos sonhos reverberam em relâmpagos atrozes meus versos.

A poesia não consegue rima, e os gemidos não são mais de prazer...

Se a morte é um doce a ser consumido devagar, minha morte vem em porções dantescas e ameaçadoras.

Os animais buscam suas próprias cavernas quando aponta o furacão, as aves saem desvalidas no delírio na ânsia de seus ninhos promissário de esperança... E a mim nada me sobra, nem as migalhas de pão de Maria, com o medo de se ver perdida na floresta da Granja...

Até ontem fui ignorante em minhas notas, o meu barco com um rasgo e tapado a cuspe e papel machê. Queria mesmo com rombo ignoto e roto desdobrar as grandes vagas que vinham em minha direção, distorcida de um dia que se tornara velho como a sola do meu primeiro calçado, aquele conga azul marinho, horrível de usar de andar, mas que era a forma de se ir à escola e à Igreja... Que deixei de ir... Desde quando foi?!

Até ontem pretendia reanimar cadáveres apodrecidos nas suas novidades.

Agi contra minha natureza quase zen e fiquei assim mesmo zen fazer nada ante as pedradas recebidas de teus lábios e olhares carregados de um ódio que custei a admitir...

Amei sim, amei você com muita força, por isso te decepcionei. Amei você como uma criança, e criança são egoístas com os seus pertences... Tentei até mesmo tomar algumas de suas culpas e suas dores sobre os meus ombros, mas elas se julgavam por si e a mim nada restava a não ser ruminar um pobre de mim... Infeliz que sou... Demorei a descobrir que não era pertença, era uma necessidade inigualável de ter você de mãos dadas, mesmo que fosse apenas escondido durante a noite, no friozinho da madrugada, deitado assim tipo conchinha. Sentindo sua forma a encostar-se a mim com vida.

A neve de minha lembrança derretia ao sol que desposava a manhã que você desaparecia...

Quando volta, quando vem?!

Pobre de mim, a indecisão e a insegurança me dói...

Os nossos momentos guardados ressurgem de seu túmulo, quis te dar de comer de minha carne, mas a fome que possuía era tão mesquinha, tão... Insoça... Tão sua que me esquecia...

Mesmo assim eu me escondo para que não veja que derramo lágrimas por tua partida... Sei que mesmo passando todo este tempo enganado a sua ausência será uma presença constante...

Embruteci sob os calos da lavoura de teus dias sem sóis, em trovoadas incompreensíveis, em deméritos de minha escala sem visão e sem progresso num processo áspero e espinhos fincados em meu coração.

Procurei tirar-te da caverna escura e solitária e oferecer-te o mundo em incontável saber na metafísica das formas e das leis, mas tuas correntes mundanas te prendem às falsidades e deturpações, nega a existência da luz e do amor pelos sentidos do segundo

Agora se aconchega mais uma vez sobre minhas costas, sinto seu peito, seus lábios na minha nuca, sua mão a agarrar minha virilha sinto sua nudez pulsar encostada entre em minhas nádegas... Meu medo é entregar-me, voltar-me a você e me mostrar, mostrar quanto sou seu, mesmo sabendo que se me possuir agora, aqui no chão desta sala, até mesmo na mesa da cozinha, irá me deixar, irá e me deixará angustiado e só... Sinto sua mordida no alto de meu ombro, ela é leve mas crava fundo a marca da alma, meus sonhos reaparecem e meu medo é maior com o tremor de meus joelhos e o suor de as respiração...

Vai então, saia para que minha face seque, adeus! Com sabor de beijo não dado, em amizade não começada, em pré-amor, pré-acabado.

Siga então sua vida e eu seguirei minha dor... Pensando em teu corpo colado ao meu nas noites que me fará tanta falta... Escreverei talvez mais uma canção e você a ouvirá tocar no rádio e nem saberá que pertence também a você, por que foi de tua fuga e de meus delírios que o som acorda e profana a outros corações...

Tentarei acertar meus erros, tentarei amar no meio do mar mesmo sem te achar perambulando pela rua, com seus olhos formidáveis, com suas mãos longas e este teu corpo tão juvenil...

Viver, enlouquecer... Sei lá, mas tudo bem...

Minhas lágrimas professam o sangue enquanto o portão da frente bate o ferrolho, nem olho é você indo embora mais uma vez...

Seja feliz... E eu nem sei...

Você quem me deu a conhecer um pouco mais de mim, que me fez eu me encontrar, em me saber diferente do que sempre fui...

Um ser tão homem forte e capaz, e um ser tão frágil, tão entregue e tão mulher...

Não posso acreditar que esse amor existia em mim e que amor é sofrer demais...

E tudo isso foi bom, até as lágrimas que me traem quando te vejo nas sombras das ruas ou na calçada tão tarde, tão só quanto eu...

Adeus!

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