domingo, 8 de agosto de 2010

‘Uma saliva misturada...


‘Uma saliva misturada...




Quando esta chuva age é sal purificador,

expia-me de algo e trava,

a saudade ou a vontade,

uma fome de possuir

e ter o corpo ao lado.



De exitar ao estar sozinho ao deitar,

é demorar ao pé da cama,

encolhido e enrolado ao lençol roto,

o travesseiro tomando forma

acolhido entre as pernas

a cumprir uma presença que causa ausência,

que corrói o pensar, o agir...



O...

Vazio que avança e toma espaço,

uma coisa que toma salto,

um precipício,

uma queda em histórias de um amor que implora,

imagens que poluem seus sonhos e acaba em suor das mãos.



Sentindo uma angustia tão próxima,

uma lágrima decadente

que atravessa mais que a Alma,

que surge apenas de um lugar pavoroso, o medo.



Um medo atroz de fracassar

ante a tudo e a todos,

nesta condição de ser eu mesma,

minha solidão

um sorriso atrás da máscara,

voltar a ser tão pequeno

que ninguém me sinta, ninguém me veja.



Reencontro comigo mesma dentro de mim nas minhas entranhas...

Com as mais insanas palavras insurgidas

tenho escrito os dialetos dos esquecidos,

dos aloprados, vadios ou até poderíamos chamar de sonhadores...

Palavras que saem como vômito a ser colocado para fora,

antes que me absorva em si, meu todo a mim mesma...

Jorra a sede do advento da criação

e digo que se façam o sexo divino,

tão assexuado quanto os anjos do paraíso...



E essa dor que vem assim do nada!

A dor vem e se instala.

A dor que se faz presente no abate,

e qual agulha ataca-nos e nos tange,

na tortura quase que perpétua das dores da alma,

onde as pomadas não mais alcançam

e tampouco sanam a ferida aberta e cheia de...

Animais rastejantes como larvas,

que me lavam nas escadas da igreja

que tem um anjo de túnica leve sobre seu telhado

com a clarineta aos lábios finos e sensuais.



Cada segundo que julgamos às vezes não ter cura

e o destino nos deu e força a ficar-nos ali

à espera do fio afiado do vórtice dos anos,

nos impôs caminhos com regras que não participamos na formulação,

mas somos obrigados a acatar

e o tiro é ouvido, um estalo que alcança,

é pequenina, é bem menor que a menina dos olhos,

e até já não é dor mais.



Pois, a dor já não é mais dor quando dividida por dois.



Teus cabelos molhados segurei,

depois que molhou minha pele,

bateu em meus olhos,

olhei dentro de ti e murmurei meu vomito de amor,

sua expressão era de que nada entendia,

nem eu,

só sentia um estranho prazer

em tomar-te desta maneira

algo se só a mim pertencia,

nada que fizessem arrancaria este pequeno momento,

esta síntese do eu, do você.



Minhas roupas foram arrancadas,

desabotoadas, sacadas,

jogadas ao canto

e minha força subiu e sua mão pousou suavemente

como quem apanhasse uma borboleta no jardim...



O lençol...

Arremetia-me às túnicas de seda dos rituais sagrados,

feitos em locais secretos,

onde os ventres pulavam frenéticos em respirações guturais...

Velas acendidas pelos corredores longos com o aroma dos incensos ancestrais.

Sua boca e meu nome se tornavam um só apenas.



Uma névoa tomava os salões

e teu ventre caia sobre mim

eu me senti todo em você,

como colocados em nuvem viajante em eras acompanhando a dança.

O ritmo da noite, daquela noite em especial,

você ali, comigo, gemidos e silêncio.



Um grito,

seus gritos me assustaram,

cheguei a me afogar em tua saliva viscosa e cheia de mim,

pois me abocanhara o falo com vontade e intumescido

um pouco de minha semente da criação já estava em sua língua,

numa mistura de energia e saliva doce que você é.



Começava a me entregar aos teus gestos de encontrar meus esconderijos,

seus dedos, sua língua, teu sexo me procurava,

eu em dúvida, eu ali,

deixando-me levar pelas suas mãos, por seus gestos...

Teu machismo indo embora e eu sendo fonte de desejo.



Meu lado oposto me desejando mais,

eu aceitando você em mim como nunca,

como em meus sonhos secretos

nas noites insones no escuro do quarto lembrando você.



O coração corria numa aceleração fugidia,

saltava-me à boca,

vociferava você coisas que eu não entendia,

sentia seus ataques ao meu corpo

ora me deliciando e ora me devorando,

em cima e embaixo, na frente e atrás,

eu suportava gemendo,

minha rigidez doía, até que me mordeu...



Agarrei de novo teus cabelos molhados,

dei-te com meus olhos maus,

uma cara de pouco amigo,

te joguei ao lado, virei-te de bruços,

mãos coladas ao chão do colchão,

entrei em você, pela porta dos fundos

retirando de sua garganta uma canção, querendo mais...

Não! De não pára. Acompanha-me. Não pode parar...

Jogados ao chão rolamos pelo jardim com belas flores e muitos espinhos...



E molhada a grama, de teus segredos,

implorava-me com beijos para me deixar mais uma vez,

entrar em ti, jorrar esta vida por dentro

e ainda ofegantes enxergar as estrelas dispersas

naquele céu da manhã de uma tarde que se fazia bela

e acompanhada de gotas de suor e algumas lágrimas...



Nos desejamos mais uma vez

e outra na mesma manhã daquelas poucas horas.

E teus olhos me fixaram vários desejos

e vários pedidos foram atendidos,

o aroma da vareta do incenso subia em fumaça

serpenteando rumo a algum lugar,

um momento que se fazia.

Minha pele sendo a sua, teu cheiro o meu...

Nossos segredos dados em sussurros e ora...

Preteridos os anseios por lábios aos lábios,

uma força transferida por mãos nas mãos...

Entradas e saídas,

trocadas em carícias,

um abraço,

um beijo,

uma vez homem

e na outra uma mulher...

Uma saliva misturada...



Eu em você

e você em mim... Assim’

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