domingo, 24 de abril de 2011

Cantiga amarga d'uma perícia

Cantiga amarga d’uma perícia...






A dor invadiu meu peito

Ao ver passos lentos

Cabelos alvos

Mãos trêmulas

A contar as cédulas sujas

Na sua miséria de ex-contribuinte

D’uma corrupta previdência social

Os calos não mais saem

Duros que teimam não cicatrizar

As noites ao relento

Nas grossas lentes

Em olhos vagos, cansados.

Viajei nos teus pensamentos

Enxuguei escondido a lágrima fugidia

Que anos são estes que tento tanto escapar?

A luz que machuca a alma

que me deixa ver na escuridão

Traz de volta alegria a meu desgastado coração

Doce ilusão

É não distinguir a tua vida da minha

Doce amor que não sei reconhecer

Nada sei neste mundo que não ter

Guarida, aquela só oferecida

Em salário milionário a um ex-governador

E este velho capengante

É negada a sobrevivência

Afinal a avaliação foi feita bem distinta

Uma oftalmologista escreveu irônica e atrevida

Na sua rabugice é ainda produtivo à labuta...

Dentro desta saudade

Ao te ver caído ao chão

Deixo a resposta na sarjeta

Enquanto carrego uma das alças

À morada do caixão...

Dilacerado o meu universo de esperança

Nesta amarga canção!

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