domingo, 24 de abril de 2011

Minha consciência é negra!

Minha consciência é negra!




O negro forte de andar pesado

O corpo molhado de suor

O corpo teso pelo peso

A saca alçada sobre a cabeça

De onde ainda existem memórias

Um outro negro travestido de branco

Segura forte na mão um ‘rabo de tatu’

Trançado em couro de boi

Um alforje na outra

De sua garganta

A linguagem da tribo em ordens de trabalho

Trabalho acorrentado

Mas não suas lembranças

Terra mansa de ventos tropicais

A aldeia em festa

A família toda noite ao som de tambores

E os anciões a contar as histórias

Deuses, animais, caçadas e bravatas

Os cantos de heróis e guerras

Desde tempos ancestrais

E ali os passos medidos

Ao açoite do feitor

O olhar cerceia às mães que choram

Dos filhos arrancados de seus braços

E a nudez exposta sobre o tablado

A imagem é sombria... Assusta?!

A imagem é cruel...

Te faz voltar a face ao lado?!

Isso é para que ninguém jamais se esqueça

Para que ninguém jamais cometa

O crime de novo

Esse da escravidão

Por cada cicatriz do couro na pele

É que te imploro sobre o orgulho da raça

A esta força desta gente

Que minha consciência canta junto

Orubá, Egê, Nagô

Minha consciência de ser humano é parte

Da mesma fala

Da mesma lembrança

E da mesma dor!



Poetha Abilio Machado. 15112010.

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