quinta-feira, 26 de maio de 2011

Uma delinqüência comentada...

Uma delinqüência comentada...




Eu não queria falar, achava estranho entrar numa sala e olhar uma pessoa que não tinha nada a haver comigo, nem mesmo sabia distinguir uma pedra de uma pasta, nem o loló de um mesclado... Entrei todo dono de mim, eu me achava o maior malandro, meu pai costumava dizer:

__Onde errei? Dei a mesma criação dos outros e olha aí em que você virou, não há mais jeito, entortou agora só se quebrar.

E realmente me quebrava na pancada, oferecia seus carinhos com chinelo, cinta, cabo de vassoura, vara de grinaldas, para quem não conhece a vara é flexível com folhas pequenas e serradas e a diferença com o marmelo é que a grinalda explode em flores brancas pequeninas que lembram o arranjo floral das cabeças das doidas que resolver se engatinhar ao casamento. Às vezes voava uma acha de lenha enviada para pegar nas pernas, mas acabavam pegando nas costas, dava graças em não acertar a cabeça.

Dizia que não conseguia mais dar-me um jeito. Que venhamos ao pé da orelha era o jeito que ele em seu positivismo social achava ser correto.

E nesta parte é que discordo da lista realizada no Texas, pela polícia de Houston... Dizem eles:

1. Comece, na infância, a dar ao seu filho tudo o que ele quiser. Assim, quando crescer, acreditará que o mundo tem obrigação de lhe dar tudo o que deseja.

Já em mim diz que não atenda as necessidades de seu filho e verá a revolta somar dentro de sua casa, colocar limites é uma coisa, mas não lhe dar por que simplesmente acha que na sua época você não tinha e por isso no hoje não há necessidade de tê-lo é um absurdo. Comece pelo transporte público em fazer com que ele sente no lugar e não ofereça a um idoso ou a um mais velho que ele, o próximo idoso ou adulto cansado do trabalho pode ser você

2. Quando ele disser palavrões, ache graça. Isso o fará considerar-se interessante.

Claro que deve ensinar a não dizer palavrões, mas deve ensiná-lo a usar suas habilidades sociais para que possa ao menos sobreviver no mundo lá fora. Um ser acuado e sem manifestação é presa fácil a abusos. Ao invés disso bata no peito dizendo que seu poder monetário ou teu sobrenome alivia qualquer coisa, se vanglorie na frente dele da corrupção feita ou do medo que teu nome impôs.

3. Nunca lhe dê orientação religiosa. Espere até que ele chegue à maioridade e "decida por si mesmo".

Orientação sim, obrigatoriedade não! Ensine nos princípios, mas exigir que ele como fruta apodreça a seus pés, ele pode sim rolar a outros segmentos sem perder o amor e carinho por você, aceitar a crença deve ser mais que no social deve ser familiar.

4. Apanhe tudo o que ele deixar jogado: livros, sapatos, roupas. Faça tudo para ele, para que aprenda a jogar sobre os outros toda a responsabilidade.

Não o lembre de juntar, apenas lhe bata, não dialogue com ele e ele passará a confiar m quem ao menos lhe dá ouvidos na esquina da tua própria casa. Ensine-o desde cedo a furar filas, a não respeitar a vez dos outros, brigue com ele por não juntar seus pertences em casa, mas ao saírem jogue seu cigarro ou lixo pela janela do ônibus, do carro ou escolha a calçada no lugar do latão de lixos.

5. Discuta com freqüência na presença dele. Assim não ficará muito chocado quando o lar se desfizer mais tarde.

Faça-o ver que é bem melhor separado que numa vida desgraçada por brigas e discussões que na verdade não levará a lugar algum a não ser mantê-lo fora dela para não os ouvir.

6. Dê-lhe todo o dinheiro que quiser. Nunca o deixe ganhar seu próprio dinheiro. Por que terá ele de passar pelas mesmas dificuldades pelas quais você passou?

Cada um é seu tempo, nunca é tarde de se ensinar, e o ensino de como conseguir e como utilizar o dinheiro deve ser manutendido em casa.

7. Satisfaça todos os seus desejos de comida, bebida e conforto. (Negar pode acarretar frustrações prejudiciais.)

Esta considero a mais absurda, pois a alimentação é necessidade e não obrigatoriedade, e a variação de alimentação, de refeição, deve ser óbvia... Deve sim primar pela união, reunir a família no almoço ou no jantar e não só nos fins de semana de vê ser todos os dias.

8. Tome o partido dele contra vizinhos e policiais. (Todos têm má vontade para com o seu filho.)

Defender o filho é premíssia de proteção, quantas vezes queria que alguém me ajudasse contra a violência que sofria? Quantas vezes quis que o partido fosse o meu e não que apenas eu era o errado só para não se indispor com os vizinhos ou com a escola, aquele tapa no rosto ainda queima só por que esqueci de levar o livro de inglês.

9. Quando ele se meter em alguma encrenca séria, dê esta desculpa: "Nunca consegui dominá-lo."

É não lhe dê a atenção que deve, não defenda ele, deixe aprender por si, aí vai realmente usar estas palavras. Pois quem deverá colocar a mão e dizer o que eu fiz é realmente você mesmo.

Por último, uma advertência: prepare-se para uma vida de desgosto. É o seu merecido castigo se não cumprir com seus compromissos de dar educação de pai ou de mãe nos princípios da moral e da ética comum a todos e não apenas a seu umbigo.

É bem verdade que jamais esperamos que algumas atitudes nossas venham a ser assumidas por nossos filhos afinal quase sempre dizemos que aos nossos filhos criaremos diferentemente que nossos pais, raro são as exceções, mas devemos lembrar sempre que os primeiros obserados somos nós, e eles vão nos imitar, então prestar atenção neles seria o ideal para um futuro mais elaborado à fidelidade de nossas vontades.

Pois é, sentei meio sem jeito ao lado daquela pessoa e a bem da verdade só comecei a conversar depois de minha quinta sessão, mas posso afirmar que minha delinqüência fazia parte de meu meio e não de mim, a violência era genética, o morder a língua, e erguer os braços e falar alto, mas as atribuições às drogas que usei aos atos que cometi só me foram possíveis pelos caminhos que percorri.

10. É chegada a hora prepare seu coração para o lado amargo do que você mesmo plantou...

Os caminhos acabaram por me levar e trazer várias vezes, jamais fui consistente em meus compromissos, iniciava um projeto, ia bem embalado e em determinado momento tudo cessava sem nenhum motivo verdadeiro, apenas aparente, coisas de minha cabeça, retiradas de alguma gaveta empoeirada, mas ouvia coisas, sentia coisas, além do corpo que com o passar do tempo fraquejava, chegou o dia em que com dores tive meu coração remendado, literalmente, duas safenas e uma mamária, alguns dias hospitalizado e a vida toda mudada, ritmo, remadas, alimentação e meu corpo, antes não tão esbelto mas dentro do peso para quase 40 quilos a mais.

E saber que tudo isso foram frutos que eu mesmo plantei em minha jornada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente o que achou do texto se foi doseu agrado e ofereça sugestões... Obrigado.