domingo, 3 de julho de 2011

Escolhas certas

Por Abilio Machado




Parece que foi ontem... É acho que muitos já falaram esta pequena interjeição. E realmente parece, vivíamos em expectativas sobre côo seria o fim de um século, a mudança de um milênio, emergiam as mais absurdas idéias, com um medo estrondoso sobre o progresso tecnológico e que algumas delas realmente aconteceram com um ‘boom’ estonteante que o hoje é praticamente velho na linguagem virtual; tinha-se uma idéia de que o homem dispensaria Deus ou tentaria se colocar em seu lugar, quantos exemplos me vieram agora à mente dos homens e mulheres detentores de poder burocráticos e que criam para si a síndrome de Deus; além é claro da crença de que na passagem do milênio o fim do mundo aconteceria, ou ainda pode, 2012 me fez lembrar minha esposa agora sobre meu ombro.

Tivemos um início de século novo com mitos aguçados, uma nova era, novos amores, paz e amor, desejo e anseios de grandes descobertas. Mas o que vimos surgir foram catástrofes climáticas, distúrbios e calamidades; ataques terroristas que ainda há quem diga que não foram terroristas, mas o próprio governo americano para trazer a garra ou patriotismo, além de incentivo ara aplicações financeiras na casa com um descarrego do depósito armamentista e com isto obrigar a renovação e produtividade; e ainda conflitos de uma variedade de idéias divergentes que na verdade vieram a despertar que o sonho de um paraíso terrestre parece uma utopia inatingível...

Nunca antes os seres humanos estiveram tão conectados uns aos outros, através de suas dificuldades, suas dores, seus sentimentos coletivos, mas também nunca pareceram tão sozinhos, para onde virar seu olhar verá pessoas infelizes e insatisfeitas.

Reata-me a pergunta íntima: Por quê?

Segundo Praagh em seu livro Em busca da Felicidade da editora Sextante: Fomos ensinados a venerar a busca do dinheiro e a acreditar que a riqueza é sinônimo de felicidade. Ao honrar os deuses falsos do poder e do dinheiro, a sociedade constantemente valoriza aspectos inadequados da existência.

Vejo as pessoas com fome, com uma carência de Deus ou apenas de uma espiritualidade que não está conseguindo ter saciação, e acredito que o que temos passado em comportamento humano é fruto desta miséria pessoal de crer em algo maior e sobrenatural, e esta falta que enraíza problemas está dentro do próprio ser...

Em meus trabalhos em grupo promovo um exercício terapêutico e começo sempre com esta pergunta:

__Você já ouviu seu coração hoje?

E lhe faço esta pergunta agora, não, não vou fazer o exercício com você que me lê, por que o mesmo deve ser eliciado com várias pessoas e tem contato entre os vários integrantes, quem sabe um dia desses você vem em um de meus encontros e participa... Mas por hora se auto-analise... Seu coração hoje chegou a ouvi-lo, percebeu?

Nós temos um costume hediondo que é de culpar o outro, jogamos sempre para fora de nós, quando na real o bicho que corrói está dentro, dentro de sua história pessoal e cultural. Sempre somos vítimas, raramente assumimos nosso pólo vilão, e pode acreditar não vamos evoluir se nos vermos como realidade, sem omitirmos para nós mesmos como somos, quem somos, como agimos, o que fazemos... Nossos conflitos e nossos problemas são nossos e a solução está em nós...

É um paradigma e é difícil de mudar, de se criar novos conceitos de vida, idéias fixas que nos conduzem que nem lembramos de onde vieram, de como foram herdadas, mas não foram, segundo meu professor Juliano Amuí de Psicodinâmica ‘não herdamos imagens e sim potenciais, pequenos seres propensos a ser um algo que será influenciado pelo meio’, a exemplar que éramos como sementes e ao nascermos apenas temos a potencialidade de sermos árvore, o que vai reger se seremos uma árvore frondosa e reta vai ser dependente de onde formos plantados, de como formos cuidados e etc...

Então estas cascas que nos acometem a vida são oriundas de nossa vivência, de como e com quem estamos no meio, e como é este meio que estamos. A nossa angústia, dor e incertezas irão existir, mas dependerá sempre e inevitavelmente de como lidaremos com estas máculas.

Como eu lido e como você lida são claro que de maneiras diferentes, o molde não é o mesmo, mas na experiência de outros podemos encontrar nossas portas, o grande ponto inicial é tentar fazer escolhas certas e a primeira é buscar em si mesmo, no eu interior e redescobrirmos nosso elo com a espiritualidade e o quanto esta presença divina nos auxilia a desvendarmos a nós mesmos, casca a casca ou couraça a couraça... Bem Reichiano neste momento...

Afinal quem decide o que quer ser na vida é você... Temos de ser antes de ter, de querer e de possuir!

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