domingo, 27 de novembro de 2011

A morte da arte...



"Nenhum homem é uma ilha. completa em si mesma, cada homem é um pedaço do continente, uma parte da principal; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, assim como se um fosse um promontório, como se fosse a casa do teu amigo ou a tua própria; morte de qualquer homem me diminui, porque estou envolvido na humanidade e, portanto, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti." (John Donne)




Nem é necessário pesquisar, só pelo disse me disse sabemos a quantas andam as moções sobre cultura e seus frutos. Somos derivativos e conservadores demais, num momento em aceitar o velho o que está, em outro para aceitar o novo, pois simplesmente é novo, sem criação e sim adaptação, dizem-se criei em si, mas lá no fundo se tem a consciência de que nada mais se cria e sim se ADAPTA, pois se evolui, se anda...
Mas para um falemos de outro, o que é morrer?
Morrer é sair, ser ceifado, é partir desta para melhor dizem uns, morrer é deixar de amar, profunda esta. Na Bíblia se diz ‘para tudo há seu tempo. Tempo para nascer e tempo para morrer’. Morte e vida são contrárias ou não, fazem parte do mesmo ciclo de existência, como o dia, amanhece e se finda ao por do sol... note que não deixa de ser dia, nem mesmo parte de nós, está ali, palpável...
Assim é nossa arte, não deve se findar, faz parte de nós, mesmo não fazendo parte do grupo que a manifesta, eu estarei ali representado. ‘A morte transcende com sabedoria, com respeito e cautela numa reverência pela própria vida’ como disse meu professor Ocir Andreata, e eu disse a ele que dia desses será mais humano cuidar de quem está moribundo, será instituído uma área que cuidará somente destes que estão em seus últimos momentos, alguém terapêutico que o acompanhará, um psicólogo que cuidará de seu fim e não somente do luto, do depois. Seria eu indicador de uma nova disciplina para a psicologia? Ele se riu e disse: Talvez...
Mas imaginemos profissionais cuidando da transição, para que ela seja suave, sem dor, sem medo, com amigos por perto, sem aparelhos mantenedores, o saber se há diferença entre uma célula viva e uma morta já fizeram, e descobriram o óbvio, a massa e a química eram as mesmas... Houve apenas uma transformação, uma falta de comportamento ou movimento que não é o caso das cancerígenas que mesmo mortas se alimentam e se proliferam...
Elucidar, a literatura espírita diz que o processo a um e a outro são iguais, que aos espíritos que adentram a este mundo é como uma morte ao outro, e a nós aqui morremos para nascermos lá, simples e fácil de entender, este nascer físico e este nascer espiritual, morte e vida são portais para os acontecimentos.
Mas e a morte da arte? Como a morte física ou espiritual algumas dores, alguns sofrimentos fazem sentido, mas outras não, e na arte toda uma cultura de um povo está em jogo, quando quem administra a cultura não se assunta sobre o que é, como faz, como realizar, pode num piscar de olhos transformar a cultura geral da região, pois interveio na manifestação livre da arte feita por artistas, que são os que glorificam e elegem as manifestações seja ela dentro do folclore, do teatro, das danças, das plásticas, do artesanato, do tudo que é espelho deste povo, desta região.
Quanto a esta transformação Cecília Meireles sentiu assim: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...” Esta referência que submeto agora é falar sobre isso, sobre o processo deste morrer da arte e descobrir-se depois sem o colorido do tudo que faz a diferença, e perpeturamo-nos apenas como um nada, quando em nossa cultura erroneamente são introduzidos ouros costumes, seriam benéficos se não adentrassem para substituir, pois vemos com o passar dos anos que para nós, principalmente campolarguenses, é que somos propensos a eleger como belo o que vem de fora, o que é moda, o que nos empurram goela abaixo. Ou porque queremos parecer dentro do grupo x ou y ou sei lá qual outro grupo, adoramos alguém que nos faça pensar que de nada sabemos que se aproxime com belas palavras, cheio de auto-estima e discurso pré (parado), talvez nem mesmo entenda, mas voltou daquela palestra como um papagaio, repetindo tudo, mesmo que não compreenda... Mas fala bonito e assim eu compro sua história e acabo fazendo dela minha, mesmo que no futuro eu pague o preço, eu? Ou minha prole? Porque quem veio se vai...

A morte da arte bate à porta, não só da minha cidade, bate na do estado, quando verbas são colocadas nas mãos de produtores que não sabem da arte e simulam um entendimento que não comportam, tive experiência com um trabalho recentemente que deixou-me de boca aberta, com o dinheiro envolvido daria para realizar um projeto esplendoroso, que ficou fadado a ensaios e a poucas apresentações, e algumas sem a preocupação com o público, pois ao produtor o que era interessante o valor já em conta,a ponto de jogar isto em alto e bom som demonstrando total desrespeito pelos atores e colaboradores que o acompanharam no trabalho, mas contar com quem? Onde estaria os órgãos fiscalizadores? Nem mesmo uma só vez apareceram para verificar como e onde estavam sendo usado aquele benefício, pois a lei de incentivo é um benefício.
Um dia escrevi por que só quem não faz arte é chamado de artista? Me crucificaram, tempo depois me disseram: ‘pois é você tinha razão, invés de me colocarem no departamento levaram fulano’. Outro dia me chamaram, pois passava perto do departamento e me disseram: ‘um dia quando você falou que estávamos fazendo apresentações apenas para a administração e eu tinha de lhe dizer, na hora eu não gostei, mas com o passar do tempo percebi que tinha razão, na hora em que discutíamos sobre o fato me veio você falando naquele dia’.
A arte é uma forma de o ser humano expressar suas emoções, sua história e sua cultura através de alguns valores estéticos, como beleza, harmonia, equilíbrio do todo, então por que deixamos ela aos poucos enfraquecer e submeter-se?
A arte e sua manifestação é pura aula de história, ela é retratante de um período de vida, de situação, baseados em pilares que não podem ser sobrepujados de si mesmo que é o belo, a verdade e o bem.
Ela fugiu do abandono para ser crítica por isso é tão odiada por alguns, através da arte, manifestação da cultura é que o homem descobriu como realizar suas pequenas revoluções seja ela familiar, trabalhista ou social, de governo e de domínio, através de simples símbolos nascida para difundir idéias, para organizar, nela veio a escrita, a filosofia, a psicologia, nos infundir facilidades.
A arte de um povo é sua identidade não deixe isso morrer, pois se morrer você também se irá aos poucos minguando ao nada.

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