sábado, 25 de agosto de 2012

Por que algumas pessoas são mais inteligentes?




Existem, pelo menos, três razões. A primeira é a herança genética: cerca de 75% a 85% da variação de QI entre os adultos vêm dos genes que herdamos. Isso foi comprovado cientificamente de diversas maneiras, embora o teste de QI meça apenas alguns tipos de inteligência.

Geralmente relacionado com a performance na escola ou no trabalho, o QI não verifica as inteligências emocional e musical, por exemplo. Outro aspecto que precisa ser observado são os fatores ambientais, incluindo as condições no útero da mãe, danos durante o parto, nutrição ao longo da vida, doenças e outros estressores.

Porém, as ideias e conceitos (os chamados “memes”) que as pessoas carregam as tornam mais ou menos inteligentes. Isso inclui os idiomas que aprenderam e a educação formal. Os memes são ferramentas para pensar, o que significa que crianças expostas ao pensamento crítico, argumentos hábeis e ao desejo de conhecimento terão maneiras melhores de reunir novas ideias e se tornarão adultos mais inteligentes. (S.B.)

Imagens que desafiam os sentidos


Os estímulos que recebemos são reconstruídos ativamente pelo nosso sistema nervoso; em palestra em São Paulo o neurofisiologista Marcus Vinicius Baldo analisa ilusões visuais e fala sobre como o cérebro organiza a realidade
 
© Kochneva Tetyana/Shutterstock

Por que a Lua parece maior quando está próxima ao horizonte? Aristóteles (384-322 a.C.) e Ptolomeu (87-151 d.C.) consideravam que o satélite tinha suas proporções ampliadas por algum efeito misterioso da atmosfera. Outros estudiosos acreditavam que ele estaria mais próximo da Terra. Hoje, a maioria dos neurocientistas concorda que a discrepância de volume entre a Lua “baixa” e a elevada no céu existe apenas em nossa mente.


“A imagem projetada na retina, no zênite, tem sempre o mesmo tamanho”, esclarece o neurofisiologista Marcus Vinicius Baldo, professor do Departamento de Fisiologia e Biofísica da Universidade de São Paulo (USP), no artigo “Ilusões: o olho mágico da percepção” (Revista Brasileira de Psiquiatria, 2003). De fato, fotografias tiradas em diferentes momentos da aparente trajetória da Lua no céu não mostram alterações em sua proporção. Ou experimente simplesmente enganar sua mente, curvando-se e olhando o satélite entre suas pernas – ele aparentará ter sempre o mesmo volume. Por que isso acontece? Não se sabe ao certo. Uma das explicações é que nosso cérebro compensaria a distância do objeto observado atribuindo tamanho maior ao corpo mais distante. A “ilusão da lua” e outros efeitos visuais serão analisados por Baldo na palestra Ilusões: uma janela para a percepção, no auditório da Estação Ciência, em São Paulo, no dia 18 de junho.


Segundo o neurofisiologista, a mente cria representações do mundo, podendo “ver” um mesmo objeto (ou problema) de formas diferentes. Com a metáfora o “mito da caverna”, Platão (428-348 a.C.) teorizou sobre a submissão da realidade perceptiva aos nossos sentidos: homens confinados em uma gruta acreditavam que o mundo real eram sombras que viam projetadas na parede de pedra – essas, porém, não passavam de ilusões. Na verdade, o que podemos perceber, conhecer ou vivenciar depende não só da realidade com a qual lidamos, mas dos recursos de que dispomos para isso: órgãos sensoriais e sistema nervoso. A apreensão da realidade é sempre mediada. “Somos capazes de enxergar apenas uma estreita faixa do espectro eletromagnético, que chamamos de luz. Conseguimos ouvir vibrações mecânicas compreendidas em uma estreita faixa de frequências, que identificamos como som”, exemplifica Baldo.
De acordo com o médico e físico alemão Hermann von Helmholtz (1821-1894), a percepção surge a partir de inferências que inconscientemente fazemos sobre o mundo à nossa volta. Elas são contrastadas com informações que o organismo colhe do ambiente. Toda vez que essas expectativas não são correspondidas, ajustamos nosso aparelho perceptivo, testando novas conjeturas. Ou seja, os estímulos que recebemos são reconstruídos ativamente pelo nosso sistema nervoso.


A aparência distorcida que um lápis adquire quando colocado dentro de um copo d’água e o fenômeno do arco-íris são exemplos de ilusões visuais. Artistas vêm jogando com a percepção – há séculos ilusionistas nos induzem a criar expectativas em nossa mente, que fazem nossa imaginação precipitar-se e completar ciclos de eventos sem se dar conta do momento em que foi ludibriada. “Da Vinci dizia que a perspectiva nada mais é do que ver algo através de uma vidraça transparente. O que enxergamos depende estritamente de nossas expectativas. Ver não seria simplesmente tentar adivinhar o que existe lá fora, atrás da camada de vidro?”, questiona Baldo. A palestra é gratuita, parte do ciclo Neurociência, arte e filosofia – Um sábado por mês, entre junho e novembro, um especialista falará ao público.

Cores em movimento


Pinacoteca de São Paulo expõe ilusões visuais do venezuelano Carlos Cruz-Diez, um dos principais nomes da arte óptica
 
INDUÇÃO CROMÁTICA Nº 53. PARIS, 1973/DIVULGAÇÃO

Escrito nos anos 20, o conto de ficção científica A cor que caiu do céu gira em torno de uma pequena comunidade agrícola americana aterrorizada por algo “impossível de imaginar”, vindo de outro mundo. O monstro criado pelo autor H. P. Lovecraft não é um alienígena ou um ser vivo – é, na verdade, uma cor estranha. Ela destrói plantações e mata animais. Quem depara com ela passa a questionar a própria razão e fica a ponto de enlouquecer. A narrativa é uma alegoria do atordoamento da mente diante de um estímulo sensorial a que o cérebro não está habituado. De certa forma, a mostra Carlos Cruz-Diez: cor no espaço e no tempo remete à história de Lovecraft. Retrospectiva de 60 anos de trabalho do artista venezuelano, ícone da op art (arte óptica), as 150 obras expostas na Pinacoteca do Estado, em São Paulo, são resultado da experimentação de matizes em diferentes contextos de iluminação e espaço, traço marcante da obra de Cruz-Diez.

Logo no início da exposição o público é convidado a tomar um “banho” de cor na instalação Duchas de indução cromática, onde o espectador entra em tubos de plástico rígido e fica exposto a luzes de diferentes tonalidades. A obra brinca com o fenômeno de afterimage, ou persistência retiniana, isto é, o cérebro continua a “enxergar” um estímulo com o qual se acostumou, como se fosse uma imagem fantasma – a sucessão de cores diferentes contra a superfície leva os neurônios da retina a ver matizes que não existem.

Principal obra da exposição, Cromointerferência mostra como as cores podem influir até mesmo na percepção dos contornos dos objetos. Trata-se de um grande espaço branco no qual dois planos de cor ondulam constantemente em faixas projetadas nas paredes e no piso, deformando visualmente tudo que há ao redor, inclusive o corpo dos visitantes. “A cor não é apenas um pigmento, mas uma ‘situação’ que resulta da projeção da luz sobre o  objetos e da maneira como essa iluminação é processada pelo olho humano”, diz Cruz Diez. Vídeos sobre o processo criativo do artista e fotografias de algumas de suas intervenções urbanas completam o acervo.

Carlos Cruz-Diez: cor no espaço e no tempo. Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2, São Paulo. Informações: (11) 3324-1000. Terça a domingo, das 10h às 18h. R$ 6. Grátis às quintas e aos sábados. Até 23 de setembro.

Faces entre luzes e sombras


Exposição de máscaras teatrais evoca o conceito arquetípico de persona
 
MAURO MAGLIANI
APOLLO (acima) e O bosque de máscaras
A máscara está presente na história da humanidade desde tempos remotos. Em rituais religiosos e pagãos e no teatro ganhou papel significativo. Na Grécia Antiga, com o nome de persona, tinha dupla função: ajudar o ator a compor a estética do personagem e amplificar sua voz. Seja nos ritos, no carnaval, nos bailes, no teatro romano, na famosa Commedia Dell’Arte da Idade Média ou no teatro novo, as máscaras seduzem, desconcertam, provocam risos, mas, sobretudo, dissimulam.

A exposição A máscara teatral na arte dos Sartori - da Commedia Dell’Arte ao mascaramento urbano, em cartaz no Rio de Janeiro, propõe uma viagem imaginária rumo à história dessa magnífica arte, desde as origens até sua expansão em espaços arquitetônicos abertos. São 186 obras produzidas pelos célebres escultores italianos Amleto Sartori (1915-1962) e seu filho Donato, cujos nomes remontam à redescoberta da máscara teatral no século XX. Além das peças, estão expostos documentos, imagens, desenhos e esboços pertencentes à coleção Sartori, Itália.

Entre as principais atrações da exposição estão O bosque de máscaras (feita para a trilogia de Ésquilo, Oréstia, encenada na França em 1955) e a instalação de máscaras medievais utilizadas no teatro popular e no folclore de matriz pagã.

Os sentidos das máscaras, porém, são muitos e vão além dos palcos teatrais. Algumas sociedades pré-industriais acreditavam que quem as usava adquiria poderes mágicos; já para a literatura, o cinema e as artes em geral simbolizam a incorporação de uma outra identidade. No campo da psicologia, o mascaramento ganhou nova dimensão a partir da psicologia analítica de Carl Gustav Jung (1875-1961), que resgatou do teatro grego o termo persona para referir-se ao arquétipo da adaptação social, espécie de “aparência” psicossocial que forjamos para viver entre nossos semelhantes. No entanto, trata-se da primeira defesa a que devemos abdicar rumo à nossa essência, ao nosso self, durante o processo de individuação (busca do equilíbrio entre forças inconscientes e conscientes para exercermos nossas potencialidades de modo pleno). Ao “cair a máscara” é inevitável o encontro com a face desconhecida de nós mesmos, a que Jung denominou Sombra, na maioria das vezes enigmática e assustadora, porém correspondente a uma parte essencial de nossa psique, plena de aspectos imaturos, inferiores ou reprimidos, mas também de grandes atributos ainda não desenvolvidos.

Arte aprimora cérebro infantil


Motivação e atenção sustentada modulam circuitos cognitivos
 
©YVAN DUBÉ/SHUTTERSTOCK
Atividades culturais ajudam crianças a apreender informações
De que forma a arte influencia a cognição das crianças? Essa pergunta audaciosa começa a ser respondida por Michael Gazzaniga, um dos mais respeitados neurocientistas da atualidade e autor de Ciência psicológica – Mente, cérebro e comportamento (Artmed, 2005). O psicólogo da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara está à frente de um estudo que começou há três anos e ainda deve se estender por mais cinco, mas alguns resultados preliminares já foram divulgados.

Usando técnicas de imageamento cerebral, o pesquisador observou que a participação em atividades artísticas, bem como a apreciação de obras de arte, leva a um alto grau de motivação que produz atenção sustentada e ativa diversos circuitos cognitivos do cérebro. O teatro afeta positivamente a memória, pois a criança aprende a manipular grandes quantidades de informação semântica. O gosto pelas artes plásticas está associado ao temperamento mais flexível e à maior atividade de genes relacionados ao neurotransmissor dopamina.

Gazzaniga alerta, entretanto, que quando os resultados envolvem a genética é difícil saber o que é causa e o que é conseqüência. Por isso mesmo, a próxima fase do estudo tem o objetivo de investigar se existe predisposição inata para o senso estético, ou se, ao contrário, o desenvolvimento deste é capaz de modular a expressão gênica no início da vida.

Cores estimulam atividade cerebral


Pesquisadores verificaram que o vermelho ajuda na concentração e atenção e o azul libera a mente
por Jordan Lite
Image © iStockphoto/bluestocking

Você sempre usa “aquela” caneta azul que lhe traz sorte nas provas? Talvez você devesse usar uma vermelha...

Pesquisadores da University of British Columbia (UBC) avaliaram o comportamento de 600 pessoas que executaram tarefas que exigiam atenção a detalhes (como revisão de textos) e outras que exigiam criatividade (como resolver um problema). Eles se saíram melhor nos testes que exigiam atenção aos detalhes, quando o plano de fundo do computador que estavam usando era vermelho, e apresentaram melhor resultado nos testes de criatividade quando o plano de fundo era azul. Os resultados da pesquisa foram publicados na Science Express em 6 de fevereiro.

Mesmo que estejamos acostumados a associar vermelho ao perigo e azul à tranqüilidade, a relação entre cores e desempenho cognitivo não é tão óbvia quanto parece, avalia a co-autora do estudo Julia Zhu, professora assistente de marketing da UBC. “As pessoas não têm noção dos diferentes efeitos das cores: elas sempre pensam que o azul vai ajudá-las a fazer as coisas melhor,” Zhu recomenda que “se a tarefa exigir atenção aos detalhes, use vermelho, mas se pedirem para você pensar em situações genéricas, o azul vai ajudar.”

Essas descobertas complementam os resultados do professor de psicologia Andrew Elliot, da University of Rochester, que publicou uma pesquisa em 2007 mostrando que as pessoas que observaram um painel vermelho antes de realizar um teste de QI tiveram pior desempenho, provavelmente por causa da associação negativa da cor com as marcas feitas pelo professores nas provas e trabalhos escolares. A idéia é que ─ ao menos em situações de desempenho de aprendizagem ─ o vermelho nos faz lembrar dos erros cometidos e queremos evitá-los. Pintar paredes ou partes do ambiente de vermelho pode inibir nossa criatividade porque estamos muito preocupados em evitar erros, avalia Markus Maier, professor assistente de psicologia social da Stony Brook University, em Nova York.

“A atenção pode ser muito útil em tarefas que envolvem detecção, e desvantajosa em tarefas envolvendo resolução de questões mais complexas,” avalia Maier. “Se tiver que resolver um problema muito complicado concentrar-se e manter a atenção é quase sempre doloroso, porque você gostaria ter um olhar mais abrangente, mas não consegue.”

Portanto, o contexto importa, sim. Em 2008, Elliot mostrou que homens se sentiam mais atraídos por mulheres com roupas vermelhas que se estivessem usando vestimentas de outras cores. Pode-se dizer, então, que no domínio da sedução, o vermelho melhora a performance.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

SUMI-E, A PINTURA DO ESPAÇO VAZIO


A aquarela japonesa, originária da caligrafia chinesa, retrata o instantâneo da alma, em breves traços, usando o vazio em sua composição, pintando temas tradicionais como a orquídea selvagem, o bambu, a ameixeira e o crisântemo.
Por Nydia Bonetti
O sumi-ê é uma arte subjetiva, evolução do suiboku-ga, desenho derivado da caligrafia chinesa, que chegou ao Japão no século XIV, com forte influência zen-budista. Retrata o instante da alma num momento único, e não permite correção ou indecisão, para manter a pureza do sentimento revelado nos traços, que devem revelar a “pobreza pura” – a mais perfeita imperfeição.
“Sumi” significa tinta preta e “ê” significa pintura, desenho. Mais do que uma bela e incomparável forma de arte, é também uma filosofia.
A inteligência intelectual deve ser deixada de lado e o essencial se torna “a devoção interna” para que possa surgir o belo e o natural. O espaço em branco revela o que não foi expresso e com o que o pincel não traçou completa-se a perfeição. Se houver erro, o desenho está morto e a obra se perde.  Os traços devem revelar o “wabi” – pobreza pura que se basta a si mesma; e o espaço em branco, chamado “yohaku”, representa o que não foi expresso. A perfeição completa-se com o que o pincel não desenhou.
Os praticantes do sumi-ê pintam essencialmente o que chamam de “os 4 nobres”, revelando a ligação imensa desta arte com a natureza. São eles: A orquídea selvagem, o bambu, a ameixeira e o crisântemo, todos, com fortes simbologias e significados.
A orquídea selvagem representa o verão, espírito jovem e é símbolo da graça e virtudes femininas. Esta flor cresce no local mais inspirador de todos, onde a montanha encontra a água.


O bambu representa o inverno e significa a simplicidade da vida e a humildade. O tronco simboliza a força e as virtudes do sexo masculino. As subdivisões do tronco representam as etapas da vida. O centro oco remete ao vazio interior pregado no zen-budismo e por fim, a resistência do bambu representa a estabilidade e caráter inabalável.


A ameixeira é o símbolo da esperança e da tolerância. O tronco retorcido inspira dureza e ainda assim carrega consigo a promessa da primavera, que se confirma com o aparecimento dos primeiros delicados brotos em janeiro.




O crisântemo por antecipar o inverno desafiando o frio do outono. Representa a perseverança, a lealdade e a modéstia. Também simboliza a vida familiar devido ao seu formato circular. É a flor-símbolo da Casa Imperial.


São elementos básicos do sumi-ê: simplicidade, simbolização e naturalidade. A expressão livre surge através da cor da tinta negra e dos movimentos do pincel, refletindo o caráter e a personalidade do autor, sob a inspiração do momento.
A fragilidade do material utilizado é mesmo proposital. Se o pincel permanecer muito tempo sobre o papel, este é transposto e tudo se perde. A cor branca que fica de fundo é comparada ao Universo, onde nunca se vê um fundo definido, característica do vazio.
Há uma tendência atual de colocar cores em algumas partes da pintura, principalmente onde a cor demonstra o espírito do objeto, como por exemplo, nas pétalas de flores.
Hoje no Japão, sabemos que muitos executivos e pessoas de altos cargos praticam o Sumi-ê, como forma de relaxamento, busca de paz interior e também como forma de melhorarem a sua eficiência e a tomada de decisões, que necessitam ser cada vez mais rápidas.
Ao contrário do ocidente, que desenvolveu estilos de pintura baseados na realidade, com técnicas de sombras, cores, espaço etc., o oriente focou no significado, especialmente quando se trata do sumi-ê.
A expressão nessa pintura é ditada pela percepção do essencial. É sugestiva e insinuante, com traços breves e de poucos contornos a pintura convida a uma interação que liberta a imaginação e o sentimento. São os grandes espaços em branco na pintura Sumi-ê que dão vida ao desenho, assim como na arquitetura o espaço vazio criado entre as formas e o entorno, dá valor e significado a uma construção.
O Sumi-ê possui uma dicotomia interessante. Preto-e-branco, concreto e abstrato, água e terra, autocontrole e espontaneidade são manifestações presentes nessa arte, que, a partir do século XV, passa a retratar também pássaros, flores e paisagens. Alguns dos artistas mais importantes do Sumi-ê são desse período, destacando-se Sesshu, o primeiro a criar uma linguagem peculiarmente japonesa para o estilo.
O sumi-ê, portanto, carrega o espírito do artista. Todo traço é como um golpe de espada, único e cheio de vida, por esta razão, muitos samurais o praticaram. Muitos, no entanto o praticam como forma de exercitar a paciência, a humildade e a simplicidade.
Onde a montanha encontra a água nasce a flor. nos traços a mais perfeita imperfeição. No espaço em branco (no que não foi expresso) a perfeição. o vivo instante retratado num flash.
Fontes:
Bruno Kaneoya: http://www.nipocultura.com.br/?p=450
Sumi-ê – Um Caminho para o Zen (Jordan Augusto, 2002)
  

domingo, 19 de agosto de 2012

O marido no divã.


            Por Abilio Machado.

Ao divã ele está trêmulo, o suor surge em gotas pela testa, a camiseta baby loock coladinha marca a sua passagem pelos anos. Demora um pouco antes de meio gaguejante começar a falar:
__ Boa noite doutor. Como? Sim é minha primeira vez. Eu fico meio sem graça, na frente... De um homem... É estranho, minha primeira vez e me pede para tirar a roupa? Por quem me toma?
Eu venho ao seu consultório por que preciso de sua ajuda e o senhor me pede para ficar assim? Como? Desculpe, o senhor disse para ficar à vontade, aí eu pensei que o senhor estava...
Pois, quando estou em casa à vontade eu tiro a roupa, crio o bicho solto assim na boa, balançando daqui pra lá e de lá pra cá, o senhor não... Nunquinha?!
Eu já me adoro ver no espelho, fazer poses, correr sacolejando, fazer ginástica, ficar na rede da varanda... É nostálgico principalmente andar pela praia ao luar.
Sim doutor? Ah, meu problema? É bem, bom...
Tudo começou há muito tempo. Eu jamais, quero frisar jamais fui infiel à minha mulher. Mas, desde o início de nosso relacionamento que desenvolvi uma necessidade de pensar que estava com outra, outra mulher, ou em duas mulheres, em homens também, assumo.
Tudo se resumia a fantasia, e falando francamente era a única maneira de minha arma funcionar direitinho e a contento.
É doutor ficar de pezinho, fazer amor, sexo, senhor me entende?
No começo de tudo eu imaginava a sua melhor amiga, a irmã, até minha sogra já fiquei bolado. Artistas de filmes, Jane Fonda, Sofia Loren, Brigite Bardot, Kirk Douglas e seu furinho no queixo. A força crua de Charles Bronson em desejos de matar. Ou o outro Charles como Moisés e seu cajado à mão...    
Nas mulheres fechava os olhos e imaginava aqueles seios livres do photoshop e dos editores de imagem. Isso naquele tempo, sem os peitões caídos e sem o silicone imperador. Brigite era mais para os sábados e Úrsula Andrews era aos domingos. Ao dia a dia mesmo preferia as coelhinhas da playboy, com aquelas italianas, maravilhosas...
Ele e ela, quem não lembra?
E meu lado bissexual adorava os meninos de Rose, pequenina formatação, mas recheada de bons garotos sensuais. Hoje teríamos que nos contentar com a era silicone ou entidades escolhidas por um gordinho bonachão que usufruíram de um reality show ou deformações do botox, coitadas não dá para imaginar nem mais uma chupadela com uma boca travada desta maneira assim tipo beiço de peixe à procura de respiração.
Passei depois das atrizes às cantoras, as grandes vozes. Diana, Withnei. Wanderleia e as festas de arromba e Rita Lee na banheira de espuma, Elis e Clara Nunes e seus chocalhos ao tornozelo.
Em Chacrinha e sua buzina dos sábados à tarde e bacalhaus e abacaxis e a cara horrível do Russo, até a feiúra dele me ajudou.
Surgiram novas musas, Julia Roberts, até descobrir que as pernas lindas era outra linda mulher. Madonna, Michel Jackson e seus gritinhos e pegadas no saco. Passei um período pelo cinema nacional, Sônia Braga, Vera Fischer, até minha negra musa e baixinha Odelair Rodrigues.
Mas de repente o movimento nacional virou em pornochanchada. Tive de abandonar Oscarito e o Grande Otelo. Mas delirei com as cabeças de Carmem Miranda...
De repente nada mais adiantava... É. Pensava em todas as mulheres imagináveis, pensava em homens então, o machismo de Nelson Máximo, Agnaldo Rayol, Tarcísio Meira e o Coco do Francisco e nothing...
Lucélia Santos no tronco sendo surrada e recebida por Fidel.
Domingo no parque, Sílvio e seus Hahahais, qual é a música, as bolinhas dos sorteios e do seu flerte com o Lombardi, imaginava a todo instante o que rolava nos bastidores e suas intromissões.
Não funcionava doutor, o Viagra da época era catuaba, ovo de codorna e nó de cachorro e nada o fazia animar-se...     Quando conseguia levantar-se uma vez no mês era motivo de comemorar na churrascaria...
E um dia Ifigênia... Era a nossa empregada, não a fase de pobreza já havia passado, com catadores de papel, lavadeiras de roupas no rio, lavadoras de janelas e suas mini-saias e seios colados ao vidro do escritório.    
A moçoila estava usando o aspirador de pó doutor. O senhor não acredita o que este aspirador fez, ao pensar no cano, na sucção, fiquei ouriçado, ganhei carga nova e iniciou outra fase. A fase dos eletrodomésticos, o barulho e a dança da batedeira, o zunido do liquidificador, o friozinho da geladeira...
E nessa fase me acabou, pois acabei descobrindo as leguminosas e a grande feira: cenouras variadas, pepinos, nabos...
A melancia e sua carne rosada e macia para penetrar...
E os objetos, outra fase, canetas e lápis, bastões e cera, as réguas e suas batidinhas de leve nas nádegas. O pincel atômico foi à loucura, não o azul, nem tampouco o vermelho, o verde? Não credo, claro que não, até aí me brocharia...
Mas Roxo, mesmo na segunda divisão, era sabe? O roxo corinthiano.
Passei então às estátuas e grandes monumentos, a Estátua da Liberdade levantando sua saia e deixando-me ler o que escreve tanto naquele diário que sempre está à mão.
O Cristo Redentor com seus braços abertos para recebê-la e o pênis intumescido sob a túnica carioca, olhos arregalados e madeixas longas, dizendo à guardiã nova-iorquina: Welcome, pois eu como, como...
 Fases que funcionavam, doutor.
Tive a fase da ditadura militar, o desassossego do AI5, as perseguições pelo doi codi. As torturas, ficava-me imaginando eu e ela sendo torturados por aqueles homens brutos e cheios de rancor que se venderam por um poder de terror por seus abusos em seu primeiros anos. O exílio aos mais abastados e a morte aos que nada tinham a não ser um discurso solitário nas esquinas.
As falsas brigas de ARENA e PMDB.
A fase política, as diretas, Tancredo e Ulisses... Na fase Sarney só pensava nas mulheres com buço, Fred Mercury, Bee Gees, Raul Seixas e suas doideiras, Eduardo Duzeck e suas viagens, veio Legião com Renato cantando as meninas e os meninos, Os Barões vermelhos e Ursinho Blau blau...Cazuza e seus tresloucados ensaios e dizendo o que esse cara tem me consumido. Mas eu gozava...
Lula foi minha mais sofrida, confesso, afinal levou ele vinte anos para subir ao posto que queria em sua ereção plena, nem as rezas me ajudariam...
As brigas no Congresso, seus roubos, desvios e sacanagens com verbas e secretárias, amantes e jornalistas. Ouvindo às sete horas em Brasília ou os âncoras do Jornal Nacional.
Tive a fase sexual Ayrton Senna e rolava sempre sexinho nos horários das corridas, até o Rubinho por um tempo me animou com seu capacete verde amarelo. Depois veio o Massa preferido de Galvão. Agora Piquet, que pique, picce, pica...Nem sei.
Como doutor? Se tive a fase bang-bang? Tive sim Juliano Gema, Terence Hill. Pistoleiros e briguentos. Jesse James, Billie de Kid. Como também Ivanhoé, cavaleiros da Távola redonda, Rei Arthur, Merlim e as Brumas de Avalon. Também outras historietas e até gibis. Homem aranha e sua teia. Ménage a troi, eu, mulher maravilha e super homem e poderia ser eu com o Batmam e Robin... o Homem visível então...
Mas, a magia era com ursinho puff, sininho com seu pó mágico, Peter Pan e os meninos perdidos... Mas veio Wolverine e sua crueza animal, rrrrrrr... Arrepiava.
Em minha fase animal passeei por todos, os dinossauros, o Rex é que chamava a atenção. Brutamontes, com aqueles bracinhos curtos e tão gay somando a aquela mandíbula enorme.
Sim doutor o que o senhor imaginar eu fiz uso para poder alimentar minha vontade e assim saciar a fome de minha esposa, companheira e mulher. Me livrar da fase das histórias em quadrinhos foi a mais difícil.
Adorava o Sansão, sim o coelhinho da Mônica, tão fofinho, azulzinho...
Mas foi como o vento passou... Comecei a ter visões doutor, aí em meu desespero ataquei com tudo, lista telefônica, música de sala de espera de dentista. Apeguei-me com catálogo da Avon e Hermes...
E a visão doutor ficou mais forte, pensei em utensílios de um nove nove. E aquela imagem ganhava forma.
A imagem doutor era de uma mulher acima dos quarenta, os cabelos começando a aparecer o grisalho, os seus olhos verde esmeralda um tanto cansados, a pele mais flácida, um culote saliente, aqueles pneuzinhos sabe?
Os peitos caídos com o tempo iguais à jaca madura, carregando cheiro de cozinha, desgrenhada pelos cuidados aos filhos... Doutor é pensar nela e fico excitado, e não há dia para isso, pode ser até nas segundas-feira.     
Nas sextas, no cinema da madrugada, é em todas as horas doutor. É doutor ainda não passou, ainda continua. Como doutor? O senhor ainda pergunta quem é o vulto?
O meu problema que é ela doutor, a mulher das minhas fantasias é ela. Quem ela... Ela doutor minha mulher.
Eu tenho fantasias com minha própria mulher...
Me ajuda doutor? Como? Isso é que se chama casamento...
Se viver a mesma vida e o mesmo impulso? Tem cura doutor? Como?
Tenho de me aceitar? Aceitar? Devo aceitar que isso, que estou vivendo com minha própria mulher é um grande e longo caso de amor...
Isso é amor doutor? E eu que pensava que sentir tesão pela própria esposa era uma terrível doença...
E isso é amor!?!

Doutrinação de crianças: um ato cobarde.





Todos nós sabemos que uma das patologias mais comuns presente no universo religioso é a doutrinação de crianças em atendimento ao dogma, perpetuando e permitindo, assim, toda a sorte de malefícios oriundos da crença teísta. Junto com os versículos, sempre vai de brinde o preconceito, o medo, a redução da capacidade crítica, a idéia de pecado e de que nada tem valor a não ser aquilo obtido, por favor e em favor de deus; gerando, em muitos casos, danos irrecuperáveis à estima desses seres, que jamais entenderão totalmente o valor de suas conquistas pessoais. Se a pratica já é nefasta com adultos, imagine-se com crianças.
Qual das nossas pequeninas crianças não tem medo do bicho-papão; mula sem cabeça ou o “velho do saco”; personagens que são usados para “controlá-las” naquelas horas difíceis e insuportáveis para alguns adultos? Mas não são só estas personagens que põem medo nos nossos pequeninos. Existem hoje nas diversas igrejas cristãs milhares de crianças sob o medo de um terrível inferno e um diabo! Esta última “personagem” entra para o “guinness espiritual” como o mais temido pelos nossos “cristãozinhos”!
Agora imagine se trocarmos Jesus pelo Homem-Aranha e a Bíblia por um gibi. Imagine que todos os domingos, durante algumas horas, fossem ensinados a essas crianças que o famoso herói aracnídeo é real e pior; que se ele não for amado e adorado, elas serão picadas por tenebrosas aranhas venenosas enquanto dormem. É altamente provável que, sendo crianças, boa parte delas não só acreditem como ainda rezem para que o personagem da Marvel as proteja das citadas aranhas peçonhentas.
Claro que o exemplo é ridículo, não? Agora troque-se o Homem-Aranha pelo “Leão de Judá”. Esse ser, assim como o herói citado, também possui super-poderes, como saber o que todos pensam, ouvir o que todos dizem e ver o que todos fazem… Tudo ao mesmo tempo. O “livro mágico” desse ente todo-poderoso também afirma que, se esse antigo e sanguinário herói não for seguido de forma incontestável, se não for amado de forma inflexível e obedecido cegamente, não haverá alternativa senão a condenação a uma vida eterna de tormenta inescapável, em um cenário de fogo e enxofre, onde se perpetuarão torturas inimagináveis conduzidas por um vilão inigualável: Satanás.
Sejamos honestos! Que jovem resistiria a tal imagem? Resta alguma alternativa senão adorar esse ser místico que, inclusive, segundo seu próprio livro sagrado, já trucidou populações inteiras de crianças anteriormente? Fale a verdade: se você, que lê este texto agora, tivesse menos de dez anos… estaria aterrorizado, não?
Pois, se você acha que, nas escolas dominicais, só se fala da mensagem de paz e de amor que Cristo pregava está muito enganado. O diabo e o juízo final aparecem tanto quanto Jesus nas inocentes aulas ministradas nos fundos das igrejas. Muitas vezes ganham destaques mais do que o próprio Cristo e sua salvação.
Crescemos sempre ouvindo que o abuso de crianças se constitui em estupro e em violência física. Inclusive lemos sobre isso na própria Bíblia! E o abuso mental, onde fica? Será que não causa danos em uma psicologia claramente em construção? Já existem psicólogos que se especializam em tratar síndromes causadas por medo religioso; adultos e crianças que, repetidamente, têm pesadelos e fobias geradas por temor do inferno, do diabo e depressão por culpa relacionada a pecado. Jovens que, agora, relatam traumas relacionados com a igreja que frequentavam, que adoecem porque afirmam que o fim do mundo está próximo; vez que ouviram sistematicamente, quando crianças, que qualquer evento climático deveria ser interpretado como um sinal apocalíptico. Cada vez mais relatos são apresentados, indicando que crianças que sofreram tal doutrinação, tem boas possibilidades de desenvolver transtornos de ansiedade crônica. Além disso, é preciso ressaltar que, muitas dessas crianças, estarão “condenadas de verdade” a viverem uma vida com experiências limitadas pelas escolhas de outros, apenas em atendimento a doutrinas oriundas de uma época em que se acreditava que os ratos nasciam do queijo.
Esse é o resultado de pais e de igrejas que convencem seus filhos e jovens de que eles são pecadores e que precisam de redenção. Não é raro ouvir de alguns cristãos que empurram esse “lixo” goela abaixo das crianças, aduzindo que, “não acham correto dar valor a auto-estima e que os jovens se sintam bem a respeito de si mesmos, porque eles realmente não devem desenvolver tal sentimento, já que são pecadores e, antes, precisam aceitar a Cristo”; isto tudo tomando por base um versículo que diz: “Instrui a criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.” (Provérbios 22.6) Really?!?!?! Com sete ou oito anos?  Esse é o tipo de pensamento que faria Calígula abrir um sorriso.
Muitos desses pequeninos estão crescendo ouvindo seus pais pronunciarem versículos como:
O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina.” (Prov. 13.24)
“A imbecilidade está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela.” (Prov. 22.15)
Estes versículos são agradáveis aos pais cristãos por supostamente concederem “poder” sobre seus filhos e têm sido usados para a imposição de suas doutrinas bíblicas absurdas, ao ponto de os ameaçarem para não “se desviarem delas”. Para tais pais, esse pensamento é realmente “instruir a criança no caminho certo”.
Alguns pais afirmam que a única saída é mesmo a doutrinação, uma vez que seus filhos já nasceram pecadores e que essa é a natureza deles herdada de Adão. Alguém ainda acredita que crescer nesse ambiente não trará um impacto absolutamente negativo na vida dessa criança?
Psicólogos afirmam que os primeiros cinco anos são essenciais para o desenvolvimento da pessoa. Desse pressuposto, muitos cristãos doutrinadores sufocam seus pequeninos com histórias e doutrinas bíblicas camufladas pelo “amor”, deixando oculto o mal que tais doutrinas causam na psique do ser humano.
Vejamos: existe essa criança, que tem cinco anos de idade e seus pais acreditam que ela deve ser doutrinada em Jesus, porque é pecadora e, portanto, tecnicamente má e em débito. Sua família vê como pecado, por exemplo, o simples fato dela atormentar os irmãozinhos ou não obedecer à mãe. Sim, lamentavelmente, isso é verdade e acontece todos os dias. Ocorre que, enquanto para esses fanáticos, que, repetidamente, assustam as crianças com a frase  “isso é pecado”, para o resto da população isso se chama apenas “ser uma criança normal”.
É assustador como ficarão pesadas as pequenas mochilas dessas crianças quando acrescidas de todas essas crenças da era do bronze. Qual o tamanho do prejuízo que será impingido a essas personalidades em pleno desenvolvimento?  Quanto afetada será a noção de realidade desses jovens? Até que ponto o senso crítico ficará comprometido? Será que estarão bem preparados para viver em um mundo secular, em um país onde prevalece a separação entre o Estado e a Igreja? Como entenderão, por exemplo, que suas crenças a respeito de alma, sexo pré-marital, homossexualidade e casamento gay não se coadunam com a isonomia constitucional garantida através da razão e vislumbrada para reger um mundo secularista? Enfim, como sendo tão jovens, poderão compreender que sofrem uma pesada “lavagem cerebral” que, senão for freada, terá o poder de contaminar e adoecer a verdadeira dádiva que possui o ser humano, que é o de ser um livre pensador.
Por que não é passado para as crianças nascidas em lares de pais religiosos a mensagem de maus-tratos, abusos sexuais e mortes de crianças na Bíblia? Sabe em que período da sua vida (infância ou adolescência) essas crianças terão acesso a tais versículos ou passagens bíblicas maléficas? Nunca! Se eles não lerem outras fontes que revelem o verdadeiro caráter dos chamados “homens de Deus” que escreveram sobre um deus segundo o seu pensamento, permanecerão como réus diante de seu juiz e consequentemente condenados por suas supostas leis.
De longe, só nos resta torcer para que essa vilania seja cada vez mais atacada e para que psicólogos e pessoas responsáveis por este país se mobilizem no sentido de limitarem e supervisionarem o ensino do dogma a crianças. Lutar para que os que promovem essa prática entendam que crianças devem ser educadas, não doutrinadas, que respeito a algo ou a alguém não deve ser automático, mas merecido.
Quem sabe assim até seja possível, um dia, essas mesmas crianças, perguntarem a seus pais e professores de escola dominicais, porque elas são pecadoras e merecedoras de um inferno eterno para o qual em nada contribuíram.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Decada de 1910



Roupas e designs na decada de 1910:
Foi o inicio dos vestidos curtos e das saias justas.
A principal característica das roupas nesta década eram:
- sem ombros;
- com ‘dobras’;
- Materias e tecidos suaves como a sedae o cetim
- Muitas decorações e rendas (nomeadamente o uso de acessórios em forma de rosas e nós)

Nesta altura a mulher começava a ter de usar calças, saias curtas e cabelo curto. Os direitos entre os homens e as mulheres começavam agora a tornar-se iguais perante a lei. A mulher podia usar o que quisesse e o que precisasse.
A principio sentiam-se muito inseguras por usar ‘roupas de homem’, mas finalmente  se deu o inicio da emancipação das mulheres e o inicio de uma nova era.
Moda nos 1910’s:
A moda era exótica e principalmente as mulheres foram ‘infectadas’ pela ‘febre oriental’. O estilista Paul Poiret introduziu no vestuário feminino itens como turbantes, penas e jóias como decoração e túnicas com imitação de pele de animais.

Maquilagem
Em 1910 as mulheres começavam a usar maquilhagem. A inventora da primeira marca de maquilhagem foi Helena Rubinstein, que inventou o pó rosado para ser usado como blush.
Neste tempo as mulheres da sociedade frequentavam ‘lojas de beleza’ para comprar produtos de maquilhagem. Porém, no tempo da primeira guerra mundial não era a altura mais própria para comprar maquilhagem, portanto as mulheres usavam um pouco de rouge nos seus labios e punham um pouco de vaselina das suas pálpebras.
Também os seus penteados mudavam. Usavam cabelos compridos e encaracolados e volumosos, mas durante a guerra as mulheres não se podiam preocupar com aspecto exterior então após o final da guerra as mulheres estavam mais maduras e não queriam mais usar um visual de meninas inocentes. Diziam até que queriam parecer-se com vampiras exóticas.
Muitos historiadores dizem que talvez tenha sido com este desejo que surgiram os filmes mudos na mesma década.

O sec XX - Acontecimentos que o marcaram


       Acreditamos que existem muitos factores que possam ter influenciado a moda na sociedade, tais como, no caso do sec XX, a música e as diferentes formas de pensar e estar que a música lhes transmitia. Com o séc XX podemos afirmar que foi a primeira vez que as pessoas começaram a 'sair' das suas redomas e começar a exprimirem-se mais e a exprimir a sua maneira de pensar e a sua personalidade. Com isto, acreditamos que o factor musical possa ter influenciado as pessoas a exprimirem-se mais e a viverem de acordo com as suas emoções e vestirem-se espelhando como se sentiam no seu interior.
       Para isso, decidi dar a conhecer que acontecimentos importantes que decorreram ao longo do séc XX. que de uma maneira ou de outra possam ter influenciado a maneira de sentir da população e a maneira como estes viam a vida.
    

     Visão Geral:

        No século vinte assistiu-se a uma mudança notável na maneira como um vasto número de pessoas vivia, como resultado de inovações tecnológicas, médicas, sociais, ideológicas e políticas. Termos como ideologia, guerra mundial, genocídio e guerra nuclear entraram em uso comum e tornaram-se uma influência na vida quotidiana das pessoas. A guerra alcançou uma escala sem precedentes e alto nível de sofisticação; somente na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), aproximadamente 70 milhões de pessoas morreram, principalmente devido a melhorias significativas do armamento. As tendências de mecanização de bens, serviços e redes de comunicação global, que haviam sido iniciadas no século XIX, continuaram em crescimento cada vez mais acelerado no século XX. No que diz respeito ao terror e ao caos, o século XX assistiu a muitos atentados à Paz mundial.
        Argumenta-se que o século XX remodelou a face do planeta de formas que nenhum século prévio havia feito.
Descobertas científicas, como a Teoria de Newton e a física quantica, mudaram radicalmente a visão de mundo dos cientistas, fazendo com que eles percebessem que o Universo e o cosmo era muito mais complexo do que eles haviam acreditado inicialmente, e acelerando as esperanças de que, ao final do século precedente, os últimos detalhes do conhecimento estavam por ser preenchidos.
       Acima de tudo, o século XX se distingue da maior parte da história da humanidade, já que as suas mudanças mais significativas foram direta ou indiretamente econômicas e tecnológicas por natureza. O desenvolvimento econômico foi a força por trás de grandes mudanças no cotidiano, em nível sem precedentes na história humana. As grandes mudanças dos séculos anteriores ao XIX eram mais conectadas com idéias, religião ou conquistas militares, e o avanço tecnológico fez apenas pequenas mudanças na riqueza material de pessoas comuns. No curso do século XX, o Produto Interno Bruto mundial per capita se multiplicou por cinco, muito mais do que em todos os séculos anteriores combinados (incluindo o XIX, com a Revolução Industrial). Muitos economistas dizem que isso subvaloriza a magnitude do crescimento, já que muitos dos bens e serviços consumidos ao final do século, como as melhorias da medicina (que teve como conseqüência o crescimento da expectativa de vida em mais de duas décadas) e tecnologias de comunicação, não estavam disponíveis por nenhum preço em seu início.
       Contudo, o abismo entre os mais ricos e os mais pobres do mundo nunca foi tão grande, e a maioria da população global permaneceu no lado pobre. Mesmo assim, os avanços em tecnologia e medicina tiveram um grande impacto mesmo no hemisfério sul. Indústrias de grande escala e mídia mais centralizada tornaram ditaduras brutais possíveis em uma escala sem precedentes em meados do século, levando a guerras de proporções históricas, apesar do crescimento das comunicações ter contribuído para a democratização.


    No ramo da cultura e do entretenimento:


  
  • No início do século, Paris é a capital artística do mundo, onde tanto escritores, compositores e artistas franceses quanto estrangeiros se encontram.
  •  
  • Filmes, música e a mídia tiveram uma grande influência na moda e tendências em todos os aspectos da vida. Como muitos filmes e músicas se originaram dos Estados Unidos, a cultura americana se espalhou rapidamente por todo o mundo.

  • Após ganhar direitos políticos nos Estados Unidos e grande parte da Europa na primeira parte do século, e com o advento de novas técnicas de controle de natalidade, as mulheres tornaram-se mais independentes ao longo do século.
  • Os estilos de música Rock n' Roll e Jazz foram desenvolvidos nos Estados Unidos, e rapidamente tornaram-se formas dominantes de música popular na América do Norte, e mais tarde, no mundo. Os Beatles, uma banda britânica de Rock & Roll dos anos 60, tornou-se o maior sucessos de todos os tempos, e isso é creditado, em seus últimos álbuns experimentais, mudando permanentemente o que era possível imaginar na música popular.

  • A arte moderna desenvolveu novos estilos como o expressionismo, cubismo e realismo.
  • O automóvel forneceu de forma ampla capacidades crescentes de transporte para um membro comum das sociedades ocidentais na primeira metade do século, espalhando-se ainda mais com o passar do tempo. O desenvolvimento urbano por quase todo o Ocidente focou no transporte por carro. O carro tornou-se um símbolo máximo da sociedade moderna, com estilos de carro que expressam o estilo de vida de seus donos.
  • O desporto tornou-se parte importante da sociedade, tornando-se uma atividade não apenas para os privilegiados. Assistir os esportes, mais tarde também pela televisão, tornou-se uma atividade popular


  • Fontes: wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XX)
    Texto e pesquisa por: Andreia Castro

    Retroespectiva da moda no séc XX




    Moda dos Anos 10
    Nesta altura colocaram-se de lado os espartilhos e as roupas volumosas, passando-se do 8 para o 80, ou seja passando a usar-se saias tão justas que por vezes as mulheres tinham dificuldades em movimentar-se. Foi tambéNesta altura colocaram-se de lado os espartilhos e as roupas volumosas, passando-se do 8 para o 80, ou seja passando a usar-se saias tão justas que por vezes as mulheres tinham dificuldades em movimentar-se. Foi também nesta altura que se criaram os soutiens. Com os poucos produtos disponíveis as mulheres tinham-se vestir da forma mais simples possível, e foram as roupas simples que se tornaram tendência nesta altura.m nesta altura que se criaram os soutiens. Com os poucos produtos disponíveis as mulheres tinham-se vestir da forma mais simples possível, e foram as roupas simples que se tornaram tendência nesta altura.
     
    Moda dos Anos 20


    As mulheres copiavam as roupas e os trejeitos das atrizes famosas, como Gloria Swanson e Mary Pickford.
      Livre dos espartilhos, usados até o final do século 19, a mulher começava a ter mais liberdade e já se permitia mostrar as pernas, o colo e usar maquilagem. A boca era carmim, pintada para parecer um arco de cupido ou um coração; os olhos eram bem marcados, as sobrancelhas tiradas e delineadas a lápis; a pele era branca, o que acentuava os tons escuros da maquilagem.


    Croqui publicado na "Folha da Noite", em 16 de setembro de 1926
    A silhueta dos anos 20 era tubular, com os vestidos mais curtos, leves e elegantes, geralmente em seda, deixando braços e costas à mostra, o que facilitava os movimentos frenéticos exigidos pelo Charleston - dança vigorosa, com movimentos para os lados a partir dos joelhos. As meias eram em tons de bege, sugerindo pernas nuas. O chapéu, até então acessório obrigatório, ficou restrito ao uso diurno. O modelo mais popular era o "cloche", enterrado até os olhos, que só podia ser usado com os cabelos curtíssimos, a "la garçonne", como era chamado

    Moda dos Anos 30
     
    Modelos de Molyneux, publicados na "Folha da Manhã", em maio de 1933Após uma década de euforia, a alegria dos "anos loucos" chegou ao fim com a crise de 1929. A queda da Bolsa de Valores de Nova York provocou uma crise econômica mundial sem precedentes. Milionários ficaram pobres de um dia para o outro, bancos e empresas faliram e milhões de pessoas perderam seus empregos.

    Em geral, os períodos de crises não são caracterizados por ousadias na forma de se vestir. Diferentemente dos anos 20, que havia destruído as formas femininas, os 30 redescobriram as formas do corpo da mulher através de uma elegância refinada, sem grandes ousadias.

    As saias ficaram longas e os cabelos começaram a crescer. Os vestidos eram justos e retos, além de possuírem uma pequena capa ou um bolero, também bastante usado na época. Em tempos de crise, materiais mais baratos passaram a ser usados em vestidos de noite, como o algodão e a casimira.

    O corte enviesado e os decotes profundos nas costas dos vestidos de noite marcaram os anos 30, que elegeram as costas femininas como o novo foco de atenção. Alguns pesquisadores acreditam que foi a evolução dos trajes de banho a grande inspiração para tais roupas decotadas


    Moda dos anos 40

    Modelo publicado na "Folha da Noite", em 8 de abril de 1941Em 1940, a Segunda Guerra Mundial já havia começado na Europa. A cidade de Paris, ocupada pelos alemães em junho do mesmo ano, já não contava com todos os grandes nomes da alta-costura e suas maisons. Muitos estilistas se mudaram, fecharam suas casas ou mesmo as levaram para outros países.
    A Alemanha ainda tentou destruir a indústria francesa de costura, levando as maisons parisienses para Berlim e Viena, mas não teve êxito. O estilista francês Lucien Lelong, então presidente da câmara sindical, teve um papel importante nesse período ao preparar um relatório defendendo a permanência das maisons no país. Durante a guerra, 92 ateliês continuaram abertos em Paris.
    Apesar das regras de racionamento, impostas pelo governo, que também limitava a quantidade de tecidos que se podia comprar e utilizar na fabricação das roupas, a moda sobreviveu à guerra.
    A silhueta do final dos anos 30, em estilo militar, perdurou até o final dos conflitos. A mulher francesa era magra e as suas roupas e sapatos ficaram mais pesados e sérios.
    A escassez de tecidos fez com que as mulheres tivessem de reformar suas roupas e utilizar materiais alternativos na época, como a viscose, o raiom e as fibras sintéticas. Mesmo depois da guerra, essas habilidades continuaram sendo muito importantes para a consumidora média que queria estar na moda, mas não tinha recursos para isso.




    Moda dos anos 50

    Modelo de vestido de popeline para festas, publicado em 18 de novembro de 1956, na "Folha da Manhã"Com o fim dos anos de guerra e do racionamento de tecidos, a mulher dos anos 50 tornou-se mais feminina e glamourosa, de acordo com a moda lançada pelo "New Look", de Christian Dior, em 1947. Metros e metros de tecido eram gastos para confeccionar um vestido, bem amplo e na altura dos tornozelos. A cintura era bem marcada e os sapatos eram de saltos altos, além das luvas e outros acessórios luxuosos, como peles e jóias.
    Essa silhueta extremamente feminina e jovial atravessou toda a década de 50 e se manteve como base para a maioria das criações desse período. Apesar de tudo indicar que a moda seguiria o caminho da simplicidade e praticidade, acompanhando todas as mudanças provocadas pela guerra, nunca uma tendência foi tão rapidamente aceita pelas mulheres como o "New Look" Dior, o que indica que a mulher ansiava pela volta da feminilidade, do luxo e da sofisticação.
    E foi o mesmo Christian Dior quem liderou, até a sua morte em 1957, a agitação de novas tendências que foram surgindo quase a cada estação.


    Modelo de cinta-vespa de náilon, publicado em 5 de outubro de 1952, na "Folha da Manhã"

    Com o fim da escassez dos cosméticos do pós-guerra, a beleza se tornaria um tema de grande importância. O clima era de sofisticação e era tempo de cuidar da aparência.
    A maquiagem estava na moda e valorizava o olhar, o que levou a uma infinidade de lançamentos de produtos para os olhos, um verdadeiro arsenal composto por sombras, rímel, lápis para os olhos e sobrancelhas, além do indispensável delineador.

     
     
     
     
     
    Moda dos anos 60
    Os anos 50 chegaram ao fim com uma geração de jovens, filhos do chamado "baby boom", que vivia no auge da prosperidade financeira, em um clima de euforia consumista gerada nos anos do pós-guerra nos EUA. A nova década que começava já prometia grandes mudanças no comportamento, iniciada com o sucesso do rock and roll e o rebolado frenético de Elvis Presley, seu maior símbolo.
    Publicado na Folha de S.Paulo, em 7 de fevereiro de 1965

    A imagem do jovem de blusão de couro, topete e jeans, em motos ou lambretas, mostrava uma rebeldia ingênua sintonizada com ídolos do cinema. Os anos 60, acima de tudo, viveram uma explosão de juventude em todos os aspectos. Era a vez dos jovens, que influenciados pelas idéias de liberdade.
    Nesse cenário, a transformação da moda iria ser radical. Era o fim da moda única, que passou a ter várias propostas e a forma de se vestir se tornava cada vez mais ligada ao comportamento
     



    Moda dos anos 70

    Esta é a moda que caracteriza os anos 70: hippies e românticos. Os revolucionários dos anos 60 começaram a se acalmar nos anos 70. O “hipismo” teve início em uma comunidade idealística que vivia em Haight-Ashbury , distrito de San Francisco, se esquivando da convocação militar para lutar no  Vietname .
    Originalmente concentrada em um estilo de vida ideal, sem guerras e competições de ego, o hippie acabou virando modismo. O estilo hippie teve uma exposição global em 1969 durante o festival de Woodstock , em Nova York, influenciando milhares de pessoas a adoptar o visual


    Moda dos anos 80
    Os anos 80 serão eternamente lembrados como uma década onde o exagero e a ostentação foram marcas registradas. Os seriados de televisão, como Dallas, mostravam mulheres glamourosas, cobertas com jóias e por todo o luxo que o dinheiro podia pagar. Os yuppies, executivos jovens sedentos por poder e status, também eram outro movimento.
    A moda apressou-se por responder a esses desejos, criando um estilo nada simplório. Num afã em ostentar, todas as roupas de marcas conhecidas tinham seus logos estampados no maior tamanho possível, com preços proporcionais. O jeans alcança seu ápice, ganhando status. E os shoppings tornaran-se paraíso dos consumistas.
    Mas, não bastava ser bem-sucedido e bem-vestido. Nessa década, ter um corpo bonito e saudável era essencial para o sucesso
    .



    Moda dos anos 90

    Até a metade da década de 90, o exagero dos anos anteriores ainda influenciou a moda. Foram lançados, por exemplo, os jeans coloridos e as blusas segunda-pele, que colocaram a lingerie em evidência. Isso  alavancou a moda íntima, que criou peças para serem usadas à mostra, como novos materiais e cores.
    Essa é uma década marcada pela diversidade de estilos que convivem harmoniosamente. A moda seguiu cada uma dessas tendências, produzindo peças para cada tipo de consumidor e para todas as ocasiões. Entretanto, vale a pena ressaltar o Grunge, que impulsionado pelo rock, influenciou a moda e o comportamento dos adolescentes com seu estilo despojado de calças/ bermudões largos e camisas xadrez da região de Seattle, berço destes músicos.
    A camisa xadrez, aliás, foi uma verdadeira coqueluche presente mesmo nos armários dos rapazes mais tradicionais.

     

    Renascimento





    O Renascimento começou em Itália por volta do século XV e espalhou-se pela Europa durante o século XVI. Durante esta altura as cidades desenvolveram-se e enriqueceram. Também o número de artesãos e comerciantes aumentou rapidamente. Houve a diminuição das epidemias da Idade Média e a Europa Ocidental passou à liderança da moda.

    Trajes masculinos:


    Os homens usavam um pequeno turbante chamado chaperon.


    Calçavam poulaines, sapatos pontiagudos que chegavam a ter até 20 cm e a ponta era levantada e atada aos joelhos por uma corda para conseguir andar. Eram flexíveis, de entrada baixa, sem salto e bico fino. Até as armaduras tinham compridos sapatos de ferro de bico revirado.




    “Quando encomendam sapatos na família, são vinte e quatro, quarenta ou cinquenta pares de cada vez. [...] É sabido que esses ridículos sapatos de grandes pontas arrebitadas (as polónias) não suportam a lama; as compridas pontas se deformam, os ornatos perdem o brilho, e em três dias estão completamente estragados, esses sapatos que exigiram um mês de trabalho dos melhores artesãos da oficina de Guilherme Loisel, em Paris.”

    No final do século, os sapatos passaram a ser redondos, mas como sempre o exagero levou a que eles fossem redondos a tal ponto que passaram a chamá-los "bico-de-pato".

    Tal como as roupas, também os sapatos possuíam recortes e brocados. Os chapéus, para os homens, eram como boinas com abas, muito confortáveis e podiam ser adornados puxando a aba da frente do rosto para cima e prendendo-a com uma jóia.
    Aliás, o gosto por chapéus, que vinha da Idade Média prolongou-se no Renascimento tendo cada classe e faixa etária um chapéu adequado à sua condição.

    Um outro hábito que não se perdeu foi o de cobrir a cabeça com uma touca de linho apertada no queixo, embora esse acessório tenha ficado para uso de advogados e homens mais idosos.

    O cabelo usava-se comprido e até 1535 a barba era raspada. Em 1535 o rei ordenou que na corte os cabelos fossem cortados e que se deixassem crescer as barbas, começando o próprio por dar o exemplo.

    As roupas das classes dominantes eram sobrepostas. Usavam camisas de linho, sobre as quais vestiam um casaco justo chamado gibão. Sobre o qual usavam uma jaqueta curta com muitas peles em torno do pescoço e com mangas largas, também usavam calções em balão pelo meio da coxa. No final do século, a moda formal e rígida da Espanha espalhou-se por toda a Europa. Passaram a vestir calções até aos joelhos. Modificaram o gibão, ganhando uma saliência sobre o ventre.



    Ganharam muitos enfeites e acessórios, como botões e cintos ornamentados com pedrarias. Contrariamente ao que se pode pensar, o homem possuía um visual mais exuberante do que a mulher.

    A Silueta Feminina:


    Nesta época, a mulher decidiu sair da obscuridade e revelar-se mais, visto que na Idade Média, muito pouco podia fazer, decidiu agora vir com novas exigências, principalmente a nível do seu aspecto.

    O Renascimento não foi só um período em que as mulheres das classes dominantes se distinguiam das que lhes eram socialmente inferiores pelas suas formas mais nutridas e pela brancura imaculada da roupa interior, mas também um período em que se tornou mais importante que as mulheres fossem “diferentes” dos homens, tanto na forma de vestir como na aparência e no comportamento.As mulheres manifestaram uma tendência para se vestirem de forma mais pudica.

    Os seus vestidos compridos e volumosos, revelavam uma cintura torneada ainda mais delgada pelo uso do espartilho, e, quando os costumes mais liberais o permitiam, podiam mesmo exibir um peito leitoso e adequadamente empoado e pintado com rouge.

    Nesta época, cânones da beleza feminina e o modelo ideal de mulher sofreram várias transformações: de esbelta a roliça e de natural a pintada.

    A silhueta e o rosto femininos foram correspondendo às diferentes condições de dieta, de estatuto e de riqueza, dando origem a novos padrões de aparência e gosto, a novos ideais de beleza e erotismo.





    Nas roupas vemos  muito brilho, pedras, bordados, tecidos nobres... o que vemos é uma verdadeira explosão de vaidade, com trajes lindos que conseguem ser admirados até hoje sem cair no exagero que vemos no século XVIII e principalmente na época Rococó...

    O Povo:

    Para o povo, o vestuário simples e pouco variado nas formas, fabricado por ele próprio, apenas tinha um significado utilitário. Longe das modas e dos actos mundanos da Corte, era o mais simples e rústico, baseado apenas nas necessidades do quotidiano. As suas cores escuras, os tecidos vulgares e remendados comunicavam apatia e tristeza. O vestuário reflectia a sua condição de dependência.

    Para cobrirem a cabeça, além das toucas ou coifas colocavam por vezes um sombreiro de abas largas ou barretes de feltro e pano. Juntamente com o saio, bastante usual, vestiam-se os gibões compridos de burel, calças de malha grosseira e mantos com capuz de Inverno.
    Os camponeses continuarão a vestir-se mais ou menos da mesma forma até meados do século XIX.






    Trajes do Clero:

    O Clero vestia vestidos escuros, compridos de lã com capas igualmente compridas e escuras.Alguns andavam descalços outros calçados com sapatos de couro.

    Desde o mais simples ao mais complexo o Clero vestia diferentes tipos de trajes conforme a sua riqueza e claro todos usavam adereços próprios da religião como por exemplo os terços.
    Haviam os Dominicanos, os Carmelitas e os Franciscanos.







    Também tenho algumas sugestões de filmes interessantes que retratam esta época e como não podia deixar de mencionar que este foi o período dos Descobrimentos.

    Século XVIII



    As novas concepções de pensamento, advindas do Iluminismo, e as correntes artísticas do Barroco e Rococó, marcam fundamentalmente o Século XVIII.

    O retrato do momento é o de uma aristocracia que levava uma vida extremamente luxuosa.

    A imagem da rainha Maria Antonieta, da França, é extremamente associada a esse período, devido à sua contribuição para mudanças no comportamento e no estilo da época, com suas extravagâncias.

    Pode ser considerada a maior influencia cultural da época.
    É em função dela que surge a primeira figura de criador de moda.

    Rose Bertin era responsável pela criação de seus vestidos e adereços.


    De um modo geral copiava-se o que era lançado na Corte de Versalhes:

    Maria Antonieta

    • Vestidos amplos, volumosos e pregueados, alguns em forma de saco;
    • Corpetes mais folgados;
    • As panniers e as farthingales na armação das saias;
    • Penteados exuberantes e altíssimos, com enchimentos e elementos decorativos;
    • Maquilhagem empoada e mosquettes;
    • Chapéus enormes e com muitas plumas de animais nobres;

    O vestuário masculino tinha a seguinte estrutura:

    Inspiração de John Galliano no século XVIII para o Outono Inverno de 2010

    • Casaco (justaucorps) ajustado na cintura;
    • Coletes bordados;
    • Calções extremamente justos;
    • Lenços originados das golas da chemise, muito volumosos, no pescoço;


    Século XIX





    Napoleão I

     A partir da Revolução Francesa, houve uma rejeição por parte da população ao Antigo Regime que se propagou à moda, de forma que todas as tendências ostensivas dessa época foram deixadas de lado.  Depois de Napoleão I tomar a posse de França, as pessoas preferiam muito mais roupas confortáveis.  Houve uma certa influência dos campos ingleses na moda, principalmente, a masculina. Sendo assim, passou a fazer parte do guarda-roupa dos homens casacos de caça, botas, golas altas e lenços amarrados no pescoço.




    Estilo Império








     


    As mulheres também adoptaram uma certa simplicidade, usando vestidos de tecidos leves (como o mousseline e a cambraia) semelhantes à camisolas de cintura alta e normalmente de cor branca.
     
     



    Durante o Consulado e Diretório franceses houve uma certa incorporação de valores gregos e romanos, o que acabou garantindo às roupas femininas um toque clássico, além do conforto no império.

     


    Napoleão também influenciou muito a confecção das roupas francesas. Por querer desenvolver a indústria têxtil francesa, proibiu a compra de mousseline e algodão da Índia e a repetição de roupas pelas damas da corte.

     


    Houve também o surgimento de um acessório muito usado durante a era das revoluções: o xale.
     
     
     
    Era Romântica






    Por volta de 1830 há uma transformação gradual do estilo Império para o Romântico que exaltava emotividade e criatividade. A influencia francesa regressa em força pelo menos na imblementária feminina.
    Enquanto o estilo inglês continua a ser usado pelos homens.

    De modo geral a roupa feminina ganha as seguintes variações:

     

    • Silhueta fluida, porém mais ornamentada;
    • Diminuição do comprimento dos vestidos;
    • Mangas bufantes, que iniciam-se curtas e aumentam de volume depois (manga pernil);
    • Penteados anelados;
    • Maquiagem discreta, quase natural, com rosáceas nas maçãs do rosto;
    • Joiás como complemento dos decotes, sempre rebaixados e com obros caídos;


    • Uso do corpete;


    • Chápeu boneca;
    • Leques;
    • Sapatos de salto baixo e ponta arredondada;




     

    Era Vitoriana










    Após um período em que a imagem é suavizada e simplificada, temos novamente na história uma época de excessos e grandes volumes. É o período Vitoriano, que tem este nome em função da rainha Vitória, monarca da Inglaterra neste período.




     
    O ideal feminino que passa a ser seguido é:
    • A crinolina, com muitas anáguas, gerando vestidos extremamente volumosos;

    • O espartilho, evoluído do corset, agora mais ajustado à cintura, chegando inclusive a deformá-la;

    • Mangas extremamente justas e compridas, enfatizando os ombros caídos;

    • Cabelos ondulados;

    • Xailes e chapéus grandes decorados, eram os acessórios preferidos;

    • Maquilhagem pálida com boca e olhos extremamente marcados;
    À mulher vitoriana foi dada a condição de ser frágil, puro, tímida, inocente e sensível. Qualquer característica que fosse de encontro a essas características era considerado vulgar. Por isso as roupas eram criadas para evidenciar esse perfil.

     
    A Era Vitoriana na Alta Costura actual

     
     
    Emily Blunt veste modelo da coleção alta costura da Dior

     
    A atriz Emily Blunt, de “O Diabo Veste Prada”, protagoniza um ensaio belíssimo na edição de maio da revista “Vanity Fair”. No editorial entitulado, “There Will Be Beauty ” (Haverá Beleza), ela representa uma  musa da era vitoriana, da moda rica em detalhes, de peças feita a mão, do extremo requinte, proposto pela temporada de alta costura de Paris.
     
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