sábado, 25 de agosto de 2012

Cores em movimento


Pinacoteca de São Paulo expõe ilusões visuais do venezuelano Carlos Cruz-Diez, um dos principais nomes da arte óptica
 
INDUÇÃO CROMÁTICA Nº 53. PARIS, 1973/DIVULGAÇÃO

Escrito nos anos 20, o conto de ficção científica A cor que caiu do céu gira em torno de uma pequena comunidade agrícola americana aterrorizada por algo “impossível de imaginar”, vindo de outro mundo. O monstro criado pelo autor H. P. Lovecraft não é um alienígena ou um ser vivo – é, na verdade, uma cor estranha. Ela destrói plantações e mata animais. Quem depara com ela passa a questionar a própria razão e fica a ponto de enlouquecer. A narrativa é uma alegoria do atordoamento da mente diante de um estímulo sensorial a que o cérebro não está habituado. De certa forma, a mostra Carlos Cruz-Diez: cor no espaço e no tempo remete à história de Lovecraft. Retrospectiva de 60 anos de trabalho do artista venezuelano, ícone da op art (arte óptica), as 150 obras expostas na Pinacoteca do Estado, em São Paulo, são resultado da experimentação de matizes em diferentes contextos de iluminação e espaço, traço marcante da obra de Cruz-Diez.

Logo no início da exposição o público é convidado a tomar um “banho” de cor na instalação Duchas de indução cromática, onde o espectador entra em tubos de plástico rígido e fica exposto a luzes de diferentes tonalidades. A obra brinca com o fenômeno de afterimage, ou persistência retiniana, isto é, o cérebro continua a “enxergar” um estímulo com o qual se acostumou, como se fosse uma imagem fantasma – a sucessão de cores diferentes contra a superfície leva os neurônios da retina a ver matizes que não existem.

Principal obra da exposição, Cromointerferência mostra como as cores podem influir até mesmo na percepção dos contornos dos objetos. Trata-se de um grande espaço branco no qual dois planos de cor ondulam constantemente em faixas projetadas nas paredes e no piso, deformando visualmente tudo que há ao redor, inclusive o corpo dos visitantes. “A cor não é apenas um pigmento, mas uma ‘situação’ que resulta da projeção da luz sobre o  objetos e da maneira como essa iluminação é processada pelo olho humano”, diz Cruz Diez. Vídeos sobre o processo criativo do artista e fotografias de algumas de suas intervenções urbanas completam o acervo.

Carlos Cruz-Diez: cor no espaço e no tempo. Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2, São Paulo. Informações: (11) 3324-1000. Terça a domingo, das 10h às 18h. R$ 6. Grátis às quintas e aos sábados. Até 23 de setembro.

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