sábado, 25 de agosto de 2012

Faces entre luzes e sombras


Exposição de máscaras teatrais evoca o conceito arquetípico de persona
 
MAURO MAGLIANI
APOLLO (acima) e O bosque de máscaras
A máscara está presente na história da humanidade desde tempos remotos. Em rituais religiosos e pagãos e no teatro ganhou papel significativo. Na Grécia Antiga, com o nome de persona, tinha dupla função: ajudar o ator a compor a estética do personagem e amplificar sua voz. Seja nos ritos, no carnaval, nos bailes, no teatro romano, na famosa Commedia Dell’Arte da Idade Média ou no teatro novo, as máscaras seduzem, desconcertam, provocam risos, mas, sobretudo, dissimulam.

A exposição A máscara teatral na arte dos Sartori - da Commedia Dell’Arte ao mascaramento urbano, em cartaz no Rio de Janeiro, propõe uma viagem imaginária rumo à história dessa magnífica arte, desde as origens até sua expansão em espaços arquitetônicos abertos. São 186 obras produzidas pelos célebres escultores italianos Amleto Sartori (1915-1962) e seu filho Donato, cujos nomes remontam à redescoberta da máscara teatral no século XX. Além das peças, estão expostos documentos, imagens, desenhos e esboços pertencentes à coleção Sartori, Itália.

Entre as principais atrações da exposição estão O bosque de máscaras (feita para a trilogia de Ésquilo, Oréstia, encenada na França em 1955) e a instalação de máscaras medievais utilizadas no teatro popular e no folclore de matriz pagã.

Os sentidos das máscaras, porém, são muitos e vão além dos palcos teatrais. Algumas sociedades pré-industriais acreditavam que quem as usava adquiria poderes mágicos; já para a literatura, o cinema e as artes em geral simbolizam a incorporação de uma outra identidade. No campo da psicologia, o mascaramento ganhou nova dimensão a partir da psicologia analítica de Carl Gustav Jung (1875-1961), que resgatou do teatro grego o termo persona para referir-se ao arquétipo da adaptação social, espécie de “aparência” psicossocial que forjamos para viver entre nossos semelhantes. No entanto, trata-se da primeira defesa a que devemos abdicar rumo à nossa essência, ao nosso self, durante o processo de individuação (busca do equilíbrio entre forças inconscientes e conscientes para exercermos nossas potencialidades de modo pleno). Ao “cair a máscara” é inevitável o encontro com a face desconhecida de nós mesmos, a que Jung denominou Sombra, na maioria das vezes enigmática e assustadora, porém correspondente a uma parte essencial de nossa psique, plena de aspectos imaturos, inferiores ou reprimidos, mas também de grandes atributos ainda não desenvolvidos.

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