segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Aprendizado Do Copiar E Colar

   
Que profissional é este que estamos formando? Que diferencial competitivo ele conseguirá ter no mercado de trabalho? Como as empresas irão lidar com estes profissionais?

Quero iniciar este artigo com o olhar de uma educadora que vem percebendo uma deficiência na aprendizagem básica, sim, aquela que aprendemos há tempos, escrever, pensar, refletir, emitir opiniões que no meu tempo de escola aprendíamos, com relação a situações muito simples do cotidiano de nossos educandos. Por atuar com educandos de cursos profissionalizantes e universitários, na maioria jovens em busca de um espaço no mercado de trabalho, há algo que vem me preocupando, tenho identificado e compartilhado com colegas professores, sérios problemas na elaboração de textos, pensamentos reflexivos, quando sugiro ao educando a elaboração de um texto, percebo o “desespero” para elaborá-lo, claro que alguns por não terem sido orientados para isso, pois não posso ser hipócrita e não entender que a educação hoje, por ser um grande “negócio” perdeu seu foco, que deveria ser a aprendizagem em detrimento do interesse econômico, e outros por acomodação, ou seja, o jovem realmente não demonstra interesse em aprender, querer fazer algo diferente. O que me surpreende é quando solicito texto manuscrito, a insatisfação torna-se ainda maior o que aí já quer dizer que não escrevemos mais, só digitamos, lembro-me que pesquisávamos “palavras” no dicionário enquanto hoje com o advento do computador e, sobretudo da internet, o que se pesquisa são “textos prontos” a percepção que tenho é de total dependência, eles não conseguem mais raciocinar por conta própria e a internet passou a ser “ferramenta fundamental” tudo o que sabem fazer, na maioria das vezes é pesquisar no google, e o pior, muitos não se dão ao trabalho nem de entender o que estão pesquisando, já vivenciei trabalhos acadêmicos entregues com hiperlink (que dá acesso a outras páginas, se clicados) o que identifica que o “pesquisador” não leu nada do que estava escrito. Nunca fui contra a pesquisa virtual, sempre permito que façam, mas com critérios, confesso que também faço pesquisas on line, claro que existem sites confiáveis, porém, não consigo conceber um aprendizado onde apenas “copia-se” e “cola-se” algo sem entendimento do mesmo. Para finalizar trago algumas reflexões: Que profissional é este que estamos formando? Que diferencial competitivo ele conseguirá ter no mercado de trabalho? Como as empresas irão lidar com estes profissionais? São apenas algumas questões que me intrigam, porém, como educadora por formação e convicção quero acreditar que teremos dias melhores, que nossos educandos irão “cair na real” e perceber que precisamos ser seres pensantes, reflexivos e assertivos. Gostaria muito que todos os alunos opinassem sobre este artigo

domingo, 26 de maio de 2013

Arte urbana: Professor X alunos.

Arte urbana para aproximar professores e alunos

Falar sobre as pinturas de Picasso, mas sem deixar de mencionar Speto, famoso grafiteiro brasileiro que cria sua arte inspirado tanto no pintor espanhol quanto nos cordéis. Ensinar química a partir das composições das tintas ou das influências que elas sofrem por conta da ação do tempo. São inúmeras as formas de levar a arte urbana para dentro da sala de aula, por meio de diferentes disciplinas. E para que as linguagens artísticas sejam levadas ao currículo escolar, um projeto realizado pelaONG Eduqativo – Instituto Choque Cultural, que desenvolve iniciativas baseadas no conceito da educomunicação aplicado à arte, está capacitando professores para trabalhar a arte urbana com os jovens em sala de aula. O curso gratuito Linguagens Artísticas para Professores que acontece em maio, em SãoPaulo, vai abordar conceitos teóricos sobre a história da educação e da arte contemporânea, além de levantar discussões sobre como aplicar e desenvolver projetos sobre o tema com os estudantes.
Segundo Raquel Ribeiro, educadora há mais de 20 anos e atual coordenadora da ONG Eduaqtivo, o objetivo é, principalmente, discutir e apontar para os professores como trabalhar essas linguagens artísticas já familiares aos jovens.  A ideia é orientar os educadores sobre como usar as diferentes culturas juvenis (grafite, skate, hip-hop, rock etc.) como ponte para realizar mudanças em sala de aula, ajudando a aproximar os educadores dos estudantes, além de criar novas metodologias educativas. “Muitos materiais didáticos com foco na arte urbana estão entrando no currículo escolar. Mas o professor, que ainda tem uma visão muito paradigmática dos jovens, não consegue muitas vezes se comunicar e trabalhar com eles, que estão num momento de transição em suas vidas”, afirma.
crédito Raquel Ribeiro
 
De acordo com ela, a própria escola ao longo da sua história e de sua formalidade foi se distanciando do universo do jovem pela forma clássica de ensinar e de se organizar. Um exemplo disso são os próprios espaços físicos. “Até hoje, muitas escolas públicas, principalmente, carregam o mesmo visual de organização institucionalizada, com paredes metade de uma cor, metade de outra. Esse é o mesmo tipo de pintura de outras instituições, como hospitais e presídios”, diz.
Para fornecer diferentes instrumentos aos professores, a capacitação será realizada em momentos teóricos, voltados à discussão, e a um último com atividades práticas. Nos dois primeiros, os educadores terão acesso a conteúdos teóricos, passando pela história da educação e da arte contemporânea, como porta de entrada para entender como reformular novas linguagens na educação.
“Os jovens já estão habituados com essa arte, mas normalmente fora da escola, quando poderiam tê-la em um contexto escolar.”
Raquel diz que esses bate-papos servirão especialmente para ajudar os professores a quebrar os paradigmas que carregam do jovem, que, diferente de antes, está mais conectado com o mundo. “Muitos educadores acreditam que esses adolescentes não se aprofundam nas coisas, por exemplo. Ao contrário, o jovem de hoje fala com três pessoas ao mesmo tempo, está no Facebook, assistindo TV e ouvindo música, o que demanda dele uma conexão mental muito grande para processar tudo isso”, diz.
Além das discussões, que visam tirar o rótulo negativo que os educadores têm de muitos jovens, durante o último encontro da formação, os professores terão contato com artistas que desenvolvem arte urbana, além de experimentar técnicas que vão desde o manuseio de lambe-lambe (espécies de cartazes que podem ser presos na parede), fanzines (tipo feito por “fãs” e produzida sem fins comerciais), stickers (adesivos), estêncils (técnica que usada moldes de superfícies furadas para aplicar figuras) e outros materiais. “Eles vão experimentar e procurar diferentes formas de usar esses produtos para a criação de projetos, que podem ser aplicados não isoladamente em suas disciplinas, mas especialmente em atividades interdisciplinares”, diz Raquel. “Essas técnicas ajudam a tornar a aula interativa, abrindo um canal direto e efetivo de comunicação. Os jovens já estão habituados com essa arte, mas normalmente fora da escola, quando poderiam tê-la em um contexto escolar”, afirma Raquel.
crédito Raquel Ribeiro
 
Para sair do discurso à prática, como último quesito da capacitação, os professores precisam criar um projeto mais curto, na disciplina que leciona – em uma ou duas aulas – ou mais longos, normalmente interdisciplinares, de um semestre, por exemplo. Os melhores projetos são selecionados pela ONG, que, inclusive, ajuda os educadores a dar vida à iniciativa. A educadora explica que em um curso puramente teórico o professor normalmente concorda com o que é dito, mas quando chega em sala de aula não consegue transportar as ideias apreendidas à prática, como em um projeto. “Na sala a realidade é diferente. O professor encontra realidades diversas. Tentamos mostrar um caminho possível”, diz.
“Quando o artista visita a escola e produz algo bacana numa parede, por exemplo, ou o professor, que consegue criar um trabalho interdisciplinar dentro da instituição, mostram o quão possível é possível desenvolver iniciativas como essas.”
Ainda como parte da formação, as escolas dos professores que participam do curso recebem um artista, escolhido pela instituição e que seja pertinente à proposta – para realizar um bate-papo com os estudantes, além de alguma intervenção – pintar um muro, criar peças de artes, pintar quadros etc. “A intenção não é fazer uma oficina. Afinal, não queremos tirar a autoridade do professores, mas levar o artista para mostrar como acontece o processo produtivo e de criação dos artistas.  Acabar com a ideia da arte como algo elitizado”, assegura a educadora.
Além disso, a visita tem o intuito também de mostrar aos professores e à direção da escola a possibilidade de trabalhar a estética jovem de uma forma organizada. “A escola geralmente lida com experiências do tipo de maneira desastrosa ou tenho receio em adotá-las. Quando o artista visita a escola e produz algo bacana numa parede, por exemplo, ou o professor, que consegue criar um trabalho interdisciplinar dentro da instituição, mostram o quão possível é possível desenvolver iniciativas como essas”, afirma. 
SERVIÇO:
As capacitações acontecerão em São Paulo, nos dias 04, 11 e 25 de maio. As inscrições são limitadas e os interessados devem se inscrever por e-mail do e-mail: info@institutochoquecultural.org.br

Governo quer criar universidade de artes


Mariana Tokarnia
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O governo vai criar uma universidade de artes, que vai oferecer cursos de graduação e pós-graduação voltados para as artes e a cultura. De acordo com o ministro da Educação Aloizio Mercadante, a pasta, em conjunto com o Ministério da Cultura, terá 100 dias para apresentar um projeto. A universidade estará entre as quatro que o Ministério da Educação (MEC) vai criar em 2014.
"Queremos reunir na universidade todas as expressões da cultura: a música clássica, a dança clássica, a música popular, a dança popular, as artes plásticas, a pintura, a poesia, tudo em cursos de graduação, mestrado, doutorado, em uma única instituição", disse Mercadante.
A universidade não tem lugar definido. O ministro explica que os governadores e prefeitos devem enviar propostas. "Quem apresentar o melhor espaço, o espaço mais interessante, culturalmente mais rico, a melhor arquitetura, seguramente levará o projeto. Vamos fazer uma seleção pública para a localização da universidade", diz.
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, acrescenta que a universidade poderá ganhar outros campi. "A universidade de artes pode começar como uma primeira e depois ser ampliada. Poderemos ter um celeiro de talentos e especializações em áreas que ainda não temos. O brasileiro é criativo, vai muito longe, mas se tiver instrumentos na jornada, poderá alcançar um grau de excelência. Pode ser um marco bastante importante para a cultura no Brasil".

Edição: Beto Coura
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. Para reproduzir as matérias é necessário apenas dar crédito à Agência Brasil

Maturidade espiritual


Durante a infância, o ser humano experiencia a fase do egocentrismo. Acredita que o mundo gira em torno dele próprio.
A criança espera que tudo seja do jeito que gosta.
Acredita ter direito ao melhor presente, à comida preferida e exige a atenção da família toda para si.
É possível estabelecer uma comparação entre essa fase natural da evolução física e a evolução espiritual.
Afinal, homens são Espíritos que temporariamente vestem um corpo de carne.
Enquanto um homem tem a atenção focada em seus prazeres e necessidades, ele está na infância espiritual.
Por mais antigo que seja, ainda não atingiu a maturidade.
Considera absolutamente necessário defender seu espaço e fazer valer suas prerrogativas.
Como uma criança, entende ser justo o que o beneficia.
Assim é o discurso infantil a respeito da justiça.
Qualquer pequeno dever é injusto.
A mínima contrariedade representa opressão.
Já as vantagens todas, por grandes que sejam, são naturais.
A maturidade espiritual revela-se por uma diferente compreensão do justo.
O olhar já não está todo em vantagens e desejos.
Não há mais a percepção de que o mundo precisa atender todas as suas necessidades.
Gradualmente, o homem compreende que o direito nasce do dever bem cumprido.
Ele também entende que a vida em sociedade pressupõe renúncia.
Não é possível que todos realizem as próprias fantasias.
Se isso ocorresse, haveria o caos.
Há necessidade de limites e de concessões para a harmonia social.
O homem maduro aprende a prestar atenção nos direitos dos outros, pois o ideal do justo já despertou nele.
Sabe que a justiça é uma arte que implica dar a cada um aquilo que é seu.
Por isso, não avança no patrimônio do semelhante.
Não quer vantagens inapropriadas e nem aceita privilégios que os demais não podem ter.
Compreende que a família do próximo é tão respeitável quanto a dele.
Sabe que o patrimônio público é sagrado, pois voltado ao atendimento das necessidades coletivas.
Respeita profundamente a honra e as construções afetivas dos outros.
Seu senso ético não lhe permite baixezas, razão pela qual também tem a própria honra em grande conta.
O espetáculo das misérias humanas revela o quanto ainda são imaturas as criaturas, sob o prisma espiritual.
Entretanto, todas serão conduzidas à maturidade, pelos meios infalíveis de que a vida dispõe.
Cedo ou tarde, compreenderão quão pouco adianta amealhar bens e posições à custa da própria dignidade.
Quem se permite baixezas tem um despertar terrível, após a morte do corpo.
Assimila que, na cata de vantagens, se tornou um mendigo na verdadeira vida.
Percebe que sacrificou o permanente pelo transitório e perdeu tempo, pois terá de recomeçar o aprendizado.
Pense nisso.
Redação

Dias de solidão


Tem dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu. Quando o poeta da música popular escreveu esses versos, explicitava na canção o sentimento que muitas vezes se apodera de nossa alma.
São aqueles dias onde a alma se perde na própria solidão, encontrando o eco do vazio que ressoa intenso em sua intimidade.
São esses dias em que a alma parece querer fazer um recesso das coisas da vida, das preocupações, responsabilidades e compromissos, para simplesmente ficar vazia.
Não há quem não tenha esses dias de escuridão dentro de si. Fruto algumas vezes de experiências emocionais frustrantes, onde a amargura e o dissabor nos relacionamentos substituem as alegrias de bem-aventuranças anteriores.
Outras vezes são os problemas econômicos ou as circunstâncias sociais que nos provocam dissabores e colocam sombras na alma.
A incompreensão no seio familiar, a inveja no círculo de amizades, a competição e rivalidade desmedida entre companheiros de trabalho provocam distonias de grande porte em algumas pessoas.
Nada mais natural esses dissabores. Jesus, sabiamente, nos advertiu dizendo que no mundo só encontraríamos aflições.
Tendo em vista a condição moral de nosso planeta, as aflições e dificuldades são questões naturais e, ainda necessárias para a experiência evolutiva de cada um de nós.
Dessa forma, é ilusório imaginarmos que estaríamos isentos desses embates ou acreditarmo-nos inatacáveis pela perversidade, despeito ou inferioridade alheia.
Assim, nesses momentos faz-se necessário enfrentar a realidade, sem deixar-se levar pelo desânimo ou infelicidade.
Se são dias difíceis os que estejamos passando, que sejam retos nosso proceder e nossas ações. Permanecer fiel aos compromissos e aos valores nobres é nosso dever perante a vida.
Os embates que surjam não devem ser justificativas para o desânimo, a queixa e o abandono da correta conduta ou ainda, o atalho para dias de depressão e infelicidade.
Aquele que não consegue vencer a noite escura da alma, dificilmente conseguirá saudar a madrugada de luz que chega após a sombra, que parece momentaneamente vencedora.
Somente ao insistirmos, ao enfrentarmos, ao nos propormos a bem agir frente a esses momentos, teremos as recompensas conferidas àquele que se propõe enfrentar-se para crescer.
* * *
Se os dias que lhe surgem são desafiadores, lembre-se de que mesmo Jesus enfrentou a noite escura da alma, em alguns momentos, porém, sempre em perfeita identificação com Deus, a fim de espalhar a claridade sublime do Seu amor entre aqueles que não O entendiam.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 7, do livro Atitudes renovadas, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

MAIS TINTA CASEIRA PARA A ARTE DOS BEBÊS!


Misture 4 colheres de amido de milho, 
três colheres de água 
e mexa em uma xícara com água fervendo. 

Quando a mistura esfriar, 
acrescente corante para alimentos 
e coloque na geladeira. 

A tinta caseira pode ser utilizada 
em superfícies secas ou úmidas.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

CHIMARRÃO


CHIMARRÃO

Os pesquisadores do Instituto Pasteur e da Sociedade Científica de Paris fizeram um estudo sobre a Erva-Mate e concluíram que o Mate contém praticamente todas as vitaminas necessárias para sustentar a vida. 
Segundo os pesquisadores não existe no mundo outra planta que se iguale à Erva-Mate em suas propriedades e seu valor nutricional.

Características:
Digestiva
É um moderado diurético
Estimulante das atividades físicas e mentais
Auxiliar na regeneração celular
Elimina a fadiga
Contém vitaminas - A, B1, B2, C e E
É rica em sais minerais como Cálcio, Ferro, Fósforo, Potássio, Manganês
É um estimulante natural que não tem contra-indicações
É vaso-dilatador, atua sobre a circulação acelerando o ritmo cardíaco
Auxiliar no combate ao colesterol ruim (LDL), graças a sua ação antioxidante
Por ser estimulante possui também poderes afrodisíacos, graças a vitamina “E” presente na erva-mate
É rica em flavonóides (antioxidantes vegetais) que protegem as células e previnem o envelhecimento precoce, tendo um efeito mais duradouro pela forma especial como se toma o mate
Segundo o médico pesquisador, Dr. Oly Schwingel, é indicado o uso do chimarrão de duas a três vezes ao dia
Previne a osteoporose, fortalecendo a estrutura óssea graças ao Cálcio e as vitaminas contidas na erva-mate
Contribui na estabilidade dos sintomas da gota (excesso de ácido úrico no organismo)
É rico em fibras que contribuem para o bom funcionamento do intestino
Auxiliar em dietas de emagrecimento
Atua beneficamente sobre os nervos e músculos
Regulador das funções cardíacas e respiratórias...,













CHIMARRÃO

Os pesquisadores do Instituto Pasteur e da Sociedade Científica de Paris fizeram um estudo sobre a Erva-Mate e concluíram que o Mate contém praticamente todas as vitaminas necessárias para sustentar a vida.
Segundo os pesquisadores não existe no mundo outra planta que se iguale à Erva-Mate em suas propriedades e seu valor nutricional.

Características:
Digestiva
É um moderado diurético
Estimulante das atividades físicas e mentais
Auxiliar na regeneração celular
Elimina a fadiga
Contém vitaminas - A, B1, B2, C e E
É rica em sais minerais como Cálcio, Ferro, Fósforo, Potássio, Manganês
É um estimulante natural que não tem contra-indicações
É vaso-dilatador, atua sobre a circulação acelerando o ritmo cardíaco
Auxiliar no combate ao colesterol ruim (LDL), graças a sua ação antioxidante
Por ser estimulante possui também poderes afrodisíacos, graças a vitamina “E” presente na erva-mate
É rica em flavonóides (antioxidantes vegetais) que protegem as células e previnem o envelhecimento precoce, tendo um efeito mais duradouro pela forma especial como se toma o mate
Segundo o médico pesquisador, Dr. Oly Schwingel, é indicado o uso do chimarrão de duas a três vezes ao dia
Previne a osteoporose, fortalecendo a estrutura óssea graças ao Cálcio e as vitaminas contidas na erva-mate
Contribui na estabilidade dos sintomas da gota (excesso de ácido úrico no organismo)
É rico em fibras que contribuem para o bom funcionamento do intestino
Auxiliar em dietas de emagrecimento
Atua beneficamente sobre os nervos e músculos
Regulador das funções cardíacas e respiratórias...,

A Concentração e a arte da mímica.


A Concentração e a arte da mímica.


Marcel marceau em cena do quadro "A Gaiola".

A concentração é uma das formas mais importantes para se chegar à essência da arte da mímica. Muitos artistas são “derrubados” no palco quando não estão em estado de profunda conexão consigo mesmos e com o público. Na condição de estudante, aprender as técnicas da mímica é fundamental o interessado buscar os estados que podem conduzi-lo a um mergulho na essência da técnica de mímica teatral: estatuísmo, mímica corporal, pantomima e outras formas de mímica que deseja estudar.
No estatuísmo, a concentração mais eficaz é a VUSUALIZAÇÃO.
Concentrar-se num ponto e manter a imagem viva na mente de si mesmo.
Quando o estudo aparece como proposta, é necessário que o aprendiz busque sempre fazer uma coisa de cada vez e de forma paciente. Lidar com a ansiedade e a pressa é uma das questões que fazem o estudante avançar ou recuar.
Para se aprender é necessário repetição e persistência, paciência e silêncio interno. A prática do silêncio interno é meditativa e está bem longe do nosso proceder cultural mas com a quebra de fronteiras e a globalização, hoje em dia temos acesso a essas técnicas acessando sites na internet, e observando leituras indicadas que podem ajudar a melhorar a atenção e o contato com o resultado que se quer atingir.
Acessar o “estado desejado” é uma das formas mais diretas e simples de se chegar a um contato mais pleno com o eu e mergulhar na prática que se pretende. Através do ESTADO DESEJADO, podemos antecipar sensações e visualizar na mente o resultado a que se quer chegar.
Uma dica para se chegar ao ESTADO DESEJADO é:

PRIMEIRO BLOCO
1 – Visualizar a imagem perfeitamente, com os olhos fechados e concentrar-se nela por alguns segundos.
2 – Imaginar movimentos para esta imagem dentro da mente sem mover os músculos do corpo.
3 – Repetir corporalmente os movimentos produzidos na mente, só que, desta vez, com os olhos abertos.

SEGUNDO BLOCO
4 – Lembrar de respirar lentamente 3 vezes e depois fazer uma respiração profunda, de olhos fechados.
5 – Fazer o mais absoluto silêncio enquanto executa cada passo do exercício de concentração.
6 – Retomar toda a sequência do primeiro e segundo bloco com os olhos abertos e de frente para os colegas.

EXERCÍCIO DE VISUALIZAÇÃO
1 – Criar uma imagem bem clara de uma estátua nos mínimos detalhes, uma coisa de cada vez. O detalhe da roupa, o tipo de pintura (maquiagem) a referência específica de onde ela surgiu (se de algum lugar e/ou algum livro como referência).
2 – Após todo o detalhamento da imagem, abrir os olhos e escrever de forma automática (sem elaborar) cada detalhe que foi pensado. Deixar a escrita fluir sem parar.
3 – Bucar num colega da sala a referência para esta estátua, ir até ele, vesti-lo de forma improvisada com lençóis disponíveis e/ou pedaços de jornal, de forma a se aproximar da imagem criada na memória.
4 – Explicar para os colegas cada detalhe que utilizou para recriar a imagem e após a imagem criada em um dos colegas (modelo), explicar o que falta na estátua para que possa ser comparada com o que de fato ele conseguiu de resultado.

A execução passo a passo desses exercícios acima vão exigir e ao mesmo tempo adestrar a mente para uma correta concentração e desenvolvimento do aprendiz.

Como medir a concentração:
Uma das maiores dificuldades que se tem quando se está estudando uma disciplina rigorosa como é a arte da mímica é “medir a concentração”. Devido a nossa forma “aleatória” de proceder e também pelo negativismo “cultural” de nossa mente, tendemos a achar que não avançamos em nada quando fazemos um determinado exercício.
Para que se perceba o avanço é necessário:
1 – Fazer a comparação do estado “atual” com o estado “anterior” e ver qual o “ganho” obtido durante o processo.
2 – O estado positivo da mente também é fundamental. É importante que se desenvolva rapidamente a idéia de que o caminho entre o “começo”e o “fim” já é um grande ganho, um movimento em relação ao resultado.
3 – Acreditar que não se pode aprender sem dar “um passo de cada vez” e que o resultado disso é “sempre um resultado”.
4 – Substituir a “expectativa” pela “visualização”, ou seja, ao invés de criar parâmetros externos, o estudante deve visualizar internamente o estado que deseja chegar.

MÍMICA, O QUE É ISSO?



Diz Jiddu __ Comecei a fazer mímica em 1988 e a partir de 1995 iniciei uma pesquisa sobre a ação de outros mímicos pelo Brasil a fora. Este texto foi escrito a partir de especulações intuitivas e conversas com artistas ligados ao teatro gestual brasileiro e internacional.
Muitos nomes não estão citados aqui e este texto pretende apenas ser uma versão dos fatos e não os fatos em si.


Três gerações da mímica. Eduardo Coutinho (esquerda) Vinícius Della Líbera
(Centro) Jiddu Saldanha (direita).


Reflexões sobre a história esquecida dos mímicos brasileiros.
- por Jiddu Saldanha /junho - 2004

A mímica tem essa coisa atávica, porque faz parte da vida humana. Somos seres gestuais, antes de qualquer coisa. Dizemos o que queremos com olhos, boca e mãos sem precisar pronunciar palavras.
Na arte da mímica em si, tudo vira metáfora pois, através da pantomima, pode-se dizer coisas que chegam às pessoas por vias sutis e vão, aos poucos, revelando uma teia de acontecimentos na sensibilidade de quem se coloca para os mistérios e as novidades da arte.
Mímicos como Josué Soares, Fernando Vieira e Cleber França nos transportam para uma estrutura cênica pela qual se configura a arte do gesto. O mímico precisa preservar seu lado criança evitando, assim, a lógica estrutural do mundo adulto que sempre formaliza os resultados. Precisamos de um certo “acidente de percurso" para entender, de fato, as nuances de nossa arte e executá-la, até ir se instalando na sensibilidade do mundo interior do expectador.

Uma colagem virtual feita por Vinícius Della Líbera, em 2005, mostra
a gama de mímicos brasileiros atuantes entre a década de 80 até por
volta de 2005. 
Eu tenho muita fé na arte da mímica. Acredito que é uma forma de expressão que vale a pena ser vivenciada em todos os seus aspectos. Estamos avançando, e vamos dar a volta por cima em relação ao que acontece hoje no Brasil. Esta falta de foco que todo o país atravessa, esta falta de reconhecimento para um dos mais belos aspectos da história de nosso teatro. Os mímicos estão revestidos de uma história plena de resultados e não são poucas as histórias que podemos contar a respeito de nossos feitos por este país afora.
A mímica tem como foco o corpo total do ator e o imaginário da platéia. Para nós a fala pode ser lida como gesto, porque o contexto e as intenções são outras, que não as do teatro tradicional que é literário e falado. O mímico se locomove num universo de silêncio (se for clássico) e pode se apropriar do mundo sonoro, das onomatopéias (se for contemporâneo), fazendo ponte com o fundo musical. Existem visões dissonantes entre o que pode ser um teatro gestual e um teatro de mímica, os contextos variam e os resultados conseguidos por atores são infinitos, dada a riqueza desta forma de expressão.
O Brasil tem dois grandes mestres nesta arte, que podemos considerar nossos pioneiros: Luis de Lima e Ricardo Bandeira. Foram eles que deram origem à genealogia da mímica no Brasil.
Baluartes da mímica no Brasil!
Luis de Lima (falecido em 2002) nasceu em Portugal e veio para o Brasil tornando-se, desde a década de 1950 uma referência nesta arte. Ele foi um Intelectual que estudou mímica com os mestres franceses, tornando-se, inclusive, amigo pessoal do grandioso Etiénne Decroux, considerado o maior mestre contemporâneo desta arte. Depois de um certo período, Luis de Lima passou a dedicar-se ao teatro literário, tornando-se tradutor e intérprete de autores como Yonesco, entre outros. Além de destacar-se no teatro, ele dedicou-se também ao cinema e televisão. Durante seus últimos anos, revezava seu trabalho artístico com oficina de iniciação à arte da mímica, que ele nunca deixou de divulgar na mídia que o cercou.
Ricardo Bandeira (falecido em 1995) era carioca e construiu a maior parte de sua carreira em São Paulo. Tinha uma visão orgânica do teatro. Era autodidata, uma espécie de batalhador e um romântico, engajado na causa do comunismo. Viveu de mímica uma boa parte de sua vida e também se dedicou ao cinema, ao teatro tradicional e à literatura. Ricardo Bandeira morreu um pouco esquecido, deixando uma imensa obra e muitos admiradores. Três dos grandes mímicos brasileiros cruzaram pelo seu caminho: Cleber França, Duda de Olinda e Alberto Gaus. Sabe-se que Ricardo Bandeira foi uma fonte de inesgotável inspiração para quase todos os mímicos de São Paulo.

A Corrente Intermediária.
Após o trabalho duro de Luis de Lima e Ricardo Bandeira, surgiu uma sucessão de nomes que foram mais ou menos contemporâneos, iniciando um processo de multiplicação de artistas gestuais através de seus trabalhos e suas pesquisas.
Lina do Carmo, uma vasta experiência
na Europa a partir dos anos 80.
São eles: Vicentini Gomez, Luis Otávio Burnier, Paulo Yutaka, Denise Stoklos e Lina do Carmo.
Vicentini Gómez -  Foi, durante a década de 1970 até meados dos anos 1990 um incansável trabalhador nos palcos brasileiros, sendo vocacionado para a  arte da mímica teatral. Vicentini era e é um excelente produtor, levando seu repertório de espetáculos solos a diversas cidades brasileiras e outros países atingindo sucesso de público e crítica, conseguindo importantes inserções na mídia brasileira. Diversos atores fizeram contato com Vicentini  e aprenderam com ele a técnica que aprendera com Ricardo Bandeira.
Luis Otávio Burnier – Burnier teve sua formação na França e estudou com Etiénne Decroux, o mestre maior da mímica. Aprofundou-se no conhecimento da mímica corporal dramática e de volta ao Brasil fundou o núcleo de pesquisa teatral LUME da UNICAMP, onde iniciou a pesquisa da “mimésis corpórea” que poderíamos chamar de um investimento técnico-científico na gestualidade cultural brasileira.
Paulo Yutaka – Foi um dos grandes performer’s de São Paulo, tendo influenciado muitos artistas que, ao assistirem suas performances, acabaram abraçando a carreira da arte da mímica. Ele investiu numa carreira séria e fez ótimos espetáculos, inclusive tendo dirigido diversas peças de teatro.
Denise Stoklos – O talento de Denise Stoklos e, sobretudo, seu altíssimo nível intelectual fez dela uma performer de destaque em toda a década de 1980/90 e atualmente. Denise foi, talvez, o maior acontecimento do teatro brasileiro deste período. Ela foi aprender mímica na Inglaterra com Desmond Jones e depois evoluiu para uma linguagem cênica calcada em pesquisas próprias, que ela passou a chamar de Teatro Essencial e que tem hoje diversos seguidores em todo o Brasil. Denise revolucionou  inclusive o trabalho do ator com sua proposta cênica.
Com a dissertação de mestrado "O Mimo e a Mímica",
Eduardo Coutinho, nos deu a primeira tese de mestrado
sobre mímica em Língua Portuguesa.
Lina do Carmo – Fortalecendo o time de mulheres que elevaram o nível técnico e prático da mímica teatral, Lina do Carmo aprofundou-se nos estudos com Marcel Marceau tornando-se sua assistente até voltar-se totalmente para sua própria linguagem  mergulhando profundamente na arte e investigação do corpo como forma de linguagem artística, evoluindo para uma linguagem que transcende o gesto. Ela encontrou as mais difusas escolas corporais da Europa e se afirmou com um trabalho onde a mímica atinge forte presença.
Existem outros nomes que não estão sendo citados aqui; no entanto, o objetivo deste artigo é localizar os artistas novos que estão buscando aprender mímica atualmente, para que tenham uma noção elementar dos acontecimentos e acesso à informação. Neste artigo, busco citar alguns dos principais personagens envolvidos no processo da mímica no Brasil.

Everton Ferre - Durante mais de 3 décadas, uma 
referência absoluta no sul do Brasil.
O Ritual de Passagem.
A passagem dos anos 1970 para os de 1980 foi altamente prolífica para a arte do gesto no Brasil. Nesta época, começaram a aparecer artistas argentinos, peruanos, colombianos e chilenos, por aqui. Nestes países, a mímica vinha avançando e surgiram profissionais que aproveitaram a abertura política brasileira de 1978 para experimentar a alegre e participativa platéia brasileira.
Dois nomes que se destacaram no sul do Brasil foram o peruano Jorge Acuña Razzuri, filho de Jorge Acuña, o pioneiro da mímica no Peru; e o argentino Daniel Berbedés que atuou fortemente também no sul do Brasil e teria encantado Everton Ferre que, posteriormente, estudou com Jorge Acuña Razzuri.
Everton percorreu o caminho contrário. Quando aprendeu a brilhante técnica de Jorge Acuña, resolveu excursionar pelos países da América Latina, destacando-se em diversos festivais e aprofundando seu conhecimento desta arte. Tornou-se um verdadeiro paladino, ensinando sua técnica para centenas de jovens brasileiros e estrangeiros gerando um número considerável de artistas que mergulharam na mímica pelos anos 90 afora.
São contemporâneos de Everton Ferre nomes como Miquéias Paz, de Brasília; Eduardo Coutinho, de São Paulo; Josué Soares, baiano radicado no Rio de Janeiro; Luiza Monteiro, também do Rio de Janeiro; Lina do Carmo, Piauí; Cleber França, de São Paulo; Alberto Gaus, também de São Paulo; Rolando Zwicker, de Santa Catarina; Denize Namura, de São Paulo; Fernando Vieira, de São Paulo; Gabriel Guimard, São Paulo; Creso Filho, de Vitória; Mauro Zanata, de Sta. Catarina, etc...
Foto rara de 1995 registra a presença de diversos mímicos
e entusiastas residentes no Rio de Janeiro, entre eles, Luisa
Monteiro e Josué Soares.
No Rio de Janeiro, o mímico Josué Soares foi um dos destaques da década de 1980 com Luiza Monteiro quando, juntos com Creso Filho, fundaram o grupo “Mimotropical” que cobriu a primeira metade da década dando espaço para o grupo “Os Mimos”, que surgiu após a dissolvição do Mimotropical, e foi o grupo dominante até a metade dos anos 1990. No grupo “OS MIMOS” revelaram-se talentos como Toninho Lobo, de Minas Gerais, Suzana Fuentes, do Rio de Janeiro, e Aníbal Sá, também do Rio de Janeiro. Mais tarde, o grupo passou a funcionar com novos artistas e a sua última formação contava com o mímico Alex- Sandro e Márcio Machado, ambos já falecidos e, também, a participação esporádica de Mário Fiorim Neto.
Josué Soares permanece com a chama acesa e, na última conversa que tivemos (em 2004), ele disse que está reativando o grupo “OS MIMOS”, uma ótima notícia. Melhor ainda foi ver, tempos depois desta conversa, a circulação na internet do espetáculo “PICASSO”, que fora montado na sua versão original pela Cia. Os Mimos e tem a direção de Josué Soares.

Josué Soares, além de mímico consagrado, é um dos poucos diretores de
teatro com um currículo de espetáculos de mímica, dirigidos ao longo
de quase 3 décadas de dedicação!
Expectativa de futuro.
Uma nova geração de artistas surgiu na virada dos anos 1980/90. Faço parte deste grupo ao lado de Álvaro Assad, Duda de Olinda, Luis Louis, Marcya Harco e Patricia Carvalho, Ana Teixeira, Paulo Trajano, Helena Figueira e o argentino Santiago Galassi, entre outros. Muitos artistas da minha geração foram estudar nas escolas de Desmond Jones e Etiénne Decroux. Mas também muitos mímicos seguiram o caminho do autodidatismo, principalmente aqueles que permaneceram no Brasil, onde o aprendizado é discipular e envolve horas de treinamento diretamente com os mestres. Este é o meu caso, pois estudei diretamente com Everton Ferre, fazendo 3 anos depois um aprimoramento com Luis de Lima.
Apesar de termos ótimos profissionais, ainda não somos em quantidade suficiente e isto talvez esteja ligado ao fato de a demanda ser muito pequena, pois nossas escolas de teatro são ainda um pouco conservadoras e não adotaram nos seus currículos o ensino da mímica como obrigatório para atores, e as exceções não são suficientes para reverter a regra.

Luis Louis e Victor de Seixas, investiram pesado na pedagogia para ajudar
a mímica brasileira chegar ao século 21.
Toda regra, entretanto, tem exceções e podemos dizer que a mímica já está bastante presente na Escola de Teatro Martins Pena, através do professor Mário Mendes, que foi um dos primeiros mímicos do Rio de Janeiro a fincar os pés em uma escola de teatro e manter a continuidade do trabalho dentro do ambiente estudantil. Na USP, em São Paulo, através de Eduardo Coutinho, existe um avançado estudo da arte do gesto. Coutinho, aliás, é um dos mais estudiosos mímicos do Brasil, um respeitável artista com vocação científica e que vem dando grande status à nossa arte com sua ousada dedicação.
A CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), escola de teatro que atende praticamente aos jovens de classe média do Rio de Janeiro, tem Ana Teixeira como professora de mímica corporal dramática.
O Centro de Estudos do Movimento, no Rio de Janeiro, conhecido como Escola Angel Vianna, tem na figura de Paulo Trajano, a representação da mímica dentro do estabelecimento. Evidentemente que deva existir outras escolas espalhadas pelo Brasil adotando a mímica em sua grade curricular, mas desconheço sua existência.
A Escola Macunaíma, de Antunes Filho, foi uma das primeiras do Brasil a adotar a mímica em sua grade curricular.
Vale a pena destacar o brilhante trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Solar da Mímica, escola situada no interior de São Paulo, que tem se dedicado ao ensino da mímica e vem a cada ano fixando seu espaço no cenário artístico nacional. Muitos jovens já estiveram no Solar da Mímica, que vem se tornando uma verdadeira lenda no teatro atualmente.
Em Curitiba, Mauro Zanata criou a “Escola do Ator Cômico”, onde a mímica é uma disciplina obrigatória. Um trabalho que merece estar neste artigo.
Tenho atualmente 4 pessoas no Brasil que aprenderam comigo (discipularmente) a técnica e o repertório que aprendi com Everton Ferre, são eles: Denise Wal (SP) e que atualmente está no Cirqe du Soleil, no Canadá, trabalhando seus números aéreos de circo, portanto, não mais envolvida com a mímica; José Maria Lopes Borges (Amapá), Julio Hernandes (Baurú-SP) e Sérgio Bicudo (Amazonas).
Também influenciei, num certo sentido, o mímico Mário Fiorin Neto e, certamente, Álvaro Assad que, embora tenha técnica bem diferenciada da minha, não podemos negar que fomos afetados um pelo estilo do outro, durante o período em que trabalhamos juntos formando uma dupla de mímicos entre 1992 e 1994.
A mímica vive atualmente um momento muito delicado de sua história no Brasil. Nunca houve um reconhecimento oficial da grandeza de Ricardo Bandeira e Luis de Lima embora, é claro, os artistas de teatro nunca os tivessem ignorado. Mas a contra-informação de bastidores, sobre o trabalho dos mímicos, confunde a cabeça dos jovens atores que acabam caindo num discurso anacrônico sobre o trabalho metódico dos mímicos brasileiros, considerando-os repetitivos e sem imaginação; sem dúvida, uma estratégia “elitizada” e “europeizada”, que impede os jovens de enxergarem a montanha toda, ao invés de só os seus arbustos.
Os mímicos que mais sofrem com esta falsa argumentação por parte de alguns setores da "classe" artística são os pantomimos que, ignorados em suas pesquisas, são tratados injustamente como clones de Marcel Marceau, como se o único pantomimo do mundo fosse Marceau. A pantomima existe há mais de 2.500 anos, desde a Grécia antiga e, embora o estilo de Marceau seja moderno, construído ao longo do século XX, os pantomimos sempre existiram no mundo. Sempre houve na história do teatro, artistas que faziam e fazem pantomima independentemente da existência de Marcel Marceau.
Vivemos em uma sociedade de "cânones": ou você é canonizado pela mídia televisiva ou pelo poder acadêmico. O teatro é massacrado pelos dois lados e os pantomimos, frágeis figuras dentro de todo este processo, acabam ignorados e vivendo um certo abandono dentro dos ambientes "consagrados"!
As escolas de mímica em todo o mundo são bastante divergentes entre si, mas todas reconhecem a grandeza de um grande mestre: Etienne Decroux, que foi mestre do Marcel Marceau e do Luiz de Lima e que hoje é a fonte segura da mais genuína pesquisa para uma mímica do terceiro milênio. Há no Rio de Janeiro, a Srtª  Ana Teixeira, que é uma pessoa credenciada para falar da técnica de "mímica corporal dramática", interpretação genuína do grande mestre francês que passou mais de 70 anos pesquisando a arte do gesto, imprimindo a ela um forte rigor de pesquisa e investigação.
Posso citar nesta entrevista também a figura de Paulo Trajano que tem uma formação semelhante a Ana Teixeira e dedica-se ao ensino da técnica de mímica corporal dramática do mestre Etiénne Decroux.
As pesquisas de Etiénne Decroux encontraram ressonância, recompensando assim seus longos anos de estudo, pesquisa e desenvolvimento da mímica corporal e, hoje, jovens do mundo todo estão descobrindo sua técnica e buscando-a vigorosamente. No entanto, o ensino da pantomima por parte de mímicos mais intuitivos, tem prestado um serviço primordial para despertar o talento nos jovens. Quando um jovem ator aprende técnicas de encenação gestual, e coloca em prática um repertório apreendido de solos gestuais, vai encontrando, aos poucos, a revelação da arte do gesto em todas as suas nuances. Isto aconteceu com o jovem ator Victor Seixas que, depois de ter sido iniciado em uma de minhas oficinas de 1992, nunca mais parou de estudar e, tendo esgotado as possibilidades de estudos no Brasil, foi estudar na escola de Mímica Corporal Dramática, que antes era em Paris e agora está situada em Londres. Posso dizer, orgulhoso, que Victor Seixas já me superou em todos os sentidos, mas foram as simples aulas de pantomima e iniciação gestual que o despertaram para o sacerdócio da arte do ator.
Penso que o conservadorismo, por parte das escolas de teatro, deixa o ator antimímico sem o recurso corporal e reflexivo necessário para se construir uma boa cena. Tornando-os burocráticos e friamente técnicos, excessivamente “sonoros”, porém sem “ressonância” no palco. Acredito que a mímica seja fundamental para o desenvolvimento de um ator total. O que, talvez, torne difícil a aproximação do espectador com esta forma de arte é que nós, os mímicos, carregamos conosco uma espécie de “maldição” porque deixamos nossa arte envolta numa aura de “mistérios” e preservamos um certo "segredo", que vem da visão individualista e classista européia, diferentemente da visão dos brasileiros que se pretende mais coletiva se acionada com vigor.
Tenho grandes esperanças na arte da mímica. Acho um luxo para o Brasil termos nomes tão significativos nesta arte fazendo bonito dentro e fora do país. Você, amigo leitor, não tem idéia do que é um espetáculo do Everton Ferre ao vivo, ou do Fernando Vieira, do Luis Louis, do Josué Soares. A capacidade de emocionar através do gesto é o que faz da mímica uma das artes de primeira linha em diversos países do mundo. Não é à toa que podemos senti-la nos passos do Michael Jackson, nas interpretações de atores como Robin Wiliams, Jimi Carey e tantos outros do cinema americano e nacional. A Mímica influenciou fortemente o Hip Hop, as danças de rua e a Dança Contemporânea. Nos países Orientais a mímica tem status de arte principal e os mímicos são muito respeitados e amados por crianças, mulheres e homens. É uma arte que tem muito a dar à humanidade e que tem no Brasil alguns de seus principais intérpretes no mundo do espetáculo contemporâneo.

Jiddu Saldanha - Junho de 2004
Revisão – João de Abreu Borges

O Decálogo da mímica, desde 1997.

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