domingo, 26 de maio de 2013

Arte urbana: Professor X alunos.

Arte urbana para aproximar professores e alunos

Falar sobre as pinturas de Picasso, mas sem deixar de mencionar Speto, famoso grafiteiro brasileiro que cria sua arte inspirado tanto no pintor espanhol quanto nos cordéis. Ensinar química a partir das composições das tintas ou das influências que elas sofrem por conta da ação do tempo. São inúmeras as formas de levar a arte urbana para dentro da sala de aula, por meio de diferentes disciplinas. E para que as linguagens artísticas sejam levadas ao currículo escolar, um projeto realizado pelaONG Eduqativo – Instituto Choque Cultural, que desenvolve iniciativas baseadas no conceito da educomunicação aplicado à arte, está capacitando professores para trabalhar a arte urbana com os jovens em sala de aula. O curso gratuito Linguagens Artísticas para Professores que acontece em maio, em SãoPaulo, vai abordar conceitos teóricos sobre a história da educação e da arte contemporânea, além de levantar discussões sobre como aplicar e desenvolver projetos sobre o tema com os estudantes.
Segundo Raquel Ribeiro, educadora há mais de 20 anos e atual coordenadora da ONG Eduaqtivo, o objetivo é, principalmente, discutir e apontar para os professores como trabalhar essas linguagens artísticas já familiares aos jovens.  A ideia é orientar os educadores sobre como usar as diferentes culturas juvenis (grafite, skate, hip-hop, rock etc.) como ponte para realizar mudanças em sala de aula, ajudando a aproximar os educadores dos estudantes, além de criar novas metodologias educativas. “Muitos materiais didáticos com foco na arte urbana estão entrando no currículo escolar. Mas o professor, que ainda tem uma visão muito paradigmática dos jovens, não consegue muitas vezes se comunicar e trabalhar com eles, que estão num momento de transição em suas vidas”, afirma.
crédito Raquel Ribeiro
 
De acordo com ela, a própria escola ao longo da sua história e de sua formalidade foi se distanciando do universo do jovem pela forma clássica de ensinar e de se organizar. Um exemplo disso são os próprios espaços físicos. “Até hoje, muitas escolas públicas, principalmente, carregam o mesmo visual de organização institucionalizada, com paredes metade de uma cor, metade de outra. Esse é o mesmo tipo de pintura de outras instituições, como hospitais e presídios”, diz.
Para fornecer diferentes instrumentos aos professores, a capacitação será realizada em momentos teóricos, voltados à discussão, e a um último com atividades práticas. Nos dois primeiros, os educadores terão acesso a conteúdos teóricos, passando pela história da educação e da arte contemporânea, como porta de entrada para entender como reformular novas linguagens na educação.
“Os jovens já estão habituados com essa arte, mas normalmente fora da escola, quando poderiam tê-la em um contexto escolar.”
Raquel diz que esses bate-papos servirão especialmente para ajudar os professores a quebrar os paradigmas que carregam do jovem, que, diferente de antes, está mais conectado com o mundo. “Muitos educadores acreditam que esses adolescentes não se aprofundam nas coisas, por exemplo. Ao contrário, o jovem de hoje fala com três pessoas ao mesmo tempo, está no Facebook, assistindo TV e ouvindo música, o que demanda dele uma conexão mental muito grande para processar tudo isso”, diz.
Além das discussões, que visam tirar o rótulo negativo que os educadores têm de muitos jovens, durante o último encontro da formação, os professores terão contato com artistas que desenvolvem arte urbana, além de experimentar técnicas que vão desde o manuseio de lambe-lambe (espécies de cartazes que podem ser presos na parede), fanzines (tipo feito por “fãs” e produzida sem fins comerciais), stickers (adesivos), estêncils (técnica que usada moldes de superfícies furadas para aplicar figuras) e outros materiais. “Eles vão experimentar e procurar diferentes formas de usar esses produtos para a criação de projetos, que podem ser aplicados não isoladamente em suas disciplinas, mas especialmente em atividades interdisciplinares”, diz Raquel. “Essas técnicas ajudam a tornar a aula interativa, abrindo um canal direto e efetivo de comunicação. Os jovens já estão habituados com essa arte, mas normalmente fora da escola, quando poderiam tê-la em um contexto escolar”, afirma Raquel.
crédito Raquel Ribeiro
 
Para sair do discurso à prática, como último quesito da capacitação, os professores precisam criar um projeto mais curto, na disciplina que leciona – em uma ou duas aulas – ou mais longos, normalmente interdisciplinares, de um semestre, por exemplo. Os melhores projetos são selecionados pela ONG, que, inclusive, ajuda os educadores a dar vida à iniciativa. A educadora explica que em um curso puramente teórico o professor normalmente concorda com o que é dito, mas quando chega em sala de aula não consegue transportar as ideias apreendidas à prática, como em um projeto. “Na sala a realidade é diferente. O professor encontra realidades diversas. Tentamos mostrar um caminho possível”, diz.
“Quando o artista visita a escola e produz algo bacana numa parede, por exemplo, ou o professor, que consegue criar um trabalho interdisciplinar dentro da instituição, mostram o quão possível é possível desenvolver iniciativas como essas.”
Ainda como parte da formação, as escolas dos professores que participam do curso recebem um artista, escolhido pela instituição e que seja pertinente à proposta – para realizar um bate-papo com os estudantes, além de alguma intervenção – pintar um muro, criar peças de artes, pintar quadros etc. “A intenção não é fazer uma oficina. Afinal, não queremos tirar a autoridade do professores, mas levar o artista para mostrar como acontece o processo produtivo e de criação dos artistas.  Acabar com a ideia da arte como algo elitizado”, assegura a educadora.
Além disso, a visita tem o intuito também de mostrar aos professores e à direção da escola a possibilidade de trabalhar a estética jovem de uma forma organizada. “A escola geralmente lida com experiências do tipo de maneira desastrosa ou tenho receio em adotá-las. Quando o artista visita a escola e produz algo bacana numa parede, por exemplo, ou o professor, que consegue criar um trabalho interdisciplinar dentro da instituição, mostram o quão possível é possível desenvolver iniciativas como essas”, afirma. 
SERVIÇO:
As capacitações acontecerão em São Paulo, nos dias 04, 11 e 25 de maio. As inscrições são limitadas e os interessados devem se inscrever por e-mail do e-mail: info@institutochoquecultural.org.br

Governo quer criar universidade de artes


Mariana Tokarnia
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O governo vai criar uma universidade de artes, que vai oferecer cursos de graduação e pós-graduação voltados para as artes e a cultura. De acordo com o ministro da Educação Aloizio Mercadante, a pasta, em conjunto com o Ministério da Cultura, terá 100 dias para apresentar um projeto. A universidade estará entre as quatro que o Ministério da Educação (MEC) vai criar em 2014.
"Queremos reunir na universidade todas as expressões da cultura: a música clássica, a dança clássica, a música popular, a dança popular, as artes plásticas, a pintura, a poesia, tudo em cursos de graduação, mestrado, doutorado, em uma única instituição", disse Mercadante.
A universidade não tem lugar definido. O ministro explica que os governadores e prefeitos devem enviar propostas. "Quem apresentar o melhor espaço, o espaço mais interessante, culturalmente mais rico, a melhor arquitetura, seguramente levará o projeto. Vamos fazer uma seleção pública para a localização da universidade", diz.
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, acrescenta que a universidade poderá ganhar outros campi. "A universidade de artes pode começar como uma primeira e depois ser ampliada. Poderemos ter um celeiro de talentos e especializações em áreas que ainda não temos. O brasileiro é criativo, vai muito longe, mas se tiver instrumentos na jornada, poderá alcançar um grau de excelência. Pode ser um marco bastante importante para a cultura no Brasil".

Edição: Beto Coura
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Maturidade espiritual


Durante a infância, o ser humano experiencia a fase do egocentrismo. Acredita que o mundo gira em torno dele próprio.
A criança espera que tudo seja do jeito que gosta.
Acredita ter direito ao melhor presente, à comida preferida e exige a atenção da família toda para si.
É possível estabelecer uma comparação entre essa fase natural da evolução física e a evolução espiritual.
Afinal, homens são Espíritos que temporariamente vestem um corpo de carne.
Enquanto um homem tem a atenção focada em seus prazeres e necessidades, ele está na infância espiritual.
Por mais antigo que seja, ainda não atingiu a maturidade.
Considera absolutamente necessário defender seu espaço e fazer valer suas prerrogativas.
Como uma criança, entende ser justo o que o beneficia.
Assim é o discurso infantil a respeito da justiça.
Qualquer pequeno dever é injusto.
A mínima contrariedade representa opressão.
Já as vantagens todas, por grandes que sejam, são naturais.
A maturidade espiritual revela-se por uma diferente compreensão do justo.
O olhar já não está todo em vantagens e desejos.
Não há mais a percepção de que o mundo precisa atender todas as suas necessidades.
Gradualmente, o homem compreende que o direito nasce do dever bem cumprido.
Ele também entende que a vida em sociedade pressupõe renúncia.
Não é possível que todos realizem as próprias fantasias.
Se isso ocorresse, haveria o caos.
Há necessidade de limites e de concessões para a harmonia social.
O homem maduro aprende a prestar atenção nos direitos dos outros, pois o ideal do justo já despertou nele.
Sabe que a justiça é uma arte que implica dar a cada um aquilo que é seu.
Por isso, não avança no patrimônio do semelhante.
Não quer vantagens inapropriadas e nem aceita privilégios que os demais não podem ter.
Compreende que a família do próximo é tão respeitável quanto a dele.
Sabe que o patrimônio público é sagrado, pois voltado ao atendimento das necessidades coletivas.
Respeita profundamente a honra e as construções afetivas dos outros.
Seu senso ético não lhe permite baixezas, razão pela qual também tem a própria honra em grande conta.
O espetáculo das misérias humanas revela o quanto ainda são imaturas as criaturas, sob o prisma espiritual.
Entretanto, todas serão conduzidas à maturidade, pelos meios infalíveis de que a vida dispõe.
Cedo ou tarde, compreenderão quão pouco adianta amealhar bens e posições à custa da própria dignidade.
Quem se permite baixezas tem um despertar terrível, após a morte do corpo.
Assimila que, na cata de vantagens, se tornou um mendigo na verdadeira vida.
Percebe que sacrificou o permanente pelo transitório e perdeu tempo, pois terá de recomeçar o aprendizado.
Pense nisso.
Redação

Dias de solidão


Tem dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu. Quando o poeta da música popular escreveu esses versos, explicitava na canção o sentimento que muitas vezes se apodera de nossa alma.
São aqueles dias onde a alma se perde na própria solidão, encontrando o eco do vazio que ressoa intenso em sua intimidade.
São esses dias em que a alma parece querer fazer um recesso das coisas da vida, das preocupações, responsabilidades e compromissos, para simplesmente ficar vazia.
Não há quem não tenha esses dias de escuridão dentro de si. Fruto algumas vezes de experiências emocionais frustrantes, onde a amargura e o dissabor nos relacionamentos substituem as alegrias de bem-aventuranças anteriores.
Outras vezes são os problemas econômicos ou as circunstâncias sociais que nos provocam dissabores e colocam sombras na alma.
A incompreensão no seio familiar, a inveja no círculo de amizades, a competição e rivalidade desmedida entre companheiros de trabalho provocam distonias de grande porte em algumas pessoas.
Nada mais natural esses dissabores. Jesus, sabiamente, nos advertiu dizendo que no mundo só encontraríamos aflições.
Tendo em vista a condição moral de nosso planeta, as aflições e dificuldades são questões naturais e, ainda necessárias para a experiência evolutiva de cada um de nós.
Dessa forma, é ilusório imaginarmos que estaríamos isentos desses embates ou acreditarmo-nos inatacáveis pela perversidade, despeito ou inferioridade alheia.
Assim, nesses momentos faz-se necessário enfrentar a realidade, sem deixar-se levar pelo desânimo ou infelicidade.
Se são dias difíceis os que estejamos passando, que sejam retos nosso proceder e nossas ações. Permanecer fiel aos compromissos e aos valores nobres é nosso dever perante a vida.
Os embates que surjam não devem ser justificativas para o desânimo, a queixa e o abandono da correta conduta ou ainda, o atalho para dias de depressão e infelicidade.
Aquele que não consegue vencer a noite escura da alma, dificilmente conseguirá saudar a madrugada de luz que chega após a sombra, que parece momentaneamente vencedora.
Somente ao insistirmos, ao enfrentarmos, ao nos propormos a bem agir frente a esses momentos, teremos as recompensas conferidas àquele que se propõe enfrentar-se para crescer.
* * *
Se os dias que lhe surgem são desafiadores, lembre-se de que mesmo Jesus enfrentou a noite escura da alma, em alguns momentos, porém, sempre em perfeita identificação com Deus, a fim de espalhar a claridade sublime do Seu amor entre aqueles que não O entendiam.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 7, do livro Atitudes renovadas, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed.