sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Teatro Inglês



Teatro Inglês




A primeira obra notável do teatro inglês foi Spanish Tragedy, de Kyd, uma mistura de tragédia e peça popular. Robert Greene comparece com peças poéticas e Marlowe, precursor de William Shakespeare, funde os dois estilos, a tragédia e a comédia.

Em 1558 tem início o teatro denominado elisabetano, por ter se desenvolvido durante o reinado de Elisabeth I. Seu florescimento foi extraordinário muito embora prevalecesse na Inglaterra o mais arraigado preconceito contra a profissão teatral.

Os teatros elisabetanos possuíam um formato circular ou poligonal, sem teto e eram construídos de madeira. O palco avançava até o meio do edifício de tal forma que o público o cercava por três lados tendo boa visibilidade. Alguns destes tinham três níveis a fim de que várias cenas pudessem ser representadas simultaneamente.

Os autores mais notáveis dessa época foram William Shakespeare (Romeu e Julieta, Hamlet, A Megera Domada), Christopher Marlowe (Eduardo II, Doutor Fausto ) e Bem Jonson (Volpone, A Mulher Silenciosa , O Alquimista ) Suas peças , divididas em obras históricas, comédias e tragédias fazem não só a crônica do país como também descrevem com rara compreensão a condição humana , as relações entre o indivíduo e a sociedade.

O Teatro Inglês da Restauração

Depois do desaparecimento de Willian Shakespeare e de seus êmulos, Ben Johnson, Francis Beaumont, John Fletcher, Philip Massinger, John Ford, Thomas Kid e Christopher Marlowe, e do período sombrio das ditaduras de Oliver Cromwell e de seu filho Richard, destituído em 1659, começou o teatro inglês um período conhecido como o da "restauração", pois na verdade se tratava da restauração da beleza britânica, sob o rei Charles II, da dinastia Stuart. Houve então uma liberalização tão grande nessa ocasião que os papéis femininos deixaram de ser feitos por homens, em travesti, passando a ser desempenhados por mulheres, algumas das quais ficaram famosas e têm seus nomes incorporados à história do teatro inglês, como Nell Gwynn, que se tornou a favorita do rei; Mrs. Barry, Mrs. Bracegirdle e Mrs. Mountfort.

Elas abriram caminho para as glórias futuras de Sara Siddons, mais conhecida como Mrs. Siddons, que seria a primeira grande atriz trágica inglesa, notabilizando-se, sobretudo pelo papel de Pórcia, em O Mercador de Veneza, de Shakespeare.

O teatro inglês da "restauração" caracterizou-se pela alegria, destacando-se entre os autores dessa época Willian Congreve, George Farquhar, Willians Wycherly e outros, cujas comédias ainda são representadas. Mas surgiram também autores de dramas e tragédias, como John Dryden, Thomas Shadwell, Thomas Otway e outros.




O Teatro espanhol fornece inúmeros enredos ao contemporâneo teatro inglês, que muito com ele se parece: variedade de enredos históricos, novelísticos, patrióticos, cômicos; construção em atos (jornadas) - que são, porém, três na Espanha e cinco na Inglaterra - sem grande preocupação pela coerência dramatúrgica e psicológica; dominam o espírito popular na assimilação de elementos eruditos e estrangeiros, e a combinação de força dramática e lírica. Os primeiros dramaturgos ingleses foram os University Wits, estudantes eruditos que se dignaram a escrever para outros teatros populares. A primeira obra notável é a Spanish Tragedy, de Kid (1558-1594), combinação de tragédia de horrores senequiana e de peça popular; é a primeira de muitas "tragédias de vingança", às quais também pertence Hamlet. A poesia aparece primeiro em Robert Greene (1558?-1592), e os dois elementos se fundem no poderoso Marlowe, precursor imediato de Shakespeare. São três gênios prematuramente desaparecidos. Depois, o trabalho dramatúrgico cai nas mãos de atores, como Shakespeare, ou de autores profissionais, que trabalham mal remunerados, para empresários. A literatura dramática não era considerada, naquele tempo, como verdadeira literatura.




A era de Shakespeare




Logo depois, o teatro inglês chega, com Shakespeare, ao seu ponto culminante. O estabelecimento da cronologia mais ou menos exata das suas obras revela uma evolução do seu pensamento e da sua arte, no sentido de maior concentração e de crescente pessimismo. Antigamente, essa mudança costumava ser explicada por experiências pessoais do poeta. Hoje se prefere salientar que a primeira fase coincide com a Renascença, no tempo da Rainha Elizabeth, e a segunda fase com o Barroco inglês, no tempo do Rei Jaime I. Dramaturgos elizabetanos ainda são Thomas Dekker (c.1572-c.1632), chamado o "Shakespeare em prosa", mas também ele cheio de poesia; e Thomas Heywood (1574?-1641), ao qual se deve a primeira tragédia doméstica e sentimental, "A woman Killed with Kindness" ( "Uma mulher assassinada com Ternura").

Entre os contemporâneos de Shakespeare, só um fica completamente independente da sua arte: seu amigo Ben Jonson, autor de eruditas tragédias tiradas da história romana e criador da comédia de caracteres, Every Man in his Humour ("Cada homem, cada temperamento"), com mordaz tendência satírica (Volpone). A influência de Shakespeare exerceu-se, sobretudo em sua segunda fase, no período do Rei Jaime, sobre os tragediógrafos barrocos. Assim, em (Marston c.1576-1634), poeta dramático indisciplinado; The Malcontent ("O insatisfeito") é obra de espírito, embora não de valor, hamletiano. Grande dramaturgo é Thomas Middleton (1580-1627); quase sempre colaborou com outros - métodos de trabalho muito bom na época - de modo que não é fácil determinar o que é seu e o que pertence aos seus colaboradores. Sua arte tem duas faces: comédias turbulentamente alegres à maneira elizabetana, The Roaring Girl ("A Rapariga Turbulenta"), e profundas e sombrias tragédias de inspiração barroca, The Changeling ( "A Criança Trocada" ).

O ponto mais alto da tragédia barroca inglesa são as poucas obras de John Webster (c.1580-c.1625), de cuja personalidade não se sabe quase nada; mas The White Devil ("O Diabo Branco") e The Duchesse of Malfi são obras de importância shakespeariana . Também não sabemos quase nada de Cyril Tourneur (c.1575-1626), nem sequer é possível verificar com certeza sua autoria de Revenger's Tragedy ("Tragédia do Vingador"), a obra mais sombria e umas das mais poderosas do teatro inglês. Do ponto de vista moral costuma-se classificar Tourneur como "decadente". Mas esse adjetivo se aplica a John Ford e sua mórbida preferência por casos de incesto e degradação; contudo, The Broken Heart ("Coração Desiludido") e Tis Pity She's a Whore ("Pena que ela seja Rameira") ainda pertencem, poeticamente, à grande época do teatro barroco inglês.

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